Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
30 de Outubro de 2014

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

No "Gotinhas" desta semana, estas e outras novas que passaram.

Quem é inteligente ouve Radiohead, quem não é ouve Beyoncé Nas universidades com melhores médias, ouve-se Radiohead e Beethoven, e naquelas com médias mais baixas, Beyoncé e Lil Wayne, mostrou a brincadeira de um programador americano. Virgil Griffith queria saber se havia uma relação entre a inteligência das pessoas e a música que ouviam.

O que é que o mono tem? O reencontro com os Beatles, como queriam que os ouvíssemos The Beatles In Mono reúne a discografia em vinil mono, o formato predominante da década de 1960 e que os Beatles privilegiavam. 882409 tp=UH&db=IMAGENS

Alfred Wertheimer não fazia ideia quem era Elvis, mas apanhou-o melhor do que ninguém "Elvis who?". Quando a assessora de imprensa da editora RCA Anne Fulchino pediu a Alfred Wertheimer para acompanhar uma nova estrela da editora, em 1956, o fotógrafo não fazia ideia quem era Elvis Presley. Wertheimer andava nessa altura a tentar a sua sorte como fotógrafo de moda, mas não era isso que queria fazer.

Sérgio Godinho: uma vida livre ao espelho O disco nasceu de uma encomenda do São Luiz, em Lisboa, e ali foi estreado e gravado em Abril, anunciando-se agora a reposição do espectáculo Liberdade no Porto, no Rivoli (sala bastante querida ao também portuense Sérgio Godinho, a 1 e 2 de Novembro) e em Lisboa, no Coliseu (a 22 de Novembro). Já o livro, a sua mais recente incursão na ficção, já está nas lojas com chancela da Quetzal: Vidadupla. Cruzam-se ambos, nesta conversa.

O Museu de Arte Antiga escondia uma "pequena preciosidade" chamada Crónica de Nuremberga Foi descoberto na biblioteca do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, um valioso incunábulo - uma obra impressa até 1500 -, que estava até agora guardada nos fundos, sem se saber da sua existência.

140 obras para contar uma História de mulheres 350 anos de alianças em que a história de Espanha se vai cruzando com a de Portugal e em que infantas de um e de outro lado eram um capital estratégico.

Picasso chegou finalmente a casa Foram cinco anos de obras que levaram Picasso a mais de seis milhões de visitantes em 20 exposições apresentadas em 13 países. Mas a partir deste sábado, dia de aniversário de Pablo Picasso (1881-1973), é a Paris que a obra do artista espanhol regressa.

O futuro vê-se da Cooperativa dos Pedreiros Ao longo do século XX, foi aqui que se construiu uma cidade (e a mística que a destina ao trabalho). Cem anos depois, a Cooperativa dos Pedreiros tem uma segunda vida: uma exposição mostra o que os artistas chamados a intervir pelo programa Technical Unconscious fizeram nas traseiras da única torre de onde se vê o Porto todo. 880859 tp=UH&db=IMAGENS

'ABZZZZ...', um dicionário sobre o sono por LusaOntemicn_comentarioComentar A capa do livro ShowAnimGroup(-1,%20'ThumbList',%205) SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb1",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"
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"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

No "Gotinhas" desta semana, estas e outras novas que passaram.

Quem é inteligente ouve Radiohead, quem não é ouve Beyoncé Nas universidades com melhores médias, ouve-se Radiohead e Beethoven, e naquelas com médias mais baixas, Beyoncé e Lil Wayne, mostrou a brincadeira de um programador americano. Virgil Griffith queria saber se havia uma relação entre a inteligência das pessoas e a música que ouviam.

O que é que o mono tem? O reencontro com os Beatles, como queriam que os ouvíssemos The Beatles In Mono reúne a discografia em vinil mono, o formato predominante da década de 1960 e que os Beatles privilegiavam. 882409 tp=UH&db=IMAGENS

Alfred Wertheimer não fazia ideia quem era Elvis, mas apanhou-o melhor do que ninguém "Elvis who?". Quando a assessora de imprensa da editora RCA Anne Fulchino pediu a Alfred Wertheimer para acompanhar uma nova estrela da editora, em 1956, o fotógrafo não fazia ideia quem era Elvis Presley. Wertheimer andava nessa altura a tentar a sua sorte como fotógrafo de moda, mas não era isso que queria fazer.

Sérgio Godinho: uma vida livre ao espelho O disco nasceu de uma encomenda do São Luiz, em Lisboa, e ali foi estreado e gravado em Abril, anunciando-se agora a reposição do espectáculo Liberdade no Porto, no Rivoli (sala bastante querida ao também portuense Sérgio Godinho, a 1 e 2 de Novembro) e em Lisboa, no Coliseu (a 22 de Novembro). Já o livro, a sua mais recente incursão na ficção, já está nas lojas com chancela da Quetzal: Vidadupla. Cruzam-se ambos, nesta conversa.

O Museu de Arte Antiga escondia uma "pequena preciosidade" chamada Crónica de Nuremberga Foi descoberto na biblioteca do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, um valioso incunábulo - uma obra impressa até 1500 -, que estava até agora guardada nos fundos, sem se saber da sua existência.

140 obras para contar uma História de mulheres 350 anos de alianças em que a história de Espanha se vai cruzando com a de Portugal e em que infantas de um e de outro lado eram um capital estratégico.

Picasso chegou finalmente a casa Foram cinco anos de obras que levaram Picasso a mais de seis milhões de visitantes em 20 exposições apresentadas em 13 países. Mas a partir deste sábado, dia de aniversário de Pablo Picasso (1881-1973), é a Paris que a obra do artista espanhol regressa.

O futuro vê-se da Cooperativa dos Pedreiros Ao longo do século XX, foi aqui que se construiu uma cidade (e a mística que a destina ao trabalho). Cem anos depois, a Cooperativa dos Pedreiros tem uma segunda vida: uma exposição mostra o que os artistas chamados a intervir pelo programa Technical Unconscious fizeram nas traseiras da única torre de onde se vê o Porto todo. 880859 tp=UH&db=IMAGENS

'ABZZZZ...', um dicionário sobre o sono por LusaOntemicn_comentarioComentar A capa do livro ShowAnimGroup(-1,%20'ThumbList',%205) SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb1",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p A escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Yara Kono juntaram-se para o álbum ilustrado "ABZZZZ...", um livro para os mais novos que é um abecedário sobre o sono, editado pela Planeta Tangerina.

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Quem é inteligente ouve Radiohead, quem não é ouve Beyoncé http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4196892&seccao=M%FAsica

Os Radiohead ficam na parte superior da tabela, juntamente com Beethoven, Bob Dylan e os U2. Fotografia (c) REUTERS/Hugo Correia Nas universidades com melhores médias, ouve-se Radiohead e Beethoven, e naquelas com médias mais baixas, Beyoncé e Lil Wayne, mostrou a brincadeira de um programador americano. Virgil Griffith queria saber se havia uma relação entre a inteligência das pessoas e a música que ouviam, e decidiu medi-la usando as médias de universidades e uma lista das bandas mais ouvidas por estudantes dessas faculdades, que tirou do Facebook. Depois, viu quais seriam as médias das pessoas que ouviam cada tipo de música ou banda, e mostrou que enquanto Beethoven, Radiohead e os U2 ficam no cimo da escala, já Lil Wayne, Jay-Z ou reggae caíam no extremo mais baixo. Griffith queria mostrar com o seu gráfico "Music That Makes You Dumb" (música que te torna estúpido) que as pessoas de médias mais altas ouvem música diferente das pessoas com médias mais baixas. Como destaca o site musical Consequence of Sound, porém, não se trata claro de um estudo científico. E mesmo Griffith, estudante de engenharia informática no California Institute of Technology, sublinha que "correlação é diferente de causalidade." O gráfico inteiro, com 133 tipos de música e bandas diferentes organizados pelas médias dos seus ouvintes, pode ser consultadoaqui.

O que é que o mono tem? O reencontro com os Beatles, como queriam que os ouvíssemos http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-que-e-o-mono-tem-o-reencontro-com-os-beatles-como-queriam-que-os-ouvissemos-1674410

The Beatles In Mono reúne a discografia em vinil mono, o formato predominante da década de 1960 e que os Beatles privilegiavam. 882409 tp=UH&db=IMAGENS O início dos Beatles, banda de rock'n'roll frenético e melodias pop irresistíveis, foi sonorizado com o som mais directo do mono, o formato áudio de eleiçãoDR 882409 tp=UH&db=IMAGENS 882410 tp=UH&db=IMAGENS 882411 tp=UH&db=IMAGENS Em 1934 Alan Blumlein, produtor da BBC, convocou os seus superiores. Queria fazer uma demonstração. Nela, ouvir-se-ia algo inédito, sons gravados em movimento no espaço, ou seja, em estereofonia. Infelizmente para Blumlein a gravação da London Philarmonic Orchestra interpretando a Sinfonia nº41 de Mozart não causou o efeito desejado. Os executivos deram-lhe uma palmadinha nas costas e encaminharam-no para outro projecto que lhes parecia promissor, uma caixa de imagens chamada televisão.

Alfred Wertheimer não fazia ideia quem era Elvis, mas apanhou-o melhor do que ninguém http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/ele-nao-fazia-ideia-quem-era-elvis-mas-apanhouo-melhor-do-que-ninguem-1674428

"Elvis who?". Quando a assessora de imprensa da editora RCA Anne Fulchino pediu a Alfred Wertheimer para acompanhar uma nova estrela da editora, em 1956, o fotógrafo não fazia ideia quem era Elvis Presley. Wertheimer andava nessa altura a tentar a sua sorte como fotógrafo de moda, mas não era isso que queria fazer. O fotojornalismo era o seu principal objectivo. Através de um fotógrafo da revista Life foi apresentado a Fulchino. A assessora gostou do seu trabalho e propôs-lhe que acompanhasse Elvis durante alguns dias. Décadas depois, por causa dessas imagens, Wertheimer tornou-se mundialmente famoso. O fotógrafo que conseguiu captar algumas das imagens mais icónicas do rei, morreu na semana passada, aos 85 anos, em Nova Iorque. "Não houve nenhum fotógrafo que Elvis tivesse deixado chegar tão perto da sua vida e da sua intimidade como o fez Alfred", disse Priscilla Presley, mulher de Elvis. As fotografias captadas durante as sessões de 1956 seriam usadas nas contra-capas de discos e algumas seriam distribuídas pelos jornais. A ideia era passar facilmente a imagem de Elvis em acção nos concertos, nos bastidores e em alguns aspectos da sua vida privada. O dinheiro que Wertheimer receberia em troca deste trabalho daria para pagar os rolos a preto e branco, as provas de contacto e as deslocações e, de vez em quando, uma ou outra refeição. Quando quis retratar Elvis a cores, a RCA achou que não era boa ideia e o fotógrafo teve de pagar os rolos do seu bolso. Em contrapartida, ficou com os direitos sobre os negativos e com o dinheiro da venda destas imagens para outras publicações. Um negócio que veio a revelar-se bem mais lucrativo para o homem da máquina fotográfica do que as duas partes alguma vez podiam imaginar. "Não houve nenhum fotógrafo que Elvis tivesse deixado chegar tão perto da sua vida e da sua intimidade como o fez Alfred" Priscilla Presley Com acesso privilegiado a locais onde o comum dos fotógrafos nunca poderia estar, Wertheimer acompanhou Elvis durante apenas dez dias, em diferentes ocasiões. Durante essas sessões captou cerca de 450 fotografias. Essas imagens são talvez as que melhor transmitem todo o caldeirão de sentimentos e situações que envolveram o cantor no ano em que foi definitivamente catapultado para a fama. O ano em que gravou Hound Dog e Don't Be Cruel, o 45 rotações mais vendido da década. O ano em que Elvis se tornou um ídolo para os adolescentes americanos. O ano em que deu os primeiros passos rumo ao estatuto de celebridade. Um tempo em que se entregava sem receios à objectiva. Uma proximidade que ficou demonstrada enquanto Elvis gravava Hound Dog e Don't Be Cruel, enquanto lia correspondência de admiradoras, enquanto comia sozinho ou olhava pela janela do comboio. Uma proximidade que chegou à intimidade com The Kiss, a imagem mais conhecida de Wertheimer que mostra Elvis de língua colada a uma rapariga nos bastidores. Pouco depois de uma grande exposição dedicada ao trabalho de Wertheimer sobre Elvis no Smithsonian Institution's National Portrait Gallery, em 2010, a rapariga do beijo haveria de se revelar através de uma reportagem publicada na revista Vanity Fair. Na altura, Junho de 1956, Alfred Wertheimer não perguntou quem era aquela mulher que enfeitiçou Elvis e garante que ninguém do círculo restrito do rei sabia. Nem ele. A incógnita durou muito tempo, mas não foi por causa das feições da rapariga se esconderem na perspectiva. Entre as fotografias onde aparece a mulher que encantou Elvis na noite em que estava prestes a actuar para milhares de pessoas no Mosque Theatre, em Richmond, há muitas em que esta enfrenta a câmara sem rodeios. Apenas três meses depois do beijo na ponta da língua, The Kiss foi parar às páginas de uma publicação especial chamada The Amazing Elvis Presley (tiragem de 100 mil exemplares a 35 cêntimos cada). E daqui foi estampada na Life e depois em centenas de outros títulos mais. A família da mulher escultural, reformada de um negócio de imobiliário, sabia da namoriscadela com Elvis. E sabia das fotografias. Mas sempre respeitaram o seu desejo de não dar a cara pela fotografia que está em quase todo lado onde o nome de Elvis aparece. The Kiss foi escolhida para os materiais de promoção da exposição Elvis at 21: New York to Memphis, no Smithsonian, que reuniu dezenas de fotografias da lendária série de Wertheimer. O certo é que o poder da imagem parece ter vencido o do silêncio. E, mais de cinco décadas depois, a mulher do beijo decidiu mostrar o rosto e dar o nome. Chama-se Barbara Gray. "Elvis permitiu-me proximidade. Sem ela não teria conseguido as imagens de intimidade que consegui", afirmou Wertheimer numa entrevista, em 2010. "Ele fazia dele próprio. Era o melhor realizador da sua própria vida e eu não teria feito melhor se o tivesse tentado", acrescentou. Segundo o New York Times, esta série de Alfred Wertheimer esteve esquecida durante muito tempo, apesar de um ligeiro ressurgimento logo depois da morte de Elvis, em 1977. A segunda vida destas imagens aconteceu nos anos 1990 por iniciativa de Chris Murray, dono da Govinda Gallery, sediada em Washington e especializada em arte relacionada com o mundo do rock. Durante as duas décadas, Wertheimer organizou inúmeras exposições em todo o mundo e publicou vários livros, entre os quais um com a chancela da Taschen. Alfred Wertheimer nasceu em 16 de Novembro de 1929, em Coburg, na Alemanha. Chegou a Nova Iorque com os pais em 1936, em fuga da perseguição nazi aos judeus. Licenciou-se em Design em Publicidade, em 1947, e começou a tirar fotografias para o jornal Cooper Union com uma câmara oferecida pelo irmão mais velho, Henry. Regressou à Alemanha em 1952 integrado no Exército americano como fotógrafo. De regresso aos EUA, trabalhou com o fotógrafo de moda Tom Palumbo enquanto fazia biscates para outros clientes como a RCA, através da qual fotografou artistas como Perry Como, Arthur Rubinstein, Lena Horne e Nelson Eddy. De acordo com o obituário publicado pelo New York Times, nos anos 60 Wertheimer dedicou-se ao cinema (foi um dos autores do documentário Woodstock), onde experimentou a montagem. Nos últimos anos dedicou-se em exclusivo à promoção do seu trabalho fotográfico, aparecendo em exposições e conferências sobre Elvis Presley.

Sérgio Godinho: uma vida livre ao espelho http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/sergio-godinho-uma-vida-livre-ao-espelho-1673607

O disco nasceu de uma encomenda do São Luiz, em Lisboa, e ali foi estreado e gravado em Abril, anunciando-se agora a reposição do espectáculo Liberdade no Porto, no Rivoli (sala bastante querida ao também portuense Sérgio Godinho, a 1 e 2 de Novembro) e em Lisboa, no Coliseu (a 22 de Novembro). Já o livro, a sua mais recente incursão na ficção, já está nas lojas com chancela da Quetzal: Vidadupla. Cruzam-se ambos, nesta conversa. O seu regresso definitivo do exílio, em 1974, fez-se directamente para o teatro, para uma peça intitulada Liberdade, Liberdade, versão portuguesa de um original de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, estreado no Rio, no Teatro Opinião, em 1965. Uma liberdade "dupla"... É verdade. Vim como actor, substituir o Luís de Lima. Éramos três actores, dois monstros com uma rodagem enorme, a Maria do Céu Guerra e o João Perry, e eu, com uma rodagem muito limitada [Teatro Universitário do Porto, Hair, Living Theatre, etc.] mas que me agarrei àquele desafio. Foi o Zé Mário Branco, que era o director da parte musical, que me contactou. Havia músicas dele, do Fausto, clássicos da música internacional e um cantor, o Carlos Cavalheiro (que depois convidei para o disco A Boca do Lobo). Eu tinha estado cá em Portugal, em Maio, e tinha programado uma viagem à Europa. Caí no caldeirão dos cantos livres, e ainda bem, e o primeiro em que estive foi curiosamente no São Luiz, onde este ano estreei Liberdade. Mas ainda planeava voltar ao Canadá, a Shila estava grávida, a Jwana (a minha filha mais velha) ia nascer em Julho e eu era considerado refractário, portanto não sabia se podia sair e voltar. Mas garantiram-me que sim e, em Setembro, quando o Zé Mário me lançou esse convite para a peça, disse: "Fazemos já as malas e 'tchau' Canadá". Quarenta anos depois, como foi recriar a ideia de liberdade num espectáculo musical? A liberdade era o conceito que atravessava essa peça, assim como foi o conceito que atravessou o 25 de Abril, não é por acaso que se chama Dia da Liberdade. Para mim, a liberdade, que agora dá nome a este disco ao vivo, é pedra de toque na minha vida. Todos os meus gestos têm de ter essa procura -- liberdade responsável, é evidente, mas que só toma sentido, como eu digo na canção, se os seus conteúdos forem preenchidos. Por isso é que eu falo da paz, do pão, habitação, saúde, educação... e podia acrescentar a justiça e outras coisas mais. São conceitos pelos quais é preciso lutar, para que adquiram plenos sentidos.

