Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
11 de Janeiro de 2016

“GOTINHAS… CULTURAIS…”

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

A não perder! Aqui algumas sugestões culturais a lá dar um salto. ;)

Aberto concurso "Artes e Talentos" http://www.porto.pt/noticias/aberto-concurso-artes-e-talentos

“A Fundação da Juventude promove até ao dia 19 de fevereiro a segunda edição do Concurso "Artes e Talentos", uma iniciativa que visa distinguir a apresentação de projetos expositivos para o Palácio das Artes - Fábrica de Talentos, no Porto. As propostas apresentadas podem ser individuais ou coletivas, nas áreas da Pintura, Escultura, Fotografia, Gravura, Instalação, Arquitetura e Design. Aberto a todos os jovens residentes em Portugal, dos 18 aos 35 anos, com apenas um projeto, as candidaturas decorrem até 19 de fevereiro de 2016 e devem ser enviadas por e-mail para palaciodasartes@fjuventude.pt. Os projetos selecionados estarão em exposição entre 2 de abril (Dia Nacional dos Centros Históricos) e 30 de maio, no Palácio das Artes - Fábrica de Talentos, no Largo de S. Domingos, no Porto.”

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Teatro Municipal do Porto

TEATRO SEX 15 JAN ⁄ 21H30 SÁB 16 JAN ⁄ 19H00 CLÁUDIA GAIOLAS, MICHEL BLOIS (BR), PAULA DIOGO E THIARE MAIA (BR) O GRANDE LIVRO DOS PEQUENOS DETALHES PALCO DO GRANDE AUDITÓRIO MO • RIVOLI • 7,50 EUR • M/14

"O Grande Livro dos Pequenos Detalhes" conta duas histórias em paralelo. Na primeira, uma locutora de rádio decide fornecer informações de trânsito erradas, causando o caos na cidade. Na segunda, um departamento secreto cria distrações no mundo, fazendo com que as pessoas olhem para outras coisas que não os seus próprios problemas. + Info

DANÇA SÁB 16 JAN ⁄ 21H30 ANA JEZABEL & ANTÓNIO TORRES OUTRO EM MIM QUE EU IGNORO PALCOS INSTÁVEIS • COMPANHIA INSTÁVEL AUDITÓRIO • CAMPO ALEGRE • 7,50 EUR • M/12

Um debate sobre o próprio corpo, sobre as suas caraterísticas, sobre a personalidade que o veste, aspetos que pretenderia esquecer, ocultar, e que contudo perduram e incontrolavelmente emergem, expondo-se paradoxalmente a uma larga escala, que quem convive com esse corpo deliberadamente conserva. Um breve estudo sobre o Homem e o meio social, numa microescala, sem esquecer parte do que somos. + Info

SAB 23 JAN ⁄ DAS 11H00 ÀS 05H00 84º ANIVERSÁRIO RIVOLI BOUCHRA OUIZGUEN (MA) ⁄ IVANA MÜLLER (HR) ⁄ POESIA À SOLTA ⁄ CÁTIA PINHEIRO & JOSÉ NUNES ⁄ CASA DA ANIMAÇÃO ⁄ HHY & THE MACUMBAS ⁄ 2015 IMAGENS ⁄ FESTA PASSOS MANUEL TEATRO RIVOLI • VÁRIOS ESPAÇOS

Festejar o aniversário do Teatro Rivoli é também prestar homenagem a todos os que acompanharam de perto o ano de 2015, ano de grande atividade artística e de enorme mobilização de públicos. A festa, que começará bem cedo e acabará noite dentro, atravessará as principais áreas de programação do Teatro Municipal do Porto convidando todos a participarem. + Info Foto © Hervé Veronèse - Centre Pompidou

LITERATURA QUI 28 JAN ⁄ 22H00 QUINTAS DE LEITURA SEM ORDEM NEM DESORDEM AUDITÓRIO • CAMPO ALEGRE • 7,50 EUR • M/12

Um verso de Paul Éluard serve de mote a esta sessão, com três projetos distintos: Reportório Osório, stand-up poetry com Isaque Ferreira, Renato Filipe Cardoso e Rui Spranger, onde nada está a salvo da pena atenta e mordaz dos poetas, e uma BALLA (Armando Teixeira) certeira à figura de um GNR do norte (Rui Reininho). + Info

DANÇA SEX 29 A 31 JAN COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO PROGRAMA REPORTÓRIO [Estreia] • SEX 29 ⁄ 21H30 • SÁB 30 ⁄ 19H00 • 7,50 EUR • M⁄12 ⁄ DANÇA E DOCUMENTÁRIO • DOM 31 ⁄ 17H00 • 7,50 EUR • M/12 GRANDE AUDITÓRIO MO • RIVOLI

Após 18 anos, a CNB regressa ao Porto para estrear um novo espetáculo, "Programa Reportório", onde se reúnem alguns dos coreógrafos que mais marcaram a História da Dança: George Balanchine, Anne Teresa De Keersmaeker, William Forsythe e Hans van Manen; a exibição do filme de Cláudia Varejão e a apresentação do solo para o bailarino Miguel Ramalho, criado pelo coreógrafo congolês Faustin Linyekula. + Info / Foto © Rodrigo de Souza

