Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
11 de Setembro de 2014

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

Hoje no "Gotinhas Culturais"...

* De pequenino se torce o ouvido Que o ensino da música é proveitoso para a aprendizagem já todos sabem, praticamente desde que o filósofo grego Pitágoras estabeleceu, já no século VI a.C.

* Professor e artesão "salvam" viola amarantina A viola amarantina esteve quase extinta, mas a missão concertada de um professor e de um artesão, ambos de Amarante, permitiu ensinar dezenas de jovens a tocarem o instrumento, assegurando um futuro, outrora incerto.

* E se um monge lhe aparecer em Serralves, isso é... Theaster Gates Começa este domingo, no Museu de Serralves, o retiro monástico de Theaster Gates e The Black Monks of Mississippi.

* "Em vez de bandas de garagem, surgem grupos de cante" Sérgio Tréffaut passou dois anos a filmar o cante alentejano. O resultado está em "Alentejo, Alentejo", que chega às salas de cinema a 18 de setembro, a três meses de se saber se será classificado património imaterial pela UNESCO.

* Partilha, prazer, paixão - Pergaminho?...

* Teatro Nacional São João anuncia sete estreias até Dezembro O Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, apresenta, entre Setembro e Dezembro, espectáculos cuja "grande nota é a contemporaneidade" resumiu o director artístico, Nuno Carinhas, que esta segunda-feira apresentou uma programação que conta com sete estreias.

* Entrar num museu e tirar uma selfie: um novo olhar sobre o objecto artístico Enquanto estamos num museu - em qualquer museu - há outro museu a acontecer nas redes sociais: mais pessoal e em constante actualização. Na galeria física tiram-se fotografias às paredes com telemóveis e tablets e com esses mesmos aparelhos elas vão parar aos feeds do facebook, do instagram ou do twitter - umas vezes mostra-se só a pintura, outras está alguém ao lado como se dissesse "eu estou aqui".

* Feira do Livro é a "primeira de muitas" organizadas pela Câmara do Porto

Agora... resta-me desejar-te... ;) Boas leituras! :)

De pequenino se torce o ouvido http://www.SOL.pt/noticia/114474

Que o ensino da música é proveitoso para a aprendizagem já todos sabem, praticamente desde que o filósofo grego Pitágoras estabeleceu, já no século VI a.C., as leis da harmonia musical em relação estreita com a matemática. Um estudo agora divulgado vem reforçar esta ideia. Aprender música durante dois anos, ainda na primeira infância, é uma forma de dar um upgrade ao cérebro dos miúdos. A experiência, de que resultou um estudo publicado no Journal of Neuroscience, foi feita a um grupos de 44 crianças que fazem parte do Harmony project, uma associação norte-americana que ensina os sons a jovens carenciados. A idade média do início das aulas de música dos miúdos que participaram no estudo era de oito anos. Com recurso a eléctrodos implantados na cabeça das crianças, a equipa que conduziu a investigação, da Universidade Northwestern, percebeu que a reacção do cérebro de quem aprende música muito cedo à pronúncia das sílabas, por exemplo, é mais rápida e a flexibilidade de raciocínio destas crianças perante a linguagem verbal é maior. O grupo responsável pelo estudo defende, por isso, um reforço do ensino da música na escolaridade básica.

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Professor e artesão "salvam" viola amarantina http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4112233

