Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
28 de Setembro de 2015

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram. De volta à cultura e suas notícias! 

A não perder! Aqui algumas das sugestões culturais a lá ir.

Não deixem escapar, hem!! ;) No próximo dia 1 de Outubro, e uma vez mais, se assinala “O Dia Mundial da Música”, um dia tão especial e de vir a recordar. Eis alguns eventos a não perder de todo! 

Casa da Música www.casadamusica.pt

Bandamóvel

Concertos para Todos | Dia Mundial da Música [01/10/2015 - quinta-feira | 10:00 | Cidade do Porto] ( Público Geral ) Casa da Música e Radar 360° Associação Cultural co‑produção António Oliveira direcção artística Paulo Neto direcção musical Julieta Rodrigues encenação e dramaturgia António Oliveira, Carlos Adolfo, Gil Abrantes, Julieta Rodrigues e Paulo Neto interpretação Pare, escute e olhe, que vai gostar. Uma banda num automóvel faz um espectáculo em trânsito. Estacionando nesta rua, naquela praça, músicos e actores surpreendem o Porto com um programa inspirado no cinema cómico dos anos 30/40. Dois anos após a estreia, a Bandamóvel, criada em parceria com a Radar 360°, volta a dar gás ao humor e luz verde à música.

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Orquestra de 100 Flautas, 100 Saxofones e 100 Clarinetes (1€)

Dia Mundial da Música | Concertos para Todos - [01/10/2015 - quinta-feira | 21:00 | Sala Suggia] Pedro Neves direcção musical Programa: Óscar Rodrigues Prelúdio à Reminiscência da Memória (sobre o Prelúdio BWV 846 de J. S. Bach), para 100 flautas e 100 clarinetes Álvaro Escalona Seguiriya (a partir de “Contrapunctus I” da Arte da Fuga), para 100 flautas, 100 clarinetes e 100 saxofones Bernardo Lima Toccata em Fuga Panorâmica (sobre a Toccata e Fuga em Ré menor), para 50 flautas, 100 clarinetes e 50 saxofones Jorge Portela Permutações (a partir do Coral da Cantata BWV 147), para orquestra de flautas, clarinetes e saxofones Luís Neto Costa Alusão (sobre o Minueto e a Badinerie da Suite BWV 1067), para 50 clarinetes, 50 saxofones e flauta solista Daniel Moreira Choral-Phantasie (a partir da Cantata BWV 140), para 100 flautas, 100 clarinetes e 100 saxofones Uma formação inédita de 100 flautas, 100 saxofones e 100 clarinetes para celebrar o Dia Mundial da Música, num concerto com obras escritas por alunos do Curso de Composição da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e do qual resulta a atribuição do Prémio de Composição Casa da Música/ESMAE. Num concerto irremediavelmente festivo, pela junção em palco de 300 jovens músicos, merece destaque a estreia de uma nova encomenda ao compositor Daniel Moreira para esta rara formação.”

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Noites Ritual: conhece o programa completo da 24ª edição - Noite e Música Magazine

Noite e Música Magazine Iniciativa da Câmara Municipal do Porto, através da Porto Lazer. O Festival apresenta dois palcos de música, um dedicado a projetos emergentes e outro com artistas nacionais consagrados, um mercado de comércio justo onde artesãos e criadores vão ... Noites Ritual voltam “à sua génese” com entrada livrePorto24

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Outono em Jazz | 04 a 21 de Outubro na Casa da Música

“A terceira edição do festival Outono em Jazz é marcada peloENCONTRO de diversas abordagens a este género, podendo o público ouvir nomes já consagrados e conhecer novos valores do jazz contemporâneo. Cinco concertos ao longo do mês com dez propostas diferentes que procuram revelar a melhor música que se faz sob a designação abrangente de um género marcado pelo culto da inovação. Dos EUA chega-nos um vulto do jazz que dispensa apresentações: Carla Bley, acompanhada por Andy Sheppard e Steve Swallow. Numa noite dedicada à soul e ao funk, a banda britânica Incognito expõe em palco a receita do seu sucesso duradouro, enquanto Myles Sanko apresenta a sua nova abordagem ao soul, que tem conquistado público e crítica. (…)”

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Kari Ikonen Trio e Rodrigo Amado Motion Trio (11€)

