Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
04 de Janeiro de 2016

“GOTINHAS… CULTURAIS…”

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

Antes do mais, seja bem-vindo a 2016! Vamos às notícias?

A não perder! Aqui algumas sugestões culturais a lá dar um salto. ;)

Casa da Música – Porto

Romeu e Julieta, o bailado (15€)

Ler mais! http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2016/02/13-fevereiro-2016-orquestra-sinfonica-do-porto-casa-da-musica/43171?lang=pt

Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música - [13/02/2016 - sábado | 18:00 | Sala Suggia] - Clássica Cine-concerto ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO CASA DA MÚSICA Adrian Prabava direcção musical Sergei Prokofieff/Frank Strobel Romeu e Julieta Filme com a Companhia de Ballet do Teatro Bolshoi Leonid Lavrovski coreografia Galina Ulanova e Yuri Zhdanov bailarinos European Film Philharmonic Institut FILMPHILHARMONIC EDITION European Film Philharmonic Institut Filme cedido por Progress Film‑Verleih GmbH, Música cedida por Internationale Musikverlage Hans Sikorski GmbH & Co. KG. Os bailarinos Galina Ulonova e Yuri Zhadov são figuras lendárias da arte da dança e ficaram imortalizados no filme de 1955 do bailado Romeu e Julieta, de Prokofieff, com a coreografia de Leonid Lavrovski para a célebre Companhia de Ballet do Teatro Bolshoi. Graças às novas tecnologias e ao trabalho do European Film Philharmonic Institute foi possível reconstituir o filme original para ser acompanhado em tempo real. Apresentado pela primeira vez em Portugal, este memorável bailado é acompanhado ao vivo pela Orquestra Sinfónica sob a direcção de um especialista na área, o maestro Adrian Prabava, naquele que será um concerto inesquecível.

A rolha da garrafa do rei de onde? (7,5€)

Ler mais! http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2016/01/16-janeiro-2016-a-rolha-da-garrafa-do-rei-de-onde/43472?lang=pt

Espectáculos | Concertos para Todos - [16/01/2016 - sábado | 16:00 | Sala 2] - Espectáculos ( Famílias, Público Geral ) Casa da Música e Ópera Isto co-produção Ângela Marques e Mário João Alves concepção, direcção artística e interpretação Atravessamos o mundo mágico com uma das figuras mais poderosas e temidas do folclore do Leste europeu. Baba Yaga, a bruxa, inicia-nos no imaginário fértil dos contos russos num teatro musical visualmente forte, de poucas palavras. De sentidos em alerta, somos levados numa viagem encantada, emocional, que envolve garrafas com mensagens e… mais não contamos. Co-produzido pela Ópera Isto, este é um espectáculo inédito, um mistério por desvendar.

Sagração Russa (15€)

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Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música - [15/01/2016 - sexta-feira | 21:00 | Sala Suggia] - Clássica A violinista Viviane Hagner estreou‑se com orquestra sob a direcção de Zubin Mehta com apenas 13 anos de idade. Hoje em dia é acompanhada pelas grandes orquestras mundiais e senhora de um extenso e notável repertório. Escrito para o virtuoso Gidon Kremer e a Orquestra Filarmónica de Berlim, que estrearam a obra em 1984, o Concerto para violino nº 4 de Schnittke afirmou‑se imediatamente como uma das mais expressivas peças concertantes criadas no século XX, muito graças ao poderoso estilo declamativo do violino que desafia constantemente os imensos coloridos e ambientes contrastantes da orquestra. Desde a sua escandalosa estreia em Paris, em 1913, A Sagração da Primavera tornou‑se um marco de virtuosismo para as orquestras de todo o mundo, sendo hoje em dia uma obra favorita das salas de concerto. “Ouvir Viviane Hagner a tocar violino é uma experiência encantadora.” Berliner Morgenpost “Viviane Hagner, embriagante e extremamente segura.” The Times

Concerto das Nações (15€)

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Orquestra Barroca Casa da Música - [09/01/2016 - sábado | 18:00 | Sala Suggia] - Barroca Na Suite Les Nations, Telemann fez desfilar turcos, suíços, moscovitas e portugueses numa viagem à Europa musical Setecentista. Recorrendo a figuras de retórica, esta peça surpreendente faz alusão ao imaginário das viagens em carruagens puxadas por cavalos e a um universo sonoro que, em alguns casos, procura reproduzir características nacionais. Num programa que dá a conhecer um concerto para fagote extremamente expressivo de Graupner na interpretação de José Gomes, a Orquestra Barroca saúda o Ano Novo com uma Sinfonia de Bach alusiva ao tema, concertos célebres de Corelli e Händel, assinalando igualmente o Ano Rússia com a original homenagem de Telemann aos moscovitas. “Laurence Cummings tornou-se um dos mais destacados especialistas da música barroca da sua geração, quer no teatro de ópera, quer na sala de concertos.” Star Tribune

