Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
09 de Outubro de 2014

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

No "Gotinhas..." desta semana!

Construir cavaquinhos é uma nobre arte. Pois agora vamos conhecer os artistas É um trabalho de fôlego que está agora a começar e resulta de um protocolo entre DGPC e a Associação Cultural e Museu Cavaquinho: inventariar os construtores no património imaterial português.

"AMÁLIA HÁ SÓ UMA". PORQUÊ? João Miguel Tavares, colunista do Público e comentador no "Governo Sombra" da TVI24 e TSF, sabe (quase) tudo sobre a artista que partiu há 15 anos. Uma conversa sobre Amália no Museu do Fado.

Sérgio Godinho estreia-se na ficção literária Recolha de histórias, "Vida dupla" chega às livrarias na sexta-feira. É o 11.º livro publicado pelo músico.

Silêncio! que na Argentina também se canta o fado Ana Moura atuou pela primeira vez na Argentina durante o 1.º Festival de Fado na Usina del Arte, em junho, no bairro La Boca.

Acordeão: Português é prata em concurso mundial João Filipe Guerreiro tornou-se, no dia 19 de Setembro, vice-campeão do "Premio Internazionale della Fisarmonica Cittá di Castelfidardo", que decorre em Itália e é uma das mais prestigiadas competições de acordeão no mundo.

Músicos incentivam consumo de fruta em idade escolar O projeto desenvolvido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) há quatro anos conta agora com o apoio de músicos como João Gil, Ana Bacalhau, Rita Redshoes ou Mário Laginha, que farão parte do júri que vai avaliar os "Hinos da Fruta" criados pelas escolas participantes.

Ver TV e consultar o Facebook está a dar cabo do seu cérebro Se tem por hábito ver televisão, enquanto consulta as redes sociais no seu computador ou smartphone, se calhar é melhor abandonar uma das atividades. O seu cérebro pode estar a sofrer.

Os Maias e Portugal Carta a João Botelho. Meu Caro João, Irra, que até me fizeste ficar comovido! E isso dá-me direito a tratar-te por tu. Eu ali sentado, no escuro da sala, acaba a publicidade e, às primeiras imagens do genérico, pimba, é a madeleine, a de Combray, a autêntica. O inesperado choque traz-me lágrimas aos olhos. Com a comoção, nem me lembro bem das imagens: esquissos, projectos, debuxos, tecidos, não sei bem, mas sei que foram suficientes para logo à primeira impressão me sentir nos Maias. Nos meus Maias, no meu Ramalhete É que eu sou muito lá de casa, menino. Amigo desde a mais tenra adolescência do fiável Taveira, do sensível Cruges, do saudoso Marquês, do sólido Craft.

À conversa com... Eduardo Sá: "Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas"

Sugestões do "Gotinhas Culturais" Na Casa da Música, Porto, a não perder...

Outono em Jazz | 10 a 22 Outubro 2014 Primeira Viagem ao Espaço Banda Sinfónica Portuguesa

Construir cavaquinhos é uma nobre arte. Pois agora vamos conhecer os artistas http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/construir-cavaquinhos-e-uma-nobre-arte-pois-agora-vamos-conhecer-os-artistas-1671957

