Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
18 de Setembro de 2014

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

No “Gotinhas…” desta semana!

Rapaz cego de 9 anos – é o novo prodígio do jazz http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_rapaz-cego-de-9-anos-e-o-novo-prodigio-do-jazz_20837.html

A nova estrela da música boliviana é um menino de nove anos, cego, que dá pelo nome de José António Montaño. O jovem pianista tem percorrido várias salas um pouco por toda a América do Sul. Segundo o jornal britânico Mirror, José começou a tocar bateria com apenas quatro anos e surpreendeu os professores pela forma rápida com que aprendia. Pouco depois começou a tocar piano e revelou a mesma destreza. Num vídeo divulgado pela BBC Mundo, José afirma que já tocou em países como o Brasil ou o Perú, além de ter atuado em várias cidades da Bolívia. "Gosto muito da música jazz, inspira-me muito, ouço muito este tipo de música", salienta o menino. O rapaz, de Cochabamba, na Bolívia, formou o seu primeiro trio de jazz com apenas cinco anos.

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Bob Dylan, The Cure e B. B. King em homenagem Paul Mccartney http://observador.pt/2014/09/10/bob-dylan-cure-e-b-b-king-em-homenagem-paul-mccartney/

The Art of McCartney é o que se pode chamar de uma homenagem de luxo. As canções da carreira do ex-Beatle Paul McCartney vão ser cantadas por 38 artistas, entre os quais B.B. King, Bob Dylan, The Cure, Kiss, Def Leppard e Yusuf Islam, antes conhecido como Cat Stevens. Do hino “Yesterday” à eterna “Let it Be”. De “All My Loving”, canção que apresentou os Beatles à América, em 1964, a “Maybe I’m Amazed”, do primeiro álbum a solo de McCartney. O “Beatle” é omnipresente e, ao mesmo tempo, sempre ausente nesta compilação, com data de saída marcada para 18 de novembro, em CD e vinil.

Brian Wilson, fundador dos Beach Boys, foi o primeiro de 38 artistas a aceitar o convite para fazer uma versão. Escolheu “Wanderlust”, de 1982. Barry Gibb, dos Bee Gee’s, fez uma versão de “When I’m 64″, dos Beatles. “Things We Said Today”, também dos Beatles, terá o cunho de Bob Dylan. Dos improváveis Kiss chegará uma versão de “Venus and Mars/Rock Show” um medley de duas canções escritas por Paul e Linda McCartney. Ao todo são 42 músicas reinventadas. Para dar alguma consistência à sonoridade, vários artistas cantaram com a banda que já acompanhou Paul McCartney em digressão durante mais de 10 anos, pode ler-se na página oficial. O primeiro passo deste projeto já foi desvendado. “Hello Goodbye”, dos Beatles, ganha aqui uma versão da banda britânica The Cure, acompanhada por James, filho de Paul McCartney:

Eis o alinhamento completo: 1- Billy Joel – “Maybe I’m Amazed” 2- Bob Dylan – “Things We Said Today” 3- Heart – “Band on the Run” 4- Steve Miller – “Junior’s Farm” 5- Yusuf Islam – “The Long and Winding Road” 6- Harry Connick, Jr- – “My Love” 7- Brian Wilson – “Wanderlust” 8- Corinne Bailey Rae – “Bluebird” 9- Willie Nelson – “Yesterday” 10- Jeff Lynne – “Junk” 11- Barry Gibb – “When I’m 64″ 12- Jamie Cullum – “Every Night” 13- Kiss – “Venus and Mars”/”Rock Show” 14- Paul Rodgers – “Let Me Roll It” 15- Roger Daltrey – “Helter Skelter” 16- Def Leppard – “Helen Wheels” 17- The Cure, featuring James McCartney – “Hello Goodbye” 18- Billy Joel – “Live and Let Die” 19- Chrissie Hynde – “Let It Be” 20- Cheap Trick’s Robin Zander and Rick Nielsen – “Jet” 21- Joe Elliott – “Hi Hi Hi” 22- Heart – “Letting Go” 23- Steve Miller – “Hey Jude” 24- Owl City – “Listen to What the Man Said” 25- Perry Farrell – “Got to Get You Into My Life” 26- Dion – “Drive My Car” 27- Allen Toussaint – “Lady Madonna” 28- Dr- John – “Let ‘Em In” 29- Smokey Robinson – “So Bad” 30- The Airborne Toxic Event – “No More Lonely Nights” 31- Alice Cooper – “Eleanor Rigby” 32- Toots Hibbert with Sly & Robbie – “Come and Get It” 33- B.B. King – “On the Way” 34- Sammy Hagar – “Birthday” Canções extra: 1- Robert Smith – C Moon” 2- Booker T- Jones – “Can’t Buy Me Love” 3- Ronnie Spector – “P-S- I Love You” 4- Darlene Love – “All My Loving” 5- Ian McCulloch – “For No One” 6- Peter, Bjorn and John – “Put It There” 7- Wanda Jackson – “Run Devil Run” 8- Alice Cooper – “Smile Away” Partilhe