TEATRO MUSICAL SÁB 6 FEV ⁄ 19H00 RICARDO NEVES-NEVES ⁄ TEATRO DO ELÉCTRICO MENOS EMERGÊNCIAS GRANDE AUDITÓRIO MO • RIVOLI • 7,50 EUR • M/16

A partir de três peças do dramaturgo inglês Martin Crimp, “Menos Emergências”, com encenação de Ricardo Neves-Neves, é uma trilogia de espetáculos contada pela voz do que poderá ser uma certa burguesia florida e suburbana europeia. A peça conta com a colaboração do coro de jazz do Conservatório de Música do Porto "JazzSquad". + Info Foto © Alípio Padilha

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ctos Teatro Municipal Rivoli Praça D. João I, 4000-295 Porto +351 22 339 22 00

Teatro Municipal Campo Alegre Rua das Estrelas, 4150-762 Porto + 351 22 606 30 00

geral.tmp@cm-porto.pt

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Bibliotecas Municipais do Porto

Sábados a Contar de Janeiro Ler mais! http%3A%2F%2Fbmp.cm-port…

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O quarteirão das artes abre portas http://www.porto.pt/noticias/o-quarteirao-das-artes-do-porto-volta-a-abrir-portas

“Começa, no próximo dia16 de janeiro, a nova temporada de inaugurações em Bombarda. Este será o primeiro ciclo de 2016 da iniciativa "Inaugurações Simultâneas de Arte Contemporânea no Quarteirão de Miguel Bombarda". Pelas 16 horas, as portas das galerias do já conhecido como "quarteirão das artes do Porto" voltam a abrir-se ao público, em simultâneo, com novas exposições. O primeiro ciclo da iniciativa em 2016 traz também uma novidade. As inaugurações em Bombarda têm agora uma nova imagem. Esta é uma atividade já com uma grande tradição junto do público e uma das correntes artísticas que caracterizam a atividade cultural inovadora, dinamizadora e diferenciadora da cidade. As inaugurações simultâneas em Bombarda são promovidas pela Câmara do Porto, em parceria com a Bombarda Porto Art District, uma associação que conjuga elementos de várias áreas de negócio existentes no quarteirão. O acesso é livre a todos os espaços. Galerias participantes: - Rua de Miguel Bombarda 1 - Galeria São Mamede: trabalhos recentes de Victor Costa ; 2 - Galeria Serpente: "Looking over the landscape" (pintura), de Zaneta Jasaityté; 3 - REM Espaço Arte: "Volupias" (escultura), de Filomena Bilber, e "Transparências" (escultura), de Lena Álvares; 4 - Galeria Por Amor à Arte: exposição coletiva; 5 - Galeria Presença: "Inscape", de Pedro Gomes; 6 - Galeria Quadrado Azul (Espaço 553): Álvaro Lapa; 7 - Galeria Fernando Santos: "Não Aplicável", de Mariana Gomes; 8 - Galeria Múrias Centeno: Rinoceronte - Ananás, de Cidra, Da Luz, Escoval, Manso, Mendes, Romão e Sena; 9 - Galeria Metamorfose: "Civilização-Afecto", de Miguel Neves Oliveira; 10 - Galeria Simbolo: exposição coletiva; 11 - Galeria João Lagoa: artistas da galeria; 12 - Galeria Ap`arte: exposição coletiva; 13 - Galeria Trindade: Teresa Silva (desenho e pintura), na sala 1, e Paulo Capelo Cardoso (desenho e pintura), na sala 2; 14 - O! Galeria: "Peep Show" (ilustração); - Rua Manuel II 15 - Galeria Rui Alberto: "COLETIVA 23"; - Rua do Rosário 16 - Galeria Artes em Partes: anónimo (fotografia) 17 - Galeria Artes Solar de Santo António: "Linha do horizonte", de Carlos dos Reis.”

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No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram.

Esta livraria só tem um título à venda (de cada vez) | P3 http://p3.publico.pt/node/19277

“Japão Esta livraria só tem um título à venda (de cada vez) Na Morioka Shoten, em Tóquio, as estantes só têm um título em exposição. A livraria, que só tem um livro de cada vez, muda a escolha editorial todas as semanas”

Morreu o maestro e compositor Pierre Boulez http://www.dn.pt/artes/interior/morreu-o-maestro-e-compositor-pierre-boulez-4966248.html