Durou nove meses, como para um parto. Em Janeiro, a Associação Cultural e Museu Cavaquinho mostrou-se ao mundo, numa sessão no CCB. Júlio Pereira, músico e seu presidente, apresentou, junto com o seu novo disco, Cavaquinho.pt, também integrado neste esforço de salvaguarda do património, um site que era já resultado de meses de trabalho intensivo. Agora, em Outubro, concretiza-se enfim um dos objectivos primordiais da sua criação: o levantamento sistemático dos construtores tradicionais, das suas práticas e da sua sabedoria. Domingos Machado, Alfredo Machado e José Gonçalves são os primeiros da lista. Agora, são entrevistados pela antropóloga Teresa Albino. Depois, segue-se um levantamento fotográfico (já em curso) e documental com vista a produzir um livro que mostre a sua realidade - "quem são, donde são e o que criam". Isto é apenas uma parte do trabalho da associação, que mantém e desenvolve um site bilingue, em português e inglês (www.cavaquinhos.pt), aberto à vasta comunidade de praticantes e seguidores que ele tem no mundo, uns 200 milhões. "Espero", diz Júlio Pereira "que, a par com o afecto que a associação tem recebido pelo país fora, consigamos os apoios necessários das instituições governamentais ligadas à cultura para conseguirmos com êxito uma tão grande empreitada. Sobretudo numa Europa em crise em que cada nação deve afirmar a sua identidade, tornando-se imperiosa a consciência de que é através da cultura que a nossa alma se descobre." E esse apoio tem vindo, de algum modo a concretizar-se. Em Junho foi assinado um protocolo com a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), com as assinaturas (e presenças) de Nuno Vassallo e Silva, director da DGPC, e Júlio Pereira, Presidente da associação. Isto sob o olhar atento do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. Objectivos? Uma colaboração institucional "com vista à inscrição dos saberes e técnicas dos construtores tradicionais" no inventário do património imaterial. No site da DGPC chegou-se a ligar, numa notícia institucional, esse passo a uma eventual candidatura da prática do cavaquinho a património imaterial da UNESCO. Paulo Costa, da DGPC, responsável (com Teresa Albino) por este projecto de investigação explica: "Uma eventual candidatura à UNESCO deve ser previamente objecto de uma inscrição no inventário nacional do património imaterial de expressões culturais relativas à prática do cavaquinho. Ora essa prática, em Portugal, envolve uma série de aspectos que têm a ver com os grupos, os intérpretes, que usam o cavaquinho nas suas composições em diversíssimos géneros musicais. Mas tendo em conta a disseminação desse instrumento por outros países (Cabo Verde, Brasil, Indonésia, Estados Unidos, particularmente no Hawai onde deu origem ao ukulele), entendeu-se que seria prioritário conhecer quem são os construtores tradicionais do cavaquinho, os que já aprenderam com os pais, avós, ou em contexto oficinal, mas que no fundo trazem essa tradição da construção da excelência deste instrumento." Daí, quis-se "avançar para um trabalho de identificação sistemática de saber quem são estes construtores, de definir uma metodologia de pesquisa dos traços de trabalho que lhe são comuns mas também aquilo que os individualiza." Para Júlio Pereira, a parceria com a DGPC "é mais um importante passo a juntar às necessárias para levarmos este projecto nacional a bom porto. Nestas parcerias estão incluídas as câmaras municipais das cidades transversais à prática do cavaquinho (já assinámos protocolos com as câmaras de Braga e de Lisboa) e também a nível do levantamento nacional de músicos, grupos de cavaquinhos e locais de ensino que a associação está a fazer." Neste último campo, o do ensino, há já passos concretos. "A associação tem vindo a ter reuniões, no continente, com estabelecimentos de ensino de música com vista ao desenho do que será o primeiro curso para uma aprendizagem académica do cavaquinho, tendo já assinado o primeiro protocolo com a ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto. Há já uma parceria firmada com o Conservatório de Música de Coimbra, à qual queremos juntar os Conservatórios de Braga, de Lisboa e do Funchal, cidade onde é de louvar que o braguinha [nome que na ilha da Madeira é atribuído ao tetracórdio da família do cavaquinho] já seja estudado desde o início deste ano no Conservatório."

Um horizonte enorme Rui Vieira Nery, musicólogo, que em Janeiro esteve na apresentação do site e também do disco, diz agora: "A ideia de que há um processo cultural associado a este instrumento que partiu daqui, acho que merece atenção da parte das instituições portuguesas e é isso que a associação está a tentar fazer com uma série de iniciativas: exposições, concertos... Que, em princípio, poderiam levar a um segundo momento, de uma instituição que pudesse ter uma colecção própria, com exemplos dos instrumentos de toda esta diáspora, com uma escola de construção (visto que alguns construtores tradicionais estão a desaparecer), preservação da memória, da documentação e com contactos com a rede de instituições e de praticantes deste instrumento por todo o lado."

"AMÁLIA HÁ SÓ UMA". PORQUÊ? João Miguel Tavares, colunista do Público e comentador no "Governo Sombra" da TVI24 e TSF, sabe (quase) tudo sobre a artista que partiu há 15 anos. Uma conversa sobre Amália no Museu do Fado. http://observador.pt/episodio/amalia-ha-uma-porque/

Sérgio Godinho estreia-se na ficção literária http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=4162875

