Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
12 de Outubro de 2015

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram.

A não perder! Aqui algumas sugestões culturais a lá dar um pulo.

17º Festival Internacional de Orgão do Porto De 11 a 20 de Outubro de 2015

Programa oficial - GRANDE PORTO TERÇA-FEIRAIDIA13 12h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Tiago Ferreira (Porto) 12h Capela das Almas Órgão: Rui Soares (Santa Maria da Feira) 13h Câmara Municipal do Porto Órgão: Norbert Itrich (Polónia/Espanha) 18h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Rui Soares (Santa Maria da Feira) 18h Igreja da Sta. Casa da Misericórdia do Porto Órgão: Daniel Ribeiro (Paredes) 21h30 Igreja da Foz do Sousa Órgão: Inês Machado (Fátima) 21h30 Igreja da Lapa Órgão: Michal Markuszewski (Polónia)

QUARTA-FEIRA DIA 14 12h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Paulo Bernardino (Portugal/Holanda. 12h Igreja de Santo lldefonso Órgão: Tiago Ferreira (Porto) 13h Câmara Municipal do Porto Órgão: ChristianTarabbia (Itália)

QUARTA-FEIRA DIA 14 (continuação) 18h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Daniel Ribeiro (Paredes) 19h Colégio Alemão Órgão: Inês Machado (Fátima) e Margarida Oliveira (Lisboa) 21h30 Igreja de Santa Rita (Ermesinde) Órgão: Yoon-Mi Lim (Coreia do Sul/E.U.A) 21h30 Igreja de Cedofeita Órgão: Axel Flierl (Alemanha)

QUINTA-FEIRA DIA 15 12h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Pedro Monteiro (Vila Real de St. António 12h Estação de Metro dos Aliados Órgão: Daniel Ribeiro (Paredes) IZh l Igreja dos Grilos Órgão: Arma Pikulska (Polónia) 13h Câmara Municipal do Porto Violino: Theona Gubba-Chkheidze (Geórgia) e Órgão: Franz Hauk (Alemanha) 18h Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Pedro Monteiro (Vila Real de St. António. 18h Estação de Metro dos Aliados Órgão: RuiSoares (Santa Maria da Feira) 18h Igreja de São Bento da Vitória Órgão: Michal Novenko (Repiiblica Checa) 18h l Igreja de Campo (Valongo) Órgão: Christian Tarabbia (itália) 21h30 Mosteiro de Moreira da Maia Violino: Theona Gubba-Chkheidze (Geórgia) e Órgão: Franz Hauk (Alemanha) 21h30 Igreja da Lapa. Çuatre Motets sur dês Th mes Grégoriens op. 10; Suite op. 5 (1932); Requiem op. 9 de Duruflé Mezzo: Helena Ressurreição (Barcelos); BarítonoJobTomé (Matosinhos); Coro Polifónico da Lapa; Órgão: António Esteireiro (Lisboa); Maestro: Jorge Matta (Lisboa(

SEXTA-FEIRA DIA 16 12h l Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Pedro Monteiro (Vila Real de St. António 12h l Estação de Metro dos Aliados Órgão: Tiago Ferreira (Porto) 12h l Igreja da Trindade Órgão: João Santos (Leiria) 13h l Câmara Municipal do Porto Órgão: Michal Novenko (República Checa) 18h l Aeroporto Francisco Sá Carneiro Órgão: Daniel Ribeiro (Paredes) 18h l Estação de Metro dos Aliados Órgão: Tiago Ferreira (Porto) 18h l Igreja da Sta. Casa da Misericórdia do Porto Violino: Mariajoõo Bernardino e Órgão: Paulo Bernardino (Portugal/Holanda) i8h30 l Mosteiro de Grijó Órgão: João Santos (Leiria) 21h30 l Igreja Matriz de Gueifaes Violino: Mariajoao Silva (Porto) e Órgão: Paulo Bernardino (Portugal/Holanda) 21h30 l Igreja do Marquês Violino: Theona Gubba-Chkheidze (Geórgia) e Órgão: Franz Hauk (Alemanha)