Uma noite na ópera italiana (19€)

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Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música - [08/01/2016 - sexta-feira | 21:00 | Sala Suggia] - Clássica Uma gala de ópera com algumas das mais conhecidas árias de Rossini, Bellini e Donizetti dá-nos a conhecer as prodigiosas vozes da meio-soprano turca Ezgi Kutlu e do tenor norte-americano Barry Banks, presenças regulares nos teatros líricos da Europa e América do Norte. A direcção está a cargo do britânico David Parry, fundador e director do Almeida Opera Festival e detentor de destacados prémios internacionais neste domínio. “Ezgi Kutlu foi soberba a cantar e a actuar.” The Opera Critic Reviews

Solistas da Orquestra Barroca Casa da Música

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Música de Câmara no Salão Árabe do Palácio da Bolsa [06/01/2016 - quarta-feira | 21:30 | Palácio da Bolsa – Salão Árabe ] Solistas da Orquestra Barroca Casa da Música Huw Daniel violino Reyes Gallardo violino Filipe Quaresma violoncelo Miguel Jalôto órgão Arcangelo Corelli Sonata a 3 op.3 nº 1 Michel-Richard De Lalande Noëls en trio avec un Carillon Johann Pachelbel/J. S. Bach Prelúdios Corais & Fughetas Heinrich Biber A Natividade Dietrich Buxtehude Sonata a 3 BuxWV271 – Johann Schmelzer Sonata Pastorale Louis-Claude Daquin Noël en musette Dietrich Buxtehude Prelúdio Coral “Wie schön leuchtet der Morgenstern” Anónimo alemão séc. XVII Sonata “Wie schön leuchtet der Morgenstern” J. S. Bach Pastorella BWV590

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No “Gotinhas” desta semana, estas e outras novas que passaram.

O regresso https://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-regresso-1718902

“É tempo de regressarmos ao tempo lectivo e acho que é o tempo certo para escrever as coisas tal como elas são: não me apetece e não me apetece de uma forma mais intensa do que em outras ocasiões, eventualmente mais turbulentas. Poderá existir quem, de forma adequadamente cínica, diga que irei regressar porque é necessário receber o salário ao fim do mês, ou quem diga que se assim é devo dar lugar aos novos, que estarão cheios de vontade de me ocupar o lugar. Ficarão sem resposta, porque não são essas as questões que me interessa abordar (e quem nelas quiser insistir pode esperar sentado que eu volte a falsas recriminações), mas sim por que razões me sinto deste modo e, apesar disso, voltarei e cumprirei as minhas obrigações profissionais. Antes de mais, regresso porque há pessoas na escola de quem gosto e algumas de quem gosto muito, alunos e colegas, com quem me sinto bem no dia-a-dia, apesar de chatices diversas e de outras pessoas que não estimo particularmente, como é público e notório (não aplicável a alunos que, no máximo, conseguem despertar-me ligeiras irritações). Regresso porque gosto da escola onde estou e porque quando chego a sinto como acolhedora e não hostil (apesar da minha disposição correr o risco de, logo na 2.ª feira, ter a sua metamorfose ao ir pelos corredores no trajecto curto da sala dos professores até à sala 10). Mas regresso apesar de tudo aquilo que na última década se degradou para lá de qualquer ponto de retorno à esperança de que algo melhore ou estabilize no sector da Educação, em virtude de vários mandatos de gente só preocupada em amesquinhar, racionalizar, gerir, reformar, enxertar e retirar o ânimo ao pessoal docente e não docente nas escolas e desorientar, em larga medida, alunos e encarregados de educação. Regresso em 2016 para exercer uma carreira que perdeu qualquer horizonte de progressão, proletarizada em termos materiais, parente pobre e incómoda para os poderes políticos e que alguns fazedores de opinião traumatizados e medíocres se preocuparam em desqualificar longamente em prosas mais ou menos marcadas pela soberba intelectual típica daqueles que estão abaixo de qualquer dejecto canino, exigindo aos outros uma avaliação fingida, sem sentido, que em nada melhora o seu desempenho. Regresso para escolas geridas globalmente de uma forma não partilhada, seguindo um modelo simplista e redutor de cadeia hierárquica, em que a obediência e submissão são os princípios desejados. Regresso para uma sala de professores em que, à semelhança de tantas outras, há óptimos profissionais (e ocasionalmente outros menos assim) a quem fizeram tudo por sugar o ânimo e a capacidade para resistir aos sucessivos desmandos legislativos e tentaram deixar como meros autómatos executores de cada nova pseudo-reforma estrutural. Regresso para trabalhar num sector que deixou de ser considerado prioritário para os governantes, que em dado tempo se tornou pasto para investimentos sumptuários, num modelo de escola pública a várias velocidades, e depois se tornou o campo privilegiado para o desinvestimento nos serviços públicos (a par da Saúde, que é um caso com consequências mais trágicas e mediáticas) como forma pouco encoberta de promover os “projectos” do sector privado. Regresso para trabalhar com alunos cujos interesses foram desonestamente invocados para tomar medidas que os prejudicaram objectivamente, desde a retirada de apoios sociais e educativos à degradação das condições em que decorrem as aulas, com argumentos de racionalidade económica próprios de gente irracional. Regresso para tentar, na Escola, resolver as injustiças e desigualdades que aumentaram de forma dramática na Sociedade, sendo responsabilizado pelo insucesso daqueles que, quando entram pela manhã nos portões da escola, trazem sobre si o peso enorme de uma situação económica e financeira familiar estrangulada pelos efeitos directos (desemprego) e indirectos (impostos) dos enormes insucessos daqueles que, há bem pouco tempo, se apresentavam como grandes faróis e mentores do Sucesso Nacional.”