Recolha de histórias, "Vida dupla" chega às livrarias na sexta-feira. É o 11.º livro publicado pelo músico. "Vida dupla" é o título da recolha de histórias que assinala a estreia na ficção de Sérgio Godinho. "Mosaico em que as figuras se desdobram de pessoas comuns em fantasiosas personagens (e vice-versa)", segundo nota da editora, o livro, com a chancela da Quetzal, chega às livrarias na próxima sexta-feira. Atravessam este trabalho histórias extraídas do quotidiano que revelam personagens marcadas por um traço comum: "cumprem um singular destino através do papel que lhes coube no circo da vida". Ao longo das narrativas, há sempre um elemento perturbador que interrompe o curso normal dos dias. Desde um homem que deixa a sua casa todas as noites, optando por dormir misteriosamente ao relento, ao carrasco que, mesmo tão habituado à morte, reflete sobre o sentido da existência, "Vida dupla" apresenta um conjunto amplo de histórias. Apesar de ser a sua primeira incursão ficcional, Sérgio Godinho já publicou um total de 11 livros. Obras de géneros muito diferentes que vão ao encontro da própria polifonia do cantor. Guiões de cinema (como "Kilas, o mau da fita), poesia ("Sangue por um fio"), histórias para a infância ("O pequeno livro dos medos"), peças de teatro ("Eu tu ele nós vós eles") ou crónicas ("Caríssimas quarenta canções") são disso apenas alguns exemplos.

Silêncio! que na Argentina também se canta o fado http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4163072

Governo Argentino escolheu o 6 de outubro - o mesmo do aniversário da morte de Amália Rodrigues - como Dia Nacional do Fado. No café em Buenos Aires, aos primeiros acordes do fado de Coimbra, ninguém percebe. Maria Laura Rojas fecha os olhos e começa a cantar. O sotaque pouco se nota durante a canção e só quando termina e agradece ao público nos damos conta de que esta fadista não é portuguesa: Maria Laura é argentina. Com Dulio Moreno, de 30 anos, criou, em 2009, os Almalusa. Apesar de viver no país do tango, Maria Laura diz gostar mais de fado. "Em minha casa, os meus pais sempre ouviram fado e eu cresci a cantarolar Amália Rodrigues e Carlos do Carmo", explica. Tal como Dulio, bisneto de portugueses e apaixonado pelo fado desde os 12 anos. "Lembro-me de ser muito pequeno e de a minha avó ouvir fado na rádio. Com o passar dos anos fui descobrindo mais temas, mais intérpretes e fui-me apaixonando cada vez mais. Adoro falar português e, quando canto, sinto saudade, sinto o mar e a tristeza de tantos portugueses que tiveram de deixar a sua terra. Quando canto em português sinto a alma inteira de um povo", conta ao DN o argentino que, além de pertencer à comunidade lusa na Argentina, tem o programa de rádio Saudade de Portugal.

Acordeão: Português é prata em concurso mundial http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_acordeao-portugues-e-prata-em-concurso-mundial_20992.html via Byline

João Filipe Guerreiro tornou-se, no dia 19 de Setembro, vice-campeão do "Premio Internazionale della Fisarmonica Cittá di Castelfidardo", que decorre em Itália e é uma das mais prestigiadas competições de acordeão no mundo. Segundo o jornal Sul Informação, o acordeonista luso, aluno do conceituado professor Hermenegildo Guerreiro, conquistou o segundo lugar na categoria de Sénior "Varieté", no concurso a decorrer na cidade italiana de Castelfidardo. A prova contou com a participação de dezenas representantes de diversas nacionalidades, como China, Rússia, Finlândia, França, Espanha ou Brasil, distribuídos por várias categorias. Como em 2002, Portugal volta a ter um acordeonista no pódio deste prémio internacional, quando João Frade, também aluno de Hermenegildo Guerreiro, conquistou o primeiro lugar da competição.

Músicos incentivam consumo de fruta em idade escolar http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4144501

