Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
28 de Novembro de 2014

"O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz." Aristóteles

GRANDES MÚSICAS... GRANDES ÉPOCAS!...

MÚSICA CLÁSSICA (1750-1810)

De toda a obra de Mozart, daremos aqui especial atenção às mais importantes entre todos os géneros por si escritas, as quais poderão servir como uma espécie de guia musical a escutar.

"Haydn foi o grande criador que consolidou a música de câmara clássica - isto é, aquela que gira em torno do quarteto de cordas e da forma-sonata. Mozart levou isso adiante, e sentiu-se sempre devedor do mestre. Tanto que suas maiores obras-primas no gênero são dedicadas a ele: são seis quartetos, compostos em 1785. O último deles, K. 465, em Dó Maior, conhecido como o Quarteto Dissonante, é o mais célebre deles, tanto pela "dissonância" inicial como pelo sublime movimento lento. Mozart também tentou outras formações instrumentais e praticamente inventou uma: o quarteto com piano. Ele escreveu dois deles, e o primeiro, K. 478, é o mais importante. No campo dos quintetos, Mozart compôs dois exemplares famosos: o Quinteto de Cordas K. 515 e o Quinteto para Clarinete K. 581." (http://geniosmundiais.blogspot.pt/2006/01/biografia-de-wolfgang-amadeus-mozart.html)

Mozart Piano Quartet In G Minor K 478 - 1. Allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/9OY4fOnID871irBefRSv

Mozart Piano Quartet In G Minor K 478 - 2. Andante (2º and.) http://videos.sapo.pt/jdoGAFF0s2840zq03Tc6

Mozart Piano Quartet In G Minor K 478 - 3. Rondeau (3º and.) http://videos.sapo.pt/JzpDFUKBERzmMJgyjLUz

Mozart Piano Quartet In E Flat K 493 - 1. Allegro (1º and.) http://videos.sapo.pt/ruQB0vzZS7KDGKeODDf4

Mozart Piano Quartet In E Flat K 493 - 2. Larghetto (2º and.) http://videos.sapo.pt/ZjFFoB6QzyvUDGKZvZ74

Mozart Piano Quartet In E Flat K 493 - 3. Allegretto (3º and.) http://videos.sapo.pt/nFyOiwUUEoZ4nmyeWpAI

Mozart String Quartet Nº 16 In E Flat K 428 - 1. Allegro Non Troppo http://videos.sapo.pt/nWL0LAWPdBH0UlQA0iYn

Mozart String Quartet Nº 16 In E Flat K 428 - 2. Andante Con Moto http://videos.sapo.pt/HU08Ge6D1EuJheIih1ig

Mozart String Quartet Nº 16 In E Flat K 428 - 3. Menuetto & Trio: Allegro http://videos.sapo.pt/BFL1bFWlyHE4Fk9iycls

Mozart String Quartet Nº 16 In E Flat K 428 - 4. Allegro Vivace http://videos.sapo.pt/JL4LGWpPJCRk3MV419Dy

Mozart String Quartet Nº 17 In B Flat K 458, "Hunt" - 1. Allegro Vivace Assai http://videos.sapo.pt/Sg200nVECNpUI6b9zvAS

Mozart String Quartet Nº 17 In B Flat K 458, "Hunt" - 2. Menuetto & Trio: Moderato http://videos.sapo.pt/gC9duGgs6HiM9hEgBiIy

Mozart String Quartet Nº 17 In B Flat K 458, "Hunt" - 3. Adagio http://videos.sapo.pt/UzNRz7rjEg0qfkrSaFet

Mozart String Quartet Nº 17 In B Flat K 458, "Hunt" - 4. Allegro Assai http://videos.sapo.pt/HrkowBtr45cfWcnylFKb

Mozart String Quartet Nº 18 In A K 464 - 1. Allegro http://videos.sapo.pt/tVN9n1lZA3Q9oVdpoGPp

Mozart String Quartet Nº 18 In A K 464 - 2. Menuetto & Trio http://videos.sapo.pt/DH5gwnKL89JcHrwWzIj8

Mozart String Quartet Nº 18 In A K 464 - 3. Andante http://videos.sapo.pt/wIz8pT6nDIV1QEdPoG2a

Mozart String Quartet Nº 18 In A K 464 - 4. Allegro Ma Non Troppo http://videos.sapo.pt/Gkc1Ah8yCVQbjBZD6G6Q

Mozart String Quartet Nº 19 In C K 465, "Dissonance" - 1. Adagio, Allegro http://videos.sapo.pt/6vlaozJPFjVq4IonFSz2

Mozart String Quartet Nº 19 In C K 465, "Dissonance" - 2. Andante Cantabile http://videos.sapo.pt/VSn1TjufOZwhy2a5zJGT

Mozart String Quartet Nº 19 In C K 465, "Dissonance" - 3. Menuetto & Trio: Allegro http://videos.sapo.pt/JbymVySnYeski8Lhz5Bz

Mozart String Quartet Nº 19 In C K 465 Dissonance - 4. Allegro Molto360 Mozart Quartet In F K 370 - 1. Allegro http://videos.sapo.pt/iSldZ4Z0SugV1cNYKFPn

Mozart Quintet In E Flat K 407 - 1. Allegro http://videos.sapo.pt/phU3jpb6wu79GTsHeQQp

Mozart Quintet In E Flat K 407 - 2. Andante http://videos.sapo.pt/qOctJCt052yywW7qb0Yu

Mozart Quintet In E Flat K 407 - 3. Allegro http://videos.sapo.pt/AtULBWmYVwh7jmkv9Jkm

Mozart Quartet In F K 370 - 1. Allegro http://videos.sapo.pt/hpSZmJYzUROo3ylCOagj

Mozart Quartet In F K 370 - 2. Adagio http://videos.sapo.pt/POH9UzOjzRGfesiZEZe1

Mozart Quartet In F K 370 - 3. Rondeau: Allegro http://videos.sapo.pt/HD3qqjsuaZGHn1TolZzc

Mozart Clarinet Quintet In A K 581, "Stadler" - 1. Allegro http://videos.sapo.pt/zOMz1Z60AUHWPRFeJcuo

Mozart Clarinet Quintet In A K 581, "Stadler" - 2. Larghetto http://videos.sapo.pt/nUWGh4EBsLykhBAEYQfS

Mozart Clarinet Quintet In A K 581, "Stadler" - 3. Menuetto http://videos.sapo.pt/MvWGzWh6bfOdGEpO2S1q

Mozart Clarinet Quintet In A K 581, "Stadler" - 4. Allegretto Con Variazioni http://videos.sapo.pt/EUJo9ohWYf7Id5kcrHa8

E creio que aqui tens muito para ouvir. Escuta atentamente, pois, é uma exímia obra de arte musical.

"Por isso!... Não percas o próximo post... porque nós... também não!!!"
publicado por Musikes às 16:55 link do post
27 de Novembro de 2014

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

No "Gotinhas" desta semana, estas e outras novas que passaram.

A divulgar e assistir...

Feira de Artesanato no espírito do Comércio Justo! No Agrupamento de Escolas de Águas Santas - Maia Venha à nossa... Feira de Artesanato! Pode também participar expondo as suas criações pessoais numa pequena banca que lhe reservamos...

Fórum do Futuro 2014 De 23 a 30 de Novembro de 2014, na cidade do Porto, a primeira edição do festival internacional de pensamento Fórum do Futuro, organizado pelo Pelouro da Cultura da CMP em colaboração com a Casa da Música, o Museu de Serralves, a Universidade do Porto e o Teatro Nacional São João.

Agenda do Coliseu do Porto Esta semana O QUEBRA NOZES - Russian Classical Ballet28.11.2014 > 21.30 h MIGUEL ARAÚJO29.11.2014 > 22.00 h FREI HERMANO AO VIVO30.11.2014 > 18.00 h

E se os artistas plásticos tocassem cavaquinho? Júlio Pereira pediu a 70 artistas plásticos para transformarem 70 cavaquinhos em obras de arte. Conhecer para saber...? (pergaminho...)

O caso cada vez mais sério da electrónica portuense Já é impossível fazer uma radiografia completa da música electrónica nacional sem olhar para cima. Há cada vez mais projectos novos e jovens produtores, que usam referências e educações distintas para criar a sua própria identidade. Uma cena dispersa, mas caleidoscópica e entusiasmante.

Santuário do Sameiro nas mãos dele Com 18 anos, Sérgio Henrique Viana arrisca-se a ser o mais jovem organista português. Desde agosto que é o organista do Santuário do Sameiro e na Sé de Braga. É, também, diretor do coro da Paróquia da Sé.

Carmen Miranda: portuguesa, com certeza A identidade portuguesa dessa metralhadora sonora de turbante de frutas nunca foi amplamente reclamada ou celebrada em Portugal. O Real Combo Lisbonense traz Carmen Miranda para a música portuguesa. Temos baile.

Paco de Lucía reconhecido com o Grammy Latino para melhor álbum do ano Gabriela Carrasco, a viúva de Paco de Lucía,com os filhos. Receberam o Grammy latino a título póstumo Este é o segundo prémio póstumo que o artista vence, depois de "Canción Andaluza" conquistar também o título de melhor disco de flamenco.

António Jorge Gonçalves assina primeiro livro para a infância, 'Barriga da baleia' O ilustrador e cartoonista António Jorge Gonçalves publica este mês "Barriga da baleia", o seu primeiro livro para crianças, para leitores iniciais, cuja história já foi um espetáculo de teatro.

Romances de Hemingway em animações de 15 segundos A Fundação Ernest Hemingway, que se dedica a promover a vida e obra do autor americano com o mesmo nome, pensou numa forma de chamar a atenção dos jovens, para os romances de Ernest Hemingway.

A Amazónia salva das águas O terceiro taxista com quem falei disse que aquela chuva toda era vontade de deus, eu disse que era culpa do homem, ele rematou: -- E o que é que vamos fazer? Mas pelo menos levou-me ao Museu de Etnologia, coisa que não fizeram os dois primeiros na praça de táxis de Belém, o primeiro porque dizia que não sabia onde era, o segundo porque dizia que claro que o primeiro sabia, não queria era ir lá por ser uma corrida curta. Lisboa devia ponderar a importação de taxistas do Rio de Janeiro como terapeutas dos taxistas de Lisboa.

Ninguém ficará para ver tantas imagens A fotografia é um excelente exemplo da apropriação exaustiva do mundo pelo ser humano narcísico da contemporaneidade -- e uma das mais eloquentes formas de expressão do consumo imparável.

**** A divulgar e assistir...

Feira de Artesanato no espírito do Comércio Justo! No Agrupamento de Escolas de Águas Santas - Maia

Venha à nossa ... Feira de Artesanato no espírito do Comércio Justo! Pode escolher aqui lembranças originais para oferecer no seu Natal... Pode também participar expondo as suas criações pessoais numa pequena banca que lhe reservamos... Se quer participar como expositor contacte-nos pelo e-mail comerciojusto.aescas@gmail.com, até ao próximo dia 30 de Novembro. Sem mais a acrescentar, despedimo - nos com os melhores cumprimentos.

Fórum do Futuro 2014

Decorre de 23 a 30 de Novembro de 2014, na cidade do Porto, a primeira edição do festival internacional de pensamento Fórum do Futuro, organizado pelo Pelouro da Cultura da CMP em colaboração com a Casa da Música, o Museu de Serralves, a Universidade do Porto e o Teatro Nacional São João. Com convidados como o encenador Robert Wilson, os Pritzkers Jean Nouvel (pela primeira vez em Portugal) e Rafael Moneo, o prémio Nobel da Química 2004 Aaron Ciechanover, a artista plástica e teórica norte-americana Martha Rosler, entre muitos outros reputados convidados internacionais, o Fórum do Futuro constitui uma plataforma dedicada ao pensamento contemporâneo onde se debaterão assuntos relacionados com importantes desafios que o Futuro coloca a diversas áreas da ciência, das humanidades e das artes. No Teatro Municipal Rivoli, na Casa da Música, no Museu de Serralves e no Teatro Nacional de São João.