A viola amarantina esteve quase extinta, mas a missão concertada de um professor e de um artesão, ambos de Amarante, permitiu ensinar dezenas de jovens a tocarem o instrumento, assegurando um futuro, outrora incerto. Há alguns anos que Eduardo Costa, docente no ensino básico, e António Silva, marceneiro, unem esforços, o primeiro tocando e ensinando o instrumento, o segundo fabricando violas amarantinas de forma artesanal. O esforço de ambos, com a ajuda de alguns amigos, permitiu acabar com as nuvens negras que se abatiam sobre o futuro da viola, ao ponto de haver hoje em Amarante dezenas de executantes do instrumento que ostenta o nome do concelho. A centenária viola amarantina, de origem medieval, é parecida com a viola braguesa, tocada na zona do Minho. Ambas são consideradas "violas de arame" e têm cinco cordas duplas, mas a variante de Amarante, menos conhecida do que a minhota, diferencia-se por ter uma escala mais comprida, até à boca, única no país, e ostenta dois corações, que se julga estarem ligados a uma história de amor envolvendo um trovador medieval. Eduardo Costa é também um dos elementos do grupo "Propagode", de Amarante, que se dedica à música tradicional, em especial à divulgação da viola amarantina. É nesse âmbito que pessoas de várias idades aprendem, semanalmente, a executar o instrumento, com ajuda dos dois tocadores do grupo mais experientes. Recentemente, o docente criou um clube de música na escola onde leciona, na qual 24 crianças e adolescentes aprendem a tocar a "Amarantina". Ao mesmo tempo, o grupo tem feito oficinas, em vários locais, nas quais divulga e ensina o instrumento, para além de realizar dezenas de espetáculos. "Antes deste trabalho, a nossa viola estava praticamente esquecida", recordou à agência Lusa. A recente dinâmica criada em torno do instrumento tradicional permite a Eduardo Costa concluir que "a Viola de Amarante nunca mais vai ser esquecida". Mas todo aquele trabalho só se tornou possível depois de se encontrar alguém que construísse instrumentos suficientes e adaptados para as crianças e adultos darem os primeiros passos na música. O marceneiro António Silva, que já tinha alguma experiência com cavaquinhos, foi então desafiado pelo "Propagode" para a construção de violas amarantinas. Há cerca de três anos que, nas horas vagas, o artesão constrói com minúcia e paciência, numa oficina dos fundos da sua casa, dezenas de violas amarantinas. Cada uma leva 35 horas a fazer, e todas, garante, cumprem as exigências de qualidade, inclusive nos vários tipos de madeira utilizados. Cada exemplar de qualidade média custa cerca de 300 euros, um valor que o artesão considerada pequeno face ao trabalho que dá. Apesar disso, disse à Lusa que executa "a arte" pelo amor que sente pelo instrumento da sua terra, que até já aprendeu a tocar, ajudado pelos amigos do "Propagode". O sucesso da revitalização do instrumento teve recentemente um momento alto, quando cerca de duas dezenas de tocadores se juntaram numa feira em Amarante e fizeram uma arruada pelas ruas da cidade. Os dois falaram à Lusa, emocionados, da "sonoridade apaixonante" do instrumento que hoje os amarantinos se orgulham de exibir em cada festa, em cada convívio, executando melodias tradicionais, na companhia de cavaquinhos e rabecas, ou trechos mais clássicos, só ao alcance dos tocadores mais dotados. *
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E se um monge lhe aparecer em Serralves, isso é... Theaster Gates http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/e-se-um-monge-lhe-aparecer-em-serralves-isso-e-theaster-gates-1668417

Começa este domingo, no Museu de Serralves, o retiro monástico de Theaster Gates e The Black Monks of Mississippi. Quem é Theaster Gates? Os mais atentos à actualidade do mundo da arte saberão: nascido em Chicago em 1973, Gates é um dos artistas que mais e melhor têm aproximado a intervenção artística da actividade cívica, recuperando edifícios e colaborando com outros artistas, arquitectos, músicos e investigadores. O seu trabalho faz-se através da escultura e da performance e com um sensibilidade muito especial dedicada ao planeamento urbano, ao espaço público, ao trabalho manual e à noção de comunidade, como se verificou há três anos com Dorchester Projects, no Sul de Chicago, onde transformou edifícios devolutos num centro cultural. Ou seja, a responsabilidade social não é um conceito alheio ao pensamento e à prática de Gates. Este professor da Universidade de Chicago, que já expôs nos principais museus e galerias internacionais, vai transformar o museu, a casa e o parque de Serralves num lugar de meditação sobre a arte e a natureza, no que será mais um capítulo da série The Black Monastic, com intervenções cénicas, leituras, sermões, momentos de contemplação e música ao vivo e gravada, em sessões públicas e privadas. O blues e o gospel estarão em destaque mas sempre envolvidos numa celebração com outras tradições musicais. Os visitantes poderão assistir às performances públicas ou encontrar, em plena visita ao museu (sem hora nem local determinados), Theaster Gates e os monges negros. Já agora, estes Black Monks não são todos afro-americanos, nem monges. São um colectivo de músicos aberto à participação de outros artistas e fundado por Gates para preservar a ligação da música negra americana a uma certa noção de espiritualidade e introduzi-la no mundo da arte. A formação (base) dos Black Monks of Mississippi presente em Serralves incluirá, para além de Gates, os músicos Yaw Agyeman, Khari Lemuel, Joshua Abrams, Mikel Avery, Justin Thomas e Lisa Alvarado e e estão previstos dois concertos: a 12 de Setembro, com Mário Costa, e a 15, com os contrabaixistas Henrique Fernandes e Rui Leal.