“O músico francês Pierre Boulez tinha 90 anos. A notícia foi avançada pelo jornal Le Monde, que se refere a Boulez como um nome incontornável na vanguarda musical da segunda metade do século XX. Pierre Boulez nasceu a 26 de março de 1925, estudou música no Conservatório de Paris, sob direção de Olivier Messiaen e Andrée Vaurabourg e estudou dodecafonismo com René Leibowitz. Em 1948, tornou-se diretor de música da Companhia Renaud-Barrault, no Teatro Marigny, em Paris. No fim da década de 40 e no início da década de 50, compôs várias peças baseadas no novo sistema do dodecafonismo. Foi influenciado fundamentalmente por Stravinsky, Messiaen, Schönberg e Webern, mas foi deste último que adquiriu a ideia de um sistema serial generalizado sobre as alturas, durações, intensidades e timbres. Empenhado em difundir a música contemporânea, Pierre Boulez criou, em 1954, os concertos do Domaine Musical, que dirigiu até 1967, o Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique (1976, IRCAM), com sede no Centro Georges Pompidou, e do qual foi diretor até 1991, e o Ensemble Intercontemporain (1976). Esteve ainda associado a importantes projetos de difusão da música, como a criação da Ópera da Bastilha e da Cité de la Musique, em La Villettte, Paris. Em 1971 foi nomeado maestro titular da Orquestra Sinfónica da BBC e diretor musical da Orquestra Filarmónica de Nova Iorque (1971-1977). Veja Pierre Boulez a dirigir a Orquestra de Paris no Louvre, numa interpretação de O Pássaro de Fogo de Stravinsky.

Ver Pierre Boulez- Emotion & Analysis Ver em www.youtube.com

Música Clássica. Os concertos para ver em 2016 http://observador.pt/2016/01/05/musica-classica-os-concertos-ver-2016/

“Há Bach. Há Satie. Há Verdi. E até há "O Senhor dos Anéis". Nos próximos meses vão ser muitos os espetáculos a não perder em Lisboa e no Porto. Veja quais são os dias que tem de reservar na agenda. O mês de janeiro já está recheado de concertos, em Lisboa e no Porto A pouco e pouco, as orquestras e companhias de dança começam a regressar à normalidade. Passados os habituais concertos de Natal e de Ano Novo, repletos de valsas vienenses e polcas de bater o pé, começam a surgir as primeiras datas de 2016. A agenda de música clássica está bem recheada, e há muito por onde escolher. O Observador reuniu algumas sugestões, em Lisboa e no Porto. E prometemos que nenhuma delas inclui Strauss. (…)

Almada Negreiros, Richard Ford e Michael Connelly entre as novidades do Grupo Porto Editora http://observador.pt/2016/01/08/almada-negreiros-richard-ford-michael-connelly-as-novidades-do-grupo-porto-editora/

“São muitos livros. Dos romances aos contos, da poesia à não-ficção. Veja tudo o que vai poder ler nos próximos meses da Porto Editora, da Assírio & Alvim, da Livros do Brasil e da Sextante Editora. O Grupo Porto Editora, ao qual pertencem editoras como a Assírio & Alvim ou a Livros do Brasil, divulgou esta sexta-feira as novidades para o ano de 2016. Para além da reedição de obras de Sophia de Mello Breyner, José de Almada Negreiros, Eugénio de Andrade e Luis Sepúlveda, na apresentação, que decorreu no Museu Geológico, em Lisboa, o grupo anunciou a publicação de um novo romance de Richard Zimler, com ilustrações de Júlio Pomar, e uma edição das poesias publicadas em vida de Ruy Cinatti, com mais de mil páginas. O novo ano irá trazer ainda duas obras de Rabindranath Tagore, o primeiro Prémio Nobel da Literatura não-europeu, e um livro de Richard Ford, que Manuel Valente, responsável pela área de literatura do grupo, considera ser um dos principais candidatos ao Prémio Nobel. Previsões à parte, uma coisa parece ser certa: há muitas novidades. Eis algumas delas. (…)”

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No “Pergaminho” desta semana…

35 anos de rock sem nunca partir uma guitarra http://observador.pt/especiais/entrevista-rui-veloso-35-anos/

“Se não fosse músico seria arquiteto ou designer. Está a preparar um programa de TV com música ao vivo e passa cada vez mais tempo no Porto - "qualquer dia mudo-me para lá". Rui Veloso, 35 anos depois. 35 anos, é este o tempo que Rui Veloso leva de estrada, foi o tempo que precisou para gravar a dezena de álbuns de estúdio que fizeram uma parte importante da história do rock português. Ainda lhe chamam “o pai do rock”, um título que recusa e que lhe dá vontade de rir, mas é inegável a relevância de algumas das canções que gravou — e que fizeram dele um dos músicos mais conhecidos e acarinhados em Portugal. No passado mês de dezembro saiu mais uma coletânea — O Melhor de Rui Veloso — um disco duplo que começa com “Chico Fininho” e inclui, pela primeira vez desde 2005, dois temas inéditos. A efeméride e o novo best of foram o pretexto para conhecer o Estúdio Vale de Lobos, perto de Belas (concelho de Sintra), a casa da música de Rui Veloso. Foi lá que nos recebeu, bem-disposto e descontraído. Rodeado de guitarras e amplificadores, fotografias com os Rolling Stones e com Eric Clapton e muitos discos, falou sobre a música que ouve e sobre o que pensa da pop, explicou porque é que não vai a festivais e porque é que a rádio matou o rock; e também do programa de televisão que está a preparar para a RTP e da forma injusta como a SPA cobra os direitos de autor. Ainda contou a história de como a gravação multipista do álbum Ar de Rock se perdeu para sempre. Aos 58 anos, Rui Veloso descreve a sua carreira como uma série de coincidências felizes. “Ter vindo para Lisboa, terem descoberto que eu fazia umas músicas em inglês, depois terem chateado o Carlos Tê para as fazer em português, depois eu fiz o ‘Chico Fininho’ e as pessoas gostaram… os anos foram indo, eu era um miúdo com 22 anos, enfim… demorei muito a perceber que se calhar ia fazer disto vida”, algo que aconteceu quando gravou o quarto álbum em 1986. Já passou por muitas peripécias e tem muitas histórias para contar, mas o homem do rock nunca partiu uma guitarra em palco. “Ver o Peter Townshend [dos The Who] a destruir uma Gibson partia-me o coração.” O compositor e guitarrista já não toca todos os dias: “É da idade. A malta mais velha é tudo igual. Acabamos por chegar à conclusão que há 25 anos já tocávamos o mesmo.” Uma graça que não tem reflexo no entusiasmo com que liga pela primeira vez uma das 70 guitarras da sua coleção a um velho amplificador. A conversa que se seguiu a este momento decorreu sem que nunca a tirasse do colo.