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Esta semana: O QUEBRA NOZES - Russian Classical Ballet28.11.2014 > 21.30 h MIGUEL ARAÚJO29.11.2014 > 22.00 h FREI HERMANO AO VIVO30.11.2014 > 18.00 h

E se os artistas plásticos tocassem cavaquinho? http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4254363

Júlio Pereira pediu a 70 artistas plásticos para transformarem 70 cavaquinhos em obras de arte. Uma pequena bailarina a girar devagarinho sobre um cavaquinho transformado em caixa de música - esta é a proposta da artista Joana Astolfi. Sofia Rebelo criou um cavaquinho gótico, Marta Madureira fez colagens em papel sobre madeira, João Barros Moura usou tricot, Gil Maia preferiu o pastel. No total são 70 os cavaquinhos que 70 artistas transformaram em obras de arte e que vão estar expostos, a partir de quinta-feira no antigo refeitório do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A ideia partiu do músico Júlio Pereira, que é também o fundador, presidente e grande impulsionador da Associação Cultural Museu Cavaquinho, apresentada ao público no início do ano e já a trabalhar a todo o gás - pelo menos, tanto quanto é possível para uma associação sem fins lucrativos e sem funcionários, que vive do entusiasmo de todos os que gostam e trabalham com este instrumento.

Conhecer para saber...? (pergaminho)

O caso cada vez mais sério da electrónica portuense http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-caso-cada-vez-mais-serio-da-electronica-portuense-1676618

Já é impossível fazer uma radiografia completa da música electrónica nacional sem olhar para cima. Há cada vez mais projectos novos e jovens produtores, que usam referências e educações distintas para criar a sua própria identidade. Uma cena dispersa, mas caleidoscópica e entusiasmante. Das raves à noite da Ribeira Ludovic Pereira tinha uma banda de sludge. Virou-se para a música electrónica depois de ver Monolake, em Braga, e a partir daí "vendeu a alma ao diabo por panquecas e tecno". Diogo Tudela era do hardcore. Um dia ouviu os MSTRKRFT e aquela coisa do dance-punk "até pareceu fazer algum sentido" - depois seguiu outros caminhos e começou a embrenhar-se em explorações arqueológicas do som. Frederico Mendes era o Fidbek dos MatoZoo, mítico colectivo de hip-hop de Matosinhos. Entrou na electrónica quando se tornou MC do DJ/produtor Infestus e começou a ser presença habitual nas festas da Enchufada vestido de Nave Mãe. Jonathan Saldanha ouvia sobretudo música indiana na adolescência. Electronicamente falando, encontrou no dub e no jungle as deslocações de ritmo e "o desfasamento da realidade" que lhe interessavam nos sons do Norte da Índia. São referências distintas que fazem da electrónica portuense uma cena dispersa mas altamente caleidoscópica e entusiasmante. É impossível fazer uma radiografia completa da música electrónica nacional sem olhar a Norte. Cada vez mais: as editoras, os projectos e os produtores (muitos deles na casa dos 20) têm-se multiplicado nos últimos tempos, com a Internet a substituir os clubes como espaço de aprendizagens e encontros. Não se reúnem num movimento nem em filiações estéticas, mas partilham pontos de contacto e um chão comum: a vontade de transaccionar sons, batidas e samples de várias origens e enquadrá-los em estruturas de música electrónica (sejam elas mais próximas do house, do tecno, do dubstep ou do hip-hop); a vontade de experimentar para ver no que aquilo dá, sem se preocuparem com o vizinho do lado. E, claro, sem se limitarem a fronteiras locais e nacionais. A Con+ainer é disso exemplo. Criada com o objectivo de fazer a ponte entre o Porto, onde vive Ludovic Pereira, e Hamburgo, onde residem Fábio Fernandes e Fabian Eichstaedt, a editora começou a alargar horizontes logo nas primeiras edições. No primeiro ano, 2012, saiu Lisnave, o EP de estreia de Miguel Torga, alentejano residente em Lisboa que lançou há uns meses o precioso disco de estreia Hexágono Amoroso através de outra editora portuguesa, a Elements. E o portuense Bruno Deodato (Trikk), que editou o EP Wat U Do/ All This Time pela Con+ainer, está radicado em Londres e leva as suas reinterpretações ágeis e suculentas do house mais clássico a vários clubes europeus. Lançaram recentemente a compilação 2 Years of Con+ainer, que assinala os dois anos de actividade da editora e congrega produtores por esse mundo fora, descobertos por Ludovic (nome de código: Cloche) em noitadas no Soundcloud. A edição, disponível on-line, dá a ouvir house e tecno de possibilidades atípicas e junta ingleses, alemães e japoneses a produtores do Porto como Ludovic, Dupplo, Voxels ou LASERS. Um dos pontos altos de 2 Years of Con+ainer é a electrónica imersiva e multi-sensorial de LASERS, um dos novos produtores portuenses a que devemos fazer marcação cerrada. João Lobato parece ter sempre a beleza do seu lado. Ouça-se o EP homónimo editado em 2012 pela Bad Panda Records: Lobato pega em samples, linhas de sintetizadores e batidas fragmentadas de dubstep, hip-hop e house, suavizando-os e fazendo-os deslizar em mantos de electrónica orgânica e luzidia, com melodias afectivas que fazem lembrar Gold Panda, Shigeto ou Toro y Moi (sim, há ali traços de chillwave). Começou a tocar ao vivo lá fora, incluindo na Holanda, onde viveu e deu forma a LASERS. Está de regresso ao Porto mas admite que a sua música "tem tido mais validação internacional". Entre Porto e Londres A 1980 é outra jovem editora entre cá e lá. Foi criada há uns meses por Frederico Mendes (conhecido como DJ Nave Mãe e como o Fidbek dos defuntos MatoZoo), no Porto, e Ivo Fontão (o produtor Tugalife), em Londres. Tudo sem grandes ambições, confessa Frederico. Queriam virar costas às modas e editar "aquilo de que gostavam" - o que, por acaso, não resultou nada mal, como prova a compilação Lyfers, o cartão de apresentação da 1980. "A Rita Maia [DJ portuguesa radicada em Londres com um programa de rádio na influente Resonance FM] tem passado os temas da editora e diz que as reacções são óptimas", conta Frederico. É música em que os beats estão no centro do jogo, mas são driblados em encruzilhadas difusas: ouvem-se o dubstep subaquático do portuense Dubout, o tecno-jungle mutante e analógico de José Acid (o outro projecto do lisboeta Shcuro), o dub voodoo e de arquitecturas em constante ressonância de Spaced Out (Maze, dos Dealema), ou o house old-school de fisicalidade sublimada pela bass music e pelo breakbeat dos Unfixed & Broken, que se estrearam pela 1980 com o EP Your Woman, elogiado por figuras como o veterano Richie Hawtin. A dupla composta por Pedro Maurício e Miguel Tavares tem uma residência bimensal no Café 1001, concorrido clube de Brick Lane, uma das zonas culturalmente mais relevantes de Londres. São mais um caso de produtores portuenses que se instalaram na capital inglesa, como fizeram os amigos Bruno Deodato (Trikk), Ivo Pacheco (IVVVO) e Luís Dourado (Purple, agora a residir em Berlim). Três nomes ligados à editora Terrain Ahead, que continua a ser mantida no Porto por Tiago Carneiro (Solution), um dos DJ/ produtores mais interessantes da cidade, sobretudo no que toca ao tecno denso e exploratório mas com propulsão rítmica para a pista de dança. "O formato e a estética editorial" da Terrain Ahead vão ser redesenhados, adianta Tiago, e para breve está o lançamento de uma série de EP guardados na gaveta. O primeiro a chegar é o de Twerz, um obscuro produtor britânico de tecno espartano e construtivista.

Santuário do Sameiro nas mãos dele http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=4252793

"Obriga a muito trabalho e a um estudo continuado, mas quem anda por gosto não cansa", afirmou, ao JN, o jovem, natural da cidade de Braga, mas a viver em Prado, Vila Verde. Começou a tocar órgão de tubos aos 14 anos, com o professor José Carlos Azevedo e, desde então, sempre de forma particular, continua a ter aulas e a fazer "masterclasses" para conhecer "cada vez melhor" os instrumentos que existem em muitas igrejas nacionais, mas que pouca gente sabe tocar.

Só na diocese de Braga, cerca de meia centena de templos têm órgãos de várias formas e tamanhos. "O único órgão moderno que existe no Norte está na igreja de Joane, em Vila Nova de Famalicão, e foi importado da Alemanha. Todos os outros são antigos ou construídos tendo como modelo os órgãos antigos". O órgão da Sé é o preferido de Sérgio. Começou a ser construído em 1737 e ficou pronto em 1939. É conhecido em todo o Mundo por ser um ícone do estilo barroco. "É extraordinário tocar na Sé porque todo o ambiente é extraordinário", revelou o organista. Com 18 anos, fica "doente" quando vê outros músicos a tocar no órgão da Sé "como se estivessem a tocar piano". "Ensaio num órgão histórico, não o posso estragar nem danificar com experiências musicais como vejo algumas pessoas a fazer. É o nosso património que está em causa. Temos de ensaiar nos órgãos que existem, que são todos históricos, mas com a firme consciência de que estamos a trabalhar com pérolas". Turistas merecem Desde que a entrada na Sé de Braga é paga, Sérgio Viana tenta ensaiar o maior número de vezes possível no órgão da Sé: "Penso que é uma prenda que ofereço aos turistas que pagaram para visitar a Sé. Além de apreciarem o monumento, podem escutar a beleza da música tocada num órgão que, também ele, é conhecido no Mundo inteiro".

Carmen Miranda: portuguesa, com certeza http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/carmen-miranda-portuguesa-com-certeza-1676701