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"Em vez de bandas de garagem, surgem grupos de cante" http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4108855&seccao=M%FAsica

"Em vez de bandas de garagem, surgem grupos de cante" Música. Sérgio Tréffaut passou dois anos a filmar o cante alentejano. O resultado está em "Alentejo, Alentejo", que chega às salas de cinema a 18 de setembro, a três meses de se saber se será classificado património imaterial pela UNESCO. "Houve um tempo em que o cante era foleiro", diz o cantador Carlos Arruda, da membro do grupo da Casa do Povo de Serpa, no filme Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréffaut, que estreia no dia 18 de setembro. "Gozavam com ele", explica o realizador ao DN. Esse tempo que nada tem a ver com os 150 grupos ativos que se contam hoje no Alentejo. Muito menos com os dois, formados espontaneamente por jovens que nasceram, em Serpa, já depois da candidatura a patrimónia imaterial da Humanidade. "Em vez de aparecerem bandas de garagem, surgem grupos de cante", diz Tomé Pires, presidente da câmara de Serpa, de onde partiu a candidatura a património imaterial da Humanidade da UNESCO.

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Partilha, prazer, paixão http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/partilha-prazer-paixao-1668861

O programa do concerto foi organizado de forma criteriosa, aliando a variedade de épocas e estilos à coerência da sequência das obras interpretadas. A primeira parte do concerto foi constituída por três obras que fizeram dialogar o antigo e o moderno: Chacony em sol menor de Henry Purcell e duas obras do século XX de espírito neoclássico, Lachrymae Op. 48a de Benjamin Britten e Le Tombeau de Couperin de Maurice Ravel. Na Chacony a postura da orquestra revelou a consciência da actual interpretação historicamente informada, evidenciando uma noção clara de fraseado e respeitando o carácter do repertório de dança do período barroco.

Orquestra XXI, Dinis Sousa (Direcção) e Jano Lisboa (Viola d'arco) Obras de Henry Purcell, Benjamin Britten, Maurice Ravel, Luís Antunes Pena e Ludwig van Beethoven. Sala Suggia, Casa da Música, 5 de Setembro, 21h (sala cheia) Em Lachrymae o violetista Jano Lisboa demonstrou as suas excelentes qualidades técnicas e expressivas, nomeadamente a precisão de ataque, a justeza da afinação e a excelente noção de dinâmica e de fraseado. O solista foi acompanhado pela orquestra de cordas na qual se destacou o excelente desempenho da secção grave. Le Tombeau de Couperin deu a conhecer um naipe de sopros muito equilibrado e de alto nível. Estes jovens revelaram uma exímia execução das partes solistas mas também uma excelente noção de naipe e de diálogo tímbrico tão importante no repertório raveliano. No geral a orquestra apresentou uma sonoridade coesa e equilibrada possibilitando a audição de todos os detalhes da obra. A segunda parte foi iniciada com a estreia nacional de Vermalung IV - Ludwig V. composta em 2008 por Luís Antunes Pena. A peça insere-se num ciclo de cinco peças compostas entre 2005 e 2013. Vermalung IV é uma peça de cerca de quatro minutos que explora de um modo perspicaz e imaginativo a dimensão tímbrica, rítmica e dinâmica da orquestra. Apesar da sua curta duração, a peça é reveladora da excelente técnica orquestral do compositor e da sua capacidade em explorar ideias musicais simples e de as projectar num discurso sonoro muito coerente e atraente. O destaque do naipe de percussão é feito de forma inventiva e subtil, promovendo um harmonioso enlace entre os seus timbres e o resto da orquestra. O concerto concluiu com a execução da Sinfonia nº 5 de Ludwig van Beethoven que confirmou a maturidade da orquestra, surpreendendo pela leitura rigorosa da partitura e pela atenção dada às transições temáticas e de pathos, resultando numa interpretação plena de jovialidade e intenção dramática. Neste concerto a Orquestra XXI demonstrou uma perfeita consciência de que a partilha é o meio para se atingir uma interpretação cuidada, rigorosa e profundamente expressiva. A disponibilidade física, auditiva e emocional dos membros da orquestra foi elemento fundamental para a eficácia da interpretação, revelando um total envolvimento com o maestro. Na sua juventude, o maestro Dinis Sousa evidencia uma maturidade impressionante no respeito pela partitura e pelo domínio de tão amplo repertório, revelando uma justa noção de estilo e uma excelente técnica de direcção. Este maestro apresenta uma capacidade de liderança alicerçada na cumplicidade e na partilha da experiência musical, motivando o envolvimento do colectivo da orquestra sem inibir as suas individualidades. Isto foi perfeitamente visível nos olhares cúmplices e atentos que os intérpretes trocavam constantemente entre si, reveladores de um enorme sentido de comunicação baseado no prazer de fazer música. Foi emocionante assistir ao concerto desta orquestra integralmente constituída por jovens músicos portugueses (com idades entre os 20 e os 30 anos), oriundos de escolas de música portuguesas de todas as regiões do país (continente e ilhas) que actualmente estudam ou desenvolvem uma carreira no estrangeiro. A Orquestra XXI é um projecto que, a meu ver, merece continuar a ser apoiado porque espelha o que de melhor se constrói e desenvolve no país, tanto ao nível formativo como profissional, promovendo de maneira consequente o investimento em valores verdadeiramente nacionais.