Liberdade Autoria: Sérgio Godinho Universal Na escolha dos temas do disco, há uns que se relacionam com a liberdade política, mas há outras maneiras de lidar com a liberdade: a da Etelvina, a do fugitivo, a das praxes... Quando me foi feito o convite para fazer um espectáculo pensando nos 40 anos do 25 de Abril, o nome que me veio à tona foi logo essa palavra: Liberdade. E todas estas canções exploram de certo modo esse sentimento, essa ânsia de liberdade. O inédito Tem o seu preço, que escrevi este ano para o Teatro Praga, tem uma frase que é "andar à solta, criar laços nesta vida". Quando falei de liberdade responsável, não é aquela coisa certinha nem politicamente correcta. É a liberdade individual, o "andar à solta"; e o "criar laços nesta vida", que é a liberdade colectiva que devíamos procurar nas nossas relações com os outros. No caso das praxes, Maçã com bicho é mesmo uma interrogação sobre a liberdade, a submissão, o "humor" da humilhação (que é a essência das praxes). Por muito que se diga que são brincadeiras inocentes, há ali algo de muito baixo, que deforma a visão da sociedade e do mundo. Há aqui também uma canção de José Afonso, que ele cantava mas nunca gravou, Na rua António Maria, numa referência à PIDE. Entrou por antítese à liberdade? Essa canção reavivei-a até para outra altura, os 40 anos do espectáculo histórico de Março de 1974 em que se cantou a Grândola no Coliseu. Cantei Os Vampiros, porque me pareceu que a versão que tínhamos feito para o Caríssimas Canções era uma versão poderosa; e cantei Na rua António Maria, que eu sempre ouvi o Zeca cantar e tinha de memória a melodia. É muito ágil, tem uma ironia muito "zequiana" e fala de um branqueamento de um nome que já trazia um passado histórico, a PIDE, passada então a DGS. "Tem três letrinhas apenas/ mas outro nome lhe dão/ nesta fortaleza antiga/ só não muda a guarnição". E tem um lado muito actual, ao falar de "um novo Pina Manique/ com outra lábia, com outro tique".

A intimidade de um fim Ler crítica E uma canção como Que força é essa?, que actualidade lhe conferem os dias de hoje? Ouve-se muito em manifestações colectivas, ainda. É o estar acordado e não usar a força que se tem a não ser para o conformismo, para a submissão. Vê-se na razia nas obrigações sociais deste Governo, que já vem de trás, e no desemprego, que deixa tanta gente sem perspectivas. Impressiona-me o desemprego jovem, mas ainda mais o das pessoas que já têm mais idade e que não têm a mesmo capacidade de regeneração que um jovem pode ter. Curiosamente, no seu livro Vidadupla o desemprego está presente nalgumas personagens. É preciso dizer que este livro, que são nove contos, é sempre narrado na primeira pessoa: homens, mulheres. No caso do conto Queria só falar da minha história de amor, a mulher que o narra é uma boa trabalhadora, tem brio no que faz e não compreende que outros não possam ser tão competentes ou tão briosos como ela. E é conflituosa nisso. Ao mesmo tempo tem uma história de amor com outra operária, começam a viver juntas. Uma das coisas que é humilhante para ela é quererem-na despedir sendo ela boa trabalhadora. Sim, e falam em quotas nos despedimentos: "de bons, médios e mesmo maus operários". É verdade, também os maus! É uma parábola, mas muito aproximada do real. É isso que faz com que ela se despeça mesmo antes de ser despedida, para não passar por essa humilhação. Mesmo sem indemnização, diz ela. Digamos que é um impulso idealista. Nove contos, como os nove meses para um parto, nove passos para chegar a este livro. E no entanto ele foi impulsionado pelo conto Notas soltas da corda e do carrasco, verdade? É curioso, não tinha pensado nisso dos nove. Quanto ao conto é verdade. Quando um outro o reconhece, mesmo estando ele de capuz e lhe diz 'eu sei quem tu és', ele, que se sentia como um operário sem responsabilidade moral perante o executado, fazendo o seu ofício ("a ética está na lei") compreende que há um dilema moral e procura uma espécie de expiação, matando ele mesmo e portanto sendo executado. Eu acho que todos estes contos, que têm sempre uma vertente simbólica, jogando sobre interrogações da vida, da morte, estão relacionados com o outro, com a descoberta do outro de um modo geral. Tentar perceber quem é o nosso espelho, o nosso outro eu, aliás há muitos espelhos nestes contos. E no trabalho de ficção que faço há também uma procura dos outros "eus". Até por excesso, no conto que talvez menos tem a estrutura de conto, é apenas uma prosa poética, Osmose. Porque esse homem não tem vida própria, só se reconhece através dos outros. Por isso é que há muitas citações, ele cita escritores amigos, cita a Cecília Meireles. Sérgio Godinho: Liberdade ao vivo PORTO, Teatro Rivoli 1 e 2 de Novembro Sábado, às 21h30; Domingo, às 17h LISBOA, Coliseu dos Recreios 22 de Novembro Sábado, às 22h Até há uma citação de Márcia, a cantora portuguesa, da canção Camadas. É verdade. Deve haver gente que nem sabe. Porque estão ali o Millôr Fernandes, a Cecília Meireles e depois há a Márcia: "Não fiz camadas do meu ser só para ti". É muito misterioso o processo de ficção, porque vamos descobrindo uma personagem que vai um bocadinho à frente de nós. Ao mesmo tempo que se constrói um personagem, estamos a ditar novas interrogações para esse personagem. Nesse jogo de espelhos, são também recorrentes descrições de ausências. Logo no início, a actriz face ao lençol, como depois no desaparecimento do jovem amante do falso culpado ou no caso do morto que não aparece em O pré-catastrofista. Até mesmo o cavalo desse belíssimo conto que é O circo de três pistas, ao transformar-se numa não-existência. Essa é também uma metáfora sobre o circo, o andar à volta e não poder sair daquela roda. É uma rapariga de circo, que nasceu ali, os pais já eram do circo. De repente, um dia, numa volta à pista, naquela vaidade mútua de receberem os aplausos, o cavalo que ela montava guina para a porta de saída, ele manda-o de volta, cai do cavalo e parte uma perna. Mas compreende que o cavalo lhe tinha mostrado o caminho de saída. E fogem, numa fuga que é quase naïve, bebendo a água dos ribeiros, como numa fábula. E de facto, aquele amor, que é carnal, toma outro caminho quando é o cavalo que procura a liberdade, que desaparece. À procura dos semelhantes. Ela fica destroçada mas conclui que mesmo que seja a liberdade de outra cerca ("a liberdade mesmo pobre e falsa") é aquela que ele escolhe. Voltamos assim à ideia de liberdade, ao título do disco. Cruzando-a agora com o título do livro: será que a liberdade, em Portugal, tem uma vida dupla? Quando se diz "isto está pior do que antes do 25 de Abril", é verdade que há indicadores absolutamente assustadores. Ainda agora se comparou, por causa deste Orçamento do Estado, o poder de compra dos portugueses e o que o salário real vale perante isso. Agora: não há dúvida de que vivemos num regime que tem liberdade. Mesmo cheia de constrangimentos. E cerceada de maneiras muito ínvias. Claro que se progrediu em muita coisa, como o grau de alfabetização, embora haja muitos analfabetos funcionais que acham que não são analfabetos. O que é lamentável é estarmos a repetir caminhos que pensávamos ter já deixado para trás, como a emigração, que aumentou de maneira brutal porque não há perspectivas. E isso vai para lá do problema da liberdade, tem a ver com a dignidade. A dignidade das pessoas está muito ferida. Mas elas têm de lutar com as armas da sua liberdade, a que existe, que está nelas e é preciso defender. Neste disco está o Maré Alta, a letra mais breve que já escrevi, em 1971, numa altura em que a liberdade não estava a passar por aqui, mas essa afirmação era já: a liberdade como valor existe, o solo que pisamos é livre, defendamo-lo. A liberdade é um direito e um dever. Temos é de a construir, sempre.

O Museu de Arte Antiga escondia uma "pequena preciosidade" chamada Crónica de Nuremberga http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-biblioteca-do-museu-de-arte-antiga-escondia-uma-pequena-preciosidade-chamada-cronica-de-nuremberga-1674383

Foi descoberto na biblioteca do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, um valioso incunábulo - uma obra impressa até 1500 -, que estava até agora guardada nos fundos, sem se saber da sua existência. Um dos primeiros livros impressos da história, um dos maiores livros ilustrados da época. Liber chronicarum, de 1493, também conhecido como Crónica de Nuremberga ou Crónica do Mundo, de Hartmann Schedel (1440-1514), é a "nova" peça do museu e está disponível para consulta, mediante autorização. Foi descoberto há cerca de um mês mas só agora a novidade foi anunciada no Facebook do museu, numa publicação que somou mais de uma centena de partilhas. Impresso em Nuremberga em 1493 e com xilogravuras de Michael Wolgemut e Hans Pleydenwurff, Liber chronicarum chegou ao museu através do Legado Barros e Sá, o coleccionador de arte, que deixou ao MNAA em 1981 o seu espólio de mobiliário, ourivesaria, artes decorativas e livros antigos. Foi exactamente no fundo bibliográfico, que está a ser catalogado, que foi descoberto este incunábulo. "Quando esta colecção aqui entrou, foi feito um pequeno inventário mas agora estamos a introduzir toda essa biblioteca na base de dados. O senhor tem uma colecção de livros antigos espantosa mas não estava à espera de encontrar esta pequena preciosidade", diz ao PÚBLICO Luís Montalvão, o bibliotecário responsável pela biblioteca do MNAA desde há três anos. "Os incunábulos são obras que vão desde o início da história da impressão até 1500, são os primórdios da impressão", explica Montalvão, contando que o livro encontrado tem uma "encadernação moderna, feita nos finais do século XIX, início do século XX, e por isso até dava a impressão de que era uma edição fac-similada". Foi quando começou a analisar a peça que percebeu o que ali estava, até porque, conta o bibliotecário, "o próprio coleccionador tinha alguns documentos sobre o livro, coleccionava com critério, sabia o que estava a comprar". Desde que em 1981 o acervo de Barros e Sá chegou ao MNAA que várias peças foram integradas na exposição permanente, o estudo biblioteconómico, porém, que permitiria a compreensão integral do valor desta obra, só agora está a acontecer. Antes do incunábulo, já tinha sido descoberto neste arquivo a publicação Theatrum Sabaudae, que integrou recentemente a exposição Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim 1730-1750). Liber chronicarum, escrito em latim, conta a história do mundo em sete capítulos e apresenta mais de 1800 gravuras em madeira, que incluem mapas e panoramas de várias cidades. "Na altura foi um livro muito popular, era muitíssimo ilustrado. É uma espécie de história do mundo à seculo XV, começa com a história sagrada, Adão e Eva, o Dilúvio, etc., e depois tem muitas imagens acerca de várias cidades, personalidades, santos. É um livro lindíssimo", diz Luís Montalvão, explicando que este é o único incunábulo do MNAA. "Existem manuscritos mais antigos, no Gabinete de Estampas e Desenhos, mas uma obra destas de 1493 não", continua, explicando que esta obra está catalogada e digitalizado em várias bibliotecas do mundo. Na Universidade do Porto, por exemplo, existe um exemplar destes e em 2010, inclusive, a Christie's leiloou um outro exemplar que acabou arrematado por 85,3 mil euros, um valor acima dos 44 mil euros estimados pela leiloeira. Também a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, que tem uma colecção de incunábulos com 1597 títulos, segundo a informação disponível no seu site, detém nos seus impressos reservados esta obra, que pode ser consultada, sob autorização, à semelhança do que acontece no MNAA. "Um incunábulo é sempre raro e neste caso é surpreendente a qualidade do livro que está num estado impecável, é preciso ver que estas eram obras feitas de uma forma muito artesanal", diz o bibliotecário, acrescentando existirem "muitas especulações acerca das ligações entre as gravuras de Liber chronicarum e o trabalho posterior do célebre artista alemão Albrecht Dürer (1471-1528)". "Dürer terá trabalhado na oficina de Michael Wolgemut", conta. Esta obra ficará agora nos reservados da biblioteca do MNAA. "É um livro que obviamente vai ser usado e poderá até figurar numa das exposições que o museu faça. Está catalogado, identificado e é mais uma peça do nosso património."

140 obras para contar uma História de mulheres http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/140-obras-para-contar-uma-historia-de-mulheres-1673784

350 anos de alianças em que a história de Espanha se vai cruzando com a de Portugal e em que infantas de um e de outro lado eram um capital estratégico. Gulbenkian mostra agora que alguns destes casamentos por conveniência deram em histórias de amor. 881077 tp=UH&db=IMAGENS

O retrato de Isabel, a Católica, abre a exposiçãoDANIEL ROCHA 881077 tp=UH&db=IMAGENS 881079 tp=UH&db=IMAGENS 881080 tp=UH&db=IMAGENS 881081 tp=UH&db=IMAGENS 881082 tp=UH&db=IMAGENS 881083 tp=UH&db=IMAGENS 881084 tp=UH&db=IMAGENS 881085 tp=UH&db=IMAGENS 881086 tp=UH&db=IMAGENS 881087 tp=UH&db=IMAGENS

Picasso chegou finalmente a casa http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/picasso-o-artista-contrarevolucionario-chegou-finalmente-a-casa-1673987

Foram cinco anos de obras que levaram Picasso a mais de seis milhões de visitantes em 20 exposições apresentadas em 13 países. Mas a partir deste sábado, dia de aniversário de Pablo Picasso (1881-1973), é a Paris que a obra do artista espanhol regressa.

O futuro vê-se da Cooperativa dos Pedreiros http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-futuro-vese-da-cooperativa-dos-pedreiros-1673589

Ao longo do século XX, foi aqui que se construiu uma cidade (e a mística que a destina ao trabalho). Cem anos depois, a Cooperativa dos Pedreiros tem uma segunda vida: uma exposição mostra o que os artistas chamados a intervir pelo programa Technical Unconscious fizeram nas traseiras da única torre de onde se vê o Porto todo. 880859 tp=UH&db=IMAGENS

Durante 40 anos, foi aqui que a Cooperativa dos Pedreiros teve as oficinas de onde exportou para todo o mundoFERNANDO VELUDO/NFACTOS 880859 tp=UH&db=IMAGENS 880862 tp=UH&db=IMAGENS 880864 tp=UH&db=IMAGENS 880866 tp=UH&db=IMAGENS 880867 tp=UH&db=IMAGENS 880868 tp=UH&db=IMAGENS 880870 tp=UH&db=IMAGENS 880871 tp=UH&db=IMAGENS 880872 tp=UH&db=IMAGENS 880873 tp=UH&db=IMAGENS

Há dias em que chove dentro do pequeno museu da Cooperativa de Produção dos Operários Pedreiros Portuenses, nas traseiras da torre muito gráfica que em 1969, ao cimo da Rua D. João IV, tornou ainda mais alto (13 andares mais alto) o ponto mais alto do Porto. É uma sala cheia de luz onde é raro alguém entrar - mas para o caso de haver quem pergunte o que fazemos aqui, bom, temos uma história de ressurreição para contar.

'ABZZZZ...', um dicionário sobre o sono http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4208199&seccao=Livros

'ABZZZZ...', um dicionário sobre o sono por LusaOntemicn_comentarioComentar A capa do livro ShowAnimGroup(-1,%20'ThumbList',%205) SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb1",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p%20class=\"legenda-foto-txt\">A%20capa%20do%20livro</p><p%20class=\"legenda-foto-copy\">Fotografia%20%C2%A9%20Direitos%20reservados</p>") SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb2",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p%20class=\"legenda-foto-txt\">Uma%20das%20p%C3%A1ginas%20de%20%27ABZZZ...%27</p><p%20class=\"legenda-foto-copy\">Fotografia%20%C2%A9%20Direitos%20reservados</p>") SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb3",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p%20class=\"legenda-foto-txt\">Uma%20das%20p%C3%A1ginas%20de%20%27ABZZZ...%27</p><p%20class=\"legenda-foto-copy\">Fotografia%20%C2%A9%20Direitos%20reservados</p>") SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb4",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p%20class=\"legenda-foto-txt\">Uma%20das%20p%C3%A1ginas%20de%20%27ABZZZ...%27</p><p%20class=\"legenda-foto-copy\">Fotografia%20%C2%A9%20Direitos%20reservados</p>") SwitchPhoto("Photo4201",%20"Thumb5",%20null,%20null,%20null,%20"BigImageDetails",%20"<p%20class=\"legenda-foto-txt\">Uma%20das%20p%C3%A1ginas%20de%20%27ABZZZ...%27</p><p%20class=\"legenda-foto-copy\">Fotografia%20%C2%A9%20Direitos%20reservados</p>") ShowAnimGroup(1,%20'ThumbList',%205) A capa do livro Fotografia (c) Direitos reservados A escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Yara Kono juntaram-se para o álbum ilustrado "ABZZZZ...", um livro para os mais novos que é um abecedário sobre o sono, editado pela Planeta Tangerina. "Já foi provado pela ciência que ninguém vive sem dormir, por isso criámos este ABC do sono, um livro que, se tudo correr bem, nos fará adormecer muito antes de o abecedário chegar ao fim", afirmam as autoras na contracapa do livro. Cada página corresponde a uma letra do alfabeto e respetiva ilustração. Por exemplo A de (olhos) abertos, B de bocejar - "está provado cientificamente: os bocejos são contagiosos" - e C de cérebro, porque "o sono é um programa de arrumar o cérebro". O livro desenrola-se com interrogações e em diálogo direto com o pequeno leitor: "Despede-te do dia. Medos, vontades, lembranças, passeios, corridas e danças. Deixa tudo para trás. És capaz?". Isabel Minhós Martins e Yara Kono são duas das fundadoras da editora Planeta Tangerina, tendo já colaborado nos álbuns "Uma onda pequenina", "Como é que uma galinha..." e "A manta, uma história aos quadradinhos". "Inventário ilustrado de animais com cauda" publicado em Portugal

Por aqui me fico, com a promessa de voltar para a semana! Até breve!
publicado por Musikes às 11:02 link do post
29 de Outubro de 2014

"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz.” Aristóteles

GRANDES MÚSICAS… GRANDES ÉPOCAS!...