Outono em Jazz - [04/10/2015 - domingo | 21:00 | Sala 2] - Jazz Kari Ikonen Trio Kari Ikonen piano Ara Yaralyan contrabaixo Markku Ounaskari bateria Vencedor do Prémio Yrjö 2013 como Músico de Jazz Finlandês do Ano, o pianista e compositor Kari Ikonen é conhecido especialmente pelo seu trio e pelo sexteto Karikko, mas também pelas partituras que escreve para vários projectos, entre os quais a conceituada UMO Jazz Orchestra. Com o contrabaixista virtuoso arménio Ara Yaralyan e o baterista Markku Ounaskari, um artista ECM também galardoado com o Prémio Yrjö em 2014, o trio estreou-se em 2013 com o álbum Bright, merecendo a aclamação da crítica com presença em várias listas de discos do ano. Mais recentemente saiu Beauteous Tales and Offbeat Stories, onde se reafirma a qualidade brilhante deste trio que “desafia a gravidade musicalmente e de múltiplas formas” (John Ephland, All About Jazz). RODRIGO AMADO MOTION TRIO Rodrigo Amado saxofone Miguel Mira violoncelo Gabriel Ferrandini bateria O Motion Trio do saxofonista Rodrigo Amado tornou-se, nos últimos anos, um projecto central no universo da música vanguardista portuguesa. Sobre uma secção rítmica de grande nível composta pelo violoncelista Miguel Mira e o baterista Gabriel Ferrandini, sobressaem os saxofones tenor e alto de Amado, com o timbre magnífico e a clareza melódica que o distinguem. O seu fraseado inspirado e singular tornou-o uma das figuras-chave no panorama da música improvisada europeia, tocando com ícones como Joe McPhee, Kent Kessler, Chris Corsano ou Taylor Ho Bynum. O Motion Trio conta tradicionalmente com convidados especiais, tendo já colaborado com Steve Swell, Paul Dunmall, Jeb Bishop e Peter Evans –com quem gravou dois álbuns em 2014 para a NoBusiness Records.

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Banda Sinfónica Portuguesa (8€) [04/10/2015 - domingo | 12:00 | Sala Suggia] - Clássica

A abertura de Mendelssohn foi escrita quando o compositor tinha apenas 15 anos, num período em que os agrupamentos de Harmonie já começavam a perder popularidade enquanto veículos da música de corte. Mas até hoje mantém-se no repertório das bandas de sopros, em sucessivas adaptações aos formatos mais modernos destas. Na 1ª Sinfonia de Mahler ouvem-se sons de pássaros, marchas fúnebres, canções infantis e toda a memória do sinfonismo europeu, de Haydn e Beethoven a Bruckner. Este poema sinfónico em forma de sinfonia retira o seu nome do romance Titã, do escritor alemão Jean Paul. O programa inclui também o mais famoso excerto da ópera Salomé, de Strauss, quando a protagonista dança para Herodes esperando como recompensa a cabeça de João Baptista numa bandeja.

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Opostos Bem-dispostos (10€)

Primeiros Concertos [11/10/2015 - domingo | 10:00 | Sala 2] ( Famílias (crianças dos 3 aos 10 anos), Crianças ) Ace Teatro do Bolhão/Casa da Música/Maria Matos Teatro Municipal/Centro Cultural Vila Flor co‑produção Eugénio Roda texto Joana Providência encenação Anabela Sousa e Paulo Mota interpretação Sofia Nereida, Tiago Carvalho e Tiago Oliveira música original e interpretação Se o mundo que é mundo tem dia e noite, devemos nós ser iguais por dentro e por fora? Pois… os opostos unem um casal bem-disposto, ele e ela tão diferentes, num teatro musical que com humor e poesia serve princípios valiosos, como a tolerância e o respeito pela diversidade.

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Jornadas Europeias do Património - Património Industrial e Técnico | 25 a 30 de setembro

Ler em… http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fmailing.cm-porto.pt%2Ffiles%2Fcultura%2F24092015_jornadas_europeias.jpg&sa=D&sntz=1&usg=AFQjCNG2Da9ACSdDO15GR8H08Sme7Ku4qg

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Ora, vamos lá às notícias!  De sorriso aberto, bora lá a folhear o “Gotinhas Culturais” desta semana. 

O Vale era Verde?