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É saudosista? No sentido do “antigamente é que era bom”? Se olharmos para o panorama musical penso que sim, houve uma época de ouro que dificilmente voltará atrás. Uma parte da música, em especial a desta malta mais nova, tornou-se num negócio de uma inocuidade confrangedora. É uma tentativa de faturação ao máximo, é de uma efemeridade chocante. Antes havia mais música feita por músicos. Mas a música feita num computador é menos que a música tocada com instrumentos? É obvio que é. Parte da música no computador já vem feita. Não é a mesma coisa tocar um piano num computador ou num piano acústico. A facilidade de acesso a produtos musicais tirou algum protagonismo à música tocada, à música que dá trabalho. São precisos anos para dominar um instrumento, para conquistar uma voz própria. É o que eu acho que falta à música feita no computador, à música pop, é uma espécie de fórmula repetida até à exaustão que não tem alma. A maioria da pop atual é confrangedora, inócua. Que música é que ouve, então? Oiço muita coisa, desde música coral inglesa e depois sei lá, Weather Report, Pink Floyd, Tom Waits, Little Feat… e muito jazz, Bill Evans é dos meus favoritos. E jazz português, temos coisas fantásticas. Oiço música muito variada. [Luis] Salinas, Pedro Aznar, coisas do tango argentino, [Astor] Piazzolla… E música nova? Há muito pouco “música nova”. São as tais fórmulas, Coldplay, Oasis, U2, não sei se se chama a isso música nova, para mim isso é mais novo. Estou sempre a ouvir estilos diferentes, até na música country. Estou muito no jazz, gosto muito da improvisação e da liberdade do jazz. Há coisas muito fora, a que nunca podemos chamar música antiga porque é música que hoje já nem se faz, era tão nova aquela música que nunca deixou de o ser [dando como exemplo os Weather Report]. rui-veloso07_1280x720_acf_crop… O Estúdio Vale de Lobos tem vários estúdios de gravação equipadas com material moderno, mas ainda mantém algumas relíquias Ainda vai a concertos? Já quase não há concertos, há festivais. Não é a mesma coisa… Não, claro que não. Em Nova Iorque não há festivais, há concertos. Em muitos sítios por essa Europa fora continua a haver concertos, de todos os géneros, mas aqui menos. Mas irrita-se com a forma como a indústria se estruturou para apresentar a música? Não me irrita, simplesmente não frequento. Ali não se apresenta nada. É uma coisa massificada e eu sou individualista, nunca vou por onde os outros vão, nunca alinhei na carneirada. Acho que os festivais são uma espécie de supermercados de música, onde num fim de semana tens 100 bandas, é uma coisa que não faz sentido nenhum. Faz sentido ires ver um concerto de um grupo de quem se gosta, pagar bilhete para ouvir aquele músico, aquela música de que se gosta. Não faz sentido querer ouvir 30 bandas porque ninguém anda a ouvir 30 bandas. Quer dizer, agora com os iPods andam… Ainda por cima, agora estamos na época das canções avulso, do single. O Rui sempre fez discos para se ouvir do princípio ao fim. Como é que encara esta mudança? A Adele acabou de vender milhões de exemplares do novo álbum. Para um objeto que está em extinção… isso prova que eles vendem-se. O problema é a total indefinição das editoras que até agora andaram a apanhar bonés, que se deixaram ultrapassar pela venda digital e pelo streaming e depois perderam o controlo. Eles deviam ter-se reunido antes e pensado: bem, se estão a aparecer novas formas de vender a música, vamos arranjar as nossas, para continuarmos a vender a nossa e os artistas serem compensados na mesma, etc. Perderam o comboio e agora a coisa está complicada, com os Spotify e tal… mas pelos vistos a Adele não autorizou o streaming e as pessoas vão comprar os discos. É uma esperança aberta no nosso horizonte, porque as pessoas como eu andam um pouco à deriva nesse aspeto. Eu já há quase 20 anos dizia: “Nós um dia destes vamos ter de oferecer alguma coisa com os CD”. Uma garrafa de vinho [risos], um bilhete para um concerto, qualquer coisa, isto assim não vai correr bem. Pensava muito na imagem, como os DVD, na importância de incorporar outros elementos no objeto, como as letras das canções, no fundo, melhorar a relação com a obra. Agora oferecem o streaming, é praticamente oferecido. Há muita gente a retirar a música do streaming, especialmente os artistas mais conhecidos. O seu último disco [O Melhor de Rui Veloso] não está disponível nas plataformas de streaming. Porquê? Então se a gente quer vender o CD não vai pô-lo em streaming… eu pelo menos assim pensei, e disse à editora que não queria o disco em streaming até se esgotar o tempo de vida normal [das vendas] do CD. Depois, quando chegarem à conclusão de que esse tempo acabou, ponham lá isso em streaming. Eu sei que não vou receber nada daquilo, nem dá para fazer um jantar com os amigos. Também não sabemos que acordos é que eles têm com as editoras, porque há sempre uns negócios a que os artistas são completamente alheios. No entanto, continua a haver na indústria alguns resistentes, por exemplo as editoras independentes que continuam a batalhar por um lugar e por um artista, para que ele receba pelo seu trabalho. A música é tida no mundo inteiro como a arte que merece não ser paga. Mas a relação causa-efeito é: se os artistas não forem pagos, acabam! Eu vivo dos meus concertos e dos meus discos, mas se não me pagassem os direitos de autor, o letrista viveria de quê? Os intérpretes safam-se nos concertos, mas os autores e compositores, que são muitas vezes uma face escondida mas que são fundamentais para fazer as letras e as músicas, se não forem os direitos de autor, eles vivem de quê? rui-veloso05_1280x720_acf_crop… "Mingos e os Samurais" foi o quarto álbum de Rui Veloso (1990). Foi sete vezes disco de platina, foram vendidos cerca de 200 mil exemplares E então como é que isto se resolve? Pagando, não há outra hipótese. Eu tenho Spotify, utilizo muito pouco mas tenho e pago. Só pode ser assim. Mesmo em relação aos espetáculos ao vivo, sempre disse: as câmaras municipais não deviam dar espetáculos de borla. Aquilo que a SPA [Sociedade Portuguesa de Autores] cobra em direitos de autor por um espetáculo para 90 mil pessoas é o mesmo que para um com mil pessoas. É tudo menos um incentivo para os autores e compositores. É uma injustiça. E depois temos em Portugal este hábito peculiar: “Ah sabe, ainda temos de pagar a este e aquele, não pode fazer um descontozinho nos direitos de autor?” É uma coisa recorrente ao longo dos anos. A SPA tinha o dever de levar isto às instâncias e lutar pelos direitos dos associados. Já luto por isto há muitos anos, já quando estive na direção da SPA pus esse problema em cima da mesa mas pelos vistos ainda está por resolver, o que é uma tristeza. Acha que um Ministério da Cultura pode ser a solução? Pode pelo menos ter uma visão de que a