MÚSICA CLÁSSICA (1750-1810)

“Mas Mozart estava feliz. Conseguira a liberdade que desejava, e só restava conquistar o público vienense. O que ele conseguiu, pelo menos nos primeiros anos. Ele se tornou um virtuose (era mais respeitado como intérprete do que como criador, mal, aliás, que atingiu grande parte dos grandes compositores) conhecido e requisitado, e levava a vida com certa fartura. (…) Neste clima, os primeiros anos vienenses de Mozart foram tranqüilos, mas ele não era exatamente uma pessoa tranqüila. Como escreveu seu cunhado Lange, que pintou seu retrato, o compositor exprimia uma certa "angústia íntima", que contrastava com a alegria e frivolidade que demonstrava em sociedade. Era uma pessoa melancólica e irriquieta ao mesmo tempo. A busca deste "eu", que sempre angustiou Mozart, levou-o à maçonaria. Ele entrou na ordem como aprendiz em 1784, e no ano seguinte já era mestre. Foi uma adesão séria, e realmente engajada, como atestam uma série de obras de inspiração maçônica, que datam desta época. A influência da maçonaria não se limitou a essas obras dedicadas à ordem. Em outras peças do período, Mozart atinge o ponto alto em matéria de profundidade e expressão pessoal. São obras às quais não foram impostas nenhuma amarra - nem a corte, nem a burguesia - e simbolizam a conquista da liberdade tão almejada pelo compositor. Era um homem livre, talvez o primeiro da História da Música.” (http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart, Las bodas de Fígaro/Le Nozze di Figaro (subtítulos en inglés) Caixa de entrada http://youtu.be/FqVLkHgvHfI

“Mas sua popularidade entre a sociedade vienense cai, talvez em conseqüência disso - afinal, Mozart estava compondo mais para si do que para o público. A grande ópera As Bodas de Fígaro, estreada em 1786, foi um fracasso financeiro, e as preocupações materiais começam a aparecer. Um refúgio temporário foi Praga. Lá a acolhida de As Bodas de Fígaro foi entusiástica, o que levou à encomenda de outra ópera: Don Giovanni. Foi um sucesso estrondoso entre os tchecos, mas a estréia em Viena resultou em fiasco igual ou maior ao da ópera anterior. A situação econômica de Mozart piora muito, o que pode-se notar pelo número de empréstimos e de dívidas. As encomendas rareavam, e a fama já não mais existia. Em 1791, recebeu, de um amigo maçom, a encomenda de uma ópera. Seria uma ópera diferente, não para ser encenada para o Imperador, mas para o povo. A história, por meio de um conto de fadas, fazia a apologia da maçonaria e de seus valores (a busca de si mesmo, a sabedoria e a fraternidade). Era A Flauta Mágica, a maior obra-prima de Mozart. Sua estréia, em um pequeno teatro popular na periferia de Viena, foi um triunfo total e contínuo. As apresentações não cessavam e a fama da ópera correu toda a cidade, como uma coqueluche.” (http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart - A Flauta Mágica Caixa de entrada http://youtu.be/hD89QvfHdVc

“As encomendas a Mozart, conseqüentemente, aumentaram de maneira substancial. Entre elas, um réquiem. Há muitas lendas em torno deste assunto. Fala-se de um "homem misterioso", que teria feito a encomenda, sem se identificar, e cuja presença aterrorizaria Mozart, já próximo de sua própria morte. O homem misterioso seria a Morte personificada? O filme Amadeus, de Milos Forman, mostra o compositor rival, Antonio Salieri, como o encomendante. De fato, por algum tempo acreditou-se que Mozart teria sido envenenado pelo invejoso e rancoroso Salieri. Atualmente, não há porque levar a sério essa hipótese, mas a vida de grandes artistas sempre suscitam grandes fantasias - como exemplo, as lendas em torno de Paganini. Na realidade, não há nenhum "homem misterioso". O Requiem fora encomendado por um nobre, o conde von Walsegg-Stuppach, que queria homenagear a memória da esposa e fazer-se passar como o compositor da música. Mozart, muito atarefado (muitas encomendas e apresentações da Flauta Mágica) e doente (seus rins estavam quase destruídos), foi escrevendo o Requiem quando podia, apressadamente, dando até mais importância para outras obras. Estaria ele incomodado pelo fato de escrever uma missa fúnebre? Especulações à parte, o fato é que não conseguiu cumprir a encomenda. Wolfgang Amadeus Mozart morreu em 5 de dezembro de 1791. (...) o Requiem, completado pelo discípulo Franz Xaver Süssmayr, acabou sendo composto para si mesmo.” (http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Introitus Requiem Aeternam http://videos.sapo.pt/rneCUlBgqc7qWnzC7MuW

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Kyrie Eleison http://videos.sapo.pt/6Bk5U8LKkdcEKzdJ1BGw

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Dies Irae http://videos.sapo.pt/d543vjw11NNdDPzjkYhu

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Tuba Mirum http://videos.sapo.pt/22s12F9zBjGlBaUAj2DV

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Rex Tremendae Majestatis http://videos.sapo.pt/ybNzBGtqtJfiDl8KgmyL

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Recordare, Jesu Pie http://videos.sapo.pt/4pO0imCWm77Rk2Mj58Vp

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Confutatis Maledictis http://videos.sapo.pt/da7IpvjYwboqKZw7ZOp0

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Sequentia Lacrimosa Dies Illa http://videos.sapo.pt/TaqwpJP06ytsQiQdZqv9

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Offertorium Domine Jesu Christe http://videos.sapo.pt/NkFwkKfMraGARH9zJUSA

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Offertorium Hostias Et Preces http://videos.sapo.pt/eBAZfDZiERzoE9uA74wS

Mozart Requiem In D Minor, K 626 – Sanctus http://videos.sapo.pt/2BLAakKAhtY3cW1ALkqY

Mozart Requiem In D Minor, K 626 – Benedictus http://videos.sapo.pt/iIpMaT0YoHndoWuYtt00

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Agnus Dei http://videos.sapo.pt/Nlfp41THwzyBkSi1tB6k

Mozart Requiem In D Minor, K 626 - Communio Lux Aeterna http://videos.sapo.pt/jTr4a4NDvm8LwZKdVQ0t

Se a curiosidade te agita, aqui fica o link para visionares ao vivo uma grande orquestra a executar esta mesma obra. Boa audição! 

Mozart Requiem D minor K 626 Herbert von Karajan Wiener Philarmoniker Caixa de entrada http://youtu.be/L5w35qygC9U

“Por isso!... Não percas o próximo post… porque nós… também não!!!”
publicado por Musikes às 09:49 link do post
23 de Outubro de 2014

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram.

Manhas e ciumeiras no Palácio de Queluz O estudo da música do passado não é uma curiosidade para ratos de biblioteca. Em Portugal, graças a investigadores e a centros de estudos musicais, têm-se descoberto e investigado nas últimas décadas as obras de alguns dos mais significativos compositores portugueses.

Victorino D'Almeida homenageado na Madeira elogia Orquestra Clássica, Conservatório e Funchal Foi com o desejo de muita sorte para a Orquestra Clássica da Madeira (OCM) e o Conservatório que o maestro Victorino D'Almeida terminou a sua intervenção no final da cerimónia de homenagem que foi alvo, nesta tarde, precisamente naquela instituição de ensino artístico no Funchal.

A Música do Futuro e o Futuro da Música | Entrada Livre Caixa de entrada O Fórum do Futuro pretende transformar o Porto na capital mundial do futuro, ao longo de uma semana dedicada à ciência, à cultura e as ideias. Figuras de topo de várias áreas do conhecimento concentram-se na cidade nestes dias.

Defender o livro, assegurar o futuro europeu A edição deste ano da Feira de Frankfurt fica marcada pela aprovação da primeira declaração conjunta de defesa do livro, que congregou vários destacados dirigentes de organizações europeias ligadas ao sector editorial, o que confere ao acto um redobrado valor, sobretudo por ter ocorrido num certame com aquela importância e num momento de profunda reflexão sobre o que irá ser, por razões tecnológicas, políticas, sociais e económicas, o futuro do próprio livro no continente que o viu nascer com as características que ainda hoje sustentam a sua identidade e representatividade.

Digitalizar colecções cria emprego e dá nova vida aos museus e bibliotecas No momento em que o Parlamento acolhe os Dias da Memória, a responsável máxima pela Europeana, Jill Cousins, explica o que é esta gigantesca biblioteca digital, que quer tornar acessível e utilizável toda a herança cultural europeia. Até ao momento, já colocou online digitalizações autenticadas de mais de 32 milhões de peças.

Reabilitação de azulejos da estação de São Bento premiada O projeto de reabilitação dos painéis de azulejo na estação de São Bento, Porto, foi distinguido com um prémio Brunel de 2014, na categoria de estações, anunciou hoje a Rede Ferroviária Nacional (Refer).

Azulejos portugueses são um dos 12 tesouros da Europa, segundo o NYT A luz inconfundível e o Tejo sempre à vista fazem de Lisboa uma cidade que agrada aos turistas. Agora, o jornal norte-americano The New York Times recomenda aos leitores outro tesouro reconhecidamente português.

Os museus também têm sentimentos de culpa A pergunta foi feita para inquietar: “Podemos descolonizar os museus?” Num congresso com portugueses, espanhóis e latino-americanos, a resposta foi óbvia. Mas como é que isso se faz? Com uma estratégia de proximidade, criando museus em que a jóia de um rei é tão importante como um pneu velho ou a fotografia de um avô que poucos conhecem e foi morto pela ditadura.

O homem que recusava ser a sua própria revolução Baal não é só uma peça de teatro, é um manifesto que haveria de servir para ler o século XX.

***

Conhecer é saber. Ora… vamos a isto!

Manhas e ciumeiras no Palácio de Queluz http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/manhas-e-ciumeiras-no-palacio-de-queluz-1673520

O estudo da música do passado não é uma curiosidade para ratos de biblioteca. Em Portugal, graças a investigadores e a centros de estudos musicais, têm-se descoberto e investigado nas últimas décadas as obras de alguns dos mais significativos compositores portugueses. E muitos desses trabalhos não tem ficado na gaveta: têm sido decisivos não só para conhecer a história, mas para alargar a possibilidade de apresentação pública de obras de grande interesse antes praticamente desconhecidas. É certo que João de Sousa Carvalho, um dos maiores compositores portugueses da segunda metade do século XVIII, já não é um desconhecido entre nós. E teve a sorte de ter grande parte das suas obras guardadas intactas na Biblioteca da Ajuda, ou não tivesse sido um dos compositores da corte mais apreciados do seu tempo. As suas óperas e serenatas têm sido, a pouco e pouco, reveladas por alguns dos melhores intérpretes da música antiga em Portugal. E é importante saber que o estudo e a interpretação, a história e a prática musical são actividades que se complementam, e se estimulam dialecticamente, tanto como a audição e a reflexão crítica precisam uma da outra. Vem isto a propósito da apresentação pelo grupo Concerto Campestre de uma Serenata de João de Sousa Carvalho, no Palácio de Queluz, dirigida pelo oboísta e investigador Pedro Castro. O local do concerto é certeiro para voltar a apresentar esta obra dedicada à irmã da rainha D. Maria I, de seu nome Maria Francisca Benedita, na ocasião do seu aniversário. Em vez de "parabéns a você" (que não existiam...), o compositor fez uma serenata, uma peça dramática (mas em geral não encenada) com recitativos "secos" e acompanhados, árias, duetos e um coro final de carácter festivo. A história nada tem a ver com a aniversariante, centrando-se num pequeno enredo amoroso com jogos de sedução e ciumeiras desvairadas, numa versão curta de um libreto de Metastasio.

Concerto Campestre Direcção musical: Pedro Castro Com Joana Seara, Lidia Vinyes Curtis, Fernando Guimarães, Luísa Tavares e Sandra Medeiros Serenata "L'Angelica", de João de Sousa Carvalho Palácio de Queluz Sábado, 18 de Outubro, às 21h A interpretação do Concerto Campestre foi um exemplo de um trabalho apurado, no cuidado com o equilíbrio tímbrico e dinâmico, na clareza da linguagem (fruto de uma prática interpretativa contínua, mas também de um estudo detalhado da partitura), com muito poucos desacertos rítmicos graças à boa direcção de Pedro Castro. E teve ainda a sorte de contar com um conjunto de solistas de muito boa qualidade, algo que ficou claro logo desde as cenas iniciais, com Joana Seara a construir uma Angelica tão leve como provocante e a contralto catalã Lidia Vinyes Curtis a cantar maravilhosamente a primeira ária em que uma sombra de ciúme gira em torno do apaixonado Medoro. Foram elas também a acabar a primeira parte com um magnífico dueto "Ah, não me digas, ingrato amante, que inconstante é o meu amor e que infiel eu te sou", onde a arte de João de Sousa Carvalho foi bem audível graças a estas duas excepcionais cantoras. Muito bem estiveram Luísa Tavares e Sandra Medeiros, em personagens secundárias (os amantes "pastoris" Tirsi e Licori). E também por ali passa um herói antigo quase em caricatura - Orlando - a que o tenor Fernando Guimarães conseguiu dar força e graça, apesar de parecer defender-se um pouco nos agudos. Fernando Guimarães resolveu muito bem a passagem final, que implica uma súbita mudança de carácter da música e do texto: Orlando está em fúria, ardendo de ciúme e sentindo-se traído pelas manhas de Angelica. Mas, subitamente, vê uma luz: "Mas qual astro benigno é que entre o horror da noite brilha para mim?" O astro é Maria Benedita, claro, e as fúrias de Orlando passam a ser vivas à irmã da rainha e a toda a descendência real. Meio a sério, meio a brincar. Mas podemos levar a sério (e emocionar-nos) com Medoro quando canta uma ária à lua: "Bela Diva, amiga das sombras, vê com puros olhos no perigo o nosso amor". E assim se fazia uma serenata para a realeza. Ora toma lá, bem feita.

Victorino D'Almeida homenageado na Madeira elogia Orquestra Clássica, Conservatório e Funchal http://www.dnoticias.pt/actualidade/5-sentidos/475321-victorino-dalmeida-homenageado-na-madeira-elogia-orquestra-classica-co

Foi com o desejo de muita sorte para a Orquestra Clássica da Madeira (OCM) e o Conservatório que o maestro Victorino D'Almeida terminou a sua intervenção no final da cerimónia de homenagem que foi alvo, nesta tarde, precisamente naquela instituição de ensino artístico no Funchal. Antes houve tempo para o maestro percorreu as suas ligações à Madeira, ao "fascínio" que sempre teve pela ilha, passando pela "óptima ligação" que tem tido com a Orquestra Clássica da Madeira e que, aliás, vai dirigir, no sábado, dia 18, em concerto no Teatro Municipal Baltazar Dias. Salientando que nunca estudou regência, assumindo-se por isso como "apenas" um pianista, António Victorino D'Almeida disse que se sente mais útil quando dirige as suas próprias composições, algo que irá acontecer precisamente no concerto de sábado, com a participação da solista Madalena Garcia Reis, que também esteve hoje presente na homenagem no Conservatório. Depois passou a explicar, sucintamente, as peças de sua autoria que vão ser tocadas: o Poema Sinfónico ‘Fogo de Artifício’, ‘Rapsódia para Piano e Orquestra’ e ‘Epifonia’. Ainda houve tempo para falar do aspecto de ligação da música e a palavra, considerando que “a música ajuda a aprender as línguas”, criticando o acordo ortográfico que faz com que o “espetáculo” tenha um “aspeto”, acentuando ao nível fonético a palavra “espeto”. Além de elogiar a OCM e a solista convidada, destacou o facto de haver cidades tão grandes como o Funchal mas que não se podem orgulhar de “ter uma orquestra em permanência” como a ‘capital’ madeirense. “A Orquestra Clássica é uma honra para a Madeira e uma honra que a Madeira dá ao País”, salientou o maestro. “É uma orquestra realmente profissional”, que foi “bem criada” e que “funciona com alto espírito de disciplina”. Antes do maestro falou a directora do Conservatório, Tomásia Alves, que também teceu rasgados elogios a António Victorino D’Almeida, reconhecendo a pequenez do Conservatório na homenagem a uma figura que já foi condecorada, por exemplo, pelo Presidente da República. Depois, o secretário regional de Educação e Recursos Humanos, Jaime Freitas, também elogiou o maestro e a ligação ‘umbilical’ entre a OCM e o Conservatório, que tantos e bons frutos tem dado, não só ao nível da “educação pelas artes”, mas também em termos de produção artística. Finalmente foi descerrada uma pequena placa, no Conservatório, em homenagem ao pianista e maestro pela carreira artística.

A Música do Futuro e o Futuro da Música | Entrada Livre Caixa de entrada http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/11/27-novembro-2014-a-musica-do-futuro-e-o-futuro-da-musica/1830?lang=pt

Conferência em Inglês [27/11/2014 - quinta-feira | 18:30 | Sala 2] O Fórum do Futuro pretende transformar o Porto na capital mundial do futuro, ao longo de uma semana dedicada à ciência, à cultura e as ideias. Figuras de topo de várias áreas do conhecimento concentram-se na cidade nestes dias. A Casa da Música associa-se a esta iniciativa da Câmara Municipal do Porto promovendo uma conferência com duas figuras incontornaáveis da vanguarda musical.