“Contratos precários, sobrecargas de horário, métricas e tarefas administrativas que tornam irónica a expressão “estudasses…”. Por vezes, há quem pareça ainda evocar certas recordações de infância, com as televisões cheias de agricultores de sucesso, tratores ao infinito, indústria, sorrisos... No fundo, evocações que recordam um país a tornar-se europeu, com uma comunidade que parecia satisfeita consigo própria. Lembram-se? Avancemos em prolepse sobre essa evocação de um Portugal dos 80, para a capital da Letónia, Riga em 2008. As mesmas caras, com agricultores, empresários, cientistas… mas, a inocência ficou para trás e algum sentido crítico ajuda a despertar o esclarecimento. Cartazes similares num país distante, uma realidade próxima ao último sucesso deHOLLYWOOD (curiosamente, num dos cartazes, um empresário abre a camisa para tornar-se o super-homem). Afinal, “de que nos lembramos, quando nos lembramos de nós?” recuperando aqui a pergunta do fotógrafo DuarteAMARAL Netto. Avancemos por isso em jumcut, agora paraOLHAR para outra face: doutorados, geração mais qualificada e pessoas que deram anos e anos da sua vida ao ensino superior e ciência. Acreditaram e trabalharam dando o seu melhor, em nome do mesmo país. Mas as caras são outras e nelas lê-se um misto de revolta e indignação, a obrigação de contenção perante um sistema gerido sem racionalidade. Há medo, sedimentado num velho jogo: estes são os rostos de um país amputado. Em 2015, em pleno Verão, houve um debate nas páginas deste jornal sobre o politécnico e a universidade. Curioso sintoma e interessante o debate, mas sejamos claros: hoje, a universidade é o politécnico. É um interessante caso da negação da negação. O politécnico, que começou por ser a não-universidade, reuniu uma série de atributos que o obrigaram a constituir-se nesse reverso. Não deixa de ser irónico, que na opinião pública, o politécnico se tenha constituído como o lugar dos que não têm lugar na universidade. Esse lugar de exclusão, de suposta praticabilidade, aplicação, saber técnico, surge agora como resposta ao impasse da universidade. Estabelecido o marco desse bloqueio, a universidade torna-se politécnico. Para quem ainda não acredita, basta observar a dominância do discurso da ligação ao meio, a produção de resultados, a aplicabilidade da investigação, da necessidade dePRODUZIR resultados (imediatos). Quando os cursos de curta duração do politécnico ainda estiverem para conseguir apanhar a realidade, tentando com que escolas industriais do século XIX possam fazer sentido no século XXI, o que fizemos pelo país, pela destruição do que investimos na qualificação, estará tão irremediavelmente perdido, que então alguns irãoTENTAR recuperá-lo, como um cão que procura sempre a sua cauda. (…)”

Ler mais http://www.publico.pt/portugal/noticia/o-vale-era-verde-1708898

Biblioteca Nacional de Portugal lança edições em ebook | Ler ebooks

“A Biblioteca Nacional de Portugal acaba de disponibilizar as suas edições em formato ebook, através de uma plataforma online que permite a compra ou o aluguer dos ebooks Os ebooks podem ser lidos numa grande variedade de equipamentos, tanto nos equipamentos dedicados (e-readers) como em equipamentos não dedicados, como o computador, iPad, iPhone e equipamentos com o sistema operativo Android. Como seria de esperar, os ebooks estão protegidos por DRM que restrigem a sua utilização. De acordo com a nformação publicada na plataforma, as restrições são as seguintes: (1) número de impressões que podem ser feitas (percentagem sobre o número total de páginas) do ebook (2) as impressões das páginas é feita com um intervalo de tempo especifico entre cada página a imprimir (3) a função copiar/copy conta como uma impressão (4) os livros adquiridos podem ser adquiridos com 3 tipos de licença (4.1) licença com acesso perpétuo (4.2) acesso limitado (normalmente 60 dias) (4.3) acesso empréstimo bibliotecário – normalmente 15 dias e só disponível via sites de bibliotecas aderentes. Os preços são contudo bastante em conta. A Tabela de Autoridade da CDU, por exemplo, custa 7,5 euros, menos de um terço do preço da sua versão em papel, e certamente muito mais fácil de consultar.”

Ler em… https://lerebooks.wordpress.com/2012/01/25/biblioteca-nacional-de-portugal-lanca-edicoes-em-ebook/

No “Pergaminho” desta semana…

Diz-me o que pensas e eu digo-te o que ouves? A ciência diz que sim!