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U2 lançam álbum gratuito no iTunes http://boasnoticias.sapo.pt/noticias_u2-lancam-album-gratuito-no-itunes_20840.html

A banda irlandesa anunciou esta terça-feira a oferta do seu novo álbum "Songs of Innocence", em exclusivo na iTunes Store. Este álbum digital poderá ser descarregado por mais de 500 milhões de utilizadores. O disco conta com onze músicas novas, depois da banda ter estado cinco anos sem lançar originais. Os temas estão disponíveis para os clientes da iTunes Store, em 119 países, durante cinco semanas.

Bono Vox, vocalista dos U2, afirma, num comunicado da Apple, que "desde o início, os U2 quiseram levar a sua música ao maior número de pessoas possível, como indica o nosso nome [em português, 'tu também']". O "Songs of Innocence" é o trabalho mais pessoal da banda até à data e junta influências do rock dos anos 70 e do punk rock dos anos 80. O álbum foi gravado em Nova Iorque, Londres, Los Angeles e Dublin e foi produzido por Danger Mouse em parceria com Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Flood.

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D'Bandada volta em 2015 após dar música a 250 mil http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4126316&seccao=M%FAsica

O festival de música de rua D'Bandada, no último fim de semana, contou com pelo menos 250.000 pessoas que assistiram a mais de 62 espetáculos distribuídos por 19 palcos montados na Baixa do Porto, segundo um balanço da autarquia. Em comunicado enviado às redações, a Câmara do Porto admite que "os números, embora aproximados e de difícil apuramento, foram calculados com base em estimativas de ocupação dos espaços", tendo ainda em conta que "terá ocorrido várias vezes fenómenos de renovação de públicos" que poderão, portanto, ter ultrapassado o quarto de milhão de pessoas. A forte adesão popular à quarta edição da D'Bandada motivou a renovação da aposta da Porto Lazer no evento para 2015, que poderá ser acompanhada de uma possível expansão "mais para a zona da Ribeira ou da Câmara Municipal", de acordo com o diretor de comunicação do festival, Pedro Moreira da Silva, de modo a acompanhar "o seu crescimento constante". A autarquia refere ainda que o público da D'Bandada foi superado apenas pelo que estima terem sido mais de 500 mil pessoas a festejar o São João do Porto, que acrescidas das cerca de 70.000 no festival Primavera Sound, realizado em junho, terá feito com que "em apenas três eventos o Porto tenha conseguido atrair pouco menos de um milhão de pessoas" para eventos culturais em 2014.