Defender o livro, assegurar o futuro europeu http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/defender-o-livro-assegurar-o-futuro-europeu-1673488

A edição deste ano da Feira de Frankfurt fica marcada pela aprovação da primeira declaração conjunta de defesa do livro, que congregou vários destacados dirigentes de organizações europeias ligadas ao sector editorial, o que confere ao acto um redobrado valor, sobretudo por ter ocorrido num certame com aquela importância e num momento de profunda reflexão sobre o que irá ser, por razões tecnológicas, políticas, sociais e económicas, o futuro do próprio livro no continente que o viu nascer com as características que ainda hoje sustentam a sua identidade e representatividade. A iniciativa teve na sua origem o presidente do Centro Nacional do Livro de França, Vincent Monadé, e visa garantir o respeito efectivo dos direitos de autor e, simultaneamente, os direitos dos leitores, num período em que cresce o número dos que, erroneamente, supõem que uma coisa só será possível com a anulação da outra. Mas defender o livro e o seu futuro é, ao mesmo tempo, garantir a redução da taxa do IVA para os livros impressos e digitais e assegurar a plenitude da liberdade de escolha para o leitor, a quem deverá ser garantido o acesso às obras no dispositivo que se adeque à sua conveniência e escolha. Esta declaração assinada a 9 de Outubro começa por recordar e enfatizar o facto de que “o livro é a primeira indústria cultural da Europa”, o que nos leva, retrospectivamente, a pensar na enorme revolução desencadeada pelo invento de Gutenberg quando transformou o livro de bem muito dispendioso e praticamente inacessível num instrumento de informação e ampla partilha do conhecimento, o que provocou profundas alterações na forma de pensar e organizar a sociedade e os direitos do Homem nos séculos seguintes. Noutra passagem do texto afirma-se que “o digital e o comportamento dos consumidores criam ocasiões inéditas e novos mercados para difundir a criação. Os actores do livro, autores, tradutores, editores, livreiros, bibliotecários e as instituições que os suportam procuram encontrar os novos modelos capazes de proteger a transmissão da literatura, das ideias e da educação, oferecendo aos consumidores a oferta mais diversificada e a mais acessível possível, preservando ao mesmo tempo milhões de postos de trabalho”. Depois de acentuarem que este assunto deverá estar “no coração do projecto político europeu”, os autores do documento salientam que “em toda a Europa e no seio da União Europeia, os Estados defendem o sector do livro”, por serem subscritores da Convenção de Berna para a protecção das obras literárias e artísticas e da convenção sobre a protecção e a promoção da diversidade das expressões culturais. A declaração define o direito de autor “como a condição essencial do desenvolvimento da diversidade cultural” e “um dos elementos fundamentais da criação, da inovação e do emprego para a Europa, e a condição sine qua non da valorização do pensamento e das línguas europeias”. “A prioridade – sublinham os autores da declaração – é a defesa do direito de autor, a luta contra a pirataria de conteúdos, o combate pela remuneração justa da criação e da facilitação dos usos legais no coração das nossas acções comuns”. Fica assim claro que não pode haver uma política consistente de defesa do livro e do seu futuro que não coloque a tónica no direito de autor. Para além de se baterem pela continuidade do debate sobre estas matérias, com vista à criação de uma verdadeira rede dos organismos europeus do livro, os autores e difusores da declaração, combinando sempre numa frente comum os interesses dos autores e dos leitores, consideram inadiável a luta pela redução da taxa do IVA, seja qual for o suporte contemplado, na União Europeia e em toda a Europa, acentuando a urgência de se defender o livro e o valor civilizacional a ele associado de “certas práticas comerciais de algumas multinacionais da Internet que falseiam a concorrência”. Defender hoje o livro e o seu futuro, numa Europa que se interroga sobre o seu futuro, é preservar valores de cultura, de cidadania, de ética e de civilização que são essenciais para que o diálogo e a vitalidade das ideias prevaleçam, numa clara alternativa às formas de terror que não cessam de se avolumar, sejam elas as impostas pelos mercados e pelas suas agências sem rosto, sejam as resultantes dos modelos de radicalismo religioso que fazem da crença extremada uma ideologia feroz que deixa o mundo à beira de um verdadeiro abismo. Escritor, jornalista e presidente da Sociedade Portuguesa de Autores

Digitalizar colecções cria emprego e dá nova vida aos museus e bibliotecas http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/digitalizar-coleccoes-cria-emprego-e-da-nova-vida-aos-museus-e-bibliotecas-1673168

O projecto Europeana 1914-1918, com o qual o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa colabora, designadamente organizando os Dias da Memória que na sexta-feira se iniciam no Parlamento, é apenas uma das muitas iniciativas da Europeana, uma gigantesca biblioteca digital europeia lançada há cinco anos para concentrar e disponibilizar, em formato digital, toda a herança cultural partilhada ao longo dos séculos pelos países e povos da Europa, das mais famosas pinturas do Louvre a um livro de canções escrito por um soldado francês nas trincheiras da I Guerra e conservado pela sua família. Só de Portugal, a Europeana já recebeu digitalizações de quase 250 mil objectos. E espera que campanhas como esta, em torno da I Guerra, ajudem a dar visibilidade ao projecto e contribuam para aumentar as contribuições dos museus, bibliotecas, arquivos e outras instituições portuguesas. Em poucas palavras, o que é a Europeana e quais são os principais objectivos do programa? A Europeana quer transformar o mundo através da cultura. Criámos uma plataforma digital para a nossa herança cultural europeia, que reúne o património dos grandes museus, das colecções audiovisuais, dos arquivos e bibliotecas, e que educadores, investigadores ou programadores, mas também o público em geral, podem usar e partilhar gratuitamente. Através da Europeana, e graças ao trabalho de três mil instituições culturais, temos agora mais de 32 milhões de objectos disponíveis num só lugar, onde as pessoas os podem pesquisar, ou reutilizá-los noutros sites e aplicações. Pode categorizar, com alguns exemplos concretos, os diferentes tipos de objectos que estão a ser digitalizados? Temos digitalizações autenticadas de pinturas, fotografias, livros e vídeos, enviadas por três mil bibliotecas, museus, galerias e arquivos. De Portugal, por exemplo, dispomos neste momento de 234.859 itens, que incluem uma representação significativa das colecções de algumas das mais importantes instituições portuguesas de salvaguarda da herança cultural. Do Museu Nacional dos Coches incluímos recentemente 48 imagens dos belíssimos coches ali conservados. Temos também, por exemplo, 68 objectos do Museu Nacional do Azulejo – gosto particularmente dos painéis de azulejos com vistas de Lisboa antes do terramoto –, que foram entretanto integradas no site museums.eu, o que constitui um excelente exemplo do modo como o conteúdo da Europeana pode ser reutilizado. Mas os conteúdos vindos de Portugal não se limitam ao domínio museológico. Recebemos 172 peças do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade Nova de Lisboa, sobretudo digitalizações de objectos, fotografias e documentos relacionados com a presença portuguesa na I Guerra, um conjunto que tenderá a expandir-se porque o IHC é nosso parceiro nos Dias da Memória organizados no âmbito do Europeana 1914-1918. Das colecções digitais da Biblioteca Nacional temos mais de 12 mil textos e imagens, incluindo manuscritos, livros raros e mapas. E, no domínio dos arquivos audiovisuais, temos 453 peças da Cinemateca. Há uma estimativa do número de peças que deveriam ser digitalizadas e reunidas para o programa cumprir plenamente a sua missão? E caso esse objectivo ideal tenha sido calculado, quão longe está a Europeana de o atingir? Nos cinco anos desde que o programa foi lançado, já disponibilizámos no site Europeana.eu digitalizações de mais de 32 milhões de peças da nossa herança cultural, o que é um feito considerável, mas que representa apenas 12% de todo o material já digitalizado nos diversos países europeus, que, por sua vez, corresponde a apenas 10% de tudo o que seria pertinente digitalizar. Temos um longo caminho a percorrer. Os obstáculos prendem-se sobretudo com questões de direitos de autor, mas há outros, como a necessidade de garantir a interoperacionalidade e a uniformização das colecções digitais. Esta é de facto a razão subjacente para a importância da Europeana: conseguir que o material digital atravesse as fronteiras, para que possamos dispor da nossa herança europeia do mesmo modo que usufruímos do nosso património nacional. Esforçamo-nos para dar às pessoas conteúdo de alta qualidade, com informações claras relativas a direitos, de modo que saibam como podem dispor dele ou reutilizá-lo de forma criativa e inovadora. Quais são as principais vantagens de ter todo esse património cultural europeu virtualmente reunido num só lugar? Vermos a herança cultural que partilhamos e, mais importante ainda, pô-la a funcionar como um todo, de modo a que um investigador possa chegar rapidamente a tudo o que se relacione com Vasco da Gama – mapas, documentos, retratos –, ou com Amália Rodrigues, ou com as pinturas de Nuno Gonçalves, que estão dispersas por toda a Europa, em diferentes instituições e colecções, sabendo que está a lidar com documentos autenticados. Diria que a prioridade é garantir que a Europeana reúna o máximo de informação possível, ou o programa deveria focar-se mais em organizar e disponibilizar o material que já tem? Ambas as coisas são necessárias. Mas é preciso perceber que aquilo que há cinco anos era utilizável, já não o é para os tablets e outros equipamentos actuais, de modo que uma função central da Europeana é criar nas instituições dos diferentes países a consciência de que é necessário garantir a qualidade das digitalizações.

E agora o tema da restauração…

Reabilitação de azulejos da estação de São Bento premiada http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4184409

O projeto de reabilitação dos painéis de azulejo na estação de São Bento, Porto, foi distinguido com um prémio Brunel de 2014, na categoria de estações, anunciou hoje a Rede Ferroviária Nacional (Refer). Em comunicado, a Refer explica que os galardões Brunel, divididos por categorias, são atribuídos de três em três anos e assinala que o prémio agora atribuído "reconhece o esforço e empenho" da empresa "na preservação e promoção deste importante património". Criados pelo grupo de arquitetos e desenhadores ferroviários Watford, os prémios Brunel devem o seu nome ao engenheiro, inventor e arquiteto inglês Isambard Kingdom Brunel. A concurso foram apresentados 92 projetos, tendo sido distinguidos 30, de onze países diferentes, e dos quais 19 foram prémios e onze menções honrosas. Em edições anteriores, a Refer foi distinguida com um prémio atribuído à estação do Oriente (arquitetura) e duas menções honrosas atribuídas à estação de Sintra (reabilitação) e à ponte sobre o rio Trancão (engenharia e meio ambiente), no ano de 1998.

Azulejos portugueses são um dos 12 tesouros da Europa, segundo o NYT NYT compara azul dos azulejos portugueses ao do Tejo e à luz de Lisboa http://www.dinheirovivo.pt/Faz/interior.aspx?content_id=4191208

A luz inconfundível e o Tejo sempre à vista fazem de Lisboa uma cidade que agrada aos turistas. Agora, o jornal norte-americano The New York Times recomenda aos leitores outro tesouro reconhecidamente português. Os azulejos portugueses são outro dos fatores que podem agradar aos turistas na hora de visitarem a capital portuguesa e mais um motivo a considerar enquanto se percorrem as ruas - e os antiquários da cidade. De acordo com o diário, os azulejos são um dos 12 tesouros europeus e são uma das características que fazem de Portugal o país "mais azul" do mundo. "O céu azul e o Oceano Atlântico a abraçar a terra. Os ambientes azuis do Fado (...) E, por todo Portugal, os desenhos tipicamente azuis dos azulejos (...)", escreve o jornalista, sublinhando a variedade de mosaicos pintados que enfeitam "igrejas, mosteiros, castelos, palácios, entradas de universidades, parques, estações de comboios, lobbies de hotéis e fachadas de prédios." Entre os milhares de exemplos de azulejos, o jornal refere que na loja Solar (que já conta com um showroom em Nova Iorque, negócio desenvolvido por uma pessoa da família fundadora), por exemplo, podem ser encontradas peças que datam do século XV e outras datadas dos anos 30 do século passado. Os preços podem ir de 20 euros a mais de 9000, dependendo dos pinturas, explica o jornal.

Os museus também têm sentimentos de culpa http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/os-museus-tambem-tem-sentimentos-de-culpa-1673458

António Pinto Ribeiro começou com uma provocação: “Os museus ou são pós-coloniais ou não são nada.” À sua frente, no auditório do 8.º Encontro Ibero-americano de Museus (Lisboa, 13 a 15 de Outubro), sentavam-se portugueses, espanhóis e latino-americanos com responsabilidades no património.

O homem que recusava ser a sua própria revolução http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-homem-que-recusava-ser-a-sua-propria-revolucao-1672724

Baal não é só uma peça de teatro, é um manifesto que haveria de servir para ler o século XX. Brecht escreveu mais do que uma personagem, inventou um homem novo num mundo que iria mudar. Com Brecht aprendeu-se, como dizia Roland Barthes, “que a arte pode e deve intervir na História”. Com Brecht percebeu-se que “o teatro deve resolutamente ajudar a História desvendando-lhe os processos; que as técnicas do palco também são comprometidas”.

Agora é só partilhar o seu jornal “Gotinhas Culturais” e ler em… http://musikes.blogs.sapo.pt

E claro, volta para a semana! Até breve!
publicado por Musikes às 10:43 link do post
20 de Outubro de 2014

"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz." Aristóteles

GRANDES MÚSICAS... GRANDES ÉPOCAS!...

MÚSICA CLÁSSICA (1750-1810)

"Wolfgang fez estrondoso sucesso nas cortes. Maravilhou a todos, soberanos, príncipes, cortesãos, com suas peripécias (muitas vezes mais acrobático-circenses que musicais). O garoto era um verdadeiro milagre e passou vários anos entre viagens com o pai e a casa em Salzburgo. Mas encontrava tempo para suas primeiras composições mais sérias, como a primeira ópera, La finta semplice, escrita em 1768 (quando tinha doze anos!). (...)"(http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/9nNqdziIza5zDUbljNmC

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Adagio (2º and.) http://videos.sapo.pt/jiIQR381BD6TTjgT1FQV

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Allegro (3º and.) http://videos.sapo.pt/UGoAnfw4z7Daw3sbysNa

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/yDo34oqbbmmWZMWJUOBz

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Andante (2º and.) http://videos.sapo.pt/WrfY6MHmYL11i2wJtjsf

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - Allegro (3º and.) http://videos.sapo.pt/8v1cAaC8QAm9tBh6jOVL

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - K 175 - Allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/w4koY9pAyjQouYnEWzzD

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - K 175 - Andante ma poco adagio (2º and.) http://videos.sapo.pt/jyryvQJVYL0QwM9TgNjv

Mozart - Concerto for Piano and Orchestra - K 175 - Allegro (3º and.) http://videos.sapo.pt/IsnUy85fRNo31KBanT8z

Com treze anos, Wolfgang foi nomeado Konzertmeister da corte, o que equivaleria ao cargo de primeiro-violino. Passou algum tempo em Salzburgo e partiu para a Itália, onde recebeu algumas honrarias e conheceu a música e, principalmente, a ópera italianas. Foi uma viagem reveladora, que marcou o amadurecimento de jovem, que começava a imprimir sua marca pessoal às composições, como as óperas Mitridate e Lucio Silla." (...) - (http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

E agora para ouvir uma das suas grandes e célebres óperas.

Mozart - The Magic Flute - Die Zauberflöte - Overt (1º and.) http://videos.sapo.pt/mOhfjF4i8pUH00mHSGiA

Mozart - The Magic Flute - Die Zauberflöte - Der (2º and.) http://videos.sapo.pt/SAfzzKC65dZMQfOFRBdw

Mozart - The Magic Flute - Die Zauberflöte, K 620 (3º and.) http://videos.sapo.pt/dNo60SRK9zmTsJmfUnTu

Mozart - The Magic Flute - Die Zauberflöte, K 620 (4º and.) http://videos.sapo.pt/EYF2snN2Z9m5IQ2q8DnQ

Mozart - The Magic Flute - Die Zauberflöte, K 620 (5º and.) http://videos.sapo.pt/C6ZsYfLfeyQq2RnYv9Ny

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (6º and.) http://videos.sapo.pt/WdJz78oz358WE3nzinth

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (7º and.) http://videos.sapo.pt/HBKZayOqLb090qzOzK8a

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (8º And.) http://videos.sapo.pt/m7aD4eKR9RrRCZZz1uHn

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (9º And.) http://videos.sapo.pt/Z7jlh4zWbKRMOngpdY0l

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (10º And.) http://videos.sapo.pt/IbYGl78Lq3ZtQUyklz84

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (11º And.) http://videos.sapo.pt/GNweEnSdlhRCQY94YC16

Mozart - The Magic Flute - Die Entführung Aus Dem (12º And.) http://videos.sapo.pt/4P47tEWuS3QtRFuPZIg8

Mozart - The Magic Flute - Aria_Tranquillo E Il Mar_ (13º And.) http://https://www.youtube.com/watch?v=ZIiCPjPZyYE

Mozart - The Magic Flute - Overture (14º And.) http://videos.sapo.pt/j7zTytdmwInb8shMtNuy

"Porém, quando voltou sofreu a linha dura do novo arcebispo de Salzburgo, Hieronymus Colloredo. De gênio ditatorial, Colloredo considerava os Mozart arrogantes e relaxados - ou vagabundos - demais. E apertou as rédeas nos dois músicos. Por quatro longos anos, ambos não saíram da corte (deram apenas umas "escapadas" à Viena), o que fez Wolfgang dar impulso às suas composições. Compôs copiosamente - quartetos de cordas, concertos, sinfonias, óperas... Foi em meio a esse período fértil, repleto de peças encantadoras, feitas tanto para a corte como para nobres e burgueses da cidade, que Mozart decidiu largar essa vida servil. Em 1777, pediu demissão ao arcebispo Colloredo, que - máximo da humilhação - não aceitou e ainda devolveu a carta. Mesmo assim, Mozart seguiu com seus planos. Partiu em busca de emprego e oportunidade pela Europa, acompanhado pela mãe, já que Leopold ficara em Salzburgo, por conta de suas obrigações com Colloredo. O compositor, em suas andanças, tomou contato com a orquestra de Mannheim, que o incentivou a escrever novas obras, mais livres que as compostas na corte. E conheceu a jovem cantora Aloysia Weber, por quem se apaixonou. Mas, no final das contas, foi rejeitado. Em 1779, a contragosto, Mozart teve que voltar a Salzburgo, que considerava insuportável. Passou mais dois anos preso na corte, "tocando para as mesas e cadeiras", como escreveu depois. Era um clima obviamente ruim, pela hostilidade de Colloredo e pela indiferença da corte, mas Mozart não parava de compor: são do período a Missa da Coroação, a Sinfonia Concertante, para violino e viola, a Posthornserenade, a ópera Idomeneu, entre outras obras-primas.

Colloredo, no entanto, tratava o compositor como um "empregado doméstico", usando as palavras do próprio Mozart. Em 1781, o arcebispo e a corte foram ao encontro de José II, o novo imperador da Áustria, em Viena. Mozart fez algum sucesso na cidade e obteve bom número de admiradores. Queria ficar, mas Colloredo queria enviá-lo a Salzburgo para entregar uma encomenda. O pedido foi prontamente recusado. Em maio, após outra negativa do compositor, Colloredo o chamou de crápula, cafajeste e vagabundo e o expulsou. Mozart pediu demissão, mas só teve ela "aceita" no dia 8 de junho, quando foi posto na rua aos pontapés pelo chefe de pessoal de Colloredo, o conde Arco. (...)" (...)"(http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

W. A. Mozart: Don Giovanni (La Scala, Milano 2011) Caixa de entrada http://youtu.be/wVP22QCbLHI

E não ficamos por aqui. Ainda há muito mais a conhecer acerca da vida e obra Wolfgang Amadeos Mozart!

"Por isso!... Não percas o próximo post... porque nós... também não!!!"
publicado por Musikes às 10:06 link do post
16 de Outubro de 2014

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

 

Enquanto a semana foi escorregando…

 

A versatilidade da Orquestra Sinfónica da Casa da Música

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música deu um concerto em Madrid que incluiu a primeira audição em Espanha de Ruf de Emmanuel Nunes e a Sinfonia nº 5 de Tchaikovsky.