TERÇA-FEIRA DIA 20 12h Estação de São Bento Órgão: Paulo Bernardino (Portugal/Holanda 12h Mosteiro de São Bento da Vitória Órgão: João Vaz (Lisboa) 17h30 l Igreja do Marquês Órgão: Ignace Michiels (Bélgica) 18h Estação de São Bento Órgão: Daniel Ribeiro (Paredes) 21h30 l Sé Catedral do Porto. Concerto de encerramento do Festival Órgão: Martin Baker (Inglaterra) 23h30 l Terreiro da Sé. Festival de fogo de artifício (Tema: Órgão da Sé) /Festorg2015

Programa completo https://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCkQFjABahUKEwjt8_XH0L3IAhUJRhQKHTneAWI&url=http%3A%2F%2Fwww.porto.pt%2Fassets%2Fmisc%2Fimg%2Fnoticias%2FOUTROS%2FConcertos%2520do%2520Festival%2520Internacional%2520do%2520%25C3%2593rg%25C3%25A3o%2520do%2520Porto.pdf&usg=AFQjCNGjjmreTda6zAmto5WwfVix2oQA7w

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Exposição Guerreiros de Xian - Terracotta Army®

“Exposição com mais de 150 reproduções O Centro de Congressos da Alfândega do Porto acolhe, no seu interior, a impressionante e internacionalmente conhecida mostra com mais de 150 reproduções em tamanho original do Exército de Terracotta do Primeiro Imperador da China. A partir do dia 26 de setembro, a Alfândega do Porto recebe a exposição "Terracotta Army, Guerreiros de Xian". Os visitantes poderão experienciar um pouco da cultura militar chinesa, numa mostra que já percorreu várias cidades europeias.

RECRIAÇÃO DAS ESCAVAÇÕEs Reprodução à escala de 1:1 de uma secção do fosso da grande escavação de Xian, com mais de 65 guerreiros. VIAGEM NO TEMPo Em torno da escavação há um dinorama full color do fosso original que ajuda a imaginar o enorme tamanho do mesmo.

Ateliers para Crianças Estes ateliers estão pensados para despertar o conhecimento pela história e a arte chinesa. Tem como objetivo mostrar os modos de vida da época e estão orientados para sensibilizar os mais pequenos para a importância da conservação do património histórico-arqueológico, assim como para a abordagem da cultura do país asiático. Os ateliers e as atividades estão centradas neste último aspeto, mostrar aos visitantes a riqueza cultural da China. (…)”

Ler mais! http://www.guerreirosdexian.com/

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12º Festival Zen - Lifecooler

“O Festival Zen vai estar pela primeira vez no Porto, no Pavilhão Rosa Mota, nos dias 16, 17 e 18 de outubro. Serão três dias com mais de 50 atividades dedicadas ao bem-estar, ao desenvolvimento pessoal e à sustentabilidade, num evento coorganizado pela "PazPazes" e que terá o apoio da Câmara Municipal do Porto, através da PortoLazer.

Nesta será já a sua 12ª edição, o Festival Zen contará com duas áreas distintas: Uma de acesso gratuito (Feira), com lojas de produtos naturais, artesanato, roupa e acessórios, além de espaços para terapias, massagens, apresentações, atividades para crianças, espetáculos e concertos; e uma área de atividades onde serão ministradas aulas, workshops e palestras das mais variadas temáticas. O acesso a este segundo espaço será feito mediante a compra de um Livre Trânsito que permitirá o acesso a todas as atividades sem qualquer pagamento adicional. (…)”

LER Mais! http://news.google.com/news/url?sa=t&fd=R&ct2=us&usg=AFQjCNH-gZthtfvL2rOplK29Tui8OtMP_w&clid=c3a7d30bb8a4878e06b80cf16b898331&ei=IKgUVpC4MYWkhQH5-Z64DA&url=http://www.lifecooler.com/agenda/12-festival-zen/381100/

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EXPOSIÇÃO "CIDADES PARTILHADAS”

Prémio Europeu ESPAÇO PÚBLICO URBANO 2014 9 DE OUTUBRO INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO "CIDADES PARTILHADAS” (…)” O Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, tem o prazer de convidar para a Exposição "Cidades Partilhadas' Prémio Europeu do Espaço Público Urbano 2014 que estará patente no Átrio dos Paços do Concelho (…). Inaugurada a 9 de Outubro, a exposição poderá ser visitada de 2 a 6 feira, entre as 9h00 e as 17h00. A entrada é livre.