O projeto desenvolvido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) há quatro anos conta agora com o apoio de músicos como João Gil, Ana Bacalhau, Rita Redshoes ou Mário Laginha, que farão parte do júri que vai avaliar os "Hinos da Fruta" criados pelas escolas participantes. O projeto "Heróis da Fruta - Lanche Escolar Saudável" tem como objetivo "aumentar o consumo diário de fruta em idade escolar, tendo em conta que a nível nacional apenas 2% das crianças até aos 10 anos ingere fruta fresca todos os dias", diz o comunicado da iniciativa. Os dados são do Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil elaborado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde. Os 'Hinos da Fruta' são desenvolvidos pelas turmas, que têm que "inventar uma letra e gravar um videoclipe que transmita aos encarregados de educação a importância de consumir fruta diariamente". No ano passado, mais de 136 mil alunos participaram no projeto. Este ano, os vencedores serão escolhidos por um júri formado por João Gil, Ana Bacalhau (dos Deolinda), Amor Electro, Henrique Feist, Maria João, Mário Laginha, Vanessa Silva, Rita Redshoes, OqueStrada, HMB, Frankie Chavez, Filipe Pinto e o Avô Cantigas. "Os vídeos estarão disponíveis para votação do público no site www.heroisdafruta.com que determinará os finalistas, mas é ao Júri que cabe a difícil tarefa de escolher as letras mais originais e os videoclips mais criativos. Finalmente, serão escolhidos 3 vencedores entre os finalistas e ainda um outro vencedor entre os hinos menos votados pelo público", afirmou o presidente e fundador da APCOI, Mário Silva, na apresentação do projeto. "Fui uma criança gorda. Comia demais e mal. Por causa disso, era gozada na escola primária (aquilo a que hoje se chamaria "bullying") e sofri muito com isso. Não o sabia, quando era criança, mas aprendi como adulto que quando comemos mal, isso irá ter influência na nossa saúde por muitos e muitos anos", indicou Ana Bacalhau, segundo o comunicado, dando um conselho às crianças: "Comam muita fruta e, sobretudo, divirtam-se com ela. Das cerejas façam brincos de princesa, das melancias e melões, uma escultura, misturem as suas cores vivas como se se tratasse de um desenho vosso. Não há maior benção do que viver-se uma vida plena de saúde e bem-estar."

Ver TV e consultar o Facebook está a dar cabo do seu cérebro http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/interior.aspx?content_id=4159861

Se tem por hábito ver televisão, enquanto consulta as redes sociais no seu computador ou smartphone, se calhar é melhor abandonar uma das atividades. O seu cérebro pode estar a sofrer. Literalmente. Dois investigadores da Universidade de Sussex, em Inglaterra, estudaram o impacto da utilização simultânea de vários aparelhos e concluiu que as pequenas células cinzentas (como lhes chamava Hercule Poirot) estão a encolher. Melhor, a perder densidade. Leia também: O Facebook está a deixá-lo deprimido? Saiba porque continua a usar a rede social Os neurocientistas Kep kee Loh e Ryota Kanai pediram a 75 adultos para responder a um questionário sobre os seus hábitos de consumo de terminais de media (como TV, telemóveis, computadores e até imprensa) e a seguir fizeram uma ressonância magnética (MRI) ao cérebro. Conclusão? Quem usava com alguma frequência mais do que um aparelho em simultâneo tinha uma menor densidade de células numa zona do cérebro responsável pelo controlo das funções emocionais e cognitivas. Uma situação que não tem de ser necessariamente ter um efeito de causalidade, mas, alertam os dois neurocientistas, há que fazer estudos mais aprofundados sobre se é o multitasking que leva a uma menor densidade de células nessa zona do cérebro ou é o facto de se ter uma menor densidade que faz com que as pessoas tenham tendência para o multitasking.

Os Maias e Portugal http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/os-maias-e-portugal-1671485