 

Morreu o saxofonista Jorge Reis

Professor e integrante da Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, colaborou com Sérgio Godinho ou Jorge Palma e deixou um álbum a solo, Pueblos.

 

Arvo Pärt cria música dedicada aos videntes de Fátima

Depois de uma visita ao santuário de Fátima, em 2012, o compositor estónio surpreendeu as autoridades religiosas com o manuscrito de Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima.

 

Bailarino português dança o fado em Londres

O dançarino português Nuno Silva vai "poeticamente cantar e dançar o fado", num concerto em Londres, no qual pretende dar a conhecer, de forma "mais íntima", a canção popular de Lisboa.

 

O riso de Agustina

À conversa com ANABELA MOTA RIBEIRO

“Esta é a minha história que a memória abreviou...”, escreve Agustina Bessa-Luís na sua autobiografia. Uma história em que são protagonistas um pai jogador que vivia entre a presa e o predador, uma mãe que repetia provérbios, uma figura inverosímil de quem herdou o espírito aventureiro, o avô Lourenço.

 

Magna Carta renasce das cinzas 283 anos depois

Há 283 anos que uma das quatro versões da Magna Carta, documento considerado precursor das constituições modernas, estava ilegível devido a um fogo. Agora, com recurso a uma nova tecnologia, voltou a ser lida.

 

A razão da consiência?...

É preciso salvar os dedos

É preocupante a situação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) e mais preocupante será se, apesar dos alertas que vão surgindo, esta apenas conseguir recolher silêncios condoídos mas impotentes, próprios dos velórios, por ser portadora de um nome que, depois de endeusado, passou a ser persona non grata.

 

2,4 milhões de pessoas visitaram museus e monumentos em Portugal no primeiro semestre

Os blockbusters dos museus e palácios estão em Belém.

 

Porto ilumina-se para o Natal a 28 de Novembro

As luzes de Natal no Porto deverão acender-se a 28 de Novembro, iluminando a cidade até 6 de Janeiro de 2015.

 

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A versatilidade da Orquestra Sinfónica da Casa da Música

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-versatilidade-da-orquestra-sinfonica-da-casa-da-musica-1672676

 

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música apresentou-se este sábado na Sala Sinfónica do Auditório Nacional de Música em Madrid com um programa constituído por duas obras contrastantes: Ruf de Emmanuel Nunes (versão revista em 1982) e Sinfonia nº 5 em mi menor Op. 64 de Tchaikovsky. Este programa proporcionou ao público madrileno a primeira audição em Espanha da obra que projectou internacionalmente Emmanuel Nunes. Composta entre 1975 e 1977, Ruf pertence a um conjunto de obras cujo processo criativo assenta na exploração da relação entre o suporte electroacústico e os instrumentos acústicos. Este processo estimulou o desenvolvimento de um discurso musical no qual a estruturação dos parâmetros sonoros (o ritmo, a harmonia, a melodia, o timbre e a intensidade) é profundamente influenciada pela espacialização do som. Apesar de a obra ter sido concebida com suporte electroacústico o compositor indica que ela pode ser executada sem este, tendo sido a opção tomada para o concerto em Madrid.

A partitura apresenta relações estruturais intrínsecas que exigem ao maestro e aos instrumentistas uma boa capacidade de manutenção do equilíbrio sonoro e do fluxo do discurso musical. Os 45 instrumentistas posicionaram-se no palco numa organização simétrica na qual se destaca a colocação dos dois percussionistas e dos instrumentos de registo grave nas zonas laterais. A orquestra executou a obra com segurança tendo respondido de forma eficaz aos desafios por ela colocados. São especialmente dignas de destaque a execução das complexas texturas rítmicas da segunda parte e também a capacidade expressiva demonstrada nas partes que apelam a uma interpretação de natureza expressionista, em particular no final da obra. A boa acústica do Auditório Nacional de Madrid também contribuiu de forma significativa para uma experiência auditiva muito enriquecedora.

  

Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música

Direcção musical: Baldur Brönnimann Obras de Emmanuel Nunes e Piotr Ilitch Tchaikovsky Madrid, Auditório Nacional de Música, Sala Sinfónica 11 de Outubro, 19h30

Na segunda parte a orquestra apresentou-se com cerca do dobro dos instrumentistas para a execução da Sinfonia nº 5 de Tchaikovski. Esta obra do final do século XIX, que se enquadra num universo estético completamente distinto, exigiu que a orquestra assumisse o lirismo e o pathos marcadamente romântico que a caracterizam. A sinfonia foi executada com assinalável profundidade expressiva e com um bom sentido dramático. É digno de realce o bom desempenho dos solistas nas exposições temáticas, assim como dos vários naipes, destacando-se em particular a sua capacidade lírica, que se manifesta de forma natural neste repertório. A direcção do maestro Baldur Brönnimann foi assertiva e repleta de intencionalidade dramática, seguindo o percurso narrativo da obra que é definido pelo tema cíclico que percorre os quatros movimentos. O maestro demonstrou justeza nas mudanças de tempo e recorreu a flutuações de andamento nos temas mais líricos de uma forma eficaz e particularmente expressiva.

Algumas das passagens em tutti no primeiro andamento e na coda do quarto andamento apresentaram algum desequilíbrio sonoro, com uma projecção exagerada em alguns instrumentos, demonstrando uma provável falta de adaptação à acústica da sala.

O público presente manifestou um certo conservadorismo relativamente ao repertório mais recente aplaudindo timidamente a execução de Ruf, por outro lado revelou falta de propósito nas suas intervenções aplaudindo inusitadamente entre os andamentos da obra de Tchaikovsky. Foi sem dúvida um concerto onde ficou patente a evolução da orquestra em qualidade e versatilidade revelando mais uma vez a concordância com os seus objectivos originais, nomeadamente, a interpretação ampla de repertório desde o classicismo ao século XXI e a valorização e divulgação da obra de compositores portugueses.

 

 

Morreu o saxofonista Jorge Reis

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-o-saxofonista-jorge-reis-1672420

 

Começou pelo violino mas foi através do saxofone, que começou a tocar aos 23 anos, que o conhecemos. Jorge Reis, nascido em 1959, fazia parte do corpo docente da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas e integrava a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal. Nos anos 1980 integrou o Sexteto de Jazz de Lisboa, ao lado de Mário Laginha, Tomás Pimentel, Edgar Caramelo e Mário e Pedro Barreiros e, ao longo da carreira, para além do percurso no meio do jazz, colaborou com Sérgio Godinho, Brigada Victor Jara, Jorge Palma ou Trovante. Jorge Reis morreu na passada madrugada de quinta-feira, dia 9 de Outubro, no Hospital de São José, em Lisboa, informou o Hot Clube de Portugal. Tinha 55 anos.

A sua formação foi feita na Academia de Música de Santa Cecília. O violino, que tocou profissionalmente na Orquestra Sinfónica de Lisboa, foi o seu primeiro instrumento. O saxofone chegaria mais tarde, em 1983. “O saxofone foi o instrumento que eu escolhi. O violino foi o instrumento que me deram a escolher quando eu era criança”, explicou na sessão a ele dedicada das Histórias do Jazz em Portugal, realizada em Abril deste ano no Hot Clube e moderada pelos críticos Manuel Jorge Veloso e António Curvelo.

Se a adolescência foi marcada pelo rock (os Beatles, os Genesis, os Led Zeppelin) ou pelo jazz-rock de uns Mahavishnu Orchestra, o encontro com a música do mítico saxofonista americano Charlie Parker revelar-se-ia determinante. Com ele, o jazz entrou definitivamente na sua vida, mas nunca em exclusivo. A par do fascínio por Parker, Keith Jarrett ou Wayne Shorter, estava, por exemplo, a influência exercida por Debussy ou Chopin.  

Deixa um único registo a solo, Pueblos, editado em 2003 e onde surge acompanhado por André Fernandes, Nélson Cascais e André Sousa Machado. Na sessão supracitada, confessava que, para si, o mais importante nos instrumentistas é a “subserviência à música”. Citado pelo Diário de Notícias, acrescentava: “É a música que passa através deles, os músicos são o veículo para algo que está no plano da magia, que é a música”.

 

 

Arvo Pärt cria música dedicada aos videntes de Fátima

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/compositor-estonio-arvo-part-cria-musica-dedicada-aos-videntes-1672689

 

Arvo Pärt, um dos maiores compositores da actualidade, criou uma peça musical dedicada aos videntes de Fátima cujo concerto de estreia deverá ocorrer na Sé de Lisboa a 20 de Fevereiro de 2015, dia da festa litúrgica dos beatos.

Segundo o jornal Voz da Fátima, publicado pelo santuário, o compositor, nascido em 1935, esteve no templo em Maio de 2012, a convite da instituição e no âmbito das comemorações do centenário dos acontecimentos de Fátima, tendo sido depois desafiado a apresentar um testemunho sobre a visita, para publicação na revista cultural Fátima XXI, o mais recente projecto editorial do Santuário de Fátima.

"Arvo Pärt surpreendeu e fez chegar ao santuário o manuscrito de uma composição musical, datada de 19 de Maio de 2014, dedicada aos pastorinhos e intitulada Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima", lê-se no jornal Voz da Fátima, referindo que se trata "de uma breve peça para coro misto a cappella" composta sobre um texto bíblico e publicada na edição de Outubro da Fátima XXI.

Citado no jornal do santuário, o produtor executivo da programação musical para o Centenário das Aparições, Manuel Lourenço Silva, realça a importância deste autor no panorama musical mundial, referindo que "integra aquilo a que se chama Holy Minimalism, embora qualquer rótulo que se lhe queira atribuir pareça inexacto ou parcial tendo em conta o seu percurso evolutivo e a abrangência das suas obras".

"Utilizando frequentemente a técnica tintinnabuli [pequenos sinos], formulada e nomeada pelo próprio Pärt, a sua música é marcada por uma profunda espiritualidade", refere Manuel Lourenço Silva. Considerando que "a mensagem de Fátima sai enriquecida com este contributo", o responsável adianta que "o nome de Fátima ficará registado no catálogo de obras de um dos maiores compositores de sempre". Por outro lado, "o título e o texto escolhidos para a composição musical que dedicou aos pastorinhos destacam a importância das vozes das crianças enquanto mensageiras", acrescenta.

Arvo Pärt é um dos mais destacados compositores de música sacra, fortemente alicerçado na tradição gregoriana, depois de a expressão neoclássica ter marcado o início do seu percurso. A viragem deu-se no início da década de 1970, com a exploração da chamada técnica de "tintinnabuli" (pequenos sinos) – pequenas frases musicais ou "módulos" que Pärt sobrepõe ou contrapõe em estruturas complexas que ganham em transparência e hipnotismo.

Tábula rasa, Fratres, Missa Silábica, Kanon Pokajanen e Passio, sobre o Evangelho segundo São João, contam-se entre as obras mais conhecidas deste compositor.

 

 

Bailarino português dança o fado em Londres

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4176618&seccao=Teatro

 

O dançarino português Nuno Silva vai "poeticamente cantar e dançar o fado", num concerto em Londres, no qual pretende dar a conhecer, de forma "mais íntima", a canção popular de Lisboa.

NuFado, disse o bailarino à agência Lusa, é uma "versão mais íntima, num formato de concerto", do espetáculo A Darker Shade of Fado que encenou e levou em digressão durante o verão pelo Reino Unido. Naquele espetáculo, tinha a companhia de mais dois dançarinos em palco, mas desta vez o português será apenas acompanhado pelo músico Sabio Janiak.

Veja um excerto desses espetáculo:

]Além de temas populares de Amália, como Barco negro ou Foi Deus, interpretará outros menos conhecidos, como Calunga e Lua Luar.

O espetáculo terá lugar na quinta-feira, num espaço chamado The Proud Archivist, onde Nuno Silva espera "poeticamente cantar e dançar o fado" à luz de velas, interagindo e explicando as origens e história da canção portuguesa.

 

 

À conversa com…

 

O riso de Agustina

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-riso-de-agustina-1672266

 

ANABELA MOTA RIBEIRO

“Esta é a minha história que a memória abreviou...”, escreve Agustina Bessa-Luís na sua autobiografia. Uma história em que são protagonistas um pai jogador que vivia entre a presa e o predador, uma mãe que repetia provérbios, uma figura inverosímil de quem herdou o espírito aventureiro, o avô Lourenço.

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Os gregos diziam que Eros tinha duas setas diferentes, uma de chumbo e outra de ouro. A pessoa atingida pela primeira sofria a paixão, a pessoa atingida pela segunda era o objecto da paixão. Eram duas formas de a paixão ser vivida. O que há de mais enigmático na natureza humana parte daí.” E qual é a paixão de Agustina? “Começa por ser eu própria. Não posso viver sem essa paixão, que não tem outra significação senão a aliança profunda com a vida humana.” Agustina, a enigmática, diz coisas que iluminam o coração da vida. Isto que acabaram de ler, disse-o perante uma plateia, em Serralves, em 2003. Disse-o como quem escreve páginas de um romance, revelando uma vontade indómita, cosida com a raiz da existência. Escritora amada, Agustina Bessa-Luís pertence à categoria dos que transformam a sua idiossincrasia num elemento reconhecível por todos (mesmo pelos que não a leram ou conhecem de perto). Como é o mundo agustiniano? É sem catalogação possível, pasmoso, livre. Esta semana, Agustina faz 92 anos. Este ano, passam 60 anos sobre a edição d’ A Sibila. Nos dias 14 e 15, discute-se na Gulbenkian a Ética e a Política na sua obra, no primeiro congresso internacional dedicado à autora organizado pelo Círculo Literário Agustina Bessa-Luís (www.clabl.pt). A obra continua a ser reeditada (Os Incuráveis é a peça mais recente). 

A conversa com a filha, Mónica Baldaque, permite saber de uma mulher e de uma escritora. Que são uma, como se verá. Agustina está retirada desde 2006. Deixou de escrever. Como olharia para a maneira como olhamos para ela? Rindo-se. Seguramente.

Como é que vamos apresentar Agustina? A genial?, a sem medo?, a perversa?, a barroca (assim lhe chamava Óscar Lopes)? Estes são alguns dos epítetos mais comuns.

Todos lhe servem. O que é para além disso talvez não tenha definição. Verdadeiramente, aquilo que ela é está no riso.

No riso?

É uma das características fundamentais da minha mãe, da vida dela e do estar dela com os outros. O riso não tem que ver com a troça. Tem que ver com um segredo, com o mistério, com o estar numa outra dimensão. Há um provérbio judaico que diz: “O homem pensa, Deus ri.” Acho que aí a minha mãe está perto de Deus. O riso dela é como se fosse o riso de Deus.

O riso de quem tudo vê? E que compreende, engloba a totalidade do que vê.

Sim, sim. E de quem sente uma harmonia em relação a tudo.

Nas coisas triviais, o que é que a fazia rir? 

Num plano mais imediato, fazia-a rir o absurdo. Situações absurdas. A resposta de um taxista, um comentário de uma pessoa na rua. A par do riso, vinha a nota, o explorar a situação na escrita.

Ocorre-lhe uma situação absurda de que tenha tirado prazer e riso?

Era tão constante... A minha mãe tinha uma modista de quem gostava muito e onde ia frequentes vezes. Essa modista, que era uma mulher muito Porto, de classe média, tinha um neto com um atraso ligeiro. Muito mentiroso. Uma vez, a avó estava muito preocupada porque ele nunca mais aparecia. A certa altura aparece com ar tranquilo. A avó, aflita: “Onde é que estiveste?” Ele explica, virado para a minha mãe: “Aconteceu-me uma coisa muito estranha. Vinha para cá e vinha um senhor na minha direcção. De repente, o nó da gravata dele começou a desfazer-se. A gravata escorregou por ele abaixo e enfiou-se num bueiro. Fiquei a olhar para o senhor, o senhor a olhar para mim. Estávamos sozinhos na rua — o que era absurdo, porque era a Rua de Cedofeita — e tentámos tirar a gravata do bueiro. Não conseguíamos, e começou a vir gente que estava às janelas. Perdemos este tempo todo e não conseguimos tirar a gravata, avó.”

Foi um delírio. 

A minha mãe divertiu-se imenso com esta história. Gostava imenso de ir à modista para que esta lhe contasse histórias do neto.

Portanto, o que contradiz a pompa, o que escangalha o composto, a vitalidade das pessoas comuns, a sua imaginação sem rumo — tudo isto a prendia.

Sim. No inconsciente, [o rapaz] achou que a minha mãe seria a interlocutora ideal para uma história absurda como aquela. Acho que chegou a escrevê-la.

Voltemos às definições iniciais: a sem medo. N’O Livro de Agustina, escreve: “Aos três anos, em Espinho, eu saí do hotel, sozinha, com um vestido de voile azul-claro e um ar de grande aventura. Tenho ainda essa aspiração de caminhar sem rumo, dizem que é um fio de epilepsia. Talvez seja. Talvez a liberdade seja um sintoma epiléptico.”

A relação com o medo... A mãe herdou isso, como eu herdei, e os meus filhos herdaram, da família. A sensação de ter medo — dos outros, de alguma coisa, de uma situação — foi coisa que nunca existiu. Estava completamente banida.

É na família que a minha mãe pega. Diria que em quase todos os livros aparece alguém. Utiliza-os como figuras que estão guardadas na caixa e que vai buscar, de vez em quando, para fazer este papel, e aquele e aquele.

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PAULO PIMENTA

Como é isso possível, ainda mais numa sociedade amedrontada como a nossa? Temos medo de pessoas, do futuro, da guerra, do concreto e do inconcreto.

Penso que essa ausência de medo vem de uma segurança que a pessoa tem em relação a si própria. Com a certeza de dominar o que quer que seja. Sentia isso no meu avô, no pai da minha mãe.

O pai é uma figura fundamental na vida de Agustina. Tem a certeza de que pode dominar um cataclismo. De onde lhe vinha essa confiança?

Em primeiro lugar, era um jogador.

Agustina diz que o pai lhe paga a edição d’ Os Super-Homens, “não porque acreditasse muito nela, mas porque não perdia a ocasião de apostar num provável vencedor”.

Era um grande jogador. Depois era um aventureiro. Um homem que saiu de Portugal criança, com 12 anos. Foi para o Brasil, para fazer fortuna. Foi à aventura e aguentou-se. O que contava da experiência no Brasil era muito pouco. Imaginamos o que não terá vivido por lá...