Portugal é um país de escritores ricos https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/portugal-e-um-pais-de-escritores-ricos-1718866

“1. Há quase 20 anos um poema de Nuno Moura dizia Portugal é um país de poetas ricos. Hoje podemos dizer mais, Portugal é um país de escritores ricos. Ao contrário dos alemães, que não têm onde cair mortos e são pagos sempre que vão fazer uma leitura para poderem continuar a escrever, ou dos pelintras dos ingleses, que em 2015 bateram o recorde de candidaturas a subsídios de escrita, os portugueses são tão ricos que não precisam de dinheiro para pesquisar um livro, nem para viver enquanto o escrevem. Entretanto, dão o seu tempo a câmaras, bibliotecas, festivais, centros e demais instituições cada vez mais envolvidas na promoção da literatura. Em suma, se os escritores portugueses já não precisavam de dinheiro, em 2016 também já não precisam de tempo. Superaram a fase da criação, estão em pleno criacionismo: o livro é um PDF de Deus, vem já revisto e tudo. 2. Eis a ficção que tende a enredar estes abastados imortais que cada vez mais não escrevem a futura literatura portuguesa. Há dois motivos para falar deles agora: primeiro, Portugal voltou a ter Ministério da Cultura, e se o actual Governo fez disso bandeira há que cobrá-la na prática, ver como lidará com a falta de meios e equipas exauridas; segundo, nunca em Portugal tantas câmaras, bibliotecas e instituições com orçamentos se envolveram tanto na promoção da literatura. O Ministério da Cultura pode, por exemplo, retomar de alguma forma as bolsas de criação literária. Câmaras, bibliotecas e instituições com orçamento podem apoiar a criação. E esses apoios devem coexistir com meios novos na Internet, porque não asseguram o mesmo, como explicarei adiante. 3. Começando pelas bolsas. Entre 1997 e 2002, o Ministério da Cultura atribuiu 12 bolsas anuais (poesia, narrativa, banda desenhada, dramaturgia) de 250 contos por mês (o equivalente hoje a 1250 euros, quando os preços eram bem mais baixos). Os júris variavam com os anos, e entre os contemplados contaram-se Al Berto, Armando Silva Carvalho, Maria Velho da Costa, Mário de Carvalho, Luísa Costa Gomes ou Almeida Faria; então desconhecidos como Gonçalo M. Tavares e Dulce Maria Cardoso; ou ainda Pedro Rosa Mendes, Mafalda Ivo Cruz, José Luís Peixoto, Paulo José Miranda, Adília Lopes, Nuno Moura, Rita Taborda Duarte, Carlos Luís Bessa, Filipe Abranches, José Carlos Fernandes, Inês Pedrosa. Quando as bolsas foram suspensas, era já possível contar uma grande maioria de projectos publicados nos três primeiros anos. Para dar ideia da diversidade de opiniões na altura, Inês Pedrosa propôs separar o concurso de estreantes e já publicados, Francisco José Viegas era contra bolsas para primeiras obras, Maria Velho da Costa privilegiava primeiras obras, e Vasco Graça Moura opunha-se a qualquer apoio estatal directo. Chegou a ser feito um novo regulamento em que primeiras obras não podiam concorrer e os escritores tinham de cumprir o prazo, senão devolviam o dinheiro, mas não avançou. De resto, o investimento do Ministério da Cultura na literatura foi diminuindo, mantendo-se só o apoio a alguns prémios e à tradução, com as ajudas à internacionalização a assentarem no Instituto Camões (Ministério dos Negócios Estrangeiros). 4. Entretanto, câmaras, bibliotecas e demais instituições multiplicaram iniciativas em que convidam escritores. Por vezes são festivais, por vezes programas ou séries, funcionários, moderadores, entrevistadores ou outros artistas recebem, mas não quem escreve. Presume-se sempre que o escritor está a divulgar os livros e a ganhar pela venda, mesmo quando lhe pedem que fale sobre outro tema, mesmo quando aparece meia dúzia de pessoas e ele não vende nada (e, quando vende, ganha dez por cento). O escritor é, assim, o pretexto de iniciativas que alimentam programações com assalariados e colaboradores, sendo ele o único a deslocar-se para dar o seu tempo e pensamento, quando não textos. Tudo a bem da literatura, mas certamente para mal da literatura que entretanto não está a ser escrita, e dizer isto não menospreza o contacto com os leitores. Para quem o faz com prazer ou por convicção, esse contacto é tão parte do trabalho como dar entrevistas, muitas vezes até um encorajamento ou reajuste. Mas não só o escritor tem o direito, por natureza ou convicção, de apenas escrever, como o prazer e convicção de quem divulga o que escreve não devem ser explorados até ao absurdo de inviabilizar a escrita. Todas estas iniciativas, sempre apertadas de orçamento, têm de buscar alternativas para remunerar o escritor. E as instituições que as programam poderiam pensar em residências, workshops, comunidades de leitores, subsídios, tudo ajudas à criação, através de trabalho pago, de tempo e espaço, ou simplesmente de dinheiro. Uma ressalva: festivais remunerados podem beneficiar leitores e indirectamente a criação, mas os escritores não são malabaristas do sinal vermelho. O escritor escreve; os convites para falar devem partir do seu trabalho; e só ele pode decidir falar de replicantes ou do exílio de Cavaco Silva.”