Meu Caro João, Irra, que até me fizeste ficar comovido! E isso dá-me direito a tratar-te por tu. Eu ali sentado, no escuro da sala, acaba a publicidade e, às primeiras imagens do genérico, pimba, é a madeleine, a de Combray, a autêntica. O inesperado choque traz-me lágrimas aos olhos. Com a comoção, nem me lembro bem das imagens: esquissos, projectos, debuxos, tecidos, não sei bem, mas sei que foram suficientes para logo à primeira impressão me sentir nos Maias. Nos meus Maias, no meu Ramalhete É que eu sou muito lá de casa, menino. Amigo desde a mais tenra adolescência do fiável Taveira, do sensível Cruges, do saudoso Marquês, do sólido Craft. Recompus-me, e à medida que o filme se ia desenrolando, era mesmo Os Maias, o autêntico, o genuíno. Lá estavam a fachada, a fonte do jardim, o whist do Ramalhete, os veludos verdes dos reposteiros do consultório, o sólido Afonso, o besuntoso Dâmaso, as soirées do S. Carlos, a denguice da Gouvarinho e os envolventes Cohens, da Vila Balzac, da bancarrota e das petits pois, e aquela aparição de uma Deusa, talvez um pouco parca de Olimpo, de brasileiro e cadelinha, o Mocho da Toca e o John, o mefistofélico Ega, o John, lá estava ali à minha frente. O Alencar de Alenquer, histriónico, talvez com menos ossos para estreitar. Quadro a quadro, entre os estupendos telões do exterior e o fiel requinte dos fantásticos interiores e do magnífico guarda-roupa, desenrolava-se ali à minha frente o texto, o discurso, as frases, dos Maias. Frases gravadas na minha memória que reconheci uma a uma, como parte do meu passado, frases íntimas como amigos de infância a desfilar à minha frente, a salientar, com singular mestria, a estatura única desta obra-prima da literatura, que consegue conjugar uma devastadora tragédia com a mais divertida observação da comédia humana. O solene, o prosaico, o sublime, a vida. Conseguiste, em forma cinematográfica, ressaltar, com originalidade e integral respeito pelo original, o sublime do texto deste romance magnífico. É obra! Venham de lá esses ossos. O filme é, como te ouvi e li dizer em entrevistas, a tua leitura d'Os Maias. A autoria desta obra de arte é tua. Mas encontrei no teu filme, em considerável extensão, também a minha leitura. Já, porém, não subscrevo a ideia difundida em entrevistas e comentários a propósito do lançamento do filme de que Os Maias serão uma espécie de alegoria da História de Portugal e que a sua actualidade se deve a que o Portugal de hoje é igual ao que o Eça disseca. Discordo por duas razões. Primeiro porque dizê-lo diminui, a meu ver, Os Maias. É verdade que Portugal é um "personagem" importante em muita da nossa melhor literatura, designadamente no Eça (a hiperidentidade de que fala Eduardo Lourenço?) e que Os Maias se inscrevem na sociedade portuguesa da época, mas não são sobre Portugal. São uma das mais autênticas, impiedosas e sagazes análises da natureza humana. Ali está tudo, a frescura da esperança, a coragem, a pusilanimidade, a traição, o desejo, a paixão, até à violação brutal do mais redutor dos tabus que leva ao extremo do humano. Ali, e no filme, descrito de modo magistral. Não foi Portugal que não mudou. Foi a natureza humana. E é por ser sobre a condição humana que a obra de Eça é tão actual e atingiu reconhecimento universal. E discordo também porque creio que o Portugal de hoje, tendo em conta os padrões das duas épocas, é muito diferente e muito melhor do que o de então. É mania dizer que nada mudou. Há uns meses alguém citava para esse efeito um texto onde Eça dizia, sobre as jovens portuguesas, que eram raquíticas, macilentas, olheirentas. Transportado para o presente concordarás que parece tratar-se de um problema oftálmico. Não são hoje obscuros M. Guimaraens que têm imaginária influência em Gambettas. São figuras portuguesas que ocupam lugares internacionais do maior destaque, o que era impossível com a imagem do país de então. Hoje, Carlos não teria necessidade de recorrer a arquitectos ingleses para restaurar o Ramalhete e deixar para o português amigo do Vilaça as cocheiras. Temos uma das melhores redes viárias do mundo, somos vanguardistas em áreas como as energias renováveis, temos cientistas de reputação mundial patrocinadores de avanços mundialmente reconhecidos, etc. Para nos atermos à Arte e à Cultura, quando tivemos, como hoje, poetas, escritores, arquitectos, artistas plásticos, cineastas que são referências pelo mundo todo? A alteração da programação cultural por todo o país nas últimas duas décadas, o modo como pessoas dos mais diversos meios se exprimem, tudo revela uma enorme mudança. Isto significa que há hoje uma muito maior proporção de portugueses capazes de usufruir dos Maias: do livro e do filme. Até a bancarrota deixou de ser nacional e passou a sistémica, graças à benfeitora globalização. Não foi Portugal que não mudou. O que não mudou foi a natureza humana, que me cheira não vai mudar e por isso revemos, nos nossos contemporâneos, os comportamentos e fraquezas, as qualidades e defeitos, das personagens de então. É a natureza humana que Eça retrata e é isso que reencontramos na sua obra e a faz tão actual. Tenho de ir agora, João. Vou para Viseu, rever Os Maias. E antes de voltar para Lisboa tenho que passar em Mangualde, não me vão esquecer os famosos pastéis. Deixo-te, pois, com enorme, grato e reconhecido abraço. Encheste-me a alma com os teus Maias. Embaixador reformado

E agora... à conversa com...

Eduardo Sá: "Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas" http://observador.pt/2014/09/25/eduardo-sa-os-bons-filhos-sao-aqueles-que-nos-trazem-problemas/

Para Eduardo Sá, o ideal seria um sistema educativo onde as crianças fugissem para as escolas.