O que é que imaginavam? A sua mãe falava disso? Ela queria saber o que tinha sido essa vida no Brasil?

Pouco. Deve ter passado maus bocados. Foi trabalhar com um tio, muito pouco tempo. Rapidamente se desinteressou. A vocação dele era jogar. Tudo o que pertence a esse mundo, com certeza não é o mais saudável, o mais honesto.

Nunca ouvi da sua mãe um juízo sobre a vida do pai no Brasil ou sobre o seu passado mais dúbio.

Nunca houve em ninguém. O avô da minha mãe acedeu a que a filha casasse com esse homem, sabendo da vida dele, e aceitando com gosto que entrasse para a família. O avô é uma personagem, e de que maneira! A minha mãe pega nele n’Os Incuráveis (que saiu agora, em reedição). A grande figura da família é ele, o avô Lourenço, que era um homem do Douro.

O pai (da minha mãe) era de Amarante. A gente de Amarante era muito valente. Grandes jogadores de pau. O Zé do Telhado foi mestre de pau do avô Lourenço. Tinha um pé, sempre, fora da lei. Um bocadinho. Só o bastante para lhe dar um certo entusiasmo.

Esse pé fora da lei dava-lhes uma graça romanesca. Pai e avô parecem personagens de romances de meninas bem comportadas, que arrebatam e insubordinam a ordem estabelecida quando chegam — na transgressão.

É. [riso]

Do lado da sua avó materna, a família era mais regular. Sobre o encontro da mãe e do pai, lê-se n’O Livro de Agustina: “Há uma cena num filme de Manoel de Oliveira, o Vale Abraão, em que um desconhecido, num restaurante, lhe oferece um prato de figos. Foi assim que meu pai abordou a jovem Laura, que estava vestida de preto, não por luto mas por promessa.”

Fui muito criada com a minha avó. Sobretudo depois de ela morrer, fui refazendo muitas das suas atitudes. Acho que a minha avó fingiu muito, toda a vida. Fingiu! Senão, porque é que casou com um homem daqueles? Alguma coisa a leva a escolher isso. Devia casar com um advogado, um engenheiro, um homem mais certo. De resto, teve essa oportunidade.

O grande gosto da vida dela teria sido ser actriz. Em criança e adolescente, representava, dizia poemas. Claro que foi reprimida pelos pais porque isso tinha uma conotação muito duvidosa.

Agustina fala muito do gosto que tem pelo music hall, por ver as bailarinas enfileiradas. Ela mesma queria ser bailarina. E tinha uma paixão pelo cinema. Mas não sabia do gosto da mãe pela representação.

A mãe e a tia. Essa tia ficou sempre solteira. Era uma mulher excêntrica. A minha mãe retrata-a numa série de livros. Era espanhola, como a minha avó, e tinha atitudes incríveis, que divertiam toda a gente. Por exemplo, ia às mesmas modistas da irmã. Modistas caras. Vestiam muito bem. Quando chegavam a casa, a primeira coisa que essa tia fazia aos vestidos era cortar-lhes as mangas. E andava assim, com aquilo esfarrapado.

Estou a ouvi-la falar dessas pessoas e percebo que Agustina é uma síntese de todas essas criaturas, singulares, não conformes. Por outro lado, faz deles uma matéria-prima privilegiada para os romances. Os personagens dos livros, mais do que tudo, são a família?

Sim, é na família que a minha mãe pega. Diria que em quase todos os livros aparece alguém. Utiliza-os como figuras que estão guardadas na caixa e que vai buscar, de vez em quando, para fazer este papel, e aquele e aquele.

Utiliza-os na escrita com uma sofreguidão de vampiro. Diz na autobiografia: “Escrever, entrar no coração das pessoas, beber-lhes o sangue, avançando sempre, criando enredos e fazendo saltar os personagens das páginas. Há pouca gente que percebe que escrever é uma espécie de danação em que às vezes se têm encontros com Deus.” Quem foram as pessoas a que recorreu mais e que transformou em personagens?

A mãe dela. A tia. O pai. Imensas vezes. O avô Alfredo, inúmeras vezes. O tio, irmão da mãe. Foi uma pessoa que ela adorou e que morreu jovem. Há uma carta que ele escreve à minha mãe (ela tinha 12 ou 13 anos) de Moçambique, onde estava a trabalhar como engenheiro: é assombrosa.

Falava de quê?

Em todas as cartas que escreveu, e escreveu muitas, sobretudo à irmã (minha avó), falava do país, da vida, das pessoas.

O gosto pela escrita na minha mãe vem também do tio e do avô. O avô Lourenço escrevia com pretensões. Vemos isso no diário que deixou. Há nele uma escrita e uma intenção peculiares; e uma vontade de que aquilo venha a ser lido pelos descendentes. Morreu quando a minha mãe tinha três anos.

Como foi tão forte a marca dele se conviveram tão pouco?

Ele morreu, mas dá-me a impressão de que permaneceu. A memória do que foi a vida dele chegou até mim.

Qual é o essencial da história do avô Lourenço, que fascinou tanto a sua mãe?

Ela lembra-se de ter subido para a cama dele, onde estava doente. Mas não pode lembrar-se de mais. Foi um homem que teve uma vida no Douro, numa terra pequenina. Estudou. O pai morreu quando ele tinha 13 anos. Herdou uma fortuna, à época grande, que estourou em muito pouco tempo.

A minha mãe nunca se entendeu a si própria como uma personalidade resolvida. Estou a dizer-lhe isto a partir da leitura de cartas que tenho feito. Cartas à mãe dela. Sempre escreveu à mãe de uma forma que não é muito normal. Era como se escrevesse a si própria.

 

 

Agora virando a página…

 

Magna Carta renasce das cinzas 283 anos depois

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4173804

 

Há 283 anos que uma das quatro versões da Magna Carta, documento considerado precursor das constituições modernas, estava ilegível devido a um fogo. Agora, com recurso a uma nova tecnologia, voltou a ser lida

Mais um milagre da tecnologia: com recurso a uma nova tecnologia, a imagem multiespectral, uma das quatro versões da Magna Carta voltou a ser lida. Em latim, este texto foi parcialmente consumido por um fogo que, em 1731, atingiu o edifício onde estava guardado. Considerada pioneira das leis constitucionais, a Magna Carta foi assinada em 1215 pelos barões de Inglaterra medieval e o Rei João (1166-1216), numa tentativa de impedir o abuso de poderes pela monarquia.

Apesar de várias tentativas de restauro, esta cópia, conhecida como "A Magna Carta Queimada", continuou ilegível nos últimos 283 anos. Mas agora, com o recurso à imagem multiespectral, uma equipa de conservadores e cientistas da British Library conseguiu ler o documento. Esta tecnologia envolve a combinação de luz ultravioleta e infravermelhos para fotografar o documento, permitindo à equipa "limpar" as camadas danificadas pelo fogo.

Porque a composição química dos materiais varia, os diferentes componentes reagem de formas diversas às diferentes luzes. "Se se está interessado na tinta, a luz ultravioleta fornece a melhor informação. Se se estiver interessado propriamente na textura do pergaminho, os infravermelhos são melhores", explicou a instituição britânica.

 

 

A razão da consciência?...

 

É preciso salvar os dedos

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/e-preciso-salvar-os-dedos-1672871

 

É preocupante a situação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) e mais preocupante será se, apesar dos alertas que vão surgindo, esta apenas conseguir recolher silêncios condoídos mas impotentes, próprios dos velórios, por ser portadora de um nome que, depois de endeusado, passou a ser persona non grata. Digo mais preocupante para a fundação, mas não só. Para o país também, pois isso significaria que perdemos definitivamente a capacidade de nos elevar acima das circunstâncias e defender princípios básicos e essenciais para o nosso ser colectivo, como a defesa de um património comum, independentemente da sua natureza pública ou privada.

Mas vamos ao início. A FRESS foi criada em 1953, por decreto-lei, para o “estudo e defesa das artes decorativas portuguesas”, com bens e valores “oferecidos” por Ricardo Espírito Santo Silva. Esses bens constituem o património inicial do Museu-Escola de Artes Decorativas que ficou instalado no Palácio dos Condes de Azurara, no Largo das Portas do Sol, em Lisboa, ele próprio inserido na doação inicial. Para a realização dos fins a que se propõe, para além do museu e de duas escolas, os estatutos previam a abertura de uma série de oficinas “destinadas a estágios e aperfeiçoamento nas várias artes decorativas em que tradicionalmente se distinguirão os artífices portugueses e se julgue conveniente evitar que degenerem ou acabem.” Como “instituto de utilidade pública”, o seu financiamento seria assegurado pelo Ministério das Finanças, devendo estar inscrita no Orçamento do Estado "a verba necessária à manutenção do museu-escola e à organização das oficinas que hajam de ser criadas.”

Se recordo aqui os termos exactos em que a fundação foi criada e a sua natureza pública, é porque esse facto é importante para se perceber uma das condições para a doação, expressa no artigo 19 dos estatutos, “no caso da fundação se extinguir ou se desviar dos seus fins, por motivos estranhos ao fundador, os bens por ele doados voltarão à sua posse e propriedade e, se tiver falecido, reverterão a favor dos herdeiros.” Esta norma é perfeitamente compreensível na perspectiva da salvaguarda do projecto do fundador: se o Estado falhar no que é o seu compromisso, a doação fica sem efeito. Desde 2013 a fundação deixou de ter a natureza de fundação pública de direito privado e passou a ser totalmente privada e o artigo 19 pode ser o que a condena, na sequência do descalabro BES.

Hoje tudo ameaça a FRESS. Tendo perdido o seu principal patrocinador, a ameaça de asfixia financeira é real e, seja por extinção "simples" da fundação ou na sequência de um processo de insolvência, é evidentemente o património que está em risco. O pior que podia acontecer seria que a reversão para os herdeiros pudesse significar o seu congelamento e posterior dispersão por eventuais credores. Acresce que nenhuma instituição privada aceitará investir na fundação sem uma garantia mínima de que o seu património não virá a ser objecto de penhora ou pior. Neste sentido, por muito pequena que fosse a participação do Estado, ela representava uma rede de segurança que a fundação deixou de ter. Até porque, tanto quanto sei, o seu património não está sequer classificado.

E o que é esse património? O espólio do museu, evidentemente, mas não só. São também as 18 oficinas que representam o que de melhor se fez, e faz, na arte de trabalhar a madeira, os metais, os têxteis, o papel e as peles. Um pólo de excelência das artes decorativas, nacional e internacionalmente reconhecido, um saber tão raro e precioso quanto frágil, se não for devidamente protegido, como sempre que falamos de património imaterial. Não se trata por isso de “apenas” salvar a segunda maior colecção de objectos de arte decorativa do país, embora isso já fosse mais do que suficiente para nos mobilizarmos, mas de preservar uma arte e um saber único, o expoente máximo da manufactura em Portugal, com tudo o que isso representa como potencialidade em termos económicos mas também do ponto de vista cultural e social.

Em alturas como a que vivemos, existe uma tendência para o fatalismo, que justifica a cobardia e tenta desculpar a inação, tão bem retratada na expressão popular "vão-se os anéis, mas ficam os dedos". Só que no caso da FRESS importa salvar os dedos. Os dedos de mestres detentores de um saber único e secular. Numa altura em que tanto se fala da necessidade de reindustrialização e internacionalização, não perceber o potencial da FRESS num mercado cada vez mais sequioso de autenticidade e singularidade é, como diria, mais uma vez, o povo, "um tiro no pé".

Actriz e deputada do Partido Socialista

 

 

2,4 milhões de pessoas visitaram museus e monumentos em Portugal no primeiro semestre

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/24-milhoes-de-pessoas-visitaram-museus-e-monumentos-em-portugal-nos-primeiros-seis-meses-de-2014-1672723

 

Os blockbusters dos museus e palácios estão em Belém

No primeiro semestre deste ano quase 2,4 milhões de pessoas visitaram os museus, palácios e monumentos portugueses, que tiveram mais 177 mil visitantes do que no mesmo período em 2013, anunciou esta segunda-feira o gabinete do secretário de Estado da Cultura. O mais popular continua a ser o Mosteiro dos Jerónimos. O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) foi aquele que atraiu mais novos visitantes.

Em nota enviada às redacções, a tutela contabiliza então um aumento de 8% no número de visitantes em todos os museus, monumentos e palácios – sendo o principal aumento nos equipamentos culturais do Norte do país. A cifra agrupa os equipamentos sob a tutela das diversas direcções-regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), além daqueles sob alçada da própria Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Em Junho, a DGPC tinha já divulgado os dados relacionados com os organismos sob a sua tutela e assinalado que durante os primeiros seis meses deste ano estes receberam 1,6 milhões de visitantes, aos quais se juntam agora os dados relativos às direcções regionais.

O ranking dos mais procurados no país mantém-se com o mesmo líder: o Mosteiro dos Jerónimos foi visitado por 378 mil pessoas. Depois, segundo o mesmo comunicado, surge a Torre de Belém, com 242 mil visitantes e o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), com 143 mil ingressos. Este último, assinala o gabinete de Jorge Barreto Xavier, teve “a maior variação positiva, tendo registado um aumento de visitantes na ordem dos 123%” em relação ao período homólogo de 2013.

O MNAA recebeu no primeiro semestre deste ano a exposição Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado (de 3 de Dezembro de 2013 a 6 de Abril de 2014), que teve 80.032 visitantes. Seguiu-se-lhe Esplendores do Oriente. Jóias de Ouro da Antiga Goa, que entre 16 de Abril e 28 de Setembro teve 69 mil visitantes e foi prolongada até Novembro, e Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750), que atraiu 22.184 pessoas entre 17 de Maio e 28 de Setembro.

Na região Norte, que também viu crescer em 112 mil pessoas o número de visitantes nos equipamentos culturais sob alçada do Estado, o espaço mais visitado foi o Castelo de Guimarães, com 138 mil visitantes. No centro, o mais concorrido foi o Museu de Aveiro com 21 mil entradas. Mais a sul, no Alentejo, o Museu de Évora foi o mais popular, com cerca de 12 mil visitantes – mas o maior crescimento registou-se nos ingressos na Casa de Burgos, em Évora, com mais 70% visitantes. No Algarve a tendência de aumento concretizou-se com 122 mil visitantes nos equipamentos da região, dos quais o mais visitado foi a Fortaleza de Sagres, vista por mais dez mil pessoas do que no mesmo período de 2013.

 

 

Porto ilumina-se para o Natal a 28 de Novembro

http://www.publico.pt/local/noticia/porto-iluminase-para-o-natal-a-28-de-novembro-1672891

 

As luzes de Natal no Porto deverão acender-se a 28 de Novembro, iluminando a cidade até 6 de Janeiro de 2015. Este ano, as ruas de Ferreira Borges, Sousa Viterbo, Freixo e da Estação juntam-se às que já usufruíram de iluminação em 2013, pelo que a cidade vai contar com 30 artérias iluminadas. A Rua das Flores promete ser uma das “mais brilhantes da cidade”, a Rotunda da Boavista receberá uma pista de gelo e a Praça da Liberdade vai inaugurar um Mercado de Natal. A Câmara do Porto quis também “qualificar” a passagem de ano, que vai animar-se ao som de Clã e Expensive Soul.

A programação de Natal e Passagem de Ano foi apresentada nesta terça-feira, no momento em que se celebrava também um novo protocolo de cooperação com a Unicer, para apoiar “grandes eventos”. O presidente da autarquia, Rui Moreira, não quis revelar o teor deste apoio, preferindo mantê-lo “reservado”, mas sempre foi dizendo que este e outros protocolos permitem que o município não aumente os encargos com a quadra festiva, apesar desta, no total, custar este ano mais 15% do que no ano passado. Os festejos estão orçados em 161 mil euros, cem mil dos quais para as luzes de Natal que, por ocuparem mais ruas e se manterem acesas por mais uma semana (no ano passado, com poucas excepções, as luzes só se ligaram a 6 de Dezembro), custam mais 20 mil euros do que em 2013.

Hugo Neto, da empresa municipal Porto Lazer, defendeu que este ano a cidade terá “um Natal muito animado, com razões de sobra para que muitas pessoas vivenciem experiências e possam ter razões para virem ao centro do Porto, para vir ao comércio de rua”.

Entre as propostas da empresa de animação está a árvore de Natal na Avenida dos Aliados, que receberá também uma nova instalação, com a música como tema, e que já está escolhida. “Texturas Sonoras”, da arquitecta Isabel Barbas vai, por isso, passar o Natal na avenida. A Rua das Flores terá “uma solução de iluminação específica” e o mesmo irá acontecer com a Torre dos Clérigos, a partir do dia 12 de Dezembro – a data apontada para a reinauguração, depois das obras.

A pista de gelo na Praça de D. João I vai ganhar uma companheira, na Rotunda da Boavista, e na Praça da Liberdade, vai nascer, pela primeira vez, um Mercado de Natal. Juntam-se a estas propostas iniciativas de animação de rua e o já habitual acordo com os comerciantes, para que estes possam disponibilizar vouchers aos seus clientes, que permitem acesso a custos reduzidos aos parques de estacionamento municipais.

Rui Moreira garante que a aposta no Natal e na Passagem de Ano (está prometida uma “solução surpresa no fogo-de-artifício que proporcionará uma experiência única ao público”) faz parte da estratégia da autarquia de atrair visitantes todo o ano. “O Porto, que era tradicionalmente um destino de Primavera, também já é de Verão e Outono. Queremos que seja também um destino de Inverno, combatendo a sazonalidade”, defendeu.

 

Aqui fica estas e outras culturas.

O “Gotinhas “ volta para a semana!

 

Até breve!

publicado por Musikes às 00:30 link do post
10 de Outubro de 2014

"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz." Aristóteles

GRANDES MÚSICAS... GRANDES ÉPOCAS!...