Quem é Carmen Miranda? Em Xabregas, um antigo bairro de operários na zona oriental de Lisboa onde a tinta branca de velhos slogans políticos ("SÁ CARNEIRO PARA A RUA") ainda não desbotou completamente, o portão de um armazém ao lado de uma serralharia civil está entreaberto. É melhor fechar a porta agora?", pergunta alguém. "Uma praça de touros quer-se de porta aberta", responde João Paulo Feliciano. Ninguém suspeitaria que aqui dentro se está a gravar um disco, muito menos um disco de canções de Carmen Miranda. Três homens às voltas com um tema que nem sequer é um samba, mas uma marcha mariachi bem-humorada, Touradas em Madri - daí a referência tauromáquica. A música e as vozes de base já foram gravadas e dois dos membros do Real Combo Lisbonense gravam agora vozes adicionais: onomatopeias como "pararatim bum bum bum" e "olé". É uma terça-feira de Julho, 28 graus que sobreaqueceram o estúdio da Pataca Discos, uma sauna, mais quente do que na rua. Rui Alves está em tronco nu frente ao microfone, João Paulo Feliciano transpira na régie envidraçada, dedo em riste, a esgrimir o ar como um condutor de orquestra. Rui Alves e Ian Mucznik, que estão a fazer coros para a canção, entram na régie para ouvir o resultado. "Os olés já estão a ficar bons", diz João Paulo Feliciano. "Tem de ser mais. Tem de ser uma plateia", diz Rui Alves. Em Junho de 1939, quando Carmen Miranda se estreia na Broadway, dando início à sua fase americana, o almirante Gago Coutinho - herói da aviação portuguesa que, com Sacadura Cabral, realizou a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, de Lisboa ao Rio de Janeiro, em 1922 - foi recebido pela cantora brasileira. Ao saber que ela tinha nascido em Portugal, perguntou-lhe: "Portanto, minha filha, porque é que não canta um fado ou um vira, em vez de sambas? E em vez de O que é que a baiana tem?, por que é que não canta O que é que a m'nina do Minho tem?" Este encontro é contado em Carmen, do jornalista e escritor brasileiro Ruy Castro, considerada a biografia definitiva sobre a cantora. Foi esse livro que no Natal de 2012 veio parar às mãos de João Paulo Feliciano, uma prenda de uma amiga vinda do Rio de Janeiro, ainda por cima autografada pelo autor. "João Paulo, meu irmãozinho em Carmen", escreveu Ruy Castro. "É possível cantar Carmen Miranda em português com muita naturalidade. A matriz portuguesa está lá. Não seria possível fazer isso com a Gal Costa ou com a Maria Bethânia" João Paulo Feliciano Carmen Miranda, a metralhadora sonora de sorriso voraz e turbante de frutas, nasceu em 1909 numa aldeia de Marco de Canavezes, de onde partiu aos dez meses de idade para o Brasil, num barco a vapor, sem nunca mais ter voltado a Portugal. A sua identidade portuguesa nunca foi amplamente reclamada ou celebrada em Portugal - aliás, é o Brasil que continua a alimentá-la (Caetano Veloso, com a sua canção-tributo Marco de Canaveses, e os turistas brasileiros que vão a Várzea de Ovelha ver a casa de pedra onde Carmen nasceu). Num pequeno texto escrito para o disco que é lançado na segunda-feira,, Saudade de Você - Real Combo Lisbonense às voltas com Carmen Miranda, Ruy Castro escreve que "dos três países em que se deu a sua biografia" - Portugal, Brasil e Estados Unidos, "onde se consagrou internacionalmente" - "o que menos beneficiou de sua existência foi... Portugal". Mas Carmen "não precisa de voltar a ser portuguesa", avisa Ruy Castro, porque "nunca deixou de o ser". Algumas das canções de Saudade de Você mostram isso mesmo: Absolutamente soa como uma marcha dos santos populares. "Se fores dá-la a ouvir a uns senhores aí fora, vão achar que isto é português", resume João Paulo Feliciano, 51 anos, ideólogo e fundador da big band que é o Real Combo Lisbonense. No disco tanto se canta em português do Brasil como em português-português, e nada disso soa forçado. "Dada a forma como a Carmen Miranda tratava a língua e as pronúncias e brincava com isso tudo, acho natural que neste disco se cante em português e em brasileiro", diz João Paulo Feliciano. Como Ruy Castro nota na sua biografia, o Rio em que Carmen viveu era "tão português quanto a terra de onde tinha saído - talvez mais. Numa população de cerca de um milhão, o Rio tinha perto de 200 mil portugueses - muito mais do que o Porto, cuja população era de 150 mil".

O Real Combo Lisbonense captura a graça e a vivacidade que Carmen Miranda punha ao serviço das suas canções Ler crítica Nos anos 30, quando Carmen começa a sua carreira como cantora, "o brasileiro tinha coisas mais parecidas com o português ao nível da pronúncia do que agora", diz João Paulo Feliciano. "O que faz com que seja possível cantar músicas da Carmen Miranda em português com muita naturalidade. É quase como uma matriz portuguesa que está lá. Não seria possível fazer isso com a Gal Costa ou com a Maria Bethânia." Além disso, a música de Carnaval nessa época era dominada pelas marchinhas, muito mais do que pelos sambas. E as marchinhas, nota João Paulo, "são mais próximas do universo português das bandas filarmónicas e da marcha militar". Mas apesar de o disco pôr em evidência essa "matriz portuguesa", ele não se fica por aí. O universo musical é bastante aberto, sem nunca ameaçar a coerência. Paris é um swing francês, Saudade de você tem o balanço de uma morna de Cabo Verde, quem conhecer Na baixa do sapateiro nas versões de João Gilberto ou Caetano não está preparado para os sopros à la Lounge Lizards que o Real Combo Lisbonense injectou na canção (e, no entanto, quem for ouvir o original gravado por Carmen Miranda irá perceber que já lá estava tudo). Saudade de Você permite descobrir uma Carmen Miranda que não conhecemos, duplamente: graças a essa amplitude musical que actualiza o seu reportório, sem se desviar dele; e porque dispensa temas mais óbvios - como O que é que a baiana tem? ou South american way - para se concentrar numa Carmen Miranda menos conhecida. Uma epifania Em Junho deste ano, o Real Combo Lisbonense deu um concerto único no anfiteatro ao ar livre do jardim da Gulbenkian dedicado a Carmen Miranda. O alinhamento está pendurado no estúdio da Pataca Discos em Xabregas, junto a posters da cantora. O disco foi gravado depois do espectáculo, um processo inverso ao que é habitual. Mergulhar no universo de Carmen Miranda não foi simples nem imediato para uma super-banda com membros que vêm sobretudo do rock. "Ninguém vem do samba. Isso era um dos desafios e das dúvidas à partida para este projecto", resume João Paulo Feliciano. O Real Combo Lisbonense nasceu em 2009 como um grupo de baile apostado em recuperar o património perdido da música portuguesa dos anos 50 e 60, à semelhança do que a Orquestra Imperial vinha fazendo nos últimos anos no Brasil. O primeiro EP da banda foi editado em 2009, com temas que tinham sido gravados por Simone de Oliveira e Mário Simões. Em 2011 começaram a gravar um segundo disco que nunca chegou a ser terminado - e, entretanto, a biografia de Ruy Castro vai parar às mãos de João Paulo Feliciano, que pesquisa a música da cantora no iTunes e tem uma pequena epifania: gravar Carmen. A procura de uma abordagem própria demorou um ano, com ensaios regulares da banda quase todas as semanas. Dias depois do concerto na Gulbenkian, a banda gravou o disco em dois dias no estúdio da Pataca. A rapidez do processo teve a ver com o trabalho que estava para trás de uma banda que já tinha ensaiado muito para apresentar-se ao vivo. "Existia uma memória. E sobretudo uma memória afectiva porque o concerto da Gulbenkian tinha corrido bem e estava fresco", explica João Paulo Feliciano. "Era importante não perder essa espontaneidade." A gravação foi feita com cerca de 20 a 24 microfones em estúdio, o que é inédito na história da Pataca Discos. Isso sem contar com os overdubs, gravados depois. Alguns temas chegam quase a ter 40 pistas de som - pura filigrana musical. "O disco é bem complicado. A música não é simples. Tem muitos pormenores, muitos elementos, e esses elementos têm de jogar todos. O que é complicado é fazer com que essa riqueza das vozes, das percussões, dos acompanhamentos, do que entra e do que sai, não se atrapalhem umas às outras", diz João Paulo Feliciano. "Há muitas variáveis, muitas hipóteses de fazer aquilo soar de maneira diferente." Outros membros do Real Combo Lisbonense chegam entretanto para ajudar nos coros e nas percussões adicionais: João Pinheiro, baterista (também baterista dos Diabo na Cruz) e David Santos, baixista. Para a canção Na baixa do sapateiro, gravam-se três takes: um só de palmas, outro com afoxé (cabaça) e mais um com flexatone e brinquinho da Madeira (bonecos de madeira com castanholas às costas) a serem tocados ao mesmo tempo. Se há um comboio no disco, não demos por ele. "Todos os discos da Pataca têm um comboio." O estúdio fica mesmo ao lado da linha ferroviária que liga Santa Apolónia à estação do Oriente. "Já é uma marca: o número de comboios que cada música tem." Mas não este comboio que está a passar agora. "Pára. É um comboio bué da alto", diz Rui Alves para a régie. Despersonificar Saudade de Você não é derivativo nem uma imitação de Carmen Miranda. As vozes femininas são três: Ana Brandão (também actriz), Joana Campelo (também actriz) e Margarida Campelo (também instrumentista ligada ao jazz). As duas últimas só muito recentemente passaram a integrar o Real Combo Lisbonense. "O facto de serem três cantoras reforça uma coisa importante para mim - autonomizar este trabalho como uma coisa do Real Combo Lisbonense", diz João Paulo Feliciano. "Não é uma recriação da Carmen Miranda, não é um music-hall da Carmen Miranda, não encarna a Carmen Miranda. O facto de serem três despersonifica porque não podes dizer quem faz de Carmen Miranda. Todas elas fazem." Em Agosto, João Paulo Feliciano levou as gravações para para o Alvito, no Alentejo, para fazer as misturas finais com o engenheiro de som Luís Nunes (cujo alter-ego musical é Walter Benjamin), que comandara a gravação. Depois de quatro anos em Londres, Luís Nunes, que se parece com um jovem Joe Cocker, fixou-se no Alvito, onde os pais têm uma casa, e montou um estúdio no sótão (com uma rede de descanso suspensa atrás da mesa de mistura). É aí que ele e João Paulo estão a trabalhar nas misturas finais do disco, a janela aberta para a Praça da República, engalanada com flores de papel de seda e um pequeno palco, resíduos de uma festa popular recente. Ouvindo Saudade de Você é fácil imaginar o Real Combo Lisbonense a dar um baile naquele mesmo lugar. Luís Nunes tem uma visão. "Este disco faz-me lembrar aqueles discos gravados na Capitol. Os discos do Frank Sinatra gravados com orquestra. Era isso que eu estava a imaginar. Um disco clássico. É como se tivéssemos ido todos num avião até L.A. e gravado lá." E, virando-se para João Paulo: "Não achas?" Mas apesar de tudo soar bem enquanto faziam as misturas no Alvito, quando voltou para Lisboa com elas e as mostrou ao irmão Mário, que também integra o Real Combo Lisbonense (os créditos que se lhe são atribuídos no disco incluem "ouvidos e sentido crítico"), aperceberam-se que as canções pareciam ter "uma película por cima". "O Luís usa mais reverb [reverberação, para criar a ilusão de espaço na música] do que eu. Os sopros com mais reverb parece uma coisa mais orquestral. Quando eu lhe dizia para pôr menos reverb, ele dizia: 'Mas isso soa a corneta, tipo baile, e menos Capitol.' Mas o som precisa disso", explica João Paulo Feliciano. As misturas finais acabaram por ser feitas em Setembro no estúdio da Pataca, com Tiago de Sousa. "É como no futebol. A equipa é a mesma. Mas de vez em quando mudas o ponta de lança", nota João Paulo. "Aconteceu com o Tiago no disco dos You Can't Win Charlie Brown [outra banda da família Pataca Discos]. O Tiago ligou ao Luís: 'É a paga!'" Além disso, nem todo o trabalho de edição e limpeza feito no Alvito se perdeu, diz. Como é que alguém que é sobretudo artista plástico e vem do rock conceptual - João Paulo Feliciano fez parte dos Tina and The Top Ten e tocou com os Sonic Youth - se entusiasma com um património tão clássico? "Apesar da minha prática musical ser nesse território, o meu consumo e experiência musical nunca se resumiu a isso. Desde miúdos que eu e o irmão íamos aos bailes populares nas Caldas da Rainha", diz João Paulo Feliciano. "O primeiro grupo em que toquei era um conjunto de baile, Nova Geração. Tinha 16 anos. Mas claro que já tinha a minha guitarra eléctrica. O que eu curtia era tocar solos e pôr amplificadores muito alto e tocar rock." O Real Combo Lisbonense apresenta o disco ao vivo no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, a 13 de Dezembro, e no Teatro Ibérico em Lisboa, a 17 e 18. Teremos baile.

Paco de Lucía reconhecido com o Grammy Latino para melhor álbum do ano http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4253117

O guitarrista espanhol Paco de Lucía, falecido em fevereiro de 2013, foi reconhecido na quinta-feira a título póstumo com o prémio de melhor álbum do ano para o disco "Canción Andaluza" nos Grammy Latinos, em Las Vegas. Este é o segundo prémio póstumo que o artista vence, depois de "Canción Andaluza" conquistar também o título de melhor disco de flamenco, e o quarto da sua carreira, após os triunfos em 2012 e 2004 com"En Vivo Conciertos España" e "Cositas Buenas", respetivamente.