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Teatro Nacional São João anuncia sete estreias até Dezembro http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/teatro-nacional-sao-joao-anuncia-sete-estreias-ate-dezembro-1669023

O Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, apresenta, entre Setembro e Dezembro, espectáculos cuja "grande nota é a contemporaneidade" resumiu o director artístico, Nuno Carinhas, que esta segunda-feira apresentou uma programação que conta com sete estreias. Exactamente esta segunda-feira, pelas 21h30, pode ser vista a antestreia de Os Maias, Cenas da Vida Romântica, um filme realizado por João Botelho que reconheceu a "dificuldade" em tocar numa obra "tão intocável" como a de Eça de Queirós e desafiou o público "a ver a película e ir para casa preencher os buracos que faltam" face ao livro. Colocando em evidência as performances de artistas nacionais e internacionais, vai seguir-se, de terça-feira a dia 18, a mostra de processos MAP/P no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV), espaço que a par do TNSJ e do Teatro Carlos Alberto (TeCA) completa os três palcos que durante estes meses vão receber um total de 15 espectáculos. Entre 18 de Setembro e 5 de Outubro estará em cena Pílades, de Pier Paolo Pasolini, encenada por Luís Miguel Cintra. "[É uma] peça profundamente política que luta por afirmar a maneira de ver a política. Pretende-se conduzir a uma renovação", descreveu. Já o autor e encenador Gonçalo Waddington confessou esta segunda-feira estar numa fase "muito apaixonada" pela obra de Proust, da qual nasceu a peça Albertine, O Continente Celeste, um espectáculo que estará em cena no TeCA de 26 deste mês a 5 de Outubro. "Se quisermos fazer alguma ponte por exemplo entre a peça de Pasolini que revisita a tragédia grega com o teatro comunitário onde no fundo são convocadas 150 pessoas da cidade, podemos perguntar se essas pessoas são ou não o coro da contemporaneidade. E podemos falar da relação da arte com a ciência em vários", resumiu Nuno Carinhas à margem da apresentação. Os 150 convocados, aos quais se referia, em declarações à Lusa, são os membros de cinco grupos teatrais das zonas oriental, ocidental e central do Porto que interpretam Mapa - O Jogo da Cartografia, peça da associação PELE que pode ser vista entre 31 de Outubro e 2 de Novembro no MSBV. Relativamente à ciência, Carinhas falava da peça Biodegradáveis com texto original de Ana Vitorino e Carlos Costa, que entre 6 e 16 de Novembro pisa o TeCA, enquanto o MSBV acolhe Caixa 3 Bobina 5, a Última Bobina de Beckett, do dramaturgo Jorge Palinhos, de 7 a 16 do mesmo mês. "Todos os autores são contemporâneos, ou seja do Século XXI. Ou experiências de elaboração de textos porque não são espectáculos de dramaturgias já feitas mas são textos que reflectem contemporaneidade", vincou Nuno Carinhas. A par da apresentação de uma programação que junta cinema, teatro, dança e novo circo, a presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Francisca Fernandes, aproveitou para dar conta de que os objectivos anuais estão a ser "superados" pois é "expectável" um aumento de 3% de valor de bilheteira face a 2013. Durante o primeiro semestre deste ano foram 67 mil as pessoas que passaram pelos espaços do TNSJ, cuja obra de restauro da fachada do edifício principal é inaugurada, anunciaram os responsáveis, sexta-feira.