“Um grupo de investigadores da Universidade de Cambridge concluiu que a maneira dePENSAR de uma pessoa influencia o respetivo gosto musical. Porque é que gostamos de determinadas sonoridades, enquanto outras nos causam sentimentos de repulsa? A ciência já tinha encontrado uma forte relação entre a preferência musical e a personalidade. Mas e se a forma dePENSAR contribuir para o nosso gosto musical? Há um estudo que diz que sim. David Greenberg e os seusCOLEGAS da Universidade de Cambridge provaram que é possível deduzir a preferência musical de alguém através do seu estilo de pensamento. Trata-se de um parâmetro psicológico que, segundo a teoria da empatia-sistematização de Simon Baron-Cohen, divide a cognição humana em duas grandes categorias: os que criam empatia, que têm um estilo de pensamento que se foca no estado mental e emocional dos outros, e os são sistemáticos, que analisam e respondem através de regras exteriores que governam vários sistemas, sejam eles políticos, abstratos, naturais ou musicais. O estudo submeteu 4000 participantes, escolhidos nas redes sociais por psicólogas e sociólogas, a questionários que analisaram o seu estilo cognitivo. Os mesmo voluntários escutaram 50 peças musicais, de 26 géneros e subgéneros diferentes, todos na mesma quantidade, e escreveram notas da audição. Os resultados são claros: aqueles que mostraram no questionário ter um pensamento Tipo E (empatia) preferiram canções mais melosas, dentro do soul e soft rock, em contraste com os de Tipo S (sistematização) que preferiram músicas mais agressivas e complexas, dentro do género do heavy metal e hard rock. Mas a questão não se limita a géneros mas sim a características. Os de Tipo E mostraram uma tendência para gostarem mais de atributos gentis, acolhedores e sensuais, com atmosferas tristes, melancólicas e com alguma profundidade emocional. Os de tipo S escolheram sensações de excitação, rapidez, tensão, com atmosferas animadas e profundidade cerebral, ou seja, complexa. Ou seja, segundo o estudo, um apreciador de música clássica de Tipo E preferiu Mozart, com grande intensidade emocional, enquanto o de Tipo S preferiu o complexo pianista húngaro Bartok. O que é que faz uma grande canção? Greenberg, que além de líder desta investigação e psicólogo doutorado é também um saxofonista apaixonado por jazz, explicou que uma canção que agrade a ‘gregos e troianos’ seria aquela que fundisse profundidade cerebral e emocional. Uma delas é “Giant Steps”, de John Coltrane. “A estrutura harmónica da canção cumpre sem dúvida dessas caraterísticas. Apesar da canção de Coltrane ser complexa, também possui uma grande profundidade emocional”, explicou Greenberg ao jornal espanhol El País. Mas, para Greenberg, uma coisa é certa:”É possível olhar para os likes de Facebook de uma pessoa, ou para uma lista de reprodução de iTunes, e compreender o seu estilo cognitivo”. O psicólogo britânico assegura que esta investigação vai para além da música. Greenberg assegura que o estudo abre portas para uma futura analise do autismo através da preferência musical, agora que se encontrou uma relação entre o funcionamento neurobiológico e o gosto musical. Proponha uma correção, sugira uma pista:”

Ler em… http://observador.pt/2015/07/27/diz-me-pensas-digo-te-ouves-ciencia-diz-sim/