cultura é uma atividade importantíssima para a nossa formação. A cultura tem sido tão desprezada… têm até tido uma perspetiva que me remete para antes do 25 de Abril de 1974, é um bocado aquela cultura para pacóvio ver, a do “Fado, Futebol e Fátima”, nós neste momento não estamos aí mas estamos quase. Fátima tem melhores instalações, o futebol tem melhores estádios e o fado é património imaterial, sendo que continua a ser apresentado fora de Portugal como a canção nacional, o que é para mim muito redutor do que se faz musicalmente no país. O fado é uma canção de Lisboa, temos mais música, basta andarmos um bocadinho para Sul para percebermos que o que aí há não é fado, mas é tão bom como o fado, a meu ver. Basta andarmos por várias zonas do país para percebermos que há coisas muito boas e muito genuínas. Ainda temos uma elite muito envergonhada. Ainda há dias estava a ver no computador o Mick Jagger, o Buddy Guy e o Gary Clark Jr. (e outros) a tocar blues na Casa Branca em frente ao Obama e à mulher, dei por mim a pensar que não me importava de ter uma elite assim mais ligada às coisas terrenas, isto por que os blues são uma música simples, genuína. Agora já começamos a ter pessoas com outra formação, que não têm a mania de que ouvir música clássica é que é ser erudito, ou que ter uma Casa da Música chega para dar música à população do Porto… é apenas um exemplo de um erro de casting, a meu ver. Com o dinheiro com que se fez aquilo podiam-se ter arranjado todos os conservatórios de música do país. É uma vergonha que um Ministério da Cultura que se preze, que um país que se preze, não apresente um Conservatório Nacional que nem um brinco! Temos de ter orgulho no nosso Conservatório, nos nossos professores e nos nossos alunos. Há pouca música na educação? Está cada vez pior, mas não é só aqui. Somos um país pequeno e com gente interessante, mas muito de clubes, de carteirinhas, de grupinhos… foi sempre assim, não há maneira de se dar o que eu pensava ser um passo para cima, olharmos para a nossa cultura e para aquilo que temos, em vez de andarmos mais a dizer mal que a dizer bem, olharmos e termos orgulho nas coisas que fazemos. Há coisas de que eu não gosto mas tenho orgulho naquilo, porque é nosso. Uma pessoa não tem de gostar de tudo, tem é de ter orgulho naquilo que os nossos amigos e os nossos filhos fazem, que consigam ser excelentes nas diferentes áreas. E eu sei que os portugueses podem, é um povo com categoria, com dignidade, bom e criativo, já o vi muitas vezes. Isto aplica-se a todas as áreas. Na música também, temos músicos fabulosos a tocar por aí, estou quase a conseguir ter o meu programa de televisão, para mostrar isso. Então e como é que isso está? Está quase, falta muito pouco! Acho que falta só assinar, para podermos começar a constituir a equipa definitiva, a pesquisa, etc. E que programa é que vai ser? Um programa de música ao vivo, completamente live. Com bom som, bem filmado, para as pessoas que não têm a possibilidade de mostrar na rádio e muito menos na televisão a música que fazem. Artistas conhecidos e desconhecidos? Claro! Sobretudo os desconhecidos! Os conhecidos também os quero lá porque vão chamar a atenção para os menos conhecidos, até para géneros musicais menos conhecidos que eu gostaria de divulgar. Por exemplo? Por exemplo o jazz, a música tradicional, montes de coisas. Há malta nova a fazer misturas de música popular com música moderna, por exemplo. Queria misturar uma série de coisas para poder mostrar, sobretudo à malta mais nova, que infelizmente se desligou da televisão ou só vê as coisas más, pode ser que esta seja uma maneira de estimular a curiosidade. Eu sou muito curioso e espero contribuir para que as pessoas possam descobrir coisas novas, estimular a surpresa. Provavelmente terei que levar lá algumas coisas de que não gosto particularmente, mas tem de ser. E olha que às vezes uma pessoa diz que não gosta e depois vê-os a tocar e fica com uma outra perspetiva e até se apaixona. Já me aconteceu, por exemplo com o Bruce Springsteen. Quando ouvi o Born to Run [1975] pela primeira vez não gostei muito. Mas depois ouvi segunda e terceira e fiquei ali sempre à espera do próximo. O Born To Run foi um caso estranho na minha vida. Eu andava muito mais numa de Jimmy Hendrix do que de Springsteen, mas depois aquilo entranhou-se, não há nada a fazer. Ainda é um disco que eu adoro. rui-veloso01_1280x720_acf_crop… Com 58 anos, já não toca guitarra todos os dias mas mantém a agilidade (e a expressão) E é rock. E o Rui é o “pai do rock português”. Chateia-se com o “título”? [risos] Não me chateia nada, mas não é verdadeira. Quem é, então? O pai do rock são aqueles gajos mais antigos, o Phill Mendrix, o José Cid, o Carlos Mendes e o Zeca do Rock, sei lá. Eu não tenho nada a ver com isso. O problema é que a rádio matou o rock, só passa música pop sem interesse. Agora o rock é uma coisa fraquinha, chamam-lhe música alternativa. Tem coisas giras, mas a maioria tem pouca força. Faltam músicas e músicos a sério! [risos] 35 anos depois, ainda tem músicas na gaveta? Não, tenho pouca coisa. E estamos em Portugal. Tu és mais novo que eu, por isso digo-te, para te localizares: eu gravei o Ar de Rock [1980], que é reconhecido como um disco que abriu uma espécie de cortina que nunca mais se fechou. Porque teve sucesso. Foi gravado e misturado em 70 horas, foi sempre a andar. Foi o primeiro disco a ser gravado em 24 pistas em Portugal, na primeira máquina que foi para a Radio Produções Europa, onde eu gravei, um estúdio ali no Alto de São João [Lisboa]. Cada bobine [de fita] levava umas três músicas, por isso eu tinha quatro bobines de 24 pistas, a 12 contos cada uma. O Zé Fortes, que era um dos sócios do estúdio, fartou-se de dizer ao Chico Vasconcelos, da Valentim de Carvalho, durante meses: “Olha, vocês não querem as fitas? Estou aqui a guardar isto, se vocês não quiserem eu gravo por cima!”. E assim foi, a versão multipista do Ar de Rock foi desgravada. Era assim que funcionava. Percebeste o país que era? Tenho quase todos os outros discos em multipista. Vou querer reeditar o Auto da Pimenta [faz 25 anos em 2016] e com a gravação multipista tenho o som todo debaixo dos dedos, para o poder remisturar. E música nova, está a preparar alguma coisa para 2016? Ainda não sei, depende do programa de televisão. Aquilo vai dar muito trabalho, não sei se vou conseguir fazer alguma coisa de música entretanto. Também vou remodelar o meu restaurante no Porto, transformar aquilo numa coisa mais à minha imagem, pôr lá alguma memorabilia, mudar o ambiente, os menus, enfim, aquilo vai dar trabalho. E tenho de estar mais com os meus pais, que estão lá. Eles gostam muito que eu esteja lá. Quem sabe se eu ainda acabo a ir viver no Porto. rui-veloso08_1280x720_acf_crop… Esta é uma das 70 guitarras da coleção. "Gostava de as ter expostas ali no corredor"