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A noite em que o Rivoli voltou a dançar http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-noite-em-que-o-rivoli-voltou-a-dancar-1669576

Quando o espectáculo inaugural do programa O Rivoli Já Dança! – Mozart Concert Arias, da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker – chegou ao fim, esta sexta-feira à noite, a Companhia Nacional de Bailado (CNB) foi aplaudida de pé durante longos minutos. Sem nenhum demérito para a CNB, não é de excluir que algumas dessas palmas invulgarmente prolongadas saudassem também a devolução simbólica do Rivoli à cidade, sete anos após a entrega da sala à empresa de Filipe La Féria. «Acho que foi um bocadinho as duas coisas”, admitiu o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha e Silva, cujo pelouro foi directamente responsável pela programação dos 12 espectáculos de O Rivoli Já Dança!, um aperitivo bastante substancial a anteceder a temporada que se iniciará em Janeiro de 2015, já desenhada pelo novo director artístico, Tiago Guedes. “Quando as portas do Rivoli se abriram, sentiu-se que aquele lado um bocadinho soturno e traumático associado a este equipamento tinha desaparecido e que as pessoas entravam aqui com o encantamento doutros tempos”, resumiu Paulo Cunha e Silva. Entre essas pessoas que ontem à noite esgotaram a lotação da sala, contava-se o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e muita gente dos meios portuenses da dança, da música e do teatro. O director artístico da Casa da Música, António Jorge Pacheco, mal transpôs a porta de entrada, afirmou: “O Rivoli finalmente devolvido à cidade”. Cunha e Silva quis dedicar expressamente este ciclo de espectáculos, que marca o regresso do Rivoli à condição de teatro municipal, a Isabel Alves Costa, que o dirigiu até o então presidente da autarquia Rui Rio ter extinguido a Culturporto e entregado a sala a privados. “Quisemos com este momento prestar uma justíssima homenagem a uma pessoa que se bateu por um teatro municipal capaz de cumprir a sua vocação mais nobre: Isabel Alves Costa, que nos deixou há precisamente cinco anos”, escreve o vereador da Cultura na agenda editada para acompanhar o programa. Também Tiago Guedes, que quando assumiu o lugar manifestara a convicção de que iria ser uma luta difícil recuperar os públicos que o Rivoli perdera ao longo dos últimos anos, estava satisfeito com o que viu nesta reinauguração do teatro. “Ver tantas pessoas entusiasmadas em torno deste projecto é uma grande alegria e uma indicação de que as coisas poderão correr bem” e de que esta aposta na revitalização do teatro municipal “pode vir a dar frutos rapidamente”. Passes esgotados Mas o director do Rivoli não ignora que “mobilizar o público em volta de um projecto cultural”, sobretudo quando há “muita oferta e menos capacidade económica”, é “complicado”, de modo que quer construir uma programação que ao mesmo tempo consiga “reconquistar o público que se divorciou do Rivoli pelas razões que sabemos”, mas que também não aliene os que frequentaram o teatro nestes últimos anos. “Queremos que essas pessoas continuem a vir e se deixem seduzir pela nova programação”, diz. Defendendo que a programação “não pode ser apresentada de forma elitista” e que “um teatro municipal tem de abranger toda a gente”, Tiago Guedes considerou que para este momento simbólico da reabertura da sala “a escolha de Mozart Concert Arias foi excelente, porque é um espectáculo mais consensual, com música ao vivo, ópera, dança”. Centrado na dança e no modo como esta se cruza com outras práticas artísticas, mas abrangendo também outros domínios e procurando que a coerência do conjunto não inviabilize a diversidade de registos, do mais popular ao mais experimental, O Rivoli Já Dança! “dá algumas pistas”, diz Tiago Guedes, “para o que vai acontecer no próximo ano”. E se Mozart Concert Arias, que Cunha e Silva descreve como “uma peça altamente contemporânea, mas com formato clássico, cheia de ironias sobre a própria dança”, pode agradar a públicos muito diversos, já o espectáculo que se segue, De repente fica tudo preto de gente, do coreógrafo brasileiro Marcelo Evelin, “está quase nos antípodas” do anterior, observa Tiago Guedes. “É uma peça de lotação reduzida, com o público em cima do palco”. Foi precisamente o facto de este espectáculo, que será exibido no sábado e no domingo, não permitir mais do que 120 espectadores por sessão que levou a que só tenham sido emitidos 240 passes gerais, que dão acesso a todos os 12 espectáculos pelo preço bastante simbólico de 25 euros. Como estes passes se esgotaram rapidamente e nenhum dos outros espectáculos previstos terá as limitações de público da peça de Marcelo Evelin, foram já lançados novos passes – agora a 20 euros –, que cobrem apenas os dez espectáculos restantes.