António Jorge Gonçalves assina primeiro livro para a infância, 'Barriga da baleia' http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4251250&seccao=Livros

O ilustrador e cartoonista António Jorge Gonçalves publica este mês "Barriga da baleia", o seu primeiro livro para crianças, para leitores iniciais, cuja história já foi um espetáculo de teatro. Em Barriga da baleia, com selo da Pato Lógico, o autor leva o leitor a acreditar na história de Sari, uma menina que um dia fugiu de casa rumo à praia e acabou engolida por uma baleia. Foi salva por Azur, um amigo com quem tinha planeado partir para a terra-onde-nunca-ninguém-se-aborrece. António Jorge Gonçalves, Prémio Nacional de Ilustração 2013, explicou à agência Lusa que começou por contar esta história à filha Miranda - "tal como outros pais que têm de inventar histórias para os filhos" -, mas acabou por utilizá-la num espetáculo de teatro, a convite do Teatro Maria Matos. O autor não tinha no horizonte fazer um livro para crianças, por "não saber bem para quem estaria a falar", mas com o nascimento da filha isso mudou. Numa leitura imediata, Barriga da baleia remete para obras como Moby Dick (Herman Melville), Pinóquio (Carlo Colllodi) ou até mesmo para Onde vivem os monstros (Maurice Sendak), mas António Jorge Gonçalves afirma que sempre teve simpatia pela ideia da barriga da baleia, pelas múltiplas referências bíblicas e da mitologia polinésia. Barriga da baleia aborda implicitamente temas como o medo, o desejo de descoberta, a capacidade de imaginar e fantasiar, a relação pais e filhos e a presença da natureza como "agente de grande transformação".

Romances de Hemingway em animações de 15 segundos http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4252214

A Fundação Ernest Hemingway cativa jovens para lerem romances clássicos do escritor. A Fundação Ernest Hemingway, que se dedica a promover a vida e obra do autor americano com o mesmo nome, pensou numa forma de chamar a atenção dos jovens, para os romances de Ernest Hemingway. O desafio enfrentado pela fundação foi cativar os jovens, que nesta geração têm cada vez menos tempo. Uma vez que, estes vivem para os múltiplos dispositivos digitais, o Instagram foi a solução. Ogilvy & Mather Chicago e o diretor Eduardo Cintron criaram um video de animação com 15 segundos do "Farewell to Arms","The Old Man and the Sea" e "For Whom the Bell Tolls". Cada um usa um estilo de animação distinto dependendo do cenário do romance, do enredo e das personagens. Os mini-livros podem ser vistos no instagram da fundação estimulando os utilizadores a lerem os livros reais. Ernest Miller Hemingway, escritor norte-americano, trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola. Esta experiência inspirou uma das suas maiores obras. Em 1953, ganhou o prémio Pulitzer, e em 1954, ganhou o prémio Nobel da Literatura. Suicidou-se em 1961.

A Amazónia salva das águas http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-amazonia-salva-das-aguas-1676987

O terceiro taxista com quem falei disse que aquela chuva toda era vontade de deus, eu disse que era culpa do homem, ele rematou: -- E o que é que vamos fazer? Mas pelo menos levou-me ao Museu de Etnologia, coisa que não fizeram os dois primeiros na praça de táxis de Belém, o primeiro porque dizia que não sabia onde era, o segundo porque dizia que claro que o primeiro sabia, não queria era ir lá por ser uma corrida curta. Lisboa devia ponderar a importação de taxistas do Rio de Janeiro como terapeutas dos taxistas de Lisboa. Além da simpatia, que é quase amor, são veteranos desta chuva. Na véspera, o director do museu, Joaquim Pais de Brito, avisara-me de que andavam a acartar baldes de água. Quando o taxista crente em deus me largou frente ao museu, chovia como na véspera, e o pote colocado no átrio já estava cheio. Seguindo pelos corredores, havia de facto um balde e recipientes compridos. "São bacias de revelação fotográfica", explicou Pais de Brito, desolado. Aproveitaram o que tinham à mão para conter a água das goteiras espalhadas pelo museu. Há 15 anos houve obras de ampliação, mas a tela dos tectos tem aberto frechas onde se concentra a água, que vai corroendo o material. Em alguns pontos há já buracões no tecto. O mais grave é chover nas reservas. Só a da Amazónia, aberta ao público mediante visita guiada, até agora escapou. Pais de Brito conta que quando António Hespanha era presidente da Comissão dos Descobrimentos, e lhe perguntou o que seria possível fazer com o Brasil no museu, surgiu a ideia de uma exposição sobre índios. Aconteceu em 2000 e chamou-se Índios, Nós, com a colaboração de antropólogos brasileiros e vários tribos. -- A participação dos índios foi muito importante. Mais de 200 peças foram reunidas para o efeito, mas havia muitas mais para mostrar. Disto resultou, em 2006, uma galeria nos subterrâneos do museu dedicada à Amazónia. É por isso que Pais de Brito diz: -- Vou à frente porque aqui são as tripas. Descendo, descendo. Abre-se uma porta trancada. Da escuridão lampejam olhos, saias de palha, máscaras xamânicas. Quando as luzes se acendem nas vitrinas, é toda uma fileira encarando quem entra. Estamos perante um vestígio dos Wauja, tribo do Xingu onde o antropólogo brasileiro Aristóteles Barcelos Neto passou meses, e de onde trouxe uma colecção para o Museu de Etnologia. Basicamente, esta galeria da Amazónia cruza duas grandes colecções, a de Aristóteles entre os Wauja do Xingu, recente, e a que o viajante e etnólogo autodidacta Vítor Bandeira trouxe de vários pontos da Amazónia em 1964-65. A colecção de Aristóteles tem mais de 500 peças e praticamente todos os objectos têm o nome do autor, que antes era apagado -- explica Pais de Brito. Gerou-se uma intimidade [entre o antropólogo e os membros da tribo]. E pensei logo em fazer uma reserva visitável. Neste ponto da conversa ainda mal começámos a circular entre as vitrinas, o que é um estranho passeio para quem já esteve na Amazónia e viu muitos destes objectos em movimento nas próprias tribos. O que há de estranho é eles estarem imobilizados dentro de caixas de vidro: o nível de concentração e de imobilidade. Um museu é um lugar estranho quando conhecemos os vivos de onde os vestígios vêm. O avesso deste pensamento é que, assim, quem não pode ir à Amazónia tem algo da Amazónia. E o avesso do avesso é que talvez não seja possível ter a Amazónia fora da Amazónia. A galeria abrange 40 tribos, "até aos Jívaros, a cair para o Peru". Ao fundo da sala, libertas das vitrinas, estão as máscaras maiores, fabulosas, algumas ainda antes de perderem os seus vermelhos, tingimentos que o sol e o tempo apagam. Variam muito de tribo para tribo, por exemplo, as que Vítor Bandeira trouxe dos Tukano e dos Tikuna nos anos 60 parecem quase de pano, entrecasca de árvores batida ao ponto de parecer tecido, pintado com pigmentos minerais e vegetais. Mais de 40 máscaras trazidas por Aristóteles foram feitas para um ritual induzido pelo próprio antropólogo durante a sua estadia, explica Pais de Brito.

Ninguém ficará para ver tantas imagens http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/ninguem-ficara-para-ver-tantas-imagens-1676784

A fotografia é um excelente exemplo da apropriação exaustiva do mundo pelo ser humano narcísico da contemporaneidade -- e uma das mais eloquentes formas de expressão do consumo imparável. Em determinado momento de Tristes Trópicos, Lévi-Strauss diz que "o mundo começou sem o homem e terminará sem ele". Esta frase poderá ser medonha para o ser humano narcísico contemporâneo. Ele é aquele que, na posse de todas as tecnologias existentes, não apenas se julga a razão de ser da criação como equaciona já a sua própria eternidade. Isto, claro, enquanto sobrevivente do mundo que ele próprio vem destruindo. (Curioso como ele não se importa de destruir o seu mundo e ir ocupar outros mundos no recém-estreado filme Interstellar, de Christopher Nolan.) A frase de Lévi-Strauss será medonha na medida em que ameaça esse ultra-narcisismo dos seres que ocupam apressada e vorazmente todo o espaço em volta. Porém, a clareza e a objectividade daquela frase podem provocar outras reacções. Uma reacção de inactividade, de tipo letárgico, que se traduz na atitude de, perante os factos, achar que não há nada a fazer, que nenhum esforço é merecido, que não vale a pena qualquer intervenção ou compromisso com o mundo. Ou uma reacção de voracidade. Ora, a fotografia é, na actualidade, um excelente exemplo dessa apropriação exaustiva do mundo que é também, ao mesmo tempo, expressão do consumo imparável. Saltemos o tempo em que a fotografia implicava uma produção complexa, exigia um enorme domínio da tecnologia e era um objecto de raridade, olhada como a actividade que tinha ousado atentar contra a suprema habilidade da pintura. Saltemos também os dilemas de Walter Benjamin sobre a possível perda da aura da obra de arte, dada a sua reprodutibilidade possível e infinita. Hoje, a par de uma minoria de fotógrafos que recorrem à metodologia da "antiga fotografia" e que são uma espécie de artesãos da imagem, basta a qualquer utilizador de telemóvel reclamar-se fotógrafo para ser como tal reconhecido por um número excessivo de pares que o incensam com um simples like nessa função. E dado que as redes sociais impõem a quantificação como critério supremo de classificação, eis que uma imagem vulgar pode ter centenas de milhar de likes e uma fotografia de autor não ter direito a qualquer like. Dir-se-á que, ainda assim, com certeza haverá uma diferença entre estes fotógrafos de impulso e os fotógrafos profissionais; estes últimos têm, antes da fotografia, um pensamento sobre a fotografia (que por vezes justifica alguma lentidão no processo de produção). Mas estes são os poucos fotógrafos crentes, que ainda vivem a fantasmagoria da imagem, aquela que provoca o sentimento de ausência, de desejo, de fantasia. De resto, concordemos: os resultados são muito semelhantes. Entre os milhões de fotografias feitas por impulso e os milhares de fotografias produzidas por profissionais e expostas em feiras, bienais, websites, livros, há uma semelhança de atitude -- e, até, alguma continuidade. A continuidade vem quer dessa incontinência de clicar, quer porque qualquer fotografia devolve ao observador o facto de ela resultar da interrupção de um momento e do seu consequente aprisionamento dentro de quatro margens. Em cada uma delas pode estar o desejo de ser continuada para lá dessas margens, de poder conter um enquadramento em expansão permanente. Assim, tanto nas feiras de fotografia como no rolar das imagens no iPhone ou no tablet está presente e subentendido um exercício: colar pelas margens todas as fotografias do mundo, criando como que um mapa universal onde todas as subjectividades estivessem contidas. Trata-se de um paradoxo, é certo, porque nesta compulsão de produzir tantas imagens não está presente outra coisa se não a predação continuada do mundo e o desejo de imortalidade. À medida que crescem exponencialmente os auto-retratos, os famosos selfies, mais sentido faz a afirmação de Joan Fontcuberta -- "Eu fotografo. Eu existo!" -- e mais esta projecção narcísica se expande por todo o espaço em redor: "Acentuou-se a necessidade de capturar tudo e tudo pode ser fotografado -- e, mais ainda, tudo pode ser mostrado... As fotografias transformaram-se em expressões de vitalidade, experiências que são transmitidas, partilhadas e depois desaparecem mental e fisicamente" (Joan Fontcuberta, em Pandora's Camera). Este autor e fotógrafo não tem uma visão necessariamente pessimista da fotografia digital, até porque ela permitiu que o horror dos prisioneiros de Abu Ghraib fosse testemunhado em todo o mundo, mas não deixa de afirmar que o digital abriu a caixa de Pandora -- e ainda só estamos no início... Estas imagens aceleraram um processo de inversão: já não são imagens do mundo, elas fazem o mundo e, como são apenas media, de alguma maneira há muito já extinguiram um certo mundo, o mundo dos fenómenos (chuva, vento, carícias, medo, luta, etc.). Restaram pois as imagens e os seus predadores.

Por aqui me fico, com a promessa de voltar para a semana! Até breve!
publicado por Musikes às 10:12 link do post
13 de Novembro de 2014

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram.