Como ensinam os professores com deficiência? http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=81102

“Tinha 15 anos quando lhe diagnosticaram uma neuropatia periférica desmielinizante, doença crónica degenerativa que lhe afeta a mobilidade. Ana Paula Figueiredo tem 40 anos e há cinco que se desloca com o auxílio de um andarilho. É professora do grupo 520, de Biologia/Geologia, há 14 anos, mas por motivos de saúde tem apenas 11 anos de serviço contados. Em 2005, ficou efetiva na Escola Básica Integrada de Velas, na Ilha de São Jorge, nos Açores, e há quatro anos foi colocada por afetação na Escola Secundária Antero de Quental, na Ilha de São Miguel. Neste ano letivo, tem oito turmas do 7.º e 8.º anos do ensino regular. Dá aulas de Ciências Naturais, Higiene e Segurança no Trabalho, tem turmas de alunos com défice cognitivo ligeiro a profundo. De 2004 a 2008, deu aulas em São Jorge. Foram tempos difíceis. “Como, nessa altura, as limitações motoras ainda eram mais graves, e não me conseguia deslocar sozinha, nem realizar as diferentes atividades diárias sem auxílio, necessitei que os meus pais me acompanhassem, tal só foi possível por também eles serem professores reformados. Esse foi um período muito complicado pois não existia, na ilha, fisioterapia especializada nem um hospital com especialistas ou técnicos especializados”, recorda. Teve, por isso, de se ausentar da ilha várias vezes, obrigada a faltar às aulas, perdeu tempo de serviço.