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Entrar num museu e tirar uma selfie: um novo olhar sobre o objecto artístico http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/entrar-num-museu-e-tirar-uma-selfie-um-novo-olhar-sobre-o-objecto-artistico-1668095

Enquanto estamos num museu - em qualquer museu - há outro museu a acontecer nas redes sociais: mais pessoal e em constante actualização. Na galeria física tiram-se fotografias às paredes com telemóveis e tablets e com esses mesmos aparelhos elas vão parar aos feeds do facebook, do instagram ou do twitter - umas vezes mostra-se só a pintura, outras está alguém ao lado como se dissesse "eu estou aqui". A National Gallery de Londres é um dos últimos grandes museus a acabar com a proibição de fotografar - as vozes mais críticas dizem que é o fim de um dos grandes templos de contemplação da arte e que nasceu uma central de selfies. Quando em Julho a National Gallery passou a permitir fotografias, começou também a oferecer uma rede wi-fi aos seus visitantes para que "partilhem as suas experiências com amigos e família através das redes sociais", escreveu Nicholas Penny, director do museu, num comunicado de imprensa. Fê-lo sem anúncio prévio: apenas começou a deixar que se tirassem fotografias, desde que sem flash. Bastou para que se instalasse a polémica. "Tenho que dizer que um pouco da minha alma morreu de cada vez que alguém fotografava uma obra ou, pior, tirava uma selfie sem sequer ver a peça com os seus próprios olhos", escreveu um visitante da National Gallery, que tem seis milhões de visitantes por ano, numa carta ao blogue Art History News. Michael Savage, autor do blogue Grumpy Art Historian, escreveu que a colecção de pintura que tem obras como A Virgem dos Rochedos, de Leonardo da Vinci, Vénus e Marte, de Botticelli ou Os Girassóis, de Van Gogh, se ia tornar numa "central de selfies". Não há mais entradas por causa disso, mas há mais coisas partilhadas [nas redes sociais]. Vai-se a um museu com uma disposição diferente Elisabete Caramelo, Fundação Gulbenkian A proibição é neste momento uma raridade pelos museus do mundo - das grandes e importantes colecções resistem o Prado de Madrid e os Uffizi de Florença. A editora do jornal Telegraph lembrou a propósito do assunto uma visita que fez ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA): ao entrar no piso onde estão expostos Picasso, Matisse e os mestres do expressionismo abstracto, voltou para trás porque o espaço estava lotado de fotógrafos. "Era impossível parar, pensar e olhar para uma pintura no meio da multidão que se acotovelava", conta Sarah Crompton. "Não é um caminho para tornar a arte mais popular e acessível. Mas é de certeza uma maneira de lhe tirar todo o seu propósito e significado. A National Gallery devia ter lutado contra esta tendência", conclui, fazendo referência aos grandes museus em que é permitido fotografar - Louvre, Metropolitan, Rijksmuseum ou Hermitage. Estas opiniões mais críticas dizem que a sede de fotografar nos está a impedir de contemplar e usufruir da arte. Não estão só em causa os incómodos ruídos das fotografias e das massas de gente à frente das pinturas. Estudos feitos no Louvre revelam que os seus visitantes olham em média 15 segundos para a Mona Lisa, e o Metropolitan de Nova Iorque diz que cada pessoa gasta 32,5 segundos em cada uma das suas obras. O crítico de arte Robert Hughes dizia que as pessoas hoje não vão aos museus para olhar para as obras, mas para as ter visto. No Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a política é semelhante à da National Gallery: pode fotografar-se as exposições e usufruir de uma rede wi-fi de acesso gratuito há quase dois anos - uma decisão que quis possibilitar aos visitantes um rápido acesso à informação, diz Elisabete Caramelo, responsável pela comunicação da Gulbenkian. "Não há mais entradas por causa disso, mas há mais coisas partilhadas [nas redes sociais]. Vai-se a um museu com uma disposição diferente", diz. Elisabete Caramelo admite que fotografar nas exposições pode criar situações desconfortáveis, mas a Gulbenkian nunca recebeu nenhuma reclamação relativa a isso. "Por exemplo, não temos, códigos QR no museu por causa do barulho que podem