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De volta à cultura e suas notícias!  Ora… vamos a elas! 

Os “desafios” de educar alunos conectados

“Usar o computador na escola, de forma limitada, é melhor que não usar. Mas só beneficia o desempenho dos alunos quando o software e a ligação à Internet aumentam o tempo de estudo e a prática, sugere a OCDE. É comum ouvir dizer que, hoje em dia, as crianças nascem ensinadas a mexer com os tablets e os smartphones dos pais. Por detrás desta observação, os estudos mostram a facilidade com que a tecnologia tem entrado no dia a dia. O dinheiro gasto pelas famílias e investido nas escolas em computadores, ligações à Internet e recursos educativos tem aumentado muito, nos últimos 25 anos, nota a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Aumentam também as preocupações com a forma como lidamos com os ambientes digitais. (…)

Ler mais! http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=78563

E se os tablets estiverem a ser usados como chuchas?

“Investigadora Ivone Patrão diz que há estudos internacionais que dão conta de baixo controlo parental sobre dispositivos móveis em crianças pequenas. Há pais que substituem a sua presença pela entrega de um smartphone ou de um tablet para conseguir fazer outras tarefas. A psicóloga clínica Ivone Patrão coordenou recentemente um estudo onde encontrou quase três quartos de adolescentes e jovens dos 14 aos 25 anos com sinais de dependência da Internet. Coordenadora da linha de investigação sobre comportamentos online no ISPA-Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, em Lisboa, onde é professora, lança-se agora numa investigação que vai estudar o uso de dispositivos móveis em crianças dos três aos cinco anos. A motivação veio do que observa no consultório e à sua volta, em que vê tablets e smartphones a serem usados para acalmar, como uma chucha, mas com muitos mais riscos associados. Por que decidiu começar a investigar o uso de dispositivos móveis dos três aos cinco anos? [A decisão] Decorre dos resultados que tivemos na investigação com adolescentes e pré-adolescentes nas áreas das dependências online e também porque, na minha clínica diária, encontro pais com dificuldades em controlar o uso de smartphones, tablets nestas idades. As crianças com cinco ou seis anos já lhes conseguem mexer, são muito fáceis, são touch. Eles têm uma memória visual fantástica e rapidamente estão a jogar um jogo, estão a aceder à Internet, conseguem aprender caminhos de pesquisa sem saberem muito bem o que estão a fazer. Não sabendo sequer ler. Apercebi-me de miúdos de quatro e cinco anos que sabem imensas palavras em inglês por causa dos jogos. Vão associando, o start, o open, o okay. O problema é que estamos a estimular a memória visual muitas vezes em detrimento de outro tipo de concentração e atenção para outras tarefas que, por exemplo, a leitura vai requerer, a interpretação de um texto. Se lhes damos estímulos rápidos, em que percebem rapidamente como se faz, depois, quando quisermos que se concentrem para aprender a escrever e a ler, eles já não vão estar tão motivados. A satisfação não é tão imediata como estar a jogar um jogo. (…)”

Ler mais! http://www.publico.pt/sociedade/noticia/e-se-os-tablets-estiverem-a-ser-usados-como-chuchas-1710630

E quando, um museu para a arquitectura portuguesa?