MÚSICA CLÁSSICA (1750-1810)

"A infância de Wolfgang foi encantadora. Desde muito cedo mostrou extraordinária vocação musical. Com quatro anos começou a ter aulas de música com o pai, e rapidamente aprendeu cravo e violino. Não tardou a compor pequenas peças, deslumbrando o pai e os amigos da família Mozart. (...)"(http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart - Concertone for 2 Violins & Orchestra KV190 - Allegro spiritoso (1º and.) http://videos.sapo.pt/OPJcLTtMdfKszOiEjFzq

Mozart - Concertone for 2 Violins & Orchestra KV190 - Andantino grazioso (2º and.) http://videos.sapo.pt/zTWYVyc1AzfI3PBR7n2J

Mozart - Concertone for 2 Violins & Orchestra in C major KV190, Tempo di menuetto (3º and.) http://videos.sapo.pt/LBlNActVygrckyca0e0W

"Mas o que chamava realmente a atenção de todos era a perícia do menino ao teclado, e a carreira de virtuose que o pequeno Wolfgang poderia ter fez Leopold brilhar os olhos. Era uma oportunidade imperdível, tanto para mostrar os seus dons como educador como para mostrar a glória que era seu filho. E, com seis aninhos, o prodígio fez sua primeira turnê pela Europa. (...)"(http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 1 molto allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/nTT0PbZNduANfp0WHf2Q

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 2 andante (2º and.) http://videos.sapo.pt/QekL79hZD66nO1wT4UHp

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 3 allegro finale (3º and.) http://videos.sapo.pt/MWSJ7HFrzb2Uezgisme7

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 4 Pastorale (4º and.) http://videos.sapo.pt/0LgWKCkz2fWDNKlngp0b

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 5 (5º and.) http://videos.sapo.pt/zVFPCNyBOOF2sZFIfrzD

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 6, 6 Allegro allegretto (6º and.) http://videos.sapo.pt/PhlkpTtt09Rc5REIy8Hn

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 7 Allegro (7º and.) http://videos.sapo.pt/7zzImFPScaRhJqdzntUF

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 8 molto adagio (8º and.) http://videos.sapo.pt/fRs56GRn2pfhq0M2Krci

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 9 allegro (9º and.) http://videos.sapo.pt/3IJLusDKkL67stIL8Aps

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 10, 11 largo molto allegro (10º 11º a http://videos.sapo.pt/gBIupblYjGN9US4D3bTj

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 14 menuett (14º and.) http://videos.sapo.pt/U6GUKVdjZPw0lZJvZWt2

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 15, 16 adagio presto (15º 16º and.) http://videos.sapo.pt/kqMsdzqHY7dPKSdac0hv

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 17 Fuga (17º and.) http://videos.sapo.pt/Z0jdNmFodjuWJZlsU4Hl

Mozart - Gallimathias Musicum KV 32 nr 17 Fuga (17º and.) http://videos.sapo.pt/vq4OQruAZZRPzRfzSfpo

E não nos ficamos por aqui! Mozart foi um dos grandes compositores do classicismo, e portanto, muito mais há para ouvir e conhecer.

"Por isso!... Não percas o próximo post... porque nós... também não!!!"
publicado por Musikes às 10:23 link do post
09 de Outubro de 2014

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

No "Gotinhas..." desta semana!

Construir cavaquinhos é uma nobre arte. Pois agora vamos conhecer os artistas É um trabalho de fôlego que está agora a começar e resulta de um protocolo entre DGPC e a Associação Cultural e Museu Cavaquinho: inventariar os construtores no património imaterial português.

"AMÁLIA HÁ SÓ UMA". PORQUÊ? João Miguel Tavares, colunista do Público e comentador no "Governo Sombra" da TVI24 e TSF, sabe (quase) tudo sobre a artista que partiu há 15 anos. Uma conversa sobre Amália no Museu do Fado.

Sérgio Godinho estreia-se na ficção literária Recolha de histórias, "Vida dupla" chega às livrarias na sexta-feira. É o 11.º livro publicado pelo músico.

Silêncio! que na Argentina também se canta o fado Ana Moura atuou pela primeira vez na Argentina durante o 1.º Festival de Fado na Usina del Arte, em junho, no bairro La Boca.

Acordeão: Português é prata em concurso mundial João Filipe Guerreiro tornou-se, no dia 19 de Setembro, vice-campeão do "Premio Internazionale della Fisarmonica Cittá di Castelfidardo", que decorre em Itália e é uma das mais prestigiadas competições de acordeão no mundo.

Músicos incentivam consumo de fruta em idade escolar O projeto desenvolvido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) há quatro anos conta agora com o apoio de músicos como João Gil, Ana Bacalhau, Rita Redshoes ou Mário Laginha, que farão parte do júri que vai avaliar os "Hinos da Fruta" criados pelas escolas participantes.

Ver TV e consultar o Facebook está a dar cabo do seu cérebro Se tem por hábito ver televisão, enquanto consulta as redes sociais no seu computador ou smartphone, se calhar é melhor abandonar uma das atividades. O seu cérebro pode estar a sofrer.

Os Maias e Portugal Carta a João Botelho. Meu Caro João, Irra, que até me fizeste ficar comovido! E isso dá-me direito a tratar-te por tu. Eu ali sentado, no escuro da sala, acaba a publicidade e, às primeiras imagens do genérico, pimba, é a madeleine, a de Combray, a autêntica. O inesperado choque traz-me lágrimas aos olhos. Com a comoção, nem me lembro bem das imagens: esquissos, projectos, debuxos, tecidos, não sei bem, mas sei que foram suficientes para logo à primeira impressão me sentir nos Maias. Nos meus Maias, no meu Ramalhete É que eu sou muito lá de casa, menino. Amigo desde a mais tenra adolescência do fiável Taveira, do sensível Cruges, do saudoso Marquês, do sólido Craft.

À conversa com... Eduardo Sá: "Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas"

Sugestões do "Gotinhas Culturais" Na Casa da Música, Porto, a não perder...

Outono em Jazz | 10 a 22 Outubro 2014 Primeira Viagem ao Espaço Banda Sinfónica Portuguesa

Construir cavaquinhos é uma nobre arte. Pois agora vamos conhecer os artistas http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/construir-cavaquinhos-e-uma-nobre-arte-pois-agora-vamos-conhecer-os-artistas-1671957

Durou nove meses, como para um parto. Em Janeiro, a Associação Cultural e Museu Cavaquinho mostrou-se ao mundo, numa sessão no CCB. Júlio Pereira, músico e seu presidente, apresentou, junto com o seu novo disco, Cavaquinho.pt, também integrado neste esforço de salvaguarda do património, um site que era já resultado de meses de trabalho intensivo. Agora, em Outubro, concretiza-se enfim um dos objectivos primordiais da sua criação: o levantamento sistemático dos construtores tradicionais, das suas práticas e da sua sabedoria. Domingos Machado, Alfredo Machado e José Gonçalves são os primeiros da lista. Agora, são entrevistados pela antropóloga Teresa Albino. Depois, segue-se um levantamento fotográfico (já em curso) e documental com vista a produzir um livro que mostre a sua realidade - "quem são, donde são e o que criam". Isto é apenas uma parte do trabalho da associação, que mantém e desenvolve um site bilingue, em português e inglês (www.cavaquinhos.pt), aberto à vasta comunidade de praticantes e seguidores que ele tem no mundo, uns 200 milhões. "Espero", diz Júlio Pereira "que, a par com o afecto que a associação tem recebido pelo país fora, consigamos os apoios necessários das instituições governamentais ligadas à cultura para conseguirmos com êxito uma tão grande empreitada. Sobretudo numa Europa em crise em que cada nação deve afirmar a sua identidade, tornando-se imperiosa a consciência de que é através da cultura que a nossa alma se descobre." E esse apoio tem vindo, de algum modo a concretizar-se. Em Junho foi assinado um protocolo com a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), com as assinaturas (e presenças) de Nuno Vassallo e Silva, director da DGPC, e Júlio Pereira, Presidente da associação. Isto sob o olhar atento do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. Objectivos? Uma colaboração institucional "com vista à inscrição dos saberes e técnicas dos construtores tradicionais" no inventário do património imaterial. No site da DGPC chegou-se a ligar, numa notícia institucional, esse passo a uma eventual candidatura da prática do cavaquinho a património imaterial da UNESCO. Paulo Costa, da DGPC, responsável (com Teresa Albino) por este projecto de investigação explica: "Uma eventual candidatura à UNESCO deve ser previamente objecto de uma inscrição no inventário nacional do património imaterial de expressões culturais relativas à prática do cavaquinho. Ora essa prática, em Portugal, envolve uma série de aspectos que têm a ver com os grupos, os intérpretes, que usam o cavaquinho nas suas composições em diversíssimos géneros musicais. Mas tendo em conta a disseminação desse instrumento por outros países (Cabo Verde, Brasil, Indonésia, Estados Unidos, particularmente no Hawai onde deu origem ao ukulele), entendeu-se que seria prioritário conhecer quem são os construtores tradicionais do cavaquinho, os que já aprenderam com os pais, avós, ou em contexto oficinal, mas que no fundo trazem essa tradição da construção da excelência deste instrumento." Daí, quis-se "avançar para um trabalho de identificação sistemática de saber quem são estes construtores, de definir uma metodologia de pesquisa dos traços de trabalho que lhe são comuns mas também aquilo que os individualiza." Para Júlio Pereira, a parceria com a DGPC "é mais um importante passo a juntar às necessárias para levarmos este projecto nacional a bom porto. Nestas parcerias estão incluídas as câmaras municipais das cidades transversais à prática do cavaquinho (já assinámos protocolos com as câmaras de Braga e de Lisboa) e também a nível do levantamento nacional de músicos, grupos de cavaquinhos e locais de ensino que a associação está a fazer." Neste último campo, o do ensino, há já passos concretos. "A associação tem vindo a ter reuniões, no continente, com estabelecimentos de ensino de música com vista ao desenho do que será o primeiro curso para uma aprendizagem académica do cavaquinho, tendo já assinado o primeiro protocolo com a ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto. Há já uma parceria firmada com o Conservatório de Música de Coimbra, à qual queremos juntar os Conservatórios de Braga, de Lisboa e do Funchal, cidade onde é de louvar que o braguinha [nome que na ilha da Madeira é atribuído ao tetracórdio da família do cavaquinho] já seja estudado desde o início deste ano no Conservatório."

Um horizonte enorme Rui Vieira Nery, musicólogo, que em Janeiro esteve na apresentação do site e também do disco, diz agora: "A ideia de que há um processo cultural associado a este instrumento que partiu daqui, acho que merece atenção da parte das instituições portuguesas e é isso que a associação está a tentar fazer com uma série de iniciativas: exposições, concertos... Que, em princípio, poderiam levar a um segundo momento, de uma instituição que pudesse ter uma colecção própria, com exemplos dos instrumentos de toda esta diáspora, com uma escola de construção (visto que alguns construtores tradicionais estão a desaparecer), preservação da memória, da documentação e com contactos com a rede de instituições e de praticantes deste instrumento por todo o lado."

"AMÁLIA HÁ SÓ UMA". PORQUÊ? João Miguel Tavares, colunista do Público e comentador no "Governo Sombra" da TVI24 e TSF, sabe (quase) tudo sobre a artista que partiu há 15 anos. Uma conversa sobre Amália no Museu do Fado. http://observador.pt/episodio/amalia-ha-uma-porque/

Sérgio Godinho estreia-se na ficção literária http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=4162875

Recolha de histórias, "Vida dupla" chega às livrarias na sexta-feira. É o 11.º livro publicado pelo músico. "Vida dupla" é o título da recolha de histórias que assinala a estreia na ficção de Sérgio Godinho. "Mosaico em que as figuras se desdobram de pessoas comuns em fantasiosas personagens (e vice-versa)", segundo nota da editora, o livro, com a chancela da Quetzal, chega às livrarias na próxima sexta-feira. Atravessam este trabalho histórias extraídas do quotidiano que revelam personagens marcadas por um traço comum: "cumprem um singular destino através do papel que lhes coube no circo da vida". Ao longo das narrativas, há sempre um elemento perturbador que interrompe o curso normal dos dias. Desde um homem que deixa a sua casa todas as noites, optando por dormir misteriosamente ao relento, ao carrasco que, mesmo tão habituado à morte, reflete sobre o sentido da existência, "Vida dupla" apresenta um conjunto amplo de histórias. Apesar de ser a sua primeira incursão ficcional, Sérgio Godinho já publicou um total de 11 livros. Obras de géneros muito diferentes que vão ao encontro da própria polifonia do cantor. Guiões de cinema (como "Kilas, o mau da fita), poesia ("Sangue por um fio"), histórias para a infância ("O pequeno livro dos medos"), peças de teatro ("Eu tu ele nós vós eles") ou crónicas ("Caríssimas quarenta canções") são disso apenas alguns exemplos.

Silêncio! que na Argentina também se canta o fado http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4163072

Governo Argentino escolheu o 6 de outubro - o mesmo do aniversário da morte de Amália Rodrigues - como Dia Nacional do Fado. No café em Buenos Aires, aos primeiros acordes do fado de Coimbra, ninguém percebe. Maria Laura Rojas fecha os olhos e começa a cantar. O sotaque pouco se nota durante a canção e só quando termina e agradece ao público nos damos conta de que esta fadista não é portuguesa: Maria Laura é argentina. Com Dulio Moreno, de 30 anos, criou, em 2009, os Almalusa. Apesar de viver no país do tango, Maria Laura diz gostar mais de fado. "Em minha casa, os meus pais sempre ouviram fado e eu cresci a cantarolar Amália Rodrigues e Carlos do Carmo", explica. Tal como Dulio, bisneto de portugueses e apaixonado pelo fado desde os 12 anos. "Lembro-me de ser muito pequeno e de a minha avó ouvir fado na rádio. Com o passar dos anos fui descobrindo mais temas, mais intérpretes e fui-me apaixonando cada vez mais. Adoro falar português e, quando canto, sinto saudade, sinto o mar e a tristeza de tantos portugueses que tiveram de deixar a sua terra. Quando canto em português sinto a alma inteira de um povo", conta ao DN o argentino que, além de pertencer à comunidade lusa na Argentina, tem o programa de rádio Saudade de Portugal.

Acordeão: Português é prata em concurso mundial http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_acordeao-portugues-e-prata-em-concurso-mundial_20992.html via Byline

João Filipe Guerreiro tornou-se, no dia 19 de Setembro, vice-campeão do "Premio Internazionale della Fisarmonica Cittá di Castelfidardo", que decorre em Itália e é uma das mais prestigiadas competições de acordeão no mundo. Segundo o jornal Sul Informação, o acordeonista luso, aluno do conceituado professor Hermenegildo Guerreiro, conquistou o segundo lugar na categoria de Sénior "Varieté", no concurso a decorrer na cidade italiana de Castelfidardo. A prova contou com a participação de dezenas representantes de diversas nacionalidades, como China, Rússia, Finlândia, França, Espanha ou Brasil, distribuídos por várias categorias. Como em 2002, Portugal volta a ter um acordeonista no pódio deste prémio internacional, quando João Frade, também aluno de Hermenegildo Guerreiro, conquistou o primeiro lugar da competição.

Músicos incentivam consumo de fruta em idade escolar http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4144501

O projeto desenvolvido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) há quatro anos conta agora com o apoio de músicos como João Gil, Ana Bacalhau, Rita Redshoes ou Mário Laginha, que farão parte do júri que vai avaliar os "Hinos da Fruta" criados pelas escolas participantes. O projeto "Heróis da Fruta - Lanche Escolar Saudável" tem como objetivo "aumentar o consumo diário de fruta em idade escolar, tendo em conta que a nível nacional apenas 2% das crianças até aos 10 anos ingere fruta fresca todos os dias", diz o comunicado da iniciativa. Os dados são do Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil elaborado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde. Os 'Hinos da Fruta' são desenvolvidos pelas turmas, que têm que "inventar uma letra e gravar um videoclipe que transmita aos encarregados de educação a importância de consumir fruta diariamente". No ano passado, mais de 136 mil alunos participaram no projeto. Este ano, os vencedores serão escolhidos por um júri formado por João Gil, Ana Bacalhau (dos Deolinda), Amor Electro, Henrique Feist, Maria João, Mário Laginha, Vanessa Silva, Rita Redshoes, OqueStrada, HMB, Frankie Chavez, Filipe Pinto e o Avô Cantigas. "Os vídeos estarão disponíveis para votação do público no site www.heroisdafruta.com que determinará os finalistas, mas é ao Júri que cabe a difícil tarefa de escolher as letras mais originais e os videoclips mais criativos. Finalmente, serão escolhidos 3 vencedores entre os finalistas e ainda um outro vencedor entre os hinos menos votados pelo público", afirmou o presidente e fundador da APCOI, Mário Silva, na apresentação do projeto. "Fui uma criança gorda. Comia demais e mal. Por causa disso, era gozada na escola primária (aquilo a que hoje se chamaria "bullying") e sofri muito com isso. Não o sabia, quando era criança, mas aprendi como adulto que quando comemos mal, isso irá ter influência na nossa saúde por muitos e muitos anos", indicou Ana Bacalhau, segundo o comunicado, dando um conselho às crianças: "Comam muita fruta e, sobretudo, divirtam-se com ela. Das cerejas façam brincos de princesa, das melancias e melões, uma escultura, misturem as suas cores vivas como se se tratasse de um desenho vosso. Não há maior benção do que viver-se uma vida plena de saúde e bem-estar."

Ver TV e consultar o Facebook está a dar cabo do seu cérebro http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/interior.aspx?content_id=4159861

Se tem por hábito ver televisão, enquanto consulta as redes sociais no seu computador ou smartphone, se calhar é melhor abandonar uma das atividades. O seu cérebro pode estar a sofrer. Literalmente. Dois investigadores da Universidade de Sussex, em Inglaterra, estudaram o impacto da utilização simultânea de vários aparelhos e concluiu que as pequenas células cinzentas (como lhes chamava Hercule Poirot) estão a encolher. Melhor, a perder densidade. Leia também: O Facebook está a deixá-lo deprimido? Saiba porque continua a usar a rede social Os neurocientistas Kep kee Loh e Ryota Kanai pediram a 75 adultos para responder a um questionário sobre os seus hábitos de consumo de terminais de media (como TV, telemóveis, computadores e até imprensa) e a seguir fizeram uma ressonância magnética (MRI) ao cérebro. Conclusão? Quem usava com alguma frequência mais do que um aparelho em simultâneo tinha uma menor densidade de células numa zona do cérebro responsável pelo controlo das funções emocionais e cognitivas. Uma situação que não tem de ser necessariamente ter um efeito de causalidade, mas, alertam os dois neurocientistas, há que fazer estudos mais aprofundados sobre se é o multitasking que leva a uma menor densidade de células nessa zona do cérebro ou é o facto de se ter uma menor densidade que faz com que as pessoas tenham tendência para o multitasking.