Música que vem do espaço. Ouça o canto do sisne de uma estrela distante Projeto do Observatório Astronómico Nacional do Japão visa transformar dados científicos em algo mais percetível. Neste caso, a verdadeira música das estrelas.

Tapete Mágico na Casa da Música – Porto. Primeiros Concertos * [16/11/2014 - domingo | 11:30 | Sala 2] - Espectáculos ( Crianças, Famílias ) Paulo Neto direcção artística e interpretação António Oliveira, António Miguel Teixeira, David Valente e Miguel Ramos interpretação É um mundo que não envelhece, onde cada dia se faz magia.

Concertos para Todos na Casa da Música - Porto [22/11/2014 - sábado | 16:00 | Sala 2] - Espectáculos ( Famílias, Público Geral, Escolas do Ensino Básico e Secundário ) Oriente | A Leste tudo de novo Jorge Queijo e Maria Mónica direcção musical Ensemble de Gamelão Casa da Música interpretação O tempeh é um alimento de soja típico da Indonésia. Um bom nome para um concerto.

FFFilm Project Ciclo de cinema e vídeo que terá lugar entre os dia 11 e 15 de Novembro no Teatro Municipal Rivoli, Edifício Axa e no Auditório Passos Manuel.

Alcino Soutinho Realismo Confortável Até 30.11 A exposição acontece em três locais - Casa Museu Guerra Junqueiro, Galeria Fundação EDP – Porto e Edifício BPI (Boavista).

Fazer as compras do Natal na baixa do Porto Um circuito pedestre dedicado à realização de compras de pequenas lembranças (artesanato.

Sete catedrais da região Norte vão integrar uma rota de turismo cultural O projecto, que envolve a Secretaria de Estado da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa, é de âmbito nacional, mas esteve parado vários anos. Programa de concertos começa no Natal.

O Mercado do Bom Sucesso ganhou um prémio mundial? O projeto de requalificação do Mercado do Bom Sucesso venceu o Global Awards for Excellence, em Nova Iorque, juntamente com outros 12 projetos – 3 na Europa, 8 nos EUA e 3 na Ásia.

À conversa com… Escrevo porque não sei dançar como o Fred Astaire António Lobo Antunes escreve Caminho como uma Casa em Chamas, um livro com cenário num prédio de quatro andares e um sótão. O amor, a morte, o tempo, o envelhecimento e o que cada um faz da sua vida são o pretexto para muitas interrogações. Algumas estão nesta conversa.

Cem livros que só vão ser lidos em 2114. É a biblioteca do futuro Uma projeção da Biblioteca do Futuro, que vai ser construída em Oslo, na Noruega A escocesa Katie Paterson plantou uma floresta cujas árvores serão transformadas na biblioteca do futuro, um projeto artístico para um século e para refletir sobre o futuro.

Morreu Aurora Bernárdez, a viúva e herdeira da obra de Julio Cortázar A esta tradutora de grandes autores mundiais deve-se a redescoberta da obra do escritor argentino a partir dos anos 90.

Neto de Picasso abre arquivo com centenas de imagens inéditas do avô São “centenas e centenas” de fotografias que nunca tinham sido tornadas públicas: o neto de Pablo Picasso, Bernard Ruiz-Picasso, abriu para o historiador de arte britânico Sir John Richardson, o enorme arquivo fotográfico do avô, que, diz o Guardian, dá toda uma nova perspectiva sobre a vida e os amores do artista espanhol.

Necrópole pré-histórica com 4500 anos descoberta em Portugal Uma necrópole pré-histórica, datada de há 4.500 anos, foi descoberta durante as obras em curso no antigo Convento do Carmo, em Torres Novas, revelando um conjunto de objectos, entre os quais uma quinzena de peças em ouro, muito bem conservados.

Professoras de Castelo Branco dão nova vida ao feijão-frade com a “feijadinha” Duas professoras de Castelo Branco deram uma nova vida ao feijão-frade e criaram um doce inovador, a “feijadinha“, confecionado à base desta leguminosa, outrora produzida em grande escala por toda a região da Beira Baixa. O feijão-frade, um produto obrigatório no acompanhamento da sardinha assada na região, ganhou uma nova vida, quando Florinda Baptista e Alda Sanches tiveram a ideia e decidiram aproveitar este produto endógeno da região para criar um doce que se assuma como uma referência da Beira Baixa.

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Música que vem do espaço. Ouça o canto do sisne de uma estrela distante http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4236797

ALMA Music Box é o nome dado ao projeto que transforma alguns dados captados pelo radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e transforma-los em sons musicais. A ideia é uma co-produção entre o Observatório Astronómico Nacional do Japão e a agência Party, utilizando observações feitas pelo radiotelescópio localizado no Chile e operado por 20 países de todo o mundo. Em 2011, o ALMA captou os sinais de rádio da morte de uma estrela a 950 anos-luz de distância, denominada R Sculptoris. Os artistas do ALMA Music Box usaram estes dados e "traduziram-nos" para notas musicais equivalentes, criando assim o emocionante "canto" da estrela nos seus últimos momentos. Dada a distância da estrela da Terra, os sons que ouvimos no vídeo nesta página são equivalentes a sinais rádios que foram emitidos há 950 anos. Em comunicado, a Party explica que pretendeu "fazer algo a partir de observações espaciais de forma a que dados normalmente só utilizados por astrónomos se transforme em algo que é familiar para qualquer pessoa".

Tapete Mágico http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/11/16-novembro-2014-tapete-magico/38346?lang=pt

Primeiros Concertos * [16/11/2014 - domingo | 11:30 | Sala 2] - Espectáculos ( Crianças, Famílias ) Paulo Neto direcção artística e interpretação António Oliveira, António Miguel Teixeira, David Valente e Miguel Ramos interpretação É um mundo que não envelhece, onde cada dia se faz magia. Nesta fábrica de tapetes, há mais de cem anos a servir o mundo, tecem-se sons daqui e dalém; misturam-se na trama sonhos, alegrias, algumas arrelias. Num registo poético e industrial, acontece uma viagem com aventuras de encantar.

Concertos para Todos [22/11/2014 - sábado | 16:00 | Sala 2] - Espectáculos ( Famílias, Público Geral, Escolas do Ensino Básico e Secundário ) Oriente | A Leste tudo de novo Jorge Queijo e Maria Mónica direcção musical Ensemble de Gamelão Casa da Música interpretação O tempeh é um alimento de soja típico da Indonésia. Um bom nome para um concerto em que os recursos do milenar gamelão são reinterpretados numa composição inédita. A estreia deste repertório de fusão, que liga Porto e Java, assinala o fim do Ano do Oriente na Casa da Música.

FFFilm Project 11-15.11 Teatro Municipal . Rivoli Ciclo de cinema e vídeo que terá lugar entre os dia 11 e 15 de Novembro no Teatro Municipal Rivoli, Edifício Axa e no Auditório Passos Manuel. Farol City Guide - Porto

Alcino Soutinho Realismo Confortável Até 30.11 A exposição acontece em três locais - Casa Museu Guerra Junqueiro, Galeria Fundação EDP – Porto e Edifício BPI (Boavista). Portal de Turismo do Município do Porto

Fazer as compras do Natal na baixa do Porto Um circuito pedestre dedicado à realização de compras de pequenas lembranças (artesanato, vinho do Porto ou outros produtos regionais), combinando com uma exploração pelo Centro Histórico da cidade.

Sete catedrais da região Norte vão integrar uma rota de turismo cultural http://www.publico.pt/local/noticia/sete-catedrais-da-regiao-norte-vao-integrar-uma-rota-de-turismo-cultural-1675635

O projecto, que envolve a Secretaria de Estado da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa, é de âmbito nacional, mas esteve parado vários anos. Programa de concertos começa no Natal. A Rota das Catedrais terá uma sinalética própria nos sete monumentos, incluindo a Sé de Braga PAULO RICCA (ARQUIVO) Pode ser uma daquelas ocasiões em que o todo se torna maior do que a soma das partes: sete catedrais do Norte vão passar a pertencer a uma rota de turismo cultural, que começa a tornar-se visível no Natal.

O Mercado do Bom Sucesso ganhou um prémio mundial? O projeto de requalificação do Mercado do Bom Sucesso venceu o Global Awards for Excellence, em Nova Iorque, juntamente com outros 12 projetos – 3 na Europa, 8 nos EUA e 3 na Ásia. O prémio, promovido pelo Urban Land Institute, reconhece a requalificação do edifício como tendo um elevado padrão de excelência.

À conversa com…

Escrevo porque não sei dançar como o Fred Astaire http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/escrevo-porque-nao-sei-dancar-como-o-fred-astaire-1674984