“Há, em Portugal, vários museus de artes e de ciências, e também do design, do teatro, das marionetas, do cinema, dos coches, da imprensa… Para quando um Museu Nacional da Arquitectura? (…) Parte dos arquivos de Álvaro Siza encontram-se já no Centro Canadiano da Arquitectura (CCA), em Montréal, onde o arquitecto se deslocou há pouco mais de uma semana para inaugurar uma exposição e falar das suas obras. A Casa-atelier José Marques da Silva, no Porto, reabriu no penúltimo fim-de-semana, depois de (quase) terminadas as obras de reabilitação assinadas por Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez (Atelier 15), e a fundação de que é sede continua a recolher espólios e arquivos de alguns nomes fundamentais da arquitectura na cidade; a Casa da Arquitectura, em Matosinhos, viu finalmente iniciadas as obras de transformação da antiga fábrica da Real Companhia Vinícola, que virá a acolher aquela instituição, depois que foi posto de parte o projecto que Siza realizou há uma década para a construção de um edifício de raiz; o Sistema de Informação para o Património Arquitectónico (SIPA), com sede no forte de Sacavém e que detém o mais extenso espólio português do sector, passou em Junho a ficar na dependência da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), em vez do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana; as fundações Centro Cultural de Belém (CCB), Gulbenkian e Serralves integram a arquitectura nas suas colecções e programação; o arquitecto Pedro Gadanho iniciou este mês o seu mandato à frente do projecto do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), que a Fundação EDP vai construir junto à Central Tejo… É sobre esta radiografia que esta segunda-feira, Dia Mundial da Arquitectura, o PÚBLICO aborda a questão da não existência em Portugal de um museu nacional para esta disciplina, sendo um dos raros países da Europa onde isso acontece. O que não significa que não se fale – e não se trabalhe – nesse projecto, em diferentes lugares, com diferentes ambições e sortes… (…)”

Ler mais! http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/e-quando-um-museu-para-a-arquitectura-portuguesa-1710034

No “Pergaminho” desta semana…

Os heróis de papel nunca morrem

“Devem ser poucos os autores que permitem que a cria seja recuperada por outro. Hugo Pratt permitiu. Quando morreu, em 1995, ele deixou em testamento que sim. Se alguém ousar comparar-se com ele, que seja, que continuasse o Corto Maltese. Era natural a soberba - acho eu, que um dia peguei no álbum de um desconhecido, abri. E parti. Já me acontecera com livros só de palavras, mas com esses precisei de folhear algumas páginas. Com aquele, foi imediato - um veleiro das ilhas Fiji, uma gaivota, o Pacífico e fui feliz. Mais tarde tornaram-se populares uns comprimidos coloridos, ecstasy, que, parece, produziam efeito idêntico. Mas estes tinham letras a mais, metilenodioximetanfetamina, e causavam depressão mais cedo ou mais tarde. Eu abusei de Corto Maltese e ia sempre para longe, com o fez dum turco, um gato negro em Veneza, o olhar louco de Rasputine. Depressão, nunca, mas comecei a ressacar quando Hugo Pratt fechou a loja, três anos antes da morte, comigo sempre na esperança de que ele deixasse de ser parvo. Havia 12 álbuns publicados, e por cada um algumas dezenas de viagens. Na Expo de Lisboa vi dervixes rodopiantes, em Istambul voltei a vê-los e confirmei--os iguais aos que Corto me apresentou numa história entre Rodes e os Balcãs. Vão dizer-me que um desenho, coisa parada numa página, nunca pode ser igual ao rodopio incessante dum místico. Admito. Quando o desenho não é de Hugo Pratt. Depois, ele morreu e instalou-se-me a convicção do nunca mais. Homem de pouca fé! Era não saber que, adolescente, Corto Maltese talhou com um canivete, na palma da mão, uma linha da vida sem fim. Vão dizer-me outra vez: como fazer uma linha sem fim na mão?! Por favor, não me interrompam o sonho. A verdade é que, 20 anos depois da sua morte definitiva, Corto Maltese voltou - nesta semana apareceu o álbum Sob o Sol da Meia-Noite. Coincidência com uma outra sequela célebre: ao segundo Os Três Mosqueteiros chamaram-se Vinte Anos Depois. É certo que o primeiro Os Três Mosqueteiros foi publicado em 1844 e logo no ano seguinte surgiu o segundo, o tal Vinte Anos Depois. Mas Alexandre Dumas, o pai, não era um ás em contas, os mosqueteiros eram quatro. Assinalada a coincidência de sequelas, voltemos ao inesperado 13.º volume de Corto Maltese, prova viva de que um herói da ficção nunca morre. O herói pode saltitar e reproduzir-se, e na literatura portuguesa temos um bom exemplo. Saramago inventou Blimunda (Memorial do Convento), Hélia Correia arranjou uma afilhada a Blimunda, Lillias Fraser (no romance do mesmo nome), e Lillias Fraser aparece a dialogar com a marquesa de Alorna, no romance As Luzes de Leonor, de Maria Teresa Horta. Ao que se diz, cada autor pediu autorização para usar a invenção do autor precedente. E que não pedisse, a tomada de posse da criação do outro é sempre uma homenagem. Com o novo álbum de Corto Maltese ocorreu idêntica homenagem, com o acrescento de Hugo Pratt ter também consentido o uso, embora póstumo. Uma dupla espanhola, o desenhador Rubén Pellejero e o cenarista Juan Días Canales, levam o meu herói, que conheci nos Mares do Sul, para o gelo do Ártico. Rasputine, o do olhar negro, também volta. E regressa esse mundo cosmopolita - mercenário irlandês, prostituta japonesa e esquimó adepto do revolucionário Robespierre... -, pano de fundo díspar que serve para sublinhar a fleuma do marinheiro maltês. É com gente que em si mesma encerra um mundo que melhor se cruza um tipo para quem o indivíduo é a religião e a liberdade e a amizade são os valores.”