Os Maias e Portugal http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/os-maias-e-portugal-1671485

Meu Caro João, Irra, que até me fizeste ficar comovido! E isso dá-me direito a tratar-te por tu. Eu ali sentado, no escuro da sala, acaba a publicidade e, às primeiras imagens do genérico, pimba, é a madeleine, a de Combray, a autêntica. O inesperado choque traz-me lágrimas aos olhos. Com a comoção, nem me lembro bem das imagens: esquissos, projectos, debuxos, tecidos, não sei bem, mas sei que foram suficientes para logo à primeira impressão me sentir nos Maias. Nos meus Maias, no meu Ramalhete É que eu sou muito lá de casa, menino. Amigo desde a mais tenra adolescência do fiável Taveira, do sensível Cruges, do saudoso Marquês, do sólido Craft. Recompus-me, e à medida que o filme se ia desenrolando, era mesmo Os Maias, o autêntico, o genuíno. Lá estavam a fachada, a fonte do jardim, o whist do Ramalhete, os veludos verdes dos reposteiros do consultório, o sólido Afonso, o besuntoso Dâmaso, as soirées do S. Carlos, a denguice da Gouvarinho e os envolventes Cohens, da Vila Balzac, da bancarrota e das petits pois, e aquela aparição de uma Deusa, talvez um pouco parca de Olimpo, de brasileiro e cadelinha, o Mocho da Toca e o John, o mefistofélico Ega, o John, lá estava ali à minha frente. O Alencar de Alenquer, histriónico, talvez com menos ossos para estreitar. Quadro a quadro, entre os estupendos telões do exterior e o fiel requinte dos fantásticos interiores e do magnífico guarda-roupa, desenrolava-se ali à minha frente o texto, o discurso, as frases, dos Maias. Frases gravadas na minha memória que reconheci uma a uma, como parte do meu passado, frases íntimas como amigos de infância a desfilar à minha frente, a salientar, com singular mestria, a estatura única desta obra-prima da literatura, que consegue conjugar uma devastadora tragédia com a mais divertida observação da comédia humana. O solene, o prosaico, o sublime, a vida. Conseguiste, em forma cinematográfica, ressaltar, com originalidade e integral respeito pelo original, o sublime do texto deste romance magnífico. É obra! Venham de lá esses ossos. O filme é, como te ouvi e li dizer em entrevistas, a tua leitura d'Os Maias. A autoria desta obra de arte é tua. Mas encontrei no teu filme, em considerável extensão, também a minha leitura. Já, porém, não subscrevo a ideia difundida em entrevistas e comentários a propósito do lançamento do filme de que Os Maias serão uma espécie de alegoria da História de Portugal e que a sua actualidade se deve a que o Portugal de hoje é igual ao que o Eça disseca. Discordo por duas razões. Primeiro porque dizê-lo diminui, a meu ver, Os Maias. É verdade que Portugal é um "personagem" importante em muita da nossa melhor literatura, designadamente no Eça (a hiperidentidade de que fala Eduardo Lourenço?) e que Os Maias se inscrevem na sociedade portuguesa da época, mas não são sobre Portugal. São uma das mais autênticas, impiedosas e sagazes análises da natureza humana. Ali está tudo, a frescura da esperança, a coragem, a pusilanimidade, a traição, o desejo, a paixão, até à violação brutal do mais redutor dos tabus que leva ao extremo do humano. Ali, e no filme, descrito de modo magistral. Não foi Portugal que não mudou. Foi a natureza humana. E é por ser sobre a condição humana que a obra de Eça é tão actual e atingiu reconhecimento universal. E discordo também porque creio que o Portugal de hoje, tendo em conta os padrões das duas épocas, é muito diferente e muito melhor do que o de então. É mania dizer que nada mudou. Há uns meses alguém citava para esse efeito um texto onde Eça dizia, sobre as jovens portuguesas, que eram raquíticas, macilentas, olheirentas. Transportado para o presente concordarás que parece tratar-se de um problema oftálmico. Não são hoje obscuros M. Guimaraens que têm imaginária influência em Gambettas. São figuras portuguesas que ocupam lugares internacionais do maior destaque, o que era impossível com a imagem do país de então. Hoje, Carlos não teria necessidade de recorrer a arquitectos ingleses para restaurar o Ramalhete e deixar para o português amigo do Vilaça as cocheiras. Temos uma das melhores redes viárias do mundo, somos vanguardistas em áreas como as energias renováveis, temos cientistas de reputação mundial patrocinadores de avanços mundialmente reconhecidos, etc. Para nos atermos à Arte e à Cultura, quando tivemos, como hoje, poetas, escritores, arquitectos, artistas plásticos, cineastas que são referências pelo mundo todo? A alteração da programação cultural por todo o país nas últimas duas décadas, o modo como pessoas dos mais diversos meios se exprimem, tudo revela uma enorme mudança. Isto significa que há hoje uma muito maior proporção de portugueses capazes de usufruir dos Maias: do livro e do filme. Até a bancarrota deixou de ser nacional e passou a sistémica, graças à benfeitora globalização. Não foi Portugal que não mudou. O que não mudou foi a natureza humana, que me cheira não vai mudar e por isso revemos, nos nossos contemporâneos, os comportamentos e fraquezas, as qualidades e defeitos, das personagens de então. É a natureza humana que Eça retrata e é isso que reencontramos na sua obra e a faz tão actual. Tenho de ir agora, João. Vou para Viseu, rever Os Maias. E antes de voltar para Lisboa tenho que passar em Mangualde, não me vão esquecer os famosos pastéis. Deixo-te, pois, com enorme, grato e reconhecido abraço. Encheste-me a alma com os teus Maias. Embaixador reformado

E agora... à conversa com...

Eduardo Sá: "Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas" http://observador.pt/2014/09/25/eduardo-sa-os-bons-filhos-sao-aqueles-que-nos-trazem-problemas/

Para Eduardo Sá, o ideal seria um sistema educativo onde as crianças fugissem para as escolas.

"Hoje não vou à escola!", quantas vezes já ouviu o seu filho dizer isto, logo pela manhã, acabado de sair da cama? No início de mais um ano letivo, o psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá lança um livro cujo título toma emprestado o protesto infantil. A ideia é explicar que as crianças saudáveis são afoitas, curiosas e que, às vezes, não têm vontade de ir às aulas. "Hoje não vou à escola!", da editora Lua de Papel, chega esta quinta-feira às livrarias. Porque "a família é mais importante do que a escola e brincar é, pelo menos, tão importante como aprender", Eduardo Sá fala dos excessos cometidos no ato de educar uma criança e aponta o dedo tanto a pais como a professores. Defende que, depois de um longo dia de trabalho, é obrigatório que a criança brinque (em vez de se lançar aos trabalhos de casa ditos "XXL"). E, antes de um pai exigir boas notas, deve ensinar ao filho valores como honestidade e humildade. A crítica às escolas é clara, ao Ministério da Educação também: "Os diversos governos, desde há vários anos -- e com todo o respeito -- têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas". Mas também destaca os longos períodos de aulas e a pouca importância que é dada a disciplinas como educação física e musical. A solução passa, pois, por criar, em conjunto, um sistema educativo onde as crianças fujam para a escola em vez de fugir dela. Mas o também professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, além de autor de livros virados para a saúde familiar e educação parental, deixa ficar ainda o aviso: os pais não devem viver em função da agenda social dos filhos. A consequência pode resvalar para um divórcio a prestações, até porque o mais importante na vida, diz, são as relações pessoais. "Pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais". Eduardo Sá_03 (1) D.R. A escola é, como diz no livro, "o mundo secreto onde os nossos filhos habitam". O que quer dizer com isso? Eu tenho medo que estejamos a fazer das crianças uma super produção dos pais, mais do que propriamente dar espaço para elas possam crescer. Preocupa-me, em primeiro lugar, que não tenhamos uma ideia precisa da mais-valia que representa o jardim de infância. Que os pais imaginem que se trata de uma espécie de atelier de tempos livres, das 9 às 17h, e não o vejam como instrumento indispensável a todo o crescimento: tem mais-valias a nível do corpo, da sensibilidade, da expressão... Um bom jardim-de-infância é meio caminho andado para uma escolaridade tranquila. Depois, as crianças não precisam de estar tanto tempo na escola para aprenderem. Mais tempo de escola não é, obrigatoriamente, melhor tempo. Pelo contrário, as crianças precisam de muito mais tempo de recreio. Crianças mais empanturradas em conhecimento são crianças que pensam menos. Temos de perceber o que queremos, efetivamente, da escola. Se queremos, ou não, uma linha de jovens tecnocratas de sucesso. Acho ótimo que possamos ir por aí, mas jovens assim não são pessoas singulares, são produtos normalizados. E era muito bom que as pessoas percebessem que aquilo que se fala aí pomposamente como mercado vai escolher as pessoas singulares, criativas. Trata-se de conhecimento em detrimento do pensamento? Continuamos a favorecer um sistema educativo que premeia fundamentalmente os miúdos que repetem aos que recriam. É um bocado esquizofrénico, quase, porque nós castigamos os que copiam e premiamos os que repetem como se as duas coisas não fossem faces de uma mesma moeda. Temos de pensar muito bem que tipo de estratégia queremos para que as crianças, ao mesmo tempo que aprendem, sejam capazes de ser afirmativas e sensíveis. Depois, é fundamental que se perceba que a família é mais importante do que a escola e que brincar é, pelo menos, tão importante como aprender. Que equilíbrio sugere entre brincar e trabalhar? A partir do momento em que as crianças chegam a casa, estão obrigadas a brincar. Brincar faz bem à saúde e é obrigatório brincar todos os dias. É natural que, se as crianças chegam tarde a casa, os pais queiram despachar os trabalhos e utilizem a fórmula "primeiro fazes os trabalhos de casa, depois brincas". Devia ser ao contrário, porque assim descontraem. Qual o papel do pai na aprendizagem de um filho? Os pais deviam ser a verdadeira entidade reguladora das escolas. Há pais que se anulam perante algumas atitudes muito pouco sensatas de professores, seja em relação aos trabalhos de casa, a comentários ou até estratégias pedagógicas. Não gosto de pais que se intrometem de forma abusiva na vida da escola, mas também parece grave que haja aqueles que se anulem. É importante que nós assumamos que a escola tem um tempo que deve ser gerido, no essencial, pelos professores e deve ter nos pais uma entidade reguladora fantástica. Depois, é preciso fazer o resto: porque à parte de todos aqueles tempos, para além do razoável, muitas vezes as crianças chegam a casa e ainda têm não sei quantas atividades extracurriculares; muitas têm trabalhos de casa em formato XXL. É uma crítica tanto ao professor como ao pai? Também. Trabalhos de casa em formato XXL, que se fazem entre o banho e o jantar, já com as crianças muito cansadas...pergunto-me qual será a mais-valia ou o objetivo deles. A maior parte dos trabalhos de casa são uma forma rápida para que as crianças passem a ter um ódio de estimação pela escola. Não sou radicalmente contra os trabalhos de casa, mas era bom que o trabalho fosse ir ao supermercado com a mãe, ou com o pai, e fazer os trocos (e outras coisas do género). Ou seja, trazermos a escola da vida para dentro da escola. Acha que as crianças vão aprender com os trabalhos de casa aquilo que não aprenderam na escola? Nestas circunstâncias, o que pode um pai exigir de um filho? O pai deve começar por exigir que o filho seja honesto e humilde, algo que, muitas vezes, não o faz. A humildade é uma coisa que faz muito bem à saúde, porque ajuda-nos a aprender com os erros. Tenho medo que estejamos a criar um mundo francamente batoteiro, que torna as crianças debilitadas em relação à frustração. Nós, às vezes, somos poucos tolerantes para com os erros das crianças e esquecemo-nos que errar é aprender. Depois de as crianças serem honestas e humildes, acho importante que elas sejam afoitas, mas que, ainda assim, estejam autorizadas a errar. Uma criança que não erra não é um bom aluno, é uma criança que se vai fragilizando à conta de boas notas. O que seria, então, uma escola ideal? Não é preciso ser uma escola ideal. Uma escola onde as crianças tivessem, sobretudo, aulas de manhã, seria uma boa escola (somos animais com ritmos biológicos muito precisos e aprendemos em função deles; somos mais inteligentes de manhã do que a seguir à hora de almoço). Uma escola que tivesse, inevitavelmente, recreios maiores e onde a parte da tarde fosse preenchida com atividades que ajudem as crianças a serem expressivas, como educação física ou expressão dramática. Se as crianças não forem expressivas, não sabem pensar. É muito bom que as pessoas tenham noção disso, que vivemos num mundo estranho onde o número é mais credível do que a palavra; a nossa saúde mental depende do bom uso que fazemos da palavra. Eu adoraria que nós fossemos capazes de, em conjunto, organizar um sistema educativo onde as crianças fugissem para a escola. Os diversos governos, desde há vários anos -- e com todo o respeito -- têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas. E os livros, os livros, custarem aquilo que custam... Só governos que andam absolutamente distraídos face à realidade e que não têm noção do que é ter filhos entre os zero e os dez anos. hoje_nao_vou_af.indd Capa do livro - D.R. Por que razão escreve que os bons filhos não são os que tiram melhores notas? As crianças saudáveis não têm 5 a tudo. Ao contrário do que os pais pensam, as crianças saudáveis são acutilantes, curiosas, têm a vista na ponta dos dedos e perguntam "porquê". É tão estranho que as crianças, até entrarem nas escolas, estejam constantemente na idade dos "porquê" e, assim que entram, parecem sair precipitadamente dela -- a escola devia ser quem mais incentiva o "porquê". Os pais devem, no fundo, ter a noção de que as crianças saudáveis podem não perceber de uma matéria, gostar dela ou até não gostar de um professor. Eles não podem aceitar a ideia de que crianças saudáveis são as que têm sempre um comportamento irrepreensível. Isso não é razoável, nada na vida é assim. Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas, porque nós aprendemos à medida que os resolvemos. Às vezes, os pais parecem criar os filhos na expetativa que estes não lhes deem problemas -- crianças que não o fazem são, invariavelmente, adultos infelizes. Não tenho nada contra os alunos que tiram boas notas, mas gostava que os pais fossem igualmente exigentes. Isto é, que quisessem muito que os filhos tivessem boas notas na escola, como filhos, como colegas, irmãos, netos... Costumo dizer, tentando ser provocatório, que tornamo-nos pais com o segundo filho. Com o primeiro mistura-se tudo: a infância que tivemos e a que queríamos ter tido. Os filhos mais velhos passam sempre muito, porque, às vezes, os pais colocam expetativas exorbitantes sobre eles -- mais parecem viver confinados a um guião. Se calhar não é por acaso que os filhos mais velhos são os "certinhos oficiais" de uma família e os mais novos são os rebeldes. Preocupa-me que não se dê espaço para ser-se filho e ser-se criança. É inquietante e estúpido. Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b de autoridade e o mais possível de autonomia. As crianças estão cada vez menos autónomas? Sim, estão. E as crianças autónomas são expeditas, afoitas, sentem, pensam e fazem. Passividade e paixão não casam. Os pais sofrem por antecipação pelo facto de os filhos irem para a escola? Sofrem, porque eles dão mais importância à escola do que esta merece. A escola é fantástica, mas os pais têm de perceber que é fantástica por vários motivos: pelo que se aprende nas aulas, no recreio e no caminho para a escola. Há pais que, cada vez mais, preferem que os filhos entrem na escolaridade obrigatória aos sete anos para que os meninos tenham mais um ano para serem crianças; acham que a infância acaba quando os filhos entram na escola, o que diz tudo. Portanto, as crianças saudáveis são aquelas que, às vezes, se levantam e dizem "hoje não vou à escola". Qual a importância da vida social para uma criança? Acho uma delícia quando os pais recomendam aos filhos (mais velhos) para ter cuidado com os namoros. Primeiro está o namoro e, depois, a escola. A vida ocupa espaço. Namorar é das coisas que ocupa mais tempo, bem como as relações de amizade; aquilo que é importante na vida são as relações pessoais. É ótimo que os pais deem importância à vida social dos filhos, mas que não se intrometam nela. É grave quando os pais, à custa da vida social dos filhos, não tenham fins de semana. Mais importante são as relações amorosas dos pais. A agenda social dos filhos ajuda a que, muitas vezes, estes se divorciem. E pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais. Há pais que se anulam neste processo? Há. Claro que a fatura vem logo a seguir. Isto é como na política, nunca há almoços grátis. Há pais que prescindem de uma vida para serem unicamente pais. É um divórcio a prestações. Voltando à sala de aula, o que é uma criança hiperativa? Acho que a Direção-Geral de Saúde devia fazer uma campanha pública porque parece existir uma epidemia atípica. Acho importante que constatemos as dificuldades das crianças, mas que não nos ponhamos a medicar com mão leve como se elas tivessem de ser irrepreensíveis. Uma criança com várias horas de aulas, poucas de recreio e pouca atividade física é seguramente mais distraída. Isso significa que ela tenha algum defeito ou que, na sua ingenuidade, os pais e os professores, pela má gestão que fazem, vão contribuindo para essa dificuldade? Preocupa-me muito que, em Portugal, as crianças tenham cada vez menos atividade física e preocupa-me ainda mais que haja ministros da Educação e ministérios que achem que a educação física seja uma disciplina de classe B, quando comparada com a matemática ou o português -- não me choca nada que se possa reprovar o ano com negativa a educação musical e a educação física. Acho que estas pessoas não deviam ser ministros da Educação. O Ministério da Educação, nestas circunstâncias, devia fechar para balanço. As crianças que têm mais atividade física pensam melhor e são mais atentas. Há turmas em colégios de Lisboa em que se contam pelos dedos das mãos as crianças que não estão medicadas, como se isto não tivesse efeitos secundários. Que tipo de consequências estamos a falar? Aquilo que parece uma mais-valia, a longo prazo é uma limitação. Partilhe Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt 22 COMENTÁRIOS Luís David Rosário 26 Set 2014 É urgente pensar nisto. Anda tudo muito ansioso com a educação tipo fórmula 1.

Dá que pensar, não?...

Sugestões do "Gotinhas"! A não perder, hem!

Outono em Jazz | 10 a 22 Outubro 2014 http://www.casadamusica.com/pt/ciclos-e-festivais/2014/outono-em-jazz-2014?lang=pt&utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=Outono+em+Jazz++10+a+22+Outubro+2014&utm_campaign=Newsletter+Casa+da+M%EF%BF%BDsica#tab=0

Primeira Viagem ao Espaço http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/10/12-outubro-2014-primeira-viagem-ao-espaco/38493?lang=pt

Banda Sinfónica Portuguesa http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/10/19-outubro-2014-banda-sinfonica-portuguesa/35744?lang=pt

E zás! Aqui fica mais uma edição. O "Gotinhas " volta para a semana!

Até breve!
publicado por Musikes às 12:00 link do post
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