Não era só música para adolescentes, era o som do mundo a mudar

“Na França dos anos 1960, a música yé-yé foi símbolo de mudança. Apresentou uma geração que não queria ser,PENSAR ou vestir como os pais. Yé-Yé Girls, de Jean-Emmanuel Deluxe, conta a história. No feminino. Descobrimos Lio, descendente do yé-yé nos anos 1980, estrela pop francófona nascida em Mangualde. missao utm_source=publico&utm_… Éum livro sobre o yé-yé, música que identificamos com França, com a década de 1960, com o Tous les garçons et les filles de Françoise Hardy ou com o Laisse tomber les filles de France Gall. É um livro, de edição americana (Feral House), intitulado Yé-Yé Girls of ‘60s French Pop, em que o jornalista francês Jean-Emmanuel Deluxe apresenta de forma informada e com entusiasmo todas as suas figuras, enquanto nos introduz habilmente, em texto e imagem, a todo o contexto (social, cultural, mediático). O yé-yé, manifestação francesa inspirada nos novos ventos, eléctricos e libertários, soprados dos Estados Unidos (Elvis Presley!, o rock’n’roll!), e de Inglaterra (os Beatles!, os Rolling Stones!), não demorou aSALTAR fronteiras: Françoise Hardy tornou-se uma estrela global admirada e desejada por Bob Dylan, David Bowie ou Brian Jones; Sylvie Vartan seguida e vista em concerto no Portugal da década de 1960. A genial e colorida ingenuidade daquela música e das suas cantoras, de resto, não deixou de seMOSTRAR inspiradora, ressurgindo ao longo dos tempos. Vemo-la em alguém como a americana April March, que moldou toda a sua carreira, iniciada nos anos 1990, nas cantoras yé-yé francesas. Ouvimo-la em À Prova de Morte, de Quentin Tarantino, cuja banda sonora incluía em destaque Chick habit, versão que April March faz para Laisse tomber les filles, canção composta por Serge Gainsbourg e interpretada por France Gall. E deparámo-nos com ela mais recentemente em Mad Men, num episódio em que Megan, mulher do protagonista Don Draper, canta Zou bisou bisou, editada em 1960 por Gillian Hills, na festa de aniversário do marido. Não será por acaso, portanto, que, apesar de o título do livro nos remeter para a década de 1960, Jean-Emmanuel Deluxe tenha decidido ir mais além. Nas suas páginas encontramos músicos que são descendentes ou que foram inspirados pela geração yé-yé. Nomes como Les Calamités, Mikado, a supracitada April March ouBERTRAND Burgalat. E Lio, a cantora que no final dos anos 1970, vinda da Bélgica, tomaria de assalto os tops e a consciência pop francófona. Ouvimo-la e vemo-la, no YouTube, em Le banana split (1979) ou Les amoureux solitaires (1980). São duas canções cujaBASE synth-pop, bem adequada ao seu tempo, estabelece ligação directa com a simplicidade cativante do yé-yé original. Lio tinha 17 anos quando as cantou. Diziam-lhe muito as cantoras do yé-yé (e notava-se). Foi, de resto, uma das suas descendentes mais célebres. Depois cresceu, libertou-se da prisão que pode ser uma imagem pop de sucesso, mudou a sua música e tornou-se actriz filmada por Claude Lelouch, Chantal Akerman, Catherine Breillat e muitos mais. É, ainda hoje, quando prepara um álbum de versões de Dorival Caymmi e vai pensando noutro, mais à frente, de homenagem a George Brassens, uma celebridade. Falámos com Lio e ela manifestou-nos um desejo. Outro disco: “Não tenho voz nenhuma para fado, mas vou tentar encontrar a minha maneira de o cantar. Há um guitarrista que adoro, o [António] Chainho. A guitarra dele é como uma mulher, é incrível. Há mais de dez anos que penso em fazer qualquer coisa com ele”, confessa. Lio é o seu nome artístico (retirou-o de uma das personagens da banda desenhada Barbarella, do francês Jean-Claude Forest). Na certidão de nascimento, lemos Wanda Maria Ribeiro Furtado Tavares de Vasconcelos. Nasceu em Portugal e chegou aos seis anos a Bruxelas. Quando contactámos Jean-Emmanuel Deluxe para que nos falasse de Yé-Yé Girls, o jornalista, cortês, lamentou não falar português, apesar de ter avós portugueses e mãe portuguesa, mas já nascida em França. Sugeriu que também contactássemos Lio. “Ela fala português muito bem.” Fomos descobri-la enquanto viajámos pelo universo do yé-yé. Mulher de convicções fortes, sem papas na língua. Cantora e actriz. Estrela pop juvenil que soube despir essa pele e atravessar os tempos com graciosidade. Apresenta-se: “Sou alérgica à autoridade. Para baixar a cabeça, é preciso que não me peçam para o fazer, baixo a cabeça por mim própria. Mas aceito muito bem a mestria. Quando uma pessoa tem o poder dessa sabedoria, é-me muito natural segui-la. Nesse caso, sou a pessoa mais dócil.” Aumentar Lio em Roland Garros, em 2010 STEPHANE CARDINALE/PEOPLE AVENUE/CORBIS Wanda Tavares de Vasconcelos nasceu em Mangualde. Avô médico, comunista. Mãe estudante de Filosofia e Letras em Coimbra. Pai estudante de Medicina. A mãe acabaria por separar-se do pai, sem divórcio oficializado — estávamos no Portugal do Estado Novo e o divórcio, ainda para mais quando requerido pelo cônjuge feminino do casal, era processo difícil, tortuoso. Entretanto, a mãe juntara-se ao homem com quem Wanda viria a crescer. Quando chegou a convocatória para integrar os combatentes portugueses em Angola, a família tomou a decisão. “O meu irmão ficou com os meus avós e a minha mãe fugiu comigo debaixo dos braços. Saímos de Portugal quando a minha mãe estava grávida da minha irmã Helena” — Helena que, assinando Helena Noguerra, se tornaria também ela actriz e cantora na Bélgica (iniciou carreira discográfica em 1988, andou em digressão com os Nouvelle Vague em 2010, o seu último álbum, Année Zero, chegou o ano passado, e o penúltimo, Fraise Vanille, de 2007, é uma pequena preciosidade onde a folk se cruza com a chanson). Adolescente, Lio ia algumas tardes ajudar a mãe, que trabalhava numa Mediateca, “oficina cultural do Estado belga”, para juntar alguns trocos à mesada. Foi ali que um amigo dos pais, o músico e compositor Jacques Duvall, reparou nela. “Achava que eu tinha graça e que podia cantar.” Com o compositor Jay Alanski, acabariam por gravar Le banana split, mas o single foi recusado por todas as grandes editoras belgas. Estávamos em 1979, o ano em que, para Lio, tudo mudou. Isto porque uma pequena editora decidiu apostar na canção em que uma voz coquette fala de gelados e abomináveis homens (e mulheres) das neves. Le banana split atingiu o topo das tabelas e vendeu dois milhões de cópias. A adolescente Lio transformava-se numa estrela pop, identidade firmada na ambiguidade entre inocência juvenil e sensualidade adulta. A dimensão do que lhe sucedia era difícil de digerir. “Lembro-me de me sentir mais emocionada quando me disseram que tinha vendido dois mil discos, porque pensei em todos os meus colegas de liceu com o disco debaixo do braço. Quando me disseram que estava a vender 50 mil por dia, isso já me ultrapassava. Não concebia o que significava.” Seguiram-se tempos “caóticos”. “Os meus pais eram intelectuais de esquerda e não gostavam daquele número da celebridade e das canções do hit parade. Não tinha álibi cultural, era simplesmente mercantil, julgavam eles.” Lio foi então, como diz, “aprender a vida”. Saiu de casa, continuou a gravar. Outro número 1 em 1980 (Amoureux solitaires). Uma colaboração com o duo americano Sparks em 1982 (Suite Sixtine). O início de uma relação com a ZE Records, editora de relevo no fixar da emergente música nova-iorquina do início da década de 1980. A presença de John Cale, o ex-Velvet Underground, na co-produção de Pop Model, álbum de 1986. Entretanto, já passara para o cinema — outro ponto de contacto com as cantoras do yé-yé, que muitas vezes saltavam entre o estúdio de gravação e os estúdios de rodagem cinematográficos. O público francês viu-a, por exemplo, em Golden Eighties, de Chantal Akerman (1986), ou Itinéraire d’un enfant gâté, de Claude Lelouch (1988). “Foram encontros muito interessantes, mas guardo do filme com a Chantal Akerman uma memória especial, por ser o primeiro e ser tudo novo para mim. Além disso, os meus pais adoravam-na e deu-lhes prazer ver-me num filme intelectual”, conta.