Ler em… http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4813220&seccao=Ferreira%20Fernandes&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

O AO90 e o afastamento entre as variantes da língua portuguesa

“Há uns anos, fora de qualquer conversa sobre ortografias e acordos, uma amiga exclamou comigo, quase indignada: “Mas por que razão dizes vàcina?! Escreve-se vacina, toda a gente diz vacina, não percebo essa tua mania.” Apanhado de surpresa, só podia dizer que não sabia, não tinha pensado nisso. Achei então que aquele A escancarado devia ser algum resquício meu de sotaque nortenho. Mais tarde ocorreu-me que dizer vacina, com aquele primeiro A tépido e preguiçoso, poderia ser outro tipo de sotaque, de Lisboa, já que a minha amiga é lisboeta. E como nunca se fala em sotaque de Lisboa (Lisboa pensa que, sendo Lisboa, não tem sotaque), a minha amiga estaria a ser vítima de mais um caso de lisbonocentrismo (palavra que, se não existe, devia existir). Fosse como fosse, nunca mais esqueci o remoque. E mais tarde percebi o que aconteceu. Eu dizia vàcina, sem o saber, porque a palavra vem do latim vaccina e a consoante geminada no latim produz certos efeitos na evolução das línguas românicas que podem ter a ver, como no caso do português, com a articulação da primeira consoante e/ou com a abertura ou prolongamento da vogal anterior. Um caso de oralidade instintiva. A minha amiga, pelo contrário, dizia vacina porque é alfabetizada e sabe ler. Quer dizer, eu abria muito aquele A porque essa é uma das formas que existem em português para manifestar a presença fónica da palavra latina original. A minha amiga fechava o mesmo A porque, com a consagração da grafia vacina, deixou de ver, e bem, qualquer razão para o conservar aberto. As reformas ortográficas da língua portuguesa realizadas no século XX (em 1911, em 1945 etc.) transformaram grafias como vaccina em vacina. Contribuíram assim, decisivamente, para a alteração da prosódia, a alteração da maneira como a palavra é articulada nos sons, na sua duração, timbre, ritmo etc. Deixou de existir uma das marcas, um dos sinais, que indicava a pronúncia correcta da palavra. Como tal, a pronúncia foi mudando até chegar àquela vacina de hoje, com o tal A lânguido e abatido. Uma das consequências mais espectaculares desta mudança ou simplificação ortográfica foi a de afastar o português falado de Portugal do português falado do Brasil. Os brasileiros continuam a dizer vàcina, pelas razões que eles lá saberão, nós por cá já não vemos razões para dizer senão vacina. Com a ideia de unificação gráfica entre variantes da língua portuguesa, o que se conseguiu foi precisamente o contrário ao nível da oralidade. Curiosamente, as mesmas pessoas que defendem tal simplificação e unificação ortográficas são as mesmas que lamentam a forma cerrada como os portugueses pronunciam a sua língua hoje. Pudera! Se as palavras vão perdendo os sinais escritos que indicam a prosódia, como se pode esperar que o português falado de Portugal, onde os níveis de analfabetismo absoluto são cada vez mais residuais, conserve vogais abertas e consoantes articuladas? O acordo ortográfico de 1990, ao declarar que se deve escrever “receção”, “setor”, “deteta” e “ativo” porque essas palavras se pronunciam assim em Portugal, não somente está a levar