António Lobo Antunes escreve Caminho como uma Casa em Chamas, um livro com cenário num prédio de quatro andares e um sótão. O amor, a morte, o tempo, o envelhecimento e o que cada um faz da sua vida são o pretexto para muitas interrogações. Algumas estão nesta conversa meio vadia Contra mim eu escrevo O sol bate nas cortinas e é entre elas que a conversa começa na casa onde vive na Rua do Conde de Redondo, em Lisboa, um antigo café. A olhar para uma fotografia nova na sala. A mãe. “Era muito bonita. Foi embora há menos de um mês.” Que idade na foto? “A gente tem a idade com que nasce. Dez, setenta. Ela era muito nova”. A conversa alonga-se, uma tarde inteira. Pede algumas reservas. Vai sendo assim. Com interrupções e alguns entusiasmos sobre si enquanto protagonista de uma escrita que diz não controlar, rodeado pelos livros dos outros, por frases e palavras escritas a marcador nas paredes, como fazia em criança no quarto em casa dos pais, em Benfica. Essa casa que se fechou agora e pode voltar a abrir-se como museu, ou fundação. Não quer falar disso. Estamos no espaço onde António Lobo Antunes lê e onde escreve o tempo todo entre cigarros e a certeza de que quer escrever até morrer. Parece ser a única num homem que diz não ter um discurso sobre a sua literatura quando completa 35 anos de escrita publicada. A outra foi queimada na figueira do quintal porque era má e íntima. “Não falo de livros, falo do que me vem à cabeça…” É mais ou menos assim… Vamos falar deste livro? Não me lembro de nada. Já escrevi um a seguir que talvez seja a coisa melhor que fiz. E agora estou com outro que está complicado. Numa das suas crónicas, disse que ele nasceu quando começou a desenhar uma casa. Sim, era o plano. Mas foi só isso. Não sei o que me passou pela cabeça porque escrevo sem plano, é o livro que se faz a ele mesmo. Mas para este desenhei várias casas, a ver quem punha aqui e ali, no rés-do-chão, no primeiro andar… [faz no ar o movimento da caneta no papel]. "Que amor é que se recebe com os livros? Estou a ser injusto. Ganhei amigos, ganhei pessoas, ganhei a vida, ganhei muita coisa e acho que tive sorte e quando estou alegre sou divertido" Em 25 romances tem ideia de quantas personagens já criou? Eu não tenho personagens. Mas tem gente, vozes Não faço a menor ideia. Só aparecem quando estou a escrever. Depois calam-se e só voltam com a caneta na mão, quando estou sentado. De resto, não penso nas vozes. Ao princípio ficava a pensar no livro, agora só quando me voltar a sentar àquela mesa, daqui a nada. Tem horas para isso? Tenho. É o tempo todo. Aumentar "Se soubesse dançar como Fred Astaire escusava de escrever. Não quer dizer que trabalhasse menos. Escrever é a mesma coisa" ENRIC VIVES-RUBIO Diz que não gosta de chamar romances aos seus livros. O que são? É, não sei se são romances. Tenho tantas dúvidas em classificar aquilo. Para mim são livros. Não há histórias. Acho que tive muita sorte. A Memória de Elefante sai por acaso, ninguém sabia que eu escrevia, e um amigo meu, o Daniel Sampaio, andou com aquilo pelas editoras e ninguém queria. A Bertrand, onde estava a minha actual editora, a Maria da Piedade Ferreira, recusou o livro. Acabou por sair numa editora pequenina chamada Veja, em 1979, e vendeu loucamente. Percebo porquê. Nos escritores antes do 25 de Abril a acção passava-se em países imaginários, ou na antiguidade; a seguir ao 25 de Abril ficámos à espera dos romances que estavam na gaveta, já escritos e não podiam ser publicados, e não saiu nada. Aparece em 1977 o livro do Dinis Machado, O Que Diz Molero. E foi só. O Memória de Elefante já estava escrito nessa altura. Três meses depois sai Os Cus de Judas, que estava pronto havia tempo, e chega uma carta da América de um agente… Nestes 35 anos que passaram escreveu-se muito sobre si, deu muitas entrevistas. Como constrói ainda o seu discurso sobre a literatura que faz? Eu não falo dos livros. Falo do que me vem à cabeça, mas não falo dos livros. "Ontem fui ao dentista e estava a comer numa tasquinha ali na Avenida de Roma e umas pessoas vieram falar-me: 'não ganhamos este ano [o Nobel]" Porquê? Tenho muito pudor, tenho vergonha. Não acha que os livros são a sua maior exposição? Acha? Talvez seja então por isso. Eu mostrava os livros ao Zé [Cardoso Pires], fazíamos editing um ao outro. Ele dava-me páginas e páginas com sugestões que eu não seguia. Era a única pessoa que lia os meus livros antes de saírem. Sempre escrevi e ninguém lia. Eu não mostrava a ninguém. Queimava tudo na figueira do quintal. Porquê? Porque era íntimo e porque era mau. Mas, o que o inibe a falar deles, é o medo da crítica, o julgamento do leitor? Não tenho nenhum medo da crítica porque sei o que eles valem. Não sou parvo. Mas acho que não tenho direito de estar a maçar as pessoas. Está a fazer-me pensar em coisas sobre as quais não sei bem o que dizer. Por exemplo, esta pilha [aponta para um monte de folhas A4]. É o que estou a fazer agora e acho que está tudo mal. Os últimos livros têm saído exactamente como eu queria e este não, este foge-me. Não nos estamos a dar bem, não me sinto confortável com ele e se calhar ele não se sente confortável comigo. E o modo como escreve, tem mudando? Normalmente cada vez escrevo mais depressa. O problema são as correcções. Aí perco muito tempo. Mas a primeira versão sai-me mais depressa. Antes, trabalhando o dia inteiro, saía-me meia página por dia. Continuo a escrever à mão. Começo por escrever em folhas pequenas, depois passo para folhas A 4 em letra maior e começo a corrigir. Faço umas dez correcções e mando dactilografar. Quando vem já não parece escrito por mim e há muito menos narcisismo nessa leitura, sacode a água a mais. [Olha para a capa do livro] Esta capa… Não sei se gosto se não gosto. Não folheei o livro, sequer. Mas não escolho as capas. É a editora. Mas lembra-se da dedicatória, “Ao Zé Manel, com amorzade”? Lembro-me. Gosto do amorzade, que não é meu. É uma dedicatória do Valerio Adami. Ele vive em Paris na casa do Dali, mesmo diante da igreja em Montmartre. Escreveu-me num desenho: “para o António com amorzade”. E eu gostei tanto daquela fórmula e acho-a tão verdadeira e tenho amorzade por esse homem. Este livro está cheio de perguntas sobre a vida, o amor, a morte, o tempo. Tem dito que há mais perguntas que respostas. Continua a ser assim, um inquiridor…? Acha que sou? Não faço muitas perguntas. Talvez seja uma das técnicas da análise, nunca fazer uma pergunta com ponto de interrogação. Se quer saber qualquer coisa, aprendi quando era médico, é repetir a última frase da pessoa que está a falar. Por exemplo, a pessoa diz: “hoje estou muito nervosa”, e em vez de perguntar porquê, dizer: “estou muito nervosa…” Isso obriga o outro a transformar a linguagem noutra linguagem. Mas há alguns pontos de interrogação. Quando um dos inquilinos do prédio fala sobre a relação com o divino, “o que sente um judeu?”, a tal pergunta mais íntima. Como vai a sua relação com o sagrado? Uma vez perguntaram ao Voltaire como era a relação dele com Deus: “cumprimentamo-nos mas não nos falamos”. É uma relação ao mesmo tempo complicada e simples. A minha relação com Deus modificou-se desde que estreitei amizade com [Frei] Bento Domingues. Ele diz, por exemplo: “eu não vou ao cemitério porque não está lá ninguém”. Eu faço perguntas como estas: “E os que morrem, onde é que estão?”; “Andam por aí”, reponde ele. Não sei, houve uma altura da minha vida em que lia muito os físicos… Porque é que os grandes físicos, e grandes matemáticos, eram quase todos profundamente crentes? O Einstein dizia “esta coisa de Deus, por exemplo, os meus filhos têm de Deus a ideia de um vertebrado gasoso”. É a ideia que nós temos todos, e que a catequese nos dá. E Deus não é um vertebrado gasoso, como é evidente. Começamos a perceber que é qualquer coisa muito para lá disso. Passei por coisas difíceis nestes últimos anos em que tinha muitas probabilidades de morrer e o que é engraçado é que não tinha medo. Estava tão espantado e indiferente, demasiado absorvido pelo sofrimento físico, que foi brutal. Passei por uma quimioterapia de grande violência. Não sabia se ia viver ou morrer. Só gostava de viver mais uns tempos porque tinha mais uns livros dentro de mim -- e sinto que ainda tenho – e queria escrevê-los. Mas não queria que Deus me salvasse da morte. As noites nos hospitais são tremendas. É um bocado como conta o Proust, ficar à espera da manhã como se a manhã salvasse de alguma coisa e não salva de nada. E depois pensava: tenho vivido tão mal... Porquê? Porque havia uma data de coisas para as quais eu tinha os olhos fechados. E porque procuramos a porta nas paredes em que sabemos que não há porta, quase nos sentimos culpados de ser felizes, se é que isso existe… Mas estar aqui sentado já é uma vitória do caraças, sair para a rua, ver o sol. Disse que não queria morrer porque sentia que tinha mais livros para escrever. Os livros são a sua vida? Há uma serie de anos o Libération ressuscitou aquele inquérito dos surrealistas, Porquoi écrivez-vous? Havia pessoas que respondiam uma página inteira. A resposta mais curta era a do Beckett, Bon qu’à ça. Eu digo que escrevo porque não sei dançar como o Fred Astaire. Se soubesse dançar como ele escusava de escrever. Não quer dizer que trabalhasse menos. Escrever é a mesma coisa. O Renoir sustentava que não há talentos, há bois. Mas há muito poucas pessoas com talento. Já reparou no deserto? Compare com o século XIX em que tinha 30 génios ao mesmo tempo. Na Rússia, de repente, Tolstoi, Dostoiesvki, Gogol, Pushkin, Lermontov, podemos continuar… Em França uma data deles, em Inglaterra… Agora não há. Quem é que o António lê? Gosto muito de ler, sempre foi um prazer enorme. Há livros bons de que a gente não gosta e outros de que gostamos e não são tão bons. Por exemplo, o Thomas Mann é bom mas não gosto, chateia-me. O Musil é bom, mas não gosto. O Broch já gosto, o primeiro capítulo de A Morte de Virgílio é espantoso. É a experiência de vida a ditar o gosto? Claro. Se tivesse de falar assim de repente em escritores de que gosto, o Conrad, o Tolstoi… já reparou o que ele faz com frases tão simples? “Está frio, a cerejeira floriu, amanhã vamos à cidade”, com frases destas ele consegue exprimir tudo, filho da puta. Os manuscritos dele estão cheios de emendas. O que aquele homem trabalhava os textos… Só d’A Morte de Ivan Ilitch, do primeiro capítulo, há catorze versões conhecidas. Em Portugal nunca tivemos grandes escritores, ao nível destes. Quem é que o nosso século XIX tem para apresentar? O Eça e o Camilo. Uma vez vi uma crítica inglesa ao Eça que o destruía por completo porque o comparava com escritores de quem ele era contemporâneo. São estes nomes de que falámos. E de facto ao pé deles ele é um pigmeu. Temos óptimos poetas. Há poetas vivos muito bons. Mandaram-me um livro do José Luís Barreto Guimarães e gostei imenso daquilo. É bom. O José Tolentino Mendonça é bom. Mas em prosa não consigo. O problema pode estar em mim. O que falta? O meu pai tinha uma expressão para isso: falta faísca. Quando aparecia um bom artista ele dizia “tem faísca”. É um não sei o quê. Não sei o que faz com que o Proust seja o Proust ou o Céline seja o Céline. Noutro dia pus-me a reler o Céline e não tem uma prega. O Sartre tinha consciência disso porque quando lhe diziam: “este é o século do Sartre”, ele dizia: “não este é o século do Céline”. E ninguém lê o Sartre, já o Céline continua vivo da Costa. Aquilo não tem uma prega. Isto leva-nos também para o escritor e a sua biografia. Mas repare, quem são os dois escritores franceses do século XX? Este não é um desporto de competição, mas os nomes que me vêm à cabeça são os de Céline e o Proust, que tiveram histórias pessoais completamente diferentes. Homens tão diferentes, que escreviam de formas tão diferentes. Uma vez estava a falar com o meu editor francês e quando lhe perguntei “mas tu gostas do Beckett?” Ele respondeu: “Je respecte”. É o que eu sinto em relação ao Beckett. Mais respeito do que gosto. Gosto do Molloy (1951), mas o resto acho chato. É o meu gosto pessoal. O Ulisses… às vezes irrita-me por sentir a proeza pela proeza. No Faulkner aquilo está ao serviço do texto. Mas depois vai ler o Nabokov que diz mal desta gente toda. Para ele o Conrad era um escritor para crianças, o Faulkner escrevia histórias de plantadores de milho. Então de quem é que gosta? Updike e Robbe Grillet… ou seja aqueles que não lhe podem fazer sombra. O que acha do Nabokov? Não gosto. Uma vez estava a falar disto com o [George] Steiner quando fui a Cambridge para estar com ele. Nós temos sempre medo que a pessoa que a gente admira nos desiluda e ele, o Steiner, não me desiludiu nada. É um homem excepcional, com uma apreensão do fenómeno literário… A certa altura falei na Emily Bronte… O Monte dos Vendavais? Sim, dizendo que tinha gostado muito. Ele fez uma pausa comprida e disse-me: “mas não acha o livro um bocado histérico?” Eu nunca tinha pensado nisso e, de repente, dei por mim a olhar para aquele livro com os olhos dele. E conseguiu ver histeria? Sim, ele tinha razão. Ele preferia a Jane Austen, que é uma grande escritora, de facto. Ou a George Eliot. Tenho tanto respeito pelos escritores, gente que… como é que o Apollinaire diz no verso? “Pitié pour nous qui combattons toujours aux frontières. De l’illimité et de l’avenir…” É o trabalho condenado a não estar inacabado? Pois é. Essa frase que disse o Marcel Duchamp, que um quadro nunca está inacabado, está definitivamente inacabado. Porque é sempre possível melhorar. Permanece um “e se…”? Claro. Acho que está acabado quando o livro está farto de mim, não quer mais emendas… é como quando deixamos de gostar de uma pessoa e se dorme num cantinho da cama que pode ser que ela não nos toque, quando já qualquer toque nos irrita. É tão triste o fim de uma relação… Com o livro também? Também. Sinto que já não querem que lhes toque. Não sei explicar isto. Passa-se a numa espécie de estado segundo que não consigo traduzir em palavras. Sei lá porque é que escrevo estas coisas. Não sei. Muita gente já lhe disse que a sua escrita é muito marcada, reconhecível. Entra-se num livro seu e percebe-se logo a autoria… É isso que me chateia. A marca? Estava a escrever a Explicação dos Pássaros [1981] na Alemanha em casa da tradutora e do marido, e mostrei-lhe, dizendo que era diferente dos outros. Ela respondeu que lhe bastava ler três linhas e percebia que era meu. Tenho uma maneira de escrever muito marcada e isto dá para a malta imitar. É como a caricatura. Há imitadores por todos os cantos e não me refiro a Portugal. E porque acha que o imitam? Não sei. Não sei porque é que escrevo assim. Isto foi a pouco e pouco. Acho que só comecei a fazer livros como deve ser para aí no sétimo ou oitavo. A Memória de Elefante é claramente um primeiro livro cheio de incorrecções. Noutro dia recebi uma edição nova, já vai em mais de trinta edições – e continua a vender— e fiquei espantado porque o livro está cheio de erros de principiante, mas tem uma força… Os erros, já os esperava, mas a força do livro é que me espantou. Como é que lida com o seu erro? Em que sentido? No sentido em que sempre que um livro é lançado diz que faz o melhor que pode, mas… Acho que faço, mas posso estar enganado. Acho que o livro a seguir a este é a melhor coisa que já escrevi na vida. Deste não me lembro mesmo. Não sei porquê, ficou apagado em mim. Tanto assim que eu não queria publicá-lo. Mas acho que uma parte da obra, aquela mais experimental, em que tento algumas coisas novas para mim como na Exortação aos Crocodilos (1989), Não Entres tão depressa Nessa Noite Escura (2000), Eu Hei-de Amar uma Pedra (2004)… Aqueles calhamaços são difíceis de ler como o caraças e eu achava aquilo claro e estava todo contente. Com a vida que há agora é muito difícil ler aqueles livros. Não dá para estar sempre a interromper. A vida não é assim, as pessoas têm de trabalhar no dia seguinte. Isto devia apanhar-se com uma doença. Falava nas conversas com escritores. O que há de fantástico nelas, o chegar perto do enigma, do enigma do talento? Talvez. Não sei. Ainda vou à feira do livro e fico a olhar para a fila dos autógrafos dos outros e a olhá-los porque eles escrevem. Os autores. E volto a ser o miúdo que era quando vinha do liceu e passava ao pé do Jardim Zoológico. Havia ali uma cervejaria chamada Coral onde comiam grandes génios à quinta-feira, a Natália Correia, o David Mourão-Ferreira, e eu ficava do lado de fora, com 14 ou 15 anos, fascinado a olhar para aquela gente. Atraem-me os escritores. Parece que têm contacto com outra instância qualquer. Também lhe acontece, ver alguém olhar para si com esse fascínio? Talvez, mas não é a mesma coisa. Se vou a um restaurante as pessoas reconhecem-me, algumas começam com o telemóvel a tirar fotografias e a pôr no facebook. Eu não sei, não tenho computador nem telemóvel, mas acontece. Ontem fui ao dentista e estava a comer numa tasquinha ali na Avenida de Roma e umas pessoas vieram falar-me: “Não ganhámos este ano”. Referiam-se ao Nobel? Sim. Não percebo porquê, mas as pessoas vêm. Parecem que as pessoas lêem. E não me lêem só a mim, como é evidente. Mas eu olho para os escritores como alguém com acesso a instâncias que nós não temos… O António é escritor. Há esse acesso? Não sei… Estou a olhar ali para baixo (estante em frente) e a ver o Stendhal de que gosto muito. A pensar que ele faz O Vermelho e o Negro em 54 dias, a maior parte ditado, e sai aquela obra-prima e passa dois anos com o Lucien Leuwen, que é o pior livro dele. Então, existe génio? Não sei como lhe chamar, mas existe qualquer coisa porque há pessoas que produzem estas coisas. A gente fica com uma inveja saudável, como é que isto se faz? Acho que isto é feito numa espécie de inocência, se calhar. Todo o escritor se acha o melhor senão não vale a pena escrever. Para não ser o melhor não vale a pena, mas acho que depois quando estão a escrever têm uma dimensão angélica… e a sensação de que escrevem só para mim. Quando era miúdo, no liceu, se alguém falava de um escritor de que eu gostava ficava furioso porque o homem só escrevia para mim e aqueles livros eram feitos de propósito para mim. Tenho uma relação pessoal com os escritores de que gosto e tenho ciúmes dos outros leitores. Isto às vezes é carnal, tem uma dimensão física evidente. Não sei se gostava de viver com uma escritora [pausa]. O facto é que sabemos mais do que sabemos. Ontem estava a ler as entrevistas da Paris Review e há uma com o Nabokov. A certa altura há um adulto que pergunta à criança o que está a desenhar. Ela responde que está a desenhar Deus, “mas ninguém sabe como é Deus”, diz-lhe o mais velho. “Quando acabar o desenho já sabem”, responde a criança. Isto tocou-me imenso, e o Nabokov que me irrita, aquela vaidade, em pose constante, a agressividade inútil. Não lhe serviu para nada, para quê? Dizer mal de toda a gente, o azedume… Mas lá veio o Steiner outra vez pôr-me no lugar: “ele é que inventou as Lolitas e agora há-as por todos os lados”. E tem razão. Antes não havia Lolitas. Tecnicamente tem coisas boas, sem dúvida. Mas as nossas ideias misturam-se tanto com as nossas paixões. Eu gosto, logo é bom; eu não gosto, logo é mau. A crítica é sempre muito emocional. E depois as pessoas começam a dar estrelinhas que é a coisa mais cretina que há no mundo. Eu não daria estrelinhas a ninguém. Se fosse crítico fazia como o Truffaut nos Cahiers du Cinèma, só dizia bem porque só escrevia sobre os filmes de que gostava. Eu só falava dos livros de que gosto. O problema é como é que vou partilhar o meu gosto com as outras pessoas, com os leitores, que muitas vezes lêem apressados, que saltam parágrafos. Enquanto escritor fala muitas vezes do bom leitor. Acha que tem bons leitores? Não sei. Tenho bons editores e tenho uma coisa que me ajudaria muito se eu fosse inseguro: pessoas que respeito muito a porem-me nos cornos da lua. Há uma citação que me tem ajudado imenso que é do general Montecuccoli [século XVII]: “é preciso agarrar a oportunidade pelos cabelos mas não esquecer que ela é careca.” É tão verdade. Mas eu não sou os livros… Ou sou? E daí.. Sei lá. Há uma pergunta explícita no livro, a da sobrinha da velha actriz no terceiro andar: “o que é ser eu?” O que é ser António Lobo Antunes? Nunca me fiz essa pergunta. Nos dias mais negros acho que só sirvo para fazer livros e que não sei fazer mais nada de jeito. Não me tenho em grande conta. Sou tão comum. Quer dizer… agora estou a ser parvo. Há um lado de insatisfação. Com os livros nem tanto. Acho que fiz o que devia fazer, mas gostava era de ser poeta. Até aos 18 anos não escrevi outra coisa. Depois um tio, irmão da minha mãe, meu padrinho, fez-me uma assinatura da Nouvelles Littéraires quanto eu tinha 13 anos e logo no primeiro número vinha o poema do [Blaise] Cendrars, Les Pâques à New York. Fiquei varado, o que se pode fazer com as palavras! E achei-me uma merda. Tive tanto desprezo por mim. Agora tenho andado amargo porque não estou a gostar do que estou a fazer. Tenho um medo permanente de isto ter acabado. Se isto seca é uma gaita. O que é que eu faço? Não gosto de ir a bares, não gosto de estar com muita gente. Posso ler. Às vezes nos intervalos dos livros, são três, quatro meses; a gente lê oito horas por dia, mas ao fim de uma semana já está um bocado farta desse ritmo. Mesmo que só se leia o que se goste. Porque é que a literatura portuguesa é tão má? É? Não é? Acho que a Ana Margarida Carvalho fez um livro bom. Antes do gravador estar ligado falava de amigos felizes com o que fazem. Sente isso? Não. Nunca? Lembro O Diário de Tolstoi, quando ele escreve: lutei para ser melhor que o Shakespeare. E sou e depois? E para ser que o Molière e sou e depois? O que é ganho com isto? O Mozart com cinco anos tocou para a Maria Antonieta e acabou o concerto com toda a gente a aplaudir. Ele correu, sentou-se ao colo dela e disse: âimez-moi. Usa-se o talento que se tem para se ser amado? Para se ser amado? Que amor é que se recebe com os livros? Estou a ser injusto. Ganhei amigos, ganhei pessoas, ganhei a vida, ganhei muita coisa e acho que tive sorte e quando estou alegre sou divertido. Tem saudades de ser médico? Gostei muito de ser médico. O que eu gostava mais era quando as pessoas melhoravam. Eu não era um grande médico, mas acho que era um médico honesto. Era bom na cirurgia, tinha boas mãos, mas na cirurgia o principal é a capacidade de decisão não são as mãos. Nunca cheguei a estar numa posição de dirigir uma equipa. Não tinha de tomar decisões, tinha de receber ordens e sente-se a impaciência e a aflição deles muitas vezes. As pessoas sofrem tanto e sofremos por nadas tantas vezes. Agora vem o inverno que eu detesto. Tenho saudades do sol. Este bairro é feio como a gaita. Contava que o seu pai disse que gostava de passar aos filhos o gosto pelas coisas belas. E passou. Obrigava-nos a ouvir sinfonias, a ler, mesmo em férias, a fazer resumos de capítulos. Começava por escritores que ele achava mais fáceis. Ler um capítulo da Bovary e fazer um resumo. Vivíamos no meio disso. Mas foi enquanto médico que ouvi as frases mais extraordinárias. Uma vez numa aula de neurologia, onde se apresentavam com casos clínicos, estava uma mulher com uma doença neurológica que mal se conseguia mexer com dores horríveis, uma mulher analfabeta. O professor perguntou-lhe como é que conseguia fazer as coisas da casa e ela teve a definição da dor mais extraordinária que alguma vez ouvi: “é tudo a poder de lágrimas e ais…” Às vezes ouvia frases destas. Já era médico, uma senhora pediu-me para passar só uma embalagem em cada receita porque não tinha dinheiro para tudo e depois chegou-se a mim e disse: “sabe, é que quem não tem dinheiro não tem alma”. Este livro está cheio dessas frases que não são bem as de um rapaz de Lisboa, que cresceu e viveu na cidade, num ambiente protegido. Pois, mas é que a parte mais importante da minha infância foi na Beira Alta e não aqui. Foi o sítio onde fui mais feliz, em Nelas. Podia andar por todo o lado. Gostava da burra, da carroça, daquilo tudo. Era a família do lado da minha mãe. Venho de gente muito humilde. Não na geração do meu pai nem da do meu avô, mas nas anteriores. O meu brasão só tem enxadas. É a ideia de belo que o persegue quando faz um livro? Não. É a de fazer bons livros. O que é um bom livro? É aquele sobre o qual penso: bolas, gostava imenso de ter escrito isto. Não sei fazer mais nada, não faço mais nada. Outro dos seus temas é a memória. A minha memória e terrível. Tenho uma memória péssima, lembro-me de tudo. Parece aqueles tecidos a que se pega tudo. Então a poesia, como gosto muito de poesia. Olhe, o Appolinaire. Gosto tanto, o Auden, o Yates. Tantos, tão variados. Consegue eleger o seu livro, entre os que escreveu? Gosto deles todos. Acho que tenho orgulho no meu trabalho, não me apetece morrer mas acho que já morria me paz. Como, se ainda diz que tem livros para escrever? Mas há-de sempre ficar incompleto.