"Hoje não vou à escola!", quantas vezes já ouviu o seu filho dizer isto, logo pela manhã, acabado de sair da cama? No início de mais um ano letivo, o psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá lança um livro cujo título toma emprestado o protesto infantil. A ideia é explicar que as crianças saudáveis são afoitas, curiosas e que, às vezes, não têm vontade de ir às aulas. "Hoje não vou à escola!", da editora Lua de Papel, chega esta quinta-feira às livrarias. Porque "a família é mais importante do que a escola e brincar é, pelo menos, tão importante como aprender", Eduardo Sá fala dos excessos cometidos no ato de educar uma criança e aponta o dedo tanto a pais como a professores. Defende que, depois de um longo dia de trabalho, é obrigatório que a criança brinque (em vez de se lançar aos trabalhos de casa ditos "XXL"). E, antes de um pai exigir boas notas, deve ensinar ao filho valores como honestidade e humildade. A crítica às escolas é clara, ao Ministério da Educação também: "Os diversos governos, desde há vários anos -- e com todo o respeito -- têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas". Mas também destaca os longos períodos de aulas e a pouca importância que é dada a disciplinas como educação física e musical. A solução passa, pois, por criar, em conjunto, um sistema educativo onde as crianças fujam para a escola em vez de fugir dela. Mas o também professor da Universidade de Coimbra e do ISPA, além de autor de livros virados para a saúde familiar e educação parental, deixa ficar ainda o aviso: os pais não devem viver em função da agenda social dos filhos. A consequência pode resvalar para um divórcio a prestações, até porque o mais importante na vida, diz, são as relações pessoais. "Pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais". Eduardo Sá_03 (1) D.R. A escola é, como diz no livro, "o mundo secreto onde os nossos filhos habitam". O que quer dizer com isso? Eu tenho medo que estejamos a fazer das crianças uma super produção dos pais, mais do que propriamente dar espaço para elas possam crescer. Preocupa-me, em primeiro lugar, que não tenhamos uma ideia precisa da mais-valia que representa o jardim de infância. Que os pais imaginem que se trata de uma espécie de atelier de tempos livres, das 9 às 17h, e não o vejam como instrumento indispensável a todo o crescimento: tem mais-valias a nível do corpo, da sensibilidade, da expressão... Um bom jardim-de-infância é meio caminho andado para uma escolaridade tranquila. Depois, as crianças não precisam de estar tanto tempo na escola para aprenderem. Mais tempo de escola não é, obrigatoriamente, melhor tempo. Pelo contrário, as crianças precisam de muito mais tempo de recreio. Crianças mais empanturradas em conhecimento são crianças que pensam menos. Temos de perceber o que queremos, efetivamente, da escola. Se queremos, ou não, uma linha de jovens tecnocratas de sucesso. Acho ótimo que possamos ir por aí, mas jovens assim não são pessoas singulares, são produtos normalizados. E era muito bom que as pessoas percebessem que aquilo que se fala aí pomposamente como mercado vai escolher as pessoas singulares, criativas. Trata-se de conhecimento em detrimento do pensamento? Continuamos a favorecer um sistema educativo que premeia fundamentalmente os miúdos que repetem aos que recriam. É um bocado esquizofrénico, quase, porque nós castigamos os que copiam e premiamos os que repetem como se as duas coisas não fossem faces de uma mesma moeda. Temos de pensar muito bem que tipo de estratégia queremos para que as crianças, ao mesmo tempo que aprendem, sejam capazes de ser afirmativas e sensíveis. Depois, é fundamental que se perceba que a família é mais importante do que a escola e que brincar é, pelo menos, tão importante como aprender. Que equilíbrio sugere entre brincar e trabalhar? A partir do momento em que as crianças chegam a casa, estão obrigadas a brincar. Brincar faz bem à saúde e é obrigatório brincar todos os dias. É natural que, se as crianças chegam tarde a casa, os pais queiram despachar os trabalhos e utilizem a fórmula "primeiro fazes os trabalhos de casa, depois brincas". Devia ser ao contrário, porque assim descontraem. Qual o papel do pai na aprendizagem de um filho? Os pais deviam ser a verdadeira entidade reguladora das escolas. Há pais que se anulam perante algumas atitudes muito pouco sensatas de professores, seja em relação aos trabalhos de casa, a comentários ou até estratégias pedagógicas. Não gosto de pais que se intrometem de forma abusiva na vida da escola, mas também parece grave que haja aqueles que