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Arte urbana sobe às paredes no Porto http://news.google.com/news/url?sa=t&fd=R&ct2=us&usg=AFQjCNE6Pal47maiyPc6lid1s2nxWHnZjA&clid=c3a7d30bb8a4878e06b80cf16b898331&cid=52778964832356&ei=718QVKbxK4OBmgL41YDwAw&url=http://expresso.sapo.pt/arte-urbana-sobe-as-paredes-no-porto%3Df888842

Câmara do Porto convidou dois artistas, Hazul e Mr. Dheo, a intervirem numa área com 250m2 no parque de estacionamento da Trindade. O projeto executado nas traseiras do parque de estacionamento da Trindade será levado a outras paredes e espaços do Porto / Rui Duarte O tempo é de mudança. Tantas vezes perseguidos, os artistas de rua, responsáveis por alguns memoráveis murais espalhados por incontáveis espaços urbanos por esse mundo fora, começam a ter no Porto algum reconhecimento oficial e esta terça-feira o Porto deu um passo crucial nesse sentido ao assinalar a conclusão do primeiro "mural de arte livre urbana", como o classifica a autarquia. Quem passasse na tarde de segunda-feira pelas traseiras do parque de estacionamento da Trindade, numa zona de grande circulação pedonal, por ser de acesso à estação de Metro, não podia deixar de reparar nas cores que começavam a ganhar forma e expressar conteúdos. Retratado numa das paredes, o pai do 'graffiter' Hazul Luzah confraterniza com Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto Rui Duarte Silva Retratado numa das paredes, o pai do 'graffiter' Hazul Luzah confraterniza com Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto Hazul Luzah e Mr. Dheo, cada a seu cargo com metade da parede com uma área global de 250 m2, desenvolviam dois conceitos diferentes de pintura urbana, um a roçar os domínios do hiperrealismo, o outro mais empenhado em recriar imaginários nem sempre apoiadas na âncora realista. São as senhas de identidade dos trabalhos habituais de Mr. Dheo e Hazul. Arte em contexto urbano A disposição de Paulo Cunha Silva, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, neste caso em colaboração com o vereador da Inovação e do Ambiente, Filipe Araújo, e a PortoLazer, é a de continuar a dar espaço a este conjunto de intervenções com carácter artístico, capazes de, como sublinha a autarquia, "contribuir positivamente para a divulgação e sensibilização de criação artística em contexto urbano, incentivando a sua prática num enquadramento institucional autorizado". O autarca portuense posa para a fotografia com Mr. Dheo, que dividiu com Hazul Luzah a intervenção nas paredes do parque de estacionamento da Trindade Rui Duarte Silva O autarca portuense posa para a fotografia com Mr. Dheo, que dividiu com Hazul Luzah a intervenção nas paredes do parque de estacionamento da Trindade Esta será a parte mais polémica de todo este processo, uma vez que pode conter a tentação de controlar uma intervenção artística que, por definição, costuma evitar ser alheia e estar à margem de qualquer tipo de poder institucional. Um problema similar foi já suscitado aquando da exposição de graffiti organizada nas paredes das salas do edifício AXA, na qual foram chamados a participar os principais nomes da cidade e alguns estrangeiros. O vereador da Inovação e do Ambiente, Filipe Araújo, à conversa com o o seu colega autarca responsável pelo pelouro da Cultura, Paulo Cunha Silva. Entre ambos, um elemento da empresa PortoLazer Rui Duarte Silva O vereador da Inovação e do Ambiente, Filipe Araújo, à conversa com o o seu colega autarca responsável pelo pelouro da Cultura, Paulo Cunha Silva. Entre ambos, um elemento da empresa PortoLazer Este projeto será em breve alargado a outras paredes da cidade. Neste momento está a decorrer a convocatória Street Art Porto - Caixas EDP, para a intervenção artística em 15 caixas de distribuição de energia elétrica na Rua das Flores. Em outubro será lançada a convocatória para um novo ciclo de intervenções artísticas em 19 cabines telefónicas da cidade. Em abril foram já intervencionadas seis cabines na zona da Avenida dos Aliados.