Que futuro para as lojas do passado? https://www.publico.pt/local/noticia/que-futuro-para-as-lojas-do-passado-1718844

“O antigo está na moda e há quem faça o novo parecer velho. Uma oportunidade para as lojas históricas? Um passeio em Lisboa e no Porto revela sucesso, reinvenção, tristeza. E ameaças. PUB Por entre milhares de braços, pernas e bonecas — novas e velhas, de pano, porcelana ou plástico — Manuela Cutileiro, herdeira do Hospital das Bonecas, aberto desde 1830 na Praça da Figueira, em Lisboa, diz que tudo corre bem com o seu negócio. “Quando vêm ter connosco, as pessoas procuram uma coisa diferente e uma qualidade diferente”, explica. O sucesso de algumas das lojas antigas de cidades como Lisboa e Porto, passa justamente por isso: oferecem exclusividade, historicidade e qualidade. O crescimento do turismo é decisivo. Mas há diferenças importantes entre as duas cidades. No Porto, o negócio tem crescido, as lojas mais tradicionais mantêm-se e o cenário é favorável para quem ali trabalha. Mas em Lisboa há lojas que bamboleiam na incerteza. Os motivos são vários: há concorrência por parte das grandes superfícies e das feiras de rua, e há falta de clientes. Mas, em grande parte, são as novas alterações à lei do arrendamento que estão a causar insegurança, levando alguns estabelecimentos ao encerramento. Recuperar o antigo Há lojas centenárias a fechar, mas há ao mesmo tempo novos espaços a abrir, cujo conceito é, justamente, recuperar um gosto antigo e fazer decorações vintage. Casos como a mercearia biológica Maria Granel, em Alvalade, assente no conceito tradicional de venda exclusivamente a granel, sem embalagens. Também a gerência do Botequim da Graça quis, desde o início, que o espaço fosse decorado “à moda antiga”, semelhante à decoração que existia quando era gerido pela poetisa Natália Correia, em 1969. Depois da sua morte, o bar encerrou e foi reaberto em 2010, com gerência de Hugo Costa. Face à concorrência de outros bares, Hugo Costa, de 34 anos, refere que a solução passa por criar um conjunto de clientes fidelizados. “Este estilo vintage hoje em dia não tem muitas ameaças, aliás, é mais fácil que seja antes visto como uma ameaça para os outros”, diz, explicando que a ideia da decoração atrai muita gente ao Botequim. Tem clientes dos 16 aos 70 anos, mas de nada adianta ter um “espaço muito bonito se o serviço for mau”. “Apesar de termos um estilo vintage, tentamos sempre inovar”, conta, considerando que o negócio está bom e que as críticas têm sido positivas. O aparecimento destes novos negócios que incitam a “reviver o passado” surge da “capacidade de regeneração” das cidades, diz o presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP), Nuno Camilo. Estes negócios fazem com que se procure “um produto que faça a diferença”, o que atrai mais pessoas. É um círculo vicioso que acaba por ser vantajoso para todos: os que abrem novos negócios e os que, há décadas na cidade, têm como bons vizinhos estes novos comerciantes. No Porto, algumas lojas mais recentes, como o cabeleireiro K-Urban ou a Central Conserveira, apostam, precisamente, numa decoração que mais não é do que uma viagem a outro tempo, mas onde se garante a qualidade do produto. Estes novos espaços tiveram de lutar pelo seu lugar no mercado, mas têm agora público cativo que não se limita aos moradores portuenses. No caso da Central Conserveira, a sócia-gerente Joana Azevedo defende a selecção de produtos nacionais, que muitas vezes não se encontram nos hipermercados: “Procuramos novos mercados, com novos designs, mais apelativos, novas marcas.” A escolha da conserva como produto primordial foi uma aposta ganha, mas os sócios da loja não se ficaram por aqui e criaram uma pequena área de restauração, onde os clientes escolhem a conserva que querem e depois a podem comer a quente, com combinações improváveis: “Servimos sardinha com mel ou cavala com compota. Esta área ajudou ao negócio. Por curiosidade, as pessoas aderiram.” A originalidade faz com que sejam uma escolha