se anulem. É importante que nós assumamos que a escola tem um tempo que deve ser gerido, no essencial, pelos professores e deve ter nos pais uma entidade reguladora fantástica. Depois, é preciso fazer o resto: porque à parte de todos aqueles tempos, para além do razoável, muitas vezes as crianças chegam a casa e ainda têm não sei quantas atividades extracurriculares; muitas têm trabalhos de casa em formato XXL. É uma crítica tanto ao professor como ao pai? Também. Trabalhos de casa em formato XXL, que se fazem entre o banho e o jantar, já com as crianças muito cansadas...pergunto-me qual será a mais-valia ou o objetivo deles. A maior parte dos trabalhos de casa são uma forma rápida para que as crianças passem a ter um ódio de estimação pela escola. Não sou radicalmente contra os trabalhos de casa, mas era bom que o trabalho fosse ir ao supermercado com a mãe, ou com o pai, e fazer os trocos (e outras coisas do género). Ou seja, trazermos a escola da vida para dentro da escola. Acha que as crianças vão aprender com os trabalhos de casa aquilo que não aprenderam na escola? Nestas circunstâncias, o que pode um pai exigir de um filho? O pai deve começar por exigir que o filho seja honesto e humilde, algo que, muitas vezes, não o faz. A humildade é uma coisa que faz muito bem à saúde, porque ajuda-nos a aprender com os erros. Tenho medo que estejamos a criar um mundo francamente batoteiro, que torna as crianças debilitadas em relação à frustração. Nós, às vezes, somos poucos tolerantes para com os erros das crianças e esquecemo-nos que errar é aprender. Depois de as crianças serem honestas e humildes, acho importante que elas sejam afoitas, mas que, ainda assim, estejam autorizadas a errar. Uma criança que não erra não é um bom aluno, é uma criança que se vai fragilizando à conta de boas notas. O que seria, então, uma escola ideal? Não é preciso ser uma escola ideal. Uma escola onde as crianças tivessem, sobretudo, aulas de manhã, seria uma boa escola (somos animais com ritmos biológicos muito precisos e aprendemos em função deles; somos mais inteligentes de manhã do que a seguir à hora de almoço). Uma escola que tivesse, inevitavelmente, recreios maiores e onde a parte da tarde fosse preenchida com atividades que ajudem as crianças a serem expressivas, como educação física ou expressão dramática. Se as crianças não forem expressivas, não sabem pensar. É muito bom que as pessoas tenham noção disso, que vivemos num mundo estranho onde o número é mais credível do que a palavra; a nossa saúde mental depende do bom uso que fazemos da palavra. Eu adoraria que nós fossemos capazes de, em conjunto, organizar um sistema educativo onde as crianças fugissem para a escola. Os diversos governos, desde há vários anos -- e com todo o respeito -- têm gozado com os pais. Fala-se de uma educação para todos e os jardins-de-infância conseguem ser mais caros do que as universidades privadas. E os livros, os livros, custarem aquilo que custam... Só governos que andam absolutamente distraídos face à realidade e que não têm noção do que é ter filhos entre os zero e os dez anos. hoje_nao_vou_af.indd Capa do livro - D.R. Por que razão escreve que os bons filhos não são os que tiram melhores notas? As crianças saudáveis não têm 5 a tudo. Ao contrário do que os pais pensam, as crianças saudáveis são acutilantes, curiosas, têm a vista na ponta dos dedos e perguntam "porquê". É tão estranho que as crianças, até entrarem nas escolas, estejam constantemente na idade dos "porquê" e, assim que entram, parecem sair precipitadamente dela -- a escola devia ser quem mais incentiva o "porquê". Os pais devem, no fundo, ter a noção de que as crianças saudáveis podem não perceber de uma matéria, gostar dela ou até não gostar de um professor. Eles não podem aceitar a ideia de que crianças saudáveis são as que têm sempre um comportamento irrepreensível. Isso não é razoável, nada na vida é assim. Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas, porque nós aprendemos à medida que os resolvemos. Às vezes, os pais parecem criar os filhos na expetativa que estes não lhes deem problemas -- crianças que não o fazem são, invariavelmente, adultos infelizes. Não tenho nada contra os alunos que tiram boas notas, mas gostava que os pais fossem igualmente exigentes. Isto é, que quisessem muito que os filhos tivessem boas notas na escola, como filhos, como colegas, irmãos, netos... Costumo dizer, tentando ser provocatório, que tornamo-nos pais com o segundo filho. Com o primeiro mistura-se tudo: a infância que tivemos e a que queríamos ter tido. Os filhos mais velhos passam sempre muito, porque, às vezes, os pais colocam expetativas exorbitantes sobre eles -- mais parecem viver confinados a um guião. Se calhar não é por acaso que os filhos mais velhos são os "certinhos oficiais" de uma família e os mais novos são os rebeldes. Preocupa-me que não se dê espaço para ser-se filho e ser-se criança. É inquietante e estúpido. Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b de autoridade e o mais possível de autonomia. As crianças estão cada vez menos autónomas? Sim, estão. E as crianças autónomas são expeditas, afoitas, sentem, pensam e fazem. Passividade e paixão não casam. Os pais sofrem por antecipação pelo facto de os filhos irem para a escola? Sofrem, porque eles dão mais importância à escola do que esta merece. A escola é fantástica, mas os pais têm de perceber que é fantástica por vários motivos: pelo que se aprende nas aulas, no recreio e no caminho para a escola. Há pais que, cada vez mais, preferem que os filhos entrem na escolaridade obrigatória aos sete anos para que os meninos tenham mais um ano para serem crianças; acham que a infância acaba quando os filhos entram na escola, o que diz tudo. Portanto, as crianças saudáveis são aquelas que, às vezes, se levantam e dizem "hoje não vou à escola". Qual a importância da vida social para uma criança? Acho uma delícia quando os pais recomendam aos filhos (mais velhos) para ter cuidado com os namoros. Primeiro está o namoro e, depois, a escola. A vida ocupa espaço. Namorar é das coisas que ocupa mais tempo, bem como as relações de amizade; aquilo que é importante na vida são as relações pessoais. É ótimo que os pais deem importância à vida social dos filhos, mas que não se intrometam nela. É grave quando os pais, à custa da vida social dos filhos, não tenham fins de semana. Mais importante são as relações amorosas dos pais. A agenda social dos filhos ajuda a que, muitas vezes, estes se divorciem. E pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais. Há pais que se anulam neste processo? Há. Claro que a fatura vem logo a seguir. Isto é como na política, nunca há almoços grátis. Há pais que prescindem de uma vida para serem unicamente pais. É um divórcio a prestações. Voltando à sala de aula, o que é uma criança hiperativa? Acho que a Direção-Geral de Saúde devia fazer uma campanha pública porque parece existir uma epidemia atípica. Acho importante que constatemos as dificuldades das crianças, mas que não nos ponhamos a medicar com mão leve como se elas tivessem de ser irrepreensíveis. Uma criança com várias horas de aulas, poucas de recreio e pouca atividade física é seguramente mais distraída. Isso significa que ela tenha algum defeito ou que, na sua ingenuidade, os pais e os professores, pela má gestão que fazem, vão contribuindo para essa dificuldade? Preocupa-me muito que, em Portugal, as crianças tenham cada vez menos atividade física e preocupa-me ainda mais que haja ministros da Educação e ministérios que achem que a educação física seja uma disciplina de classe B, quando comparada com a matemática ou o português -- não me choca nada que se possa reprovar o ano com negativa a educação musical e a educação física. Acho que estas pessoas não deviam ser ministros da Educação. O Ministério da Educação, nestas circunstâncias, devia fechar para balanço. As crianças que têm mais atividade física pensam melhor e são mais atentas. Há turmas em colégios de Lisboa em que se contam pelos dedos das mãos as crianças que não estão medicadas, como se isto não tivesse efeitos secundários. Que tipo de consequências estamos a falar? Aquilo que parece uma mais-valia, a longo prazo é uma limitação. Partilhe Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt 22 COMENTÁRIOS Luís David Rosário 26 Set 2014 É urgente pensar nisto. Anda tudo muito ansioso com a educação tipo fórmula 1.

Dá que pensar, não?...

Sugestões do "Gotinhas"! A não perder, hem!

Outono em Jazz | 10 a 22 Outubro 2014 http://www.casadamusica.com/pt/ciclos-e-festivais/2014/outono-em-jazz-2014?lang=pt&utm_source=e-goi&utm_medium=email&utm_term=Outono+em+Jazz++10+a+22+Outubro+2014&utm_campaign=Newsletter+Casa+da+M%EF%BF%BDsica#tab=0

Primeira Viagem ao Espaço http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/10/12-outubro-2014-primeira-viagem-ao-espaco/38493?lang=pt

Banda Sinfónica Portuguesa http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2014/10/19-outubro-2014-banda-sinfonica-portuguesa/35744?lang=pt

E zás! Aqui fica mais uma edição. O "Gotinhas " volta para a semana!

Até breve!
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