fazer ao ser descarregados", explica. "As pessoas podem deixar de contemplar, mas é uma escolha sua. O museu não pode decidir isso", conclui. Filipe Braga "discorda completamente" das opiniões pessimistas. O fotógrafo da Fundação Serralves, no Porto, passa muito tempo nas exposições para fotografar as obras e acaba por observar a maneira como os visitantes se movem naquele espaço. "Há pessoas que é só olhar e fotografar. Olham através da máquina. O interesse se calhar é mostrar no facebook. Mas penso que há mais a contemplar", diz. Serralves também tem uma rede de wi-fi para uso dos visitantes. Dizia às pessoas para irem fotografar pelo museu durante uma hora e que só podiam trazer 10 fotografias. É muito difícil: hoje tiramos dez fotografias num minuto Filipe Braga, fotógrafo da Fundação Serralves A sua visão optimista não se deve só às horas que passa nas salas de exposição à procura do ângulo e do momento certo para disparar, quando o público desimpede o espaço à frente da obra. Filipe Braga tem dado nos últimos tempos workshops em Serralves sobre fotografia para leigos: já ensinou a fotografar com smartphones, a fotografar obras de arte, e deu aulas sobre como fotografar no museu, o que mostra a tendência da câmara fotográfica em punho. Aqueles que se inscreveram nas suas aulas "queriam chegar a um museu e levar uma fotografia de uma obra que admiravam ou do espaço arquitectónico, mas não tinham recursos técnicos para o fazer", diz, explicando que ensina a fotografar sem os aparatos de um fotógrafo profissional. Para chegar à boa fotografia, é preciso esperar e dar tempo à observação, o contrário dos 15 segundos para a Mona Lisa. "Dizia às pessoas para irem fotografar pelo museu durante uma hora e que só podiam trazer 10 fotografias. É muito difícil: hoje tiramos dez fotografias num minuto", conta. O segredo era "criar uma relação com a obra", mover-se em torno dela. "Incentivo as pessoas a observar primeiro e só depois fotografar." A maioria das pessoas que fizeram os workshops com Filipe Braga dizem-lhe que se sentem motivadas a visitar mais museus para os fotografar, o que neste caso quer dizer tirar algum tempo para cada obra. "A ideia não é que se traga uma recordação turística, mas sim uma recordação artística", diz Elizabete Caramelo. Aquilo que observa das publicações que são feitas nas redes sociais com fotografias da Gulbenkian - no instagram há mais de seis mil com a hashtag Gulbenkian - é que são "uma forma de as pessoas estarem mais ligadas ao museu, de ficarem a fazer parte dele e de o recordarem". O resultado, diz, é a produção e difusão de um novo "olhar artístico sobre o objecto artístico". Esta produção de conteúdos é um dos objectos de estudo do filósofo Lawrence Lessing, da Universidade de Harvard, que explica que a cultura actual é de read/write (ler/escrever) ao contrário da cultura anterior às redes sociais - read-only (apenas ler). A justificação está na produção individual e constante de informação que as redes sociais possibilitam. Assim, na Gulbenkian vai-se compondo um top das obras com mais difusão na internet e lá está Figura de Velho, de Rembrandt, que quando foi pintado no século XVI não podia adivinhar o moderno conceito de selfie. Pelo contrário, Jeppe Hein, o autor de Cage and Mirror, parece ter noção desta nova relação do espectador com a arte: na sua gigante gaiola, os visitantes da Gulbenkian podem entrar e ver-se ao espelho que está lá dentro para isso mesmo. Muitos tiram a sua selfie contra o espelho - Cage and Mirror está também nas mais partilhadas. Na National Gallery, a direcção do museu não parece estar preocupada com as fotografias aos seus Rembrandts: "Queremos sempre que as pessoas se concentrem numa só obra, mas nós temos seis milhões de visitantes por ano, e provavelmente há seis milhões de maneiras de olhar para a arte. Temos que nos lembrar que as outras pessoas podem não usufruir dela da mesma maneira que nós", explicou ao PÚBLICO a directora do departamento de comunicação, Susan Foister. Os mais críticos podem, no entanto, ficar descansados. Zoe Williams, jornalista do Guardian, foi a este museu e assegura: "Não havia ninguém a tirar fotografias na National Gallery na quinta-feira; ninguém, tirando eu."