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Afinal, geração milénio lê livros mais que gerações anteriores http://observador.pt/2014/09/11/afinal-geracao-milenio-le-livros-mais-que-geracoes-anteriores/

Para quem não sabe o que é a “geração milénio”: aquele grupo que nasceu entre o início dos anos 80 e o ano 2000 e que geralmente é caracterizado pelo narcisismo excessivo demonstrado em selfies nas redes sociais, pela obsessão com o smartphone e pela superficialidade, muitas vezes associada à ideia de que “os jovens já não leem livros”. É exatamente essa geração que, revela um estudo do Pew Research Center, lê, em média, mais livros do que o grupo imediatamente a seguir, ou seja, acima dos 30 anos de idade. E frequenta mais as bibliotecas também. De acordo com este estudo, que inquiriu mais de seis mil americanos, cerca de 88% dos jovens entre os 16 e os 29 anos leu um livro no ano passado. No grupo dos mais de 30 essa percentagem foi de 79%. Para além disso, entre os mais novos, 43% disse ler livros diariamente, um valor que é semelhante ao registado no grupo dos adultos. Segundo o site News.mic, estes dados podem estar relacionado com o facto de muitos daqueles que se encontram no grupo dos 16-29 serem estudantes. Nestes casos, as leituras podem corresponder a exigências curriculares. Como explica a revista Atlantic, este estudo mostra também que a relação dos norte-americanos com as bibliotecas públicas está a mudar, uma vez que os leitores mais jovens têm menos a perceção de que estas são essenciais nas suas comunidades. Para além disso, os americanos em geral compram mais livros do que aqueles que levam emprestados. E apesar de menos pessoas visitarem bibliotecas, estão a aumentar as visitas virtuais aos sites destes locais. E neste cenário em que a biblioteca parece deixar de ser central, os jovens, mais uma vez, surpreendem. Metade daqueles com idades entre os 16 e os 29 disse ter visitado uma biblioteca nos últimos 12 meses. Entre os mais velhos, apenas 47% disse o mesmo. E são precisamente os mais jovens que mais visitam os sites das bibliotecas. Há ainda dados relevantes sobre a utilização da internet. Cerca de 98% dos jovens abaixo dos 30 anos disse recorrer à internet, mas 62% acredita que há “muita informação útil e importante” que não está disponível online. Apenas 53% dos inquiridos com mais de 30 anos concordou com essa afirmação.

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Há menos editoras, menos livrarias e vendem-se menos livros em Portugal (pergaminho a descobrir…) http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/ha-menos-editoras-menos-livrarias-e-vendemse-menos-livros-em-portugal-1669737