para os trabalhadores da cidade, que almoçam por lá, e para turistas, que mesmo não repetindo a experiência por estarem de passagem, recomendam a outros que visitam o Porto. Paulo Guedes, cabeleireiro do K-Urban, também defende que a qualidade é o que mantém os espaços em funcionamento. O salão tem a decoração inspirada na Barbearia Tinoco, que ali começou a funcionar em 1929 e que não pode ser modificada por ser património da cidade, mas a aposta é na modernização de serviços e nas parcerias. “Estamos a crescer todos os anos, até conseguimos fidelizar turistas. Temos também parcerias com hotéis, pelo que temos muito público estrangeiro”, diz o cabeleireiro. O negócio vai bem Em Lisboa, as lojas que têm um carácter exclusivo são das que mais clientes atraem. Um desses casos é a Luvaria Ulisses, no Chiado. Será uma das lojas mais pequenas do mundo, com apenas quatro metros quadrados na área do atendimento. Carlos Carvalho, co-proprietário, diz que o que fascina os visitantes é precisamente o facto de ser uma loja minúscula, de ter uma decoração elegante e “o artigo em si, que é a base de tudo”. Todas as luvas são manufacturadas por trabalhadores da Ulisses, num outro espaço em Lisboa, mantendo o mesmo processo de fabricação usado nos anos 1920. “Estamos aqui há 90 anos. Quem resistiu a todo este tempo, com certeza que se vai manter”, garante Carlos Carvalho. É verdade que há um século todas as senhoras usavam luvas — mesmo no Verão — e que agora as usam apenas por necessidade, quando está frio. Ou seja, “o mercado nacional passou a ser sazonal e isso sentiu-se no negócio”. “Mas no Verão temos os estrangeiros”, diz. E assim equilibram as contas. Também o Hospital das Bonecas se insere na categoria “exclusividade”. É dos únicos estabelecimentos deste género no mundo e, para além do restauro de bonecas, também “cura” peluches e objectos de cerâmica. Outro dos serviços é a confecção à medida de trajes de Carnaval tradicionalmente portugueses — ainda que também façam fatos de príncipes e princesas —, uma oferta que gera anualmente “muitas encomendas”. “Já passámos por tantas crises que, mais crise, menos crise, vamos sobrevivendo e o negócio está estável”, diz Manuela Cutileiro. “As coisas não vêm aqui parar pelo valor comercial, mas pelo valor afectivo”, diz a dona do hospital, que também funciona como museu, o que faz com que receba diariamente visitas de muitos turistas. No Porto, a Rua Sá de Bandeira é um dos muitos exemplos do poder do comércio na Baixa da cidade. Para além das inúmeras lojas, a artéria é a ligação para muitas outras ruas onde o comércio tradicional está vivo e de boa saúde, e onde a oferta mais moderna encontrou espaço. Luísa Vilas Boas é sócia-gerente do Bazar Paris há 23 anos, mas o espaço tem mais de 100. A loja, que a princípio vendia outro tipo de produtos, como perfumes vindos de Paris, especializou-se em brinquedos e artigos de coleccionismo: “Acredito que o nosso sucesso vem da oferta de produtos diferenciados, que não se encontram nas grandes superfícies.” António Almeida Reis, dono da Pérola do Bolhão, uma mercearia com 98 anos numa das ruas do mercado, acredita que, no seu caso, a escolha recai muitas vezes na sua mercearia e não noutras porque “pesa a granel” e tem “o bacalhau como especialidade”. O comerciante não sentiu a crise: “Nunca pensámos em fechar!”, exclama. E nem a grande quantidade de mercearias do género à sua volta o demoveu: “Esta zona agora é um sítio de muita passagem, dá para todos!” O aumento dos turistas é visto como uma vantagem. Em 2015, exemplifica, vendeu muito vinho do Porto e café a estrangeiros. Já se viveram melhores dias A atracção que estas lojas exercem é fácil de explicar — lá dentro estão bocadinhos da história das cidades, um local onde muitas vezes o interlocutor é alguém que, também ele, tem muitos saberes para partilhar. “Quando perdemos estas lojas, perdemos também o saber-fazer, porque muitas delas têm associados pequenos ateliers”, diz Catarina Portas, fundadora da cadeia de