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Feira do Livro é a "primeira de muitas" organizadas pela Câmara do Porto http://www.dnoticias.pt/actualidade/5-sentidos/467914-feira-do-livro-e-a-primeira-de-muitas-organizadas-pela-camara-do-porto

Actualizado em 6 de Setembro, às 19:42 Lusa O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, garantiu hoje que a Feira do Livro que decorre no Palácio de Cristal até 21 de setembro é "apenas a primeira de muitas" que a autarquia vai organizar no futuro. A Feira do Livro do Porto deste ano abriu as portas na sexta-feira, no Palácio de Cristal, e é a primeira em mais de oito décadas sob organização exclusiva da Câmara Municipal, tendo hoje decorrido o momento mais simbólico de todo o evento: a homenagem a Vasco Graça Moura, com a atribuição do nome do escritor a uma tília. No discurso após o descerramento da placa colocada junto à referida árvore na Avenida das Tílias -- para a edição do próximo ano será Agustina Bessa Luís com o seu nome eternizado -- Rui Moreira antecipou a intenção da autarquia continuar a organizar a Feira do Livro. "A nossa Feira do Livro. Realizada onde a queremos, como a queremos, com os recursos que temos, mas aberta a todos. Mesmo a todos, porque esta será apenas a primeira de muitas que iremos organizar no futuro", garantiu. Recorde-se que esta feira era promovida habitualmente em articulação com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), tendo, no entanto, o processo negocial para a edição deste ano sido suspenso em fevereiro pela autarquia devido a um diferendo quanto aos custos da iniciativa. "Nesta Feira do Livro o Porto dá um exemplo de caráter de quem não se deixa vencer pelo fatalismo ou pelo ditame que vem de um diretório ou de um lobby. Do caráter de quem não aceita o joguete ou a arrogância dos supostos insubstituíveis. Mas fá-lo com tempero. Com nível, pelo trabalho, com trabalho e com resultados", disse. Rui Moreira disse ainda que este gesto simbólico "é a homenagem dos portuenses à palavra de um portuense", considerando que Vasco Graça Moura era "um sereno guerreiro da palavra". "A tília é, por outro lado, uma árvore típica de climas temperados, mas com estações bem demarcadas, como o Porto. Como a alma dos portuenses e a alma de Vasco Graça Moura. Somos senhores de temperados relacionamentos, mas não escondemos caráter quando chega a hora de lutar contra o inverno que nos impõem ou que nos pretendem impor", opinou. Neste momento simbólico durante a Feira do Livro estiveram todos os vereadores eleitos pelo movimento independente de Rui Moreira, o vereador socialista Manuel Pizarro e também o histórico do PSD, Miguel Veiga. Ao presidente da Assembleia Municipal do Porto, Miguel Pereira Leite, coube ler um poema de Vasco Graça Moura, intitulado "Post-Scriptum sobre o 25 de Abril". A Feira do Livro do Porto foi pela primeira vez aberta à participação de livrarias, alfarrabistas, editores e associações e cooperativas do setor, estando inscritas 72 entidades, distribuídas por 107 pavilhões. A feira está aberta de segunda a sexta-feira a partir das 16:00, sendo que ao sábado e ao domingo abrirá as portas às 12:00.

E por esta semana... ficamos por aqui. Até breve! :)
publicado por Musikes às 09:20 link do post
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