Estas são as principais conclusões de um estudo encomendado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) ao ISCTE-IUL, depois de no ano passado várias livrarias independentes terem acusado redes livreiras como a FNAC e a Bertrand de violarem a lei do preço fixo do livro. As conclusões não são propriamente uma novidade mas para o presidente da APEL vêm dar força à necessidade de uma mudança no mercado livreiro, que precisa de ser dinamizado. Em 2004 existiam 694 livrarias (empresas com actividade principal de comércio a retalho de livros) e o volume de negócios destas era de 140,1 milhões de euros. Em 2012, já só se registavam 562 livrarias com um volume de negócio de 126,2 milhões de euros, de acordo com os números divulgados nesta segunda-feira no estudo Comércio Livreiro em Portugal – Estado da Arte na segunda década do século XXI, levado a cabo pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE com a coordenação de José Soares das Neves. Esta quebra, lê-se no estudo, acentua-se essencialmente a partir de 2008. Nas editoras, o estudo nota também um decréscimo na actividade e a partir de 2008 “as empresas dissolvidas são por norma mais do que as empresas constituídas”. Ainda no que diz respeito às empresas com actividade principal de edição de livros, lê-se no documento que “o volume de negócios regista depois de 2008 – ano que constitui um pico sem paralelo na edição, com 404 milhões de euros – uma queda contínua que atinge em 2012 um valor (356 milhões de euros) abaixo do patamar registado em 2007 (em torno dos 360 milhões de euros)”. Com isto, sofre também a oferta de novos títulos em suporte papel, que tende a diminuir até 2012 sem que “seja compensada pela edição de e-books”. No entanto, é de realçar que os “indicadores disponíveis para 2013 mostram alguns sinais de recuperação a nível da oferta”. José Soares das Neves destaca a forma como este estudo ajudou a identificar os problemas que afectam o sector, entre os quais destaca a “crise aguda gravíssima que afectou o tecido cultural português” e por consequência o mercado livreiro. Mas garante: “O comércio livreiro não está morto”. “Tem de haver agora uma articulação entre a produção de informação [o estudo] e as medidas a tomar. Não se esperam soluções nem imediatas nem fáceis”, diz o investigador, que entrevistou ao longo dos últimos meses vários livreiros para melhor entender a situação portuguesa. “Procurámos dar apontamentos que possam ser úteis para que a reflexão agora seja informada”, continua. Sem apontar qualquer medida, mas esperando que o estudo indique o caminho futuro a seguir, Rui Beja, que também participou nesta investigação, defende a tomada de uma posição forte "para que o livro se mantenha como elemento essencial". "Em geral, as pessoas que ouvimos sentem uma necessidade de se organizarem, de trabalharem em conjunto, além de sentirem que a própria APEL podia ir mais longe." João Alvim, presidente da APEL, diz que a associação sozinha "nunca poderá fazer nada". “Este estudo traz a evidência das dificuldades do sector, já não há forma de fugir a esta evidência”, diz Alvim, que encomendou o estudo depois de ano passado vários livreiros se terem manifestado, queixando-se de concorrência desleal por parte de grandes superfícies como a FNAC e a Bertrand. “Vai permitir-nos chegar mais longe, foram detectadas as fragilidades e por isso agora temos de começar a pensar em conjunto como agir”, acrescenta Alvim, que conta entregar em breve estas conclusões ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier. “Fica claro que é preciso uma dinamização do mercado, vivemos num mundo em mudança. Apelo agora aos livreiros para que cooperem entre si, tenham ideias e juntem sinergias. A mudança tem de partir de nós.” Além das livrarias, o estudo analisa ainda a venda de livros em grandes superfícies, concluindo que esta registou em 2009 um pico, com 229 milhões de euros de facturação, verificando-se a partir desse ano uma quebra, com a facturação, em 2012, a situar-se nos 203 milhões de euros. De acordo com os dados, a tendência de diminuição é mais vincada nas grandes superfícies não alimentares como a FNAC, do que nas alimentares (híper e supermercados). O estudo nota que a generalização de estratégias concorrenciais, como cartões de desconto e promoções, muito usados nestas grandes superfícies, são "susceptíveis de gerar disfuncionalidades no mercado", afectando sobretudo as livrarias independentes, como estas se tinham queixado. João Alvim pede a clarificação da Lei do Preço Fixo: “Existem variadíssimas posturas perante a mesma lei”. “A lei não pode estar dependente de interpretações pessoais, tem de ser igual para todos, é importante então que se aprecie esta situação”, acrescenta o presidente, lamentando ainda a falta de regulação no sector, nomeadamente no que diz respeito à pirataria. “Todos sabemos que se fotocopiam livros inteiros todos os dias e ninguém faz nada. Há livrarias especializadas que estão a fechar por causa disso”, aponta. “É preciso uma mudança.”