ao delírio velhas e bafientas noções de simplificação e unificação, mas está também a construir uma gigantesca mistificação. Essas palavras ainda não se pronunciam assim em Portugal. Mas, como aconteceu com vaccina/vacina, virão em breve a pronunciar-se como surgem escritas, se não se acabar o mais depressa possível com o AO90. Assim, “receção” não vai distinguir-se oralmente de “recessão”, nem “deteta” se deixará de parecer com “de teta”. O AO90 literalmente educa-me para não dizer “activamente”, como eu sempre disse – com aquele primeiro A bem aberto --, mas sim “ativamente”, com aquele A prostrado, historicamente errado, e, ainda por cima, completamente irreconhecível para um brasileiro. Isto é, o AO90 consegue concretizar duas grossíssimas asneiras ao mesmo tempo: deseduca-me como falante do português e presta um péssimo serviço à unidade transcontinental da língua. Para evitar acusações como aquelas que acabo de formular, o AO90 apressou-se a oferecer alternativas. Certas palavras passam a poder escrever-se de mais do que uma maneira. Com P ou sem P, com hífen ou sem hífen, com acento agudo ou com acento circunflexo, com letra maiúscula ou com letra minúscula, e por aí fora. Salvando assim a unidade da Língua. Haverá escrita para todos os paladares; no fundo, deixará de haver ortografia (“escrita correcta”) para haver, dizem, língua portuguesa. Uma vez que o acordo é, então, a consagração dum desacordo, o absurdo do argumento nem merece resposta. Infelizmente, porém, a sopa-de-letras-para-todos-os-gostos que é o AO90 dá-me todas as opções menos a de redigir vaccina, para perceber donde vem a palavra, como se escreve e pronuncia, e porquê. O AO90 dá tudo, tudo, a portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos e tantos mais, menos a única coisa que talvez nos interesse na língua portuguesa: escrever e dizer bem. Professor da Universidade de Évora”

Ler em… O AO90 e o afastamento entre as variantes da língua portuguesa http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-ao90-e-o-afastamento-entre-as-variantes-da-lingua-portuguesa-1710416

Ao virar da página…

Mês internacional da biblioteca escolar 2015

“Aproxima-se outubro, o Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE) e, com ele, mais uma oportunidade para as bibliotecas demonstrarem amplamente a importância que têm na vida das crianças e jovens, peloTRABALHO que desenvolvem nas áreas da leitura e das literacias, no acesso à cultura e no desenvolvimento da cidadania. O tema definido pela International Association of School Librarianship (IASL) para 2015 é: A biblioteca escolar é super!(tradução adotada pela Rede de Bibliotecas Escolares). O Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares estabelece 26 de outubro como Dia da Biblioteca Escolar em Portugal, para 2015. Para este ano, são propostos dois desafios: 1 – TOCA A TWEETAR 2 – CELEBRANDO O MIBE Para além destes dois desafios, existem muitas sugestões de ações a desenvolver, tanto nas atividades do portal RBE, como na página do International School Library Month (ISLM) da IASL que continua a apelar à participação em dois projetos: o Bookmark Project e o Skype Project. As bibliotecas escolares de todo o mundo são convidadas a enviar os seus testemunhos para a rubrica What people are doing for ISLM 2015.”