Os meus pais eram intelectuais de esquerda e não gostavam daquele número da celebridade e das canções do hit parade. Não tinha álibi cultural, era simplesmente mercantil, julgavam eles Lio Pouco a pouco, foi-se libertando da imagem de Lolita que se lhe tinha colado com a entrada fulgurante no universo da pop. Foi gravando mais discos, colaborando com Étienne Daho ou Jacques Dutronc e cantando, por exemplo, o poeta Jacques Prévert. Foi sendo actriz em mais filmes no cinema e na televisão, arriscou uma passagem pelo mundo da moda enquanto designer. Não vê, de resto, nenhuma das actividades como diferentes entre si. “Sinto-me mulher em qualquer uma. A forma de expressão artística não é o principal.” Define-se: “Sou alguém que conta histórias. Se tivesse jeito para matemática, inventaria teoremas, que seriam a minha forma de comunicar com o mundo. Na verdade, defino-me fundamentalmente por ser mulher e mãe.” Lio tem seis filhos e “nada chega ao calcanhar dessa obra”: “Sendo que procriar é criar, acho que o arquitecto do universo deve ser uma mulher”, diz, entre risos e muito séria, com uma energia contagiante, amante de uma boa conversa. Mulher que não aprecia a expressão feminismo (“de ismos não gosto muito”) — prefere “feminologia”. Cantora a quem a actual cultura mediática diz muito pouco. Em 2008, foi júri do concurso televisivo francês Nouvelle Star. Em 2011, repetiu o papel, desta vez no The Voice Belgique. Não o fará mais. “Já não conseguia mais. Não quero tornar a pôr os pés lá dentro. Cheguei a um ponto em que perguntei a mim mesma: ‘Ficarias feliz se a tua filha se inscrevesse?’ A resposta surgiu em letras de fogo: ‘Não.’ Aliás, faria tudo para a minha filha não ir para lá. Porque aquilo mata, as pessoas morrem naqueles concursos.” Lio gosta de música com graça, mas a fábrica de celebridades actual, para ela, não tem piada nenhuma. Quando iniciou a sua carreira, compreendia perfeitamente o discurso “no future” dos Sex Pistols e achava-o necessário. Mas sentia-se inspirada pelos Blondie, “que iam buscar aquele lado girly dos anos 1950”. E adorava o Lust for life, de Iggy Pop, “porque era uma provocação, um sorriso. E sorrir é uma das coisas mais poderosas que podemos fazer no mundo. Sempre gostei de coisas ligeiras, generosas e risonhas. Começando a cantar aos 14 anos, o que fui procurar? Sylvie Vartan, Françoise Hardy”. Obviamente. 22 de Junho de 1963. Algo estava a acontecer na Place de la Nation, em Paris. Centenas de milhares enchiam a praça; 150 mil, dizem os relatos; 150 mil adolescentes, contextualizemos. A festa fora organizada pela Salut Les Copains, programa de rádio transformado em revista em cujas páginas se revelava uma nova França. Todos estavam ali para ouvir as canções das Les Gam's, o rock dos Les Chats Sauvages ou o casal ícone da nova música francesa, formado pelo rocker Johnny Hallyday e pela yé-yé Sylvie Vartan. O que aconteceu de seguida? Os teddy boys apareceram com casacos de cabedal e com a sua energia de “rebeldes” sem causa alimentada por filmes de James Dean e em ruidosas guitarras eléctricas e a festa rebentou em caos. Cadeiras e vitrines partidas, a polícia incapaz de controlar a multidão durante várias horas.”