Há aspetos que, na sua opinião, podiam melhorar. Há cotas para a colocação dos docentes com deficiência, permitindo a afetação após três anos de estarem efetivos numa escola. “No entanto, isso, por vezes, implica a deslocação para locais muito afastados de casa, o que é difícil para os ditos normais, mas ainda é mais complicado para quem tem limitações e necessita de apoio da família, às vezes para as necessidades mais básicas”, refere. Além disso, os professores que necessitam de fisioterapia para sempre, como é o seu caso, “não têm qualquer redução de horário, ou são colocados a grandes distâncias dos centros de fisioterapia”. O que, por vezes, implica faltar às aulas ou à fisioterapia. “Os docentes que não conseguem conciliar os horários sobrecarregados pelas reuniões e pelas horas passadas em casa, pois as escolas não têm os espaços e materiais necessários, a preparar as aulas, com as horas necessárias para as consultas, fisioterapia, etc., têm de desistir da carreira docente e passar à carreira administrativa”, refere.

Ana Paula nasceu para ser professora. Apesar de todos os contratempos, não se imagina a fazer outra coisa. O facto de ser portadora de uma deficiência motora limita a mobilidade, mas não influencia a forma de dar aulas. Como se cansa mais facilmente, passará mais tempo sentada do que os seus colegas. “Não existem cuidados especiais”, diz. E os alunos estão sempre dispostos a ajudar. “Antes de usar o andarilho, que também utilizo para transportar a pasta, eram os alunos que transportavam o material necessário às aulas. Independentemente da faixa etária – e este ano tenho alunos dos 12 aos 18 anos -, todos estão sempre prontos a ajudar, chegando a ‘brigar’ para escrever o sumário, apagar o quadro ou ir buscar alguma coisa necessária à funcionária”, conta. Fica muito contente quando vê a evolução dos seus alunos, entristece-se com o crescente desrespeito pela educação, pelos docentes.

Se fosse ministra da Educação, Ana Paula adaptaria os currículos para as turmas adaptadas, tornaria as aulas e os temas mais práticos e as escolas não teriam obstáculos à circulação, permitindo que todos pudessem realizar as mais diferentes atividades. E não só. “Mostraria mais respeito pelos professores que são agentes de ensino e não meros criadores de documentos, ou seja, acabaria com a burocracia, o que levaria a que existissem mais horas para a elaboração de materiais tão necessários às aulas”. E alterava ainda o tempo para a aposentação, “pois a carreira docente é extremamente desgastante”.

Aprendeu sem cadernos, ensina com estratégias Carla Badalo não vê. Nasceu com um glaucoma congénito. Vê apenas claridade, nada mais. Chegou a andar com uma bengala, agora tem um cão-guia que a acompanha para todo o lado. Mas quando chega a um novo local para dar aulas, o cão-guia tem de perceber por onde pode andar, por onde tem de ir, precisa de instruções. “Não é fácil, não conheço o mundo tal e qual as outras pessoas”, diz. Mas, desde muito cedo, aprendeu que quem tem boca vai a Roma. Assim é. Procurou estratégias para contornar dificuldades. Estudou Línguas e Literaturas Modernas, Português e Francês, sem cadernos ou livros, sem ver como se escreviam as palavras. Como professora, encontrou métodos para ensinar. Em certas aulas pedia a máxima atenção aos alunos para detetarem erros que os colegas escrevessem no quadro. Quem descobrisse erros, se os houvesse, “ganhava” bolinhas, prémios pela atenção.

Carla Badalo é professora desde 2001. No primeiro ano de estágio, deu aulas de Português e Francês. Em 2011, especializou-se em Educação Especial, na componente de deficiência visual, e em 2014 tirou uma nova especialização em Desenvolvimento Cognitivo e Motor. Carla Badalo é de Sintra e dá aulas a centenas de quilómetros de casa, em Viana do Castelo, no Agrupamento de Escolas de Abelheira. Quando começou a ensinar, não tinha materiais adaptados. A situação foi melhorando. Agora tem computador com Braille e com leitura de ecrã. Antes passava a matéria em acetatos ou em fotocópias. Neste momento, está na Educação Especial, coadjuva professores de várias disciplinas na parte da deficiência visual. A Educação Especial é a sua praia.