lojas A Vida Portuguesa. “São lojas que marcam as cidades em que se inserem”, sublinha Carla Salsinha, presidente da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS). Ajudam a definir “o carácter e a personalidade de uma cidade”, nas palavras de Catarina Portas. E, no entanto, sucedem-se os casos de encerramento. Porquê? “Indiscutivelmente, a lei do arrendamento”, responde Salsinha. “A maior parte destas lojas são arrendadas.” É o caso da papelaria Au Petit Peintre, na Baixa de Lisboa desde que abriu portas, em 1909. “As nossas casas, infelizmente, estão sentenciadas à morte”, diz José Dominguez, dono da papelaria mas não do imóvel. “Quando não se é proprietário de uma loja, não se podem criar sonhos porque podem ser destruídos em um ou dois dias.” A loja vende tudo o que tem a ver com papelaria, pintura e tipografia. “Se temos gráficos de vendas que vão mal, a pique, não é por falta de coisas para vender”, diz, explicando que nota uma diferença na procura e acredita que há uma política de medo: “Antes de se comprar alguma coisa, a pessoa tem de pensar três ou quatro vezes.” Dominguez reconhece que os centros comerciais são importantes para as cidades, mas sublinha a grande diferença no atendimento feito nas grandes superfícies e nas lojas tradicionais. “São precisos contadores de histórias, pessoas que tenham material puro e verdadeiro.” Por exemplo: em 1928, a Au Petit Peintre, conta, editou o Jornal da Mulher, uma publicação defensora da emancipação da mulher. Na sua papelaria, chegaram a trabalhar seis pessoas. Hoje, é só ele. José Dominguez é artista plástico e está aqui desde 1963. “Temos dias bons, dias menos bons e dias maus. Hoje, vejo esta parte nobre de Lisboa transformada em feiras”, lamenta. “E as lojas que têm os seus encargos a nível de fisco e de licenças estão sujeitas a uma concorrência desleal.” Celestino Almeida trabalha há 52 anos na mercearia Pérola de São Mamede, no número 19 da Rua Nova de São Mamede, em Lisboa. “Antes trabalhava aqui eu e a minha mulher, agora sou só eu. Qualquer dia nem eu, estou a ficar velho.” Tem 83 anos e diz que o negócio está “péssimo”. Explica que as grandes superfícies são uma das razões para o mau negócio. Outra é o aumento da renda: passou de 37 euros para 172. “O futuro está muito incerto, em tudo.” Não sabe se a mercearia conseguirá sobreviver. Para já, salvam-na os “velhinhos”, clientes habituais, e os turistas. No Porto, apesar de parecer que este tipo de negócios não enfrenta problemas, nem sempre foi assim — a última recessão económica, em 2011, fez baixar os lucros. No entanto, para estes comerciantes, fechar nunca foi alternativa. Uns reinventaram-se, aproveitando a nova vaga de turismo. O pior é quando os turistas não são compradores, apenas curiosos. “Os turistas só entram para tirar fotografias!”, queixa-se Israel Matos, dono da Cardoso Cabeleireiros. Um problema que levou a Livraria Lello, um ícone histórico da cidade, a começar a cobrar entradas. Israel vende perucas, naturais e sintéticas, numa loja que abriu em 1906. Apesar de não ter sentido qualquer efeito da recessão, os motivos pelos quais tal acontece não são os melhores: “Esta loja viveu muitos anos do teatro, vendíamos para muitos pontos do país. Actualmente, a loja sobrevive da doença da morte”, explica Israel, referindo-se a doenças oncológicas. “Antigamente vendia-se uma peruca por vaidade, hoje é por necessidade.” O investimento e a inovação parecem ser o segredo destas lojas, que querem manter-se de pedra e cal na cidade. Na Cabeleireiros Cardoso, Israel diz querer “continuar a investir no mesmo ramo, mas noutras tecnologias”: “Temos de acompanhar a evolução, é o que vou continuar a fazer.” Já Luísa Vilas Boas apostou em manter o produto, mas aumentar a oferta aos clientes: “Quando fiquei na gerência, abri mais uma loja, na Boavista. Há dois anos abrimos a loja online, para que mais pessoas consigam chegar até nós.” A aposta acaba por levar o Bazar Paris a todo o país, e parece estar a dar frutos: “Desde o início