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Ao virar da página…

O que da vida nos olha no olhar

“José Manuel Teixeira da Silva é um poeta que urge ser lido; o seuNOVO livro é um ponto de partida. Livros Música de Anónimo Muito pouco mediático, José Manuel Teixeira da Silva é um dos casos mais interessantes da poesia portuguesa contemporânea José Manuel Teixeira da Silva traça no seu blogue, criado em 2009, o próprio perfil: nasceu no Porto, em Dezembro de 1959; vive em Vila Nova de Gaia, onde é professor;ESCREVE poesia e alguma prosa; faz fotografia. Não é propriamente um curriculum vitae, sendo que o universo da fotografia subsume o todo. Agora, depois de Súbito a Mão (FLUP, 1983); As Súbitas Permanências (Quasi Edições, 2001); Anima, com ilustrações de AnaABREU (Língua Morta, 2011), O Lugar que Muda o Lugar (Língua Morta, 2013), e VER 59 anotações fotográficas (Ed. Autor, 2012), publica Música de Anónimo na açoriana Companhia das Ilhas. Neste novo livro, estranha-se o título, apesar deTRADUZIR — estranhamente — o que nele se passa, isto é, o devir alheio de um ponto focado intensivamente numa imagem ou num quadro montado a partir dele pelo poeta. Prisma tornado linha de mira da cena. Punctum fulminante que adquire um tónus de eternidade.

Música de Anónimo Autoria: José Manuel Teixeira da Silva Companhia das Ilhas (…)”

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O alerta das jornadas do património

“Tenho pena que nos debates europeus sobre as saídas da crise se fale tão pouco de Cultura, de Educação e de Ciência. Muitos pensam falsamente que se trata de temas secundários, no entanto falamos do cerne da inovação e da criatividade, únicas respostas ao primado ilusório do imediatismo, da vulgaridade, da indiferença e da mediocridade que nos trouxe até onde nos encontramos. As Jornadas Europeias do Património de 2015 realizam-se com um pano de fundo dramático – o drama dos refugiados, a prevalência dos egoísmos nacionais, a incapacidade de encontrar respostas comuns que defendam a justiça e a humanidade, bem como as destruições absurdas de bens do património comum, como temos assistido em Palmyra. Como poderemos falar do Património Cultural e da sua defesa se não começarmos porCUIDARdas pessoas? Julien Green disse um dia que “ignorar o passado é encurtar o futuro” – e a verdade é que na tragédia humanitária a que assistimos falta consciência de passado e de presente. A noção dinâmica de Património Cultural obriga à tomada de consciência de que são as pessoas que estão em causa e que a Humanidade está ameaçada quer com as mortes dos refugiados, quer com as destruições das marcas dos nossos antepassados. Estamos perante a noção indivisível de dignidade humana. O nosso Alexandre Herculano dizia: “Nossos pais destruíram por ignorância e ainda mais por desleixo: destruíram, digamos assim, negativamente; nós destruímos por ideias, ou falsas ou exageradas. Destruímos ativamente, destruímos porque a destruição é uma vertigem desta época. Eu ficaria feliz se pudesse, ao menos,SALVAR uma pedra, só que fosse, das mãos dos modernos hunos”. O programa era e é simples: não destruir ou deixar estragar o que existe, restaurar o que tem valor, divulgar, conservar, tornar acessível… Investir não é lançar dinheiro sobre os problemas – éESCOLHER o que permite preservar com os meios disponíveis e da melhor maneira o que tem valor. (…)”

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Enchente de famílias e turistas na Festa do Outono

“Os jardins de Serralves, no Porto, voltaram a encher-se dos sons do pisar em folhas secas, desta feita por entre as cordas da guitarra de um Filho da Mãe e do zurrar de burros incomodados pelas crianças. Veja as imagens. Já na sua sétima edição, este saudar da chegada da estação contou com centenas de famílias e turistas que voltaram a serpentear pelos caminhos e escadas estreitas que circundam lagos e arvoredos e conduzem ao prado dos jardins deSERRALVES, muitos atraídos pelo som do dedilhar e acordes do músico açoriano. "A Festa do Outono anda sempre à volta das 20 mil, 25 mil pessoas", disse à Lusa João Almeida, diretor do Parque de Serralves, salientando um programa de atividades que prevê um público heterogéneo e contempla ainda a música de Pierre Bastien, oficinas para famílias e "percursos à descoberta da biodiversidade do parque." Natural de Nuremberga, Alemanha, Frederic Pollmann estava "à espera deVER um museu e não tanto um festival cultural", pelo que se deparou com uma oportunidade de "ouvir boa música, passear e apreciar o estilo art déco, embora vazio, mas de uma arquitetura agradável", da Casa de Serralves. "Estamos habituados ao frio da Alemanha", recordou o visitante, descrevendo "um agradávelINÍCIO de estação, com calor e folhas coloridas". (…)”