Os alunos que têm deficiência visual precisam de acompanhamento. Precisam de ajuda em várias atividades do dia a dia. Há coisas muito importantes a ensinar, como contar dinheiro, orientação e mobilidade, treinar a visão. Carla Badalo aprendeu a adaptar-se a qualquer circunstância. O cão-guia são os seus olhos, mas ele precisa de orientações. “Não faz o trabalho por mim”. Mas quem aprendeu sem livros, sabia que era possível ensinar sem ver. E como fazia para corrigir os testes? Depois de algumas experiências, optou por pedir ou pagar, dependia da disponibilidade das colegas, para a correção das provas dos seus alunos. Um processo que fazia questão de acompanhar passo a passo, cada resposta dada. Um aluno não podia perguntar-lhe o que era aquele ponto de interrogação no teste ou por que razão aquela resposta estava mal e a professora não saber responder. “É preciso ter confiança no que se diz e no que se faz”. Se tiver de pagar essa correção, o dinheiro sai-lhe do bolso, não há qualquer comparticipação.

Carla Badalo pede atenção aos colegas que trabalham com alunos com deficiência visual. Precisam de ter alguns cuidados. “Digam como se escreve, as vírgulas, as mudanças de linha, parágrafos, onde ficam os acentos nas palavras, os pontos finais, as maiúsculas”. Não se arrepende da profissão que escolheu. Mas não fica contente quando vê que as cotas para a colocação dos docentes com deficiência não são respeitadas à letra. “Nem sempre há vagas e a tutela não tem isso em conta”. O que está escrito nem sempre é aplicado na prática.

Dar aulas sem ouvir Lurdes Gonçalves é professora há 18 anos, mas tem apenas 12 anos de serviço contados. Neste momento, dá aulas de Língua Gestual Portuguesa a uma turma da EB1 S. Bartolomeu, em Coimbra. É surda e garante que não ouvir não condiciona o seu trabalho na profissão que tem. “As minhas aulas baseiam-se em jogos, vocabulários, tiro ‘fotos’ com os gestos ligados aos temas.” Visitas a museus são uma forma simples e eficaz de chegar às crianças. “A minha forma de ensinar adapta-se ao tipo de criança e necessidade que cada criança tem. Logo, a habituação torna-se fácil”, refere.

“Uma das minhas maiores alegrias é ver a evolução dos alunos ao longo do tempo, após muito esforço e dedicação”, afirma. Com os colegas não há complicações. Reconhece que a tutela tem lidado bem com os casos dos professores com algum tipo de deficiência até porque, no seu caso, não são necessários muitos cuidados. Mas se mandasse, haveria uma nova regra. “Se fosse ministra da Educação faria com que todos os professores soubessem ou aprendessem a Língua Gestual Portuguesa para que houvesse uma melhor comunicação com os alunos surdos”.

O assunto foi colocado na agenda pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF) e pela Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes que, em novembro, organizaram um encontro subordinado ao tema “A deficiência e o (no) exercício da profissão docente”, que teve lugar na Secundária D. Pedro V, em Sete Rios, Lisboa. No final, destacou-se a importância de refletir sobre as soluções para melhorar e dignificar as condições de trabalho desses profissionais. Até porque, lembrou-se, da parte da Direção Geral da Administração Escolar não há resposta aos pedidos de informação sobre a realidade dos docentes com deficiência.

No site da FENPROF conta-se o que aconteceu nesse encontro. Quanto custa a um docente cego corrigir os testes dos seus alunos? Como pode um docente surdo exercer a sua atividade profissional sem ter consigo um intérprete de língua gestual? Em que condições trabalha um educador ou professor com mobilidade reduzida numa escola cheia de obstáculos arquitetónicos ou sem as necessárias adaptações de acessibilidade? Como ultrapassar dificuldades no acesso a equipamentos e materiais de apoio? Estas foram algumas das questões levantadas.

“O professor cego tem que conhecer bem a sala e a instituição em que trabalha, tem que saber usar os equipamentos, tem que deslocar-se com segurança em todos os locais do seu espaço profissional. Autonomia, independência e segurança são fundamentais”, sublinhou Deodato Guerreiro, catedrático, especialista na área das ciências da comunicação, presente no encontro. Por outro lado, Paula Campos Pinto e Patrícia Neca, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, anunciaram que estão a preparar uma candidatura para apoio a um projeto de investigação, mais concretamente um estudo sobre a educação inclusiva que integrará a recolha de informação sobre a perspetiva dos professores com deficiência.

“Os professores de Educação Especial não têm que substituir colegas. Nas deslocações entre escolas do agrupamento, o professor não tem que pagar do seu bolso a deslocação nem é obrigado a ter carta de condução”, referiu Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, no final do encontro. “Não se deve confundir direitos legalmente estabelecidos com favores”, disse, acrescentando que, nas escolas, o que está na lei tem de ser garantido pelas direções.”

Por aqui me fico… e claro, com o desejo de um fantástico ano de 2016!  Até ao próximo click! :)
publicado por Musikes às 11:20 link do post
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