que teve sucesso, mas neste Natal atingimos todos os picos de vendas.” O segredo do negócio na Bazar Paris é o mesmo de todas as outras lojas: “É importante que se alie a tradição à modernidade”, defende a gerente. E é por isso que investe sempre em produtos que recordem os velhos tempos: “Continuamos a ter o brinquedo tradicional, como o pianinho, o cavalo de baloiço, o pião. São artigos modernos, mas que remetem para o antigamente.” Na Pérola do Bolhão a aposta é na continuidade: “Temos de manter a qualidade, aviar bem os clientes, manter os preços de mercado”, relata o proprietário, que não avista o fim da mercearia: “Espero, pelo menos, chegar aos cem anos [da loja]! Depois, alguém tomará conta.” Para Paulo Guedes, do K-Urban, o caminho deverá fazer-se sempre focado no cliente: “Na Suíça, onde cresci, há o label ‘qualidade suíça’. As pessoas apostam na qualidade e deveríamos todos fazer o mesmo no nosso país. Apostar menos na embalagem e mais na qualidade do produto ou do serviço.” Já Joana Azevedo, que sentiu alguma relutância quando abriu o negócio — “ainda havia um grande preconceito em relação à conserva” —, acredita que apostar na restauração aliada à mercearia de conservas foi um bom impulso para o negócio, uma vez que serão a única loja na cidade que serve conservas “a quente”. Sentença de morte? Voltando a Lisboa, o panorama é muito menos brilhante do que no Norte. O restaurante Palmeira fechou há uns dias, depois de ter sido decretada a venda do edifício em hasta pública e de os novos proprietários terem decidido fazer obras no prédio. Também a loja da fábrica de Sant’Anna, que faz 100 anos este mês, recebeu uma ordem de despejo para que o grupo Visabeira possa avançar com a construção de um hotel no mesmo edifício. Foi apresentada uma contestação pelos dirigentes da loja, daí que ainda se encontrem na Rua do Alecrim, a aguardar resposta. A Ginjinha sem Rival esteve à beira de fechar para que no edifício nas Portas de Santo Antão nascesse mais um hotel, o que não chegou a acontecer por intervenção da câmara municipal. “Qualquer dia, vem-se a Lisboa para ver hotéis”, ironiza José Dominguez, ao balcão da Au Petit Peintre. “Há cerca de um ano, ouvimos o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, dizer que por ele nunca o histórico café Guarany sairia de onde estava. Em Lisboa, nunca ouvi nenhuma declaração dessas, não há um único sinal público em relação às lojas históricas”, diz Catarina Portas. Aliás, sublinha, pelo contrário. O Lojas com História, programa lançado em 2015 pelo município, “está parado”. A fundadora de A Vida Portuguesa integra o conselho consultivo deste programa. Ainda chegaram a ser definidos os critérios de acordo com os quais um estabelecimento emblemático da cidade poderia receber o selo Lojas com História, explica. Era suposto iniciar-se agora o levantamento dos que poderiam receber uma protecção especial, à luz desses critérios. “E estudou-se o que foi feito noutras cidades, porque este problema não existe apenas nas cidades portuguesas. O comércio mudou muito, profundamente”, em muitas partes do mundo. “Não vejo, contudo, neste momento, ninguém para continuar esse programa”, lamenta Portas. E, no entanto, as lojas da cidade vivem os efeitos de uma espécie de tempestade perfeita, criada pela conjugação de três factores que, “por si só, seriam positivos”, mas que juntos “são uma tragédia”: a lei do arrendamento; “o pico de turismo que se vive em Lisboa” e “o interesse de vários fundos de investimento estrangeiros em imobiliário”. Apelos à mudança de lei No final de Novembro, foi criada pelo movimento Fórum Cidadania Lx uma petição online intitulada “Por uma nova alteração à lei do arrendamento, pela salvaguarda das lojas históricas”, que tem mais de 850 assinaturas. Face ao “encerramento em avalancha de lojas antigas”, são apontados como motivos algumas das alterações introduzidas na lei do arrendamento, nomeadamente os “aumentos exorbitantes” das rendas, a não consideração da especificidade dos