Cem livros que só vão ser lidos em 2114. É a biblioteca do futuro http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4229015

Uma projeção da Biblioteca do Futuro, que vai ser construída em Oslo, na Noruega A escocesa Katie Paterson plantou uma floresta cujas árvores serão transformadas na biblioteca do futuro, um projeto artístico para um século e para refletir sobre o futuro. O novo livro de Margaret Atwood não será lido nos próximos cem anos. Será preciso esperar um século para que as árvores em que vai ser publicado cresçam e se transformem em papel e até lá o livro vai ficar fechado numa cápsula do tempo, sem ser lido. A escritora canadiana foi a primeira a aceitar o desafio de escrever para o futuro, mas o convite para participar na Biblioteca do Futuro será estendido a outros 99 autores, um por ano, até 2114. O projeto é da artista escocesa Katie Paterson, chama-se Future Libraries e tem tanto de ambicioso como de cativante. A Biblioteca do Futuro, uma garantia de que o livro em papel sobrevive até 2114, vai nascer em Oslo, na Noruega. A obra foi encomendada para a série Slow Spaces [Espaços Lentos], um projeto de construção de arte em espaços públicos da Bjørvika Utvikling, explica Anne Beate Hovind, a comissária e produtora da obra. "Quando a Katie me disse o que queria fazer tive um momento de pânico. O que é que faço agora. Cem anos? Porque é que não faz simplesmente uma escultura?", brinca Anne, antes de confessar que ficou logo presa à ideia. "Toda a gente envolvida ficou imediatamente cativada, embora a ideia seja louca. E a resposta tem sido fantástica, estamos muito orgulhosos."