Ler em… http://www.dgeste.mec.pt/index.php/2015/09/mes-internacional-da-biblioteca-escolar-2015/

Curiosidades interessantes…

Ouvir e Contar

Um blog a espreitar http://ouvirecontar.blogspot.pt/?m=1

Svetlana Alexievich é o Prémio Nobel da Literatura 2015

“Svetlana Alexievich é o Prémio Nobel da Literatura de 2015, anunciou nesta quinta-feira a Academia Sueca, em Estocolmo. A bielorussa é o 112.º escritor a ser premiado com a mais importante distinção literária, que em 1998 foi entregue ao português José Saramago. Sara Danius, secretária permanente da Academia (a primeira mulher neste cargo), destacou a “obra polifónica” de Alexievich. “Um memorial ao sofrimento e à coragem da nossa época.” À televisão pública sueca SVT, Sara Danius revelou que acabara de falar com a jornalista e escritora e que ela apenas disse uma palavra: “Fantástico!”, escreve a agência AFP. Svetlana Alexievich, nascida em 1948 em Minsk, na Bielorrússia, é considerada uma das autoras mais prestigiadas a escrever sobre a antiga URSS. Já este ano foi editado pela Porto Editora o seu mais recente livro, O Fim do Homem Soviético - Um Tempo de Desencanto (obra de 2012), que lhe valeu o Prémio Médicis Ensaio, em 2013, e foi considerado o Melhor Livro do Ano pela revista Lire. Na introdução ao livro intitulada "Notas de uma cúmplice" a autora escrevia: "Despedimo-nos dos tempos soviéticos. Dessa nossa vida. Tentarei escutar honestamente todos os participantes do drama socialista... [...] Em pouco mais de setenta anos, no laboratório do marxismo-leninismo criou-se um tipo humano especial - o Homo sovieticus. [...] Encontrei nas ruas jovens com a foice e o martelo e o retrato de Lenine nas camisolas. Saberão eles o que é o comunismo?" (pág. 17). (…)”

Ler mais! http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/nobel-da-literatura-2015-1710484

Como as pessoas em 1900 acreditavam que seriam os anos 2000

“Artistas franceses em 1900 previam engarrafamentos aéreos que precisavam de regulação pessoal Veja alguns exemplos de como artistas franceses do início do séc. XX pensavam que seria o mundo daí a 100 anos. Fazer futurologia é quase sempre uma tarefa fracassada à partida, mas isso não impede que sempre tenha havido quem tente adivinhar o futuro. E há quem, por ser mais visionário ou apenas por sorte, consiga não ficar muito longe da verdade. A maioria dos artistas e pensadores que se dedicam a exercícios deste género tendem a projetar a tecnologia que conhecem na sua época para um futuro em que ela está vulgarizada. Assim, surge naturalmente a ideia de uma orquestra que toca sozinha, ou de carros voadores, mas há 100 anos ninguém imaginaria a revolução digital que nos permite ter a Internet ou o GPS. Isso mesmo é bem patente num conjunto de postais ilustrados do ano de 1900 que imaginam o mundo no "ano 2000" e estão agora na Internet em domínio público. Veja alguns. (…)”

Ler mais! http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4815103&page=-1

Truques para ficar mais feliz em 30 segundos

“A tristeza tomou conta de si e não sabe o que fazer? Descubra alguns truques que vão aumentar o seu ânimo em poucos segundos. Acordou indisposto e sente-se infeliz? Desmotivado, triste e sem força para enfrentar mais um dia? Já pensou como seria se em poucos segundos conseguisse levantar o ânimo? Um neuroanatomista, Jill Bolte, que estudou o modo como as doenças mentais se refletem no cérebro, conta o El País, que “cada um de nós tem o poder de escolher, em cada momento, como quer ser e estar no mundo.” (…)”

Ler mais! http://observador.pt/2015/10/05/truques-ficar-feliz-30-segundos/

Por aqui me fico… e claro, com o desejo de… boas leituras! Até ao próximo click!
publicado por Musikes às 21:51 link do post
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