estabelecimentos comerciais, a denúncia do contrato no caso de haver projectos de remodelação ou restauro nos edifícios em que se inserem as lojas, muitas vezes para fins turísticos. Assim, é pedido que seja introduzida na lei uma cláusula de salvaguarda específica para estas lojas. Uma moção também apoiada pela União de Associações do Comércio e Serviços, que considera fundamental fazer tudo para salvar estas memórias vivas das cidades. “São lojas que estão localizadas nas zonas nobres da cidade e que estão inseridas em prédios que são vendidos para fundos imobiliários com o objectivo de, a maior parte deles, serem transformados em estruturas de hotelaria”, explica a presidente da associação, afirmando que as empresas fazem obras profundas e dão ordem de despejo, o que, aliás, “têm todo o direito de fazer, não é uma ilegalidade”. Mas pode ser uma “incoerência”, já que faria “todo o sentido se as lojas permanecessem inseridas dentro de um hotel, por exemplo, seria até uma mais-valia”, defende Carla Salsinha. Além das responsabilidades assacadas à lei do arrendamento e aos apetites imobiliários pelo encerramento das lojas, soma-se a falta de rentabilidade do negócio, mas a presidente da UACS diz que esses serão casos “minoritários”. Salsinha espera que sejam implementados os mecanismos de salvaguarda deste comércio, já definidos — falta a aprovação pela Câmara Municipal de Lisboa. “Enquanto não estiver tudo regularizado, acredito que muitas mais lojas irão fechar ao longo de 2016”, afirma, dando como motivo a crescente afluência de turismo na cidade, o que não deixa de ser bom, mas apenas “por um lado”. É que, como diz Catarina Portas, é em nome do turismo — nomeadamente da construção de hotéis para o receber — que se deixam as lojas históricas fechar, o que é um contra-senso. Há quem não veja problemas nas ordens de despejo dadas às lojas históricas, pois estas poderão sempre abrir noutro sítio. Mas Carla Salsinha contrapõe que, com a mudança, perderiam totalmente a sua essência. “Se mudarmos o comércio de tradição da Baixa para Campo de Ourique ou para a Avenida de Roma, não será a mesma coisa”, diz, acrescentando que “são também estas lojas que fazem os turistas ir à Baixa, à procura delas”. É uma simbiose: as lojas precisam dos turistas e os turistas procuram as lojas. No Porto, é diferente. Tanto as lojas históricas como as mais modernas atraem cada vez mais população a uma zona da cidade que sofreu com a descentralização, aquando da abertura de centros comerciais. Hoje, o comércio volta a dar vida à Baixa da cidade e a chamar turistas. O mercado não parece, de todo, saturado, e o presidente da ACP, Nuno Camilo, vê mais possibilidades para diferentes públicos num futuro próximo: “O Porto precisa de dar um salto para o turismo de negócio à escala internacional, começar a receber eventos com pessoas com mais poder de compra.” O S. João ou os jogos de futebol a nível internacional são uma forma de atrair mais públicos, considera. Mas, mesmo agora, o cenário é de optimismo: “Na área do comércio e serviços, fecham duas lojas por dia na zona da Grande Lisboa; na do Grande Porto, abre uma”, diz Nuno Camilo. Na sua opinião, há um segredo para este sucesso do Porto: sinergia — toda a cidade se envolve, toda a cidade se empenha. Mais pessimista está Carla Salsinha: “Acredito que no Porto vá acontecer exactamente a mesma coisa que está a acontecer agora em Lisboa.” O problema, defende, tem muito que ver com a pressão turística, “boa para a cidade, mas que tem estas repercussões”, nota. “No Porto, esta pressão começou ligeiramente mais tarde.” com A.S.”

Dito isto, espero com muita produtividade e boa energia para começar bem 2016. Se for preciso uma ajuda, ouça uma destas 16 músicas que vão fazer agora 50 anos. Bem boas

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Por aqui me fico… e claro, com o desejo de um fantástico ano de 2016!  Até ao próximo click!
publicado por Musikes às 12:19 link do post
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