Ler mais http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=4802058

Debaixo deste sol

“Acho que já disse isto, que há um texto mais ou menos sagrado sobre o qual nós não falamos mas que sempre nos aparece. Um texto às vezes manso e outras vezes nem tanto, um texto que nos atropela como um carro vermelho ao fim da tarde na cidade. Um texto mágico. Que nos une, que nos separa, que de cada vez é diferente. Como nós somos diferentes em cada manhã. A regeneração é o único negócio certo. Talvez eu não tenha dito isto, não. Talvez a esta mesa tenhamos só falado de certas canções permanentes (Dylan, Cash & etc), de política, de como em determinada altura entendemos que a política está em todas as coisas mas que nem sempre queremosPARTICIPAR de todas as coisas. Talvez tenhamos falado do sal que nos ataca as veias e que ao mesmo tempo nos sustenta o rosto, ou do medo, falamos muitas vezes do medo que temos de certos temporais e do estado do mundo agora. Falamos de quase tudo à nossa mesa, mas nunca daquele texto. Falamos de outros textos, claro. Falamos até do que não chegou a ser escrito mas que foi avistado ao longe, como a grande gaivota que esta manhã pousou no lampião da nossa rua e se fartou de assobiar. Parecia um canto árabe. Ainda nem eram oito horas e aquele acontecimento já se relacionava em tudo com uma grande promessa - quando um bicho se aproxima assim dos homens e dos metais, é caso para dizer ámen. Sim, falamos destas coisas bastante cedo, desde o princípio. E falamos de tudo à mesa porque alguém me disse uma vez que à mesa não se envelhece. Falamos da defesa de um país e da defesa de uma casa, dos deuses que mantemos à cabeceira, da desconstrução, falamos da importância de um campo de colheita devastado. Falamos das palavras que foram postas na boca do Rei Salomão e que nunca nos abandonaram, das viagensRUMO ao sul e dos regressos rumo ao norte. E do vento que nos revolve o estômago. Aqui também conversamos sobre as coisas que vamos recortando dos jornais. Um texto sobre o estado da região, outro sobre os resultados desportivos num país meio distante, outro ainda sobre o clima. Recortamos muito aquela coluna inglesa que fala de jardinagem porque ela é da maior importância. Parece-me sempre que o homem que assina a crónica “On Gardens” no Financial Times, Robin Lane Fox, usa os jardins para poder falar de poesia. Acho muitas vezes que quem fala da natureza está conspirando a favor da graça e da caverna da magia. Ainda há poucos dias tropecei numa frase dele que dizia “os jardins nunca estão realmente acabados”. Certos amores também não. Talvez só os jardineiros e os exploradores das rochas estejam conscientes disso. Temos tudo aAPRENDER com os homens do relento. Falando em vida lá fora e falando em exploradores, preciso dizer que aqui no hemisfério norte ainda é verão. Nos últimos verões tenho quase sempre voltado ao mesmo livro, um que é feito de notas e mais notas escrevinhadas entre dezenas de países. Tem postais também. De vez em quando parece-me que os postais é que são a tabela fundamental da viagem e talvez até da literatura, mas posso estar errada. Tenho errado muitas vezes e ainda bem. O livro, o tal livro dos verões, mostra as cartas do Bruce Chatwin para casa e para alguns amigos. Começa em Beirute e termina Deus sabe onde. Suspeito que Chatwin nunca chegou aDESAPARECER, dizem que morreu em 1989 mas sempre que leio a sua caligrafia acho que ele ainda está connosco, mesmo à nossa porta - olho para o lado e ele ainda é o rapaz de cabelo desalinhado que escreve tudo em cima da pedra húmida que nos governa os dias. Quem envia cartas aos pais que dizem coisas como Ontem passei o dia inteiro a apanhar corais com um grupo de napolitanos. Esta manhã fui visitar uma metrópole escavada na rocha, de bicicleta. Boa comida, mas esta não é a época do javali, ele nunca desaparece. É, não falamos exatamente daquele texto sagrado, mas quase falamos. O Debaixo do Sol reúne as cartas de Bruce Chatwin quase como o Livro do Eclesiastes nos reúne as cabeças. Somos só um bando de cabeças despidas caminhando aflitas sob os astros e sob os postes elétricos. Aproveito a tradução do Eclesiastes feita por Haroldo de Campos paraREPETIR agora: névoa-nada. Aqui debaixo deste sol é tudo névoa-nada. Mas a verdade é que aqui ainda é verão. Então o melhor é segurarmo-nos à bruma azul que atinge o mar ao fim do dia. E apanhar corais com as mãos. Crónica mensal da escritora Matilde Campilho”

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Por aqui me fico… e claro, com o desejo de… boas leituras! Até ao próximo click!
publicado por Musikes às 20:28 link do post
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