Morreu Aurora Bernárdez, a viúva e herdeira da obra de Julio Cortázar http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-aurora-bernardez-a-viuva-e-herdeira-da-obra-de-julio-cortazar-1675689

Morreu Aurora Bernárdez, a viúva e herdeira da obra de Julio Cortázar A esta tradutora de grandes autores mundiais deve-se a redescoberta da obra do escritor argentino a partir dos anos 90 Aurora Bernárdez, viúva do escritor argentino Julio Cortázar e grande divulgadora da sua obra depois da morte dele, morreu neste sábado num hospital de Paris, a cidade onde vivia desde a juventude.

Neto de Picasso abre arquivo com centenas de imagens inéditas do avô http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/neto-de-picasso-abre-arquivo-com-centenas-de-imagens-ineditas-do-avo-1675664

São “centenas e centenas” de fotografias que nunca tinham sido tornadas públicas: o neto de Pablo Picasso, Bernard Ruiz-Picasso, abriu para o historiador de arte britânico Sir John Richardson, o enorme arquivo fotográfico do avô, que, diz o Guardian, dá toda uma nova perspectiva sobre a vida e os amores do artista espanhol. Para além das fotografias, o arquivo inclui também filmes com a família e amigos, numa quantidade de material que Richardson, de 90 anos e um dos maiores especialistas na obra de Picasso, descreve como “uma revelação”. E não poupa palavras para mostrar o seu entusiasmo: “São [imagens] de todos os períodos – fascinantes quando as comparamos com certos quadros ou acontecimentos da vida de Picasso. [O material] dá toda uma nova perspectiva à sua vida. Torna-a tridimensional. É absolutamente extraordinário.” O Guardian reproduz quatro dessas fotografias. A primeira é de 1919 e mostra Picasso com a mulher Olga à saída de uma sala de espectáculos. Na segunda, já de 1932, o pintor aparece no jardim de uma casa segurando ao colo um enorme cão. Outra, datada de 1917, mostra novamente Olga, que foi a primeira mulher de Picasso, sentada no estúdio do artista, na mesma pose em que aparece num dos quadros que ele pintou dela. A quarta é ainda de Olga, desta vez em pose de dança (era bailarina dos Ballets Russes, de Sergei Diaghilev) e foi tirada no Verão de 1925 no pátio da Villa Belle Rose. A russa aparece também em filmes caseiros, num dos quais arranca pétalas a uma flor enquanto vai dizendo a lenga-lenga: “ele ama-me, ele não me ama, ele ama-me…”. Há ainda fotos de outra das mulheres na vida de Picasso, Dora Maar. “Ele tirava-lhes constantemente retratos”, explica Richardson. “Por vezes há uma semelhança directa. Por vezes percebemos que ele está à procura da melhor forma de a pintar.” Para o historiador, o material fornece imensa informação. “Eu estava muito empenhado em consegui-lo”, diz, citado pelo Guardian. “Sentimos nas imagens sobretudo quando é que ele estava completamente apaixonado ou quando já estava desinteressado.” Mas as fotografias eram usadas por Picasso também para documentar a evolução de uma escultura ou para testar ideias num trabalho. É, contudo, na figura de Olga, que foi mãe de um filho de Picasso, Paulo, e que se separou do pintor em 1935, que o texto do Guardian se centra mais. “Picasso apaixonou-se loucamente por ela quando ela era bailarina de Diaghilev. Mas ela tornou-se muito neurótica, e acabou mal. Não enlouqueceu, propriamente, mas tornou-se uma mulher ferida”, diz Richardson. O arquivo guarda imagens dos tempos felizes, em que Picasso e Olga passeavam por Espanha e Itália. “Ele tinha muito orgulho nela, ela era muito bonita.” O historiador britânico, que foi amigo do artista nos anos 50 quando este vivia no Sul de França, escreveu já três volumes de uma biografia de Picasso, A Life of Picasso, e está neste momento a trabalhar no quarto. Além disso, é o curador da exposição Picasso & the Camera, que inaugurou no final de Outubro na Galeria Gagosian, em Nova Iorque, onde fica até 3 de Janeiro, e que mostra a relação, intensa, do artista espanhol com a fotografia. A exposição inclui mais de 40 quadros, 50 desenhos, e 225 fotografias, muitas vindas do arquivo agora aberto graças à relação de amizade entre o historiador britânico e o neto de Picasso. Esta, explica o The New York Times, é já a quinta exposição sobre Picasso que Richardson organiza com a Gagosian, e as anteriores centraram-se sobretudo nas mulheres na vida do artista. Mas, disse o curador ao jornal nova-iorquino, “tinha esgotado as mulheres”. Por isso, no centro da nova exposição está a relação de Picasso com a máquina fotográfica – uma relação “muito mais complexa, fascinante e reveladora” do que o próprio Richardson tinha imaginado.

Necrópole pré-histórica com 4500 anos descoberta em Portugal http://www.ionline.pt/artigos/portugal/necropole-pre-historica-4500-anos-descoberta-portugal

Uma necrópole pré-histórica, datada de há 4.500 anos, foi descoberta durante as obras em curso no antigo Convento do Carmo, em Torres Novas, revelando um conjunto de objectos, entre os quais uma quinzena de peças em ouro, muito bem conservados. António Faustino Carvalho, arqueólogo que chefiou as escavações, especialista em Pré-História da Universidade do Algarve, disse à agência Lusa que o achado revela “um grande valor patrimonial e científico”. Tratando-se de um hipogeu (escavação subterrânea) calcolítico (da Idade do Cobre), o sítio arqueológico encontrado é um local de exumação colectiva, possivelmente uma família, concluindo os especialistas, pela tipologia de objectos encontrados, que se trataria de um grupo social de elite. António Carvalho disse à Lusa que nesta escavação foram encontradas ossadas humanas, que vão ser agora objecto de estudo mais detalhado, que se supõe corresponderem a 11 ou 12 pessoas, uma delas uma criança com três ou quatro anos, dois adolescentes com menos de 16 anos e os restantes adultos, dois dos quais com mais de 40 anos, já idosos para a época. Entre os objectos encontrados, resultantes dos ritos funerários que passavam pela deposição junto dos corpos de objectos que poderiam ser úteis noutra vida, estão cerca de 15 peças em ouro – um anel em espiral e contas de colar (chapas dobradas formando tubinhos por onde passaria o fio). Foram ainda encontradas outras peças que se supõe terem pertencido a adornos (colares ou pulseiras), como pequenas conchas marinhas coloridas (beijinhos ou, nome científico, trívia monacha) e pequenos discos em pedras de várias cores, peças que António Carvalho imagina intercaladas com os tubinhos em ouro fazendo adornos “muito bonitos e muito compostos, com matérias e cores diferentes”, além de botões em osso animal, perfurados para passar a linha. O achado de conchas indica que o grupo, sedentarizado em Torres Novas, teria tido contacto com o mar, ou por deslocações ou por trocas com populações do Litoral, disse. No local, uma gruta artificial aberta num tufo calcário, "muito fácil de trabalhar com instrumentos em pedra", estavam também duas adagas em cobre, facas usadas para luta corpo-a-corpo, o que indicia a existência de elementos guerreiros naquela sociedade, um alfinete de cabelo em cobre e recipientes em cerâmica.

Professoras de Castelo Branco dão nova vida ao feijão-frade com a “feijadinha” http://www.asbeiras.pt/2014/11/professoras-de-castelo-branco-dao-nova-vida-ao-feijao-frade-com-a-feijadinha/

E a terminar, uma guloseima a provar… ;)

Duas professoras de Castelo Branco deram uma nova vida ao feijão-frade e criaram um doce inovador, a “feijadinha“, confecionado à base desta leguminosa, outrora produzida em grande escala por toda a região da Beira Baixa. O feijão-frade, um produto obrigatório no acompanhamento da sardinha assada na região, ganhou uma nova vida, quando Florinda Baptista e Alda Sanches tiveram a ideia e decidiram aproveitar este produto endógeno da região para criar um doce que se assuma como uma referência da Beira Baixa. A receita desenvolvida por Florinda Baptista, com formação superior em química analítica, surgiu na sequência de uma ação de formação para professores sobre empreendedorismo, promovida pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB). “Essa formação pressupunha desenvolvermos um produto ou uma ideia de negócio que tivesse em conta a nossa região. Foi isso que desenvolvi com a minha colega da Escola Cidade de Castelo Branco, do Agrupamento Nuno Álvares, Alda Sanches, e que apresentámos com um grupo de alunos nossos no Concurso de Empreendedorismo associado a essa formação, o qual vencemos”, adiantou. As “feijadinhas”, como as designou, são já uma marca registada e “a receita está bem guardada e registada”, disse. Florinda Baptista adiantou que toda a receita foi elaborada na sua própria residência e às suas custas. Para a desenvolver, a docente sublinha que a sua formação superior em química analítica foi “um trunfo importante”. “Foi feito um longo trabalho de experimentação e análises, para além de muitas provas de sabores, até obtermos o produto final”. As “feijadinhas” foram apresentadas oficialmente na Feira do Feijão Frade, que decorreu em outubro, na freguesia de Lardosa (Castelo Branco), “onde foram confecionados cerca de dois mil doces”. Além deste doce, a docente já criou outros produtos, todos associados ao feijão-frade, “como o licor de feijão-frade, a chamada ‘feijarosca’, os crepes ‘feijadinhos’ e o paté de duas caras, também produzido com feijão-frade da região”. Associado a estes produtos gastronómicos, foi desenvolvido um conceito “gourmet”, no qual se associou a empresa de design RVJ Editores, que desenhou o logotipo, as caixas exclusivas para as “feijadinhas” e os suportes individuais dos doces. “As caixas das ‘feijadinhas’, no seu interior, oferecem informação e imagens sobre os monumentos existentes na região”, explicou a docente. Já para o Natal, as “feijadinhas” e os restantes produtos desenvolvidos por Florinda Baptista, vão passar a ser comercializados por uma empresa especializada. Para já, as encomendas podem ser feitas através do “e-mail” feijadinhas@gmail.com. Todo este trabalho, que resultou da ação de formação de Florinda Baptista e de Alda Sanches, acabou por ser recentemente reconhecido no Concurso Regional de Ideias de Negócio 2014, promovido pelo Programa Operacional Regional do Centro – Mais Centro. “Participámos nesse concurso em representação da CIMBB e da Escola Cidade de Castelo Branco – Agrupamento Nuno Álvares, com os nossos alunos André Nunes, Inês de Castro, Henrique Carvalhinho e Rita Barata, onde obtivemos o terceiro lugar, que muito nos honra e orgulha”, concluem. Atualmente, o feijão-frade é produzido, sobretudo, na freguesia de Lardosa, onde cerca de 10 produtores cultivam anualmente 55 hectares. A produção do feijão-frade de cara verde, o que tem mais impacto na região, ronda os 32 mil quilos. Além destes, há ainda pequenos produtores locais que produzem para consumo próprio, sendo que as três espécies mais apreciadas na região são o feijão de cara verde, o de cara preta e o feijão de arroz.

Por aqui me fico, com a promessa de voltar para a semana! Até breve!
publicado por Musikes às 10:09 link do post
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