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O último duelo entre Saramago e Lobo Antunes http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4124474&seccao=Livros

A edição nas próximas semana de dois livros de José Saramago e António Lobo Antunes vai recriar por uma última vez a rivalidade que existia entre os dois escritores - em vida do Nobel - e que atingia maiores proporções ao coincidirem nos lançamentos de originais. O inédito de Saramago e o novo romance de Lobo Antunes são os dois principais títulos da rentrée literária deste ano, a que se juntam quase todos os maiores autores portugueses também, verificando-se assim um raro momento em que a literatura de língua portuguesa domina a maioria das edições que serão feitas até ao Natal. José Rodrigues dos Santos, Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, Mários de Carvalho, José Luís Peixoto e Ana Teresa Pereira, entre outros, são os principais escritores a editarem obras, numa rentrée literária em que a presença simultânea de inéditos de Saramago e Lobo Antunes é o ponto alto, como a reportagem do DN revela.

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Caderno Moleskine converte escrita manual em ficheiro digital – http://lerebooks.wordpress.com/2014/09/10/caderno-moleskine-converte-escrita-manual-em-ficheiro-digital/

A Moleskine acaba de lançar uma nova edição do seu famoso bloco de notas que transforma o que se escrever nas suas páginas num ficheiro digital. A funcionalidade pressupõe a utilização de uma caneta Livescribe, que se liga por Bluetooth a um equipamento iOS e permite que o que se escreve no caderno seja enviado em tempo real para uma app no dispositivo eletrónico. Os cadernos, já à venda nos EUA e brevemente na Europa, custam 29,95 €, a que se tem de acrescentar o preço da smartpen Livescibe (entre 150 e 200 € de acordo com o modelo).

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E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, vai representar Portugal nas candidaturas aos Óscares http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/e-agora-lembrame-de-joaquim-pinto-vai-representar-portugal-nos-oscares-1669307

O filme E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, foi escolhido pela Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas (Academia Portuguesa de Cinema) para representar Portugal como candidato às nomeações ao Óscar 2015 de Melhor Filme Estrangeiro. Em comunicado enviado à Lusa, a Academia Portuguesa de Cinema anuncia que este foi o filme escolhido pelos seus membros para representar o país naquela categoria dos óscares da Academia de Cinema Americana. E Agora? Lembra-me é um documentário autobiográfico produzido pela C.R.I.M Produções estreado no final de Agosto, em Lisboa, e já premiado em vários festivais de cinema nacionais e estrangeiros. Narra a história do próprio Joaquim Pinto, ao longo de vinte anos e da vivência com a sida e a hepatite C, através de apontamentos variados sobre ensaios clínicos com drogas tóxicas, memórias e o amor. O documentário foi distinguido no Festival de Locarno, na Suíça, com o Prémio Especial do Júri, o Prémio da Crítica e o Prémio Júri Jovem. Também foi premiado, entre outros, nos festivais DocLisboa, nos Encontros Internacionais do Documentário, em Montréal, e no Cineport, no Brasil. Criada em 2011, a Academia Portuguesa de Cinema, presidida pelo produtor Paulo Trancoso, é composta por mais de uma centena de membros, desde realizadores, actores, produtores e directores de fotografia.

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"O Portugal dos Maias é igual ao Portugal de hoje" (entrevista) http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/para-joao-botelho-o-portugal-dos-maias-e-hoje-16691088

Dificilmente encontraríamos cineasta menos unânime para adaptar Os Maias ao grande écrã, mas João Botelho atirou-se ao romance de Eça sem medo. "Isto" – o cinema, o dinheiro para o fazer – "é tão raro que um gajo só pode filmar coisas importantes", diz. Para lá das telas pintadas, do guarda-roupa de época, do artifício, Os Maias é um filme sobre Portugal, hoje.

Se há um livro unânime como grande romance português, é Os Maias, de Eça de Queirós, um enorme fresco, entre crónica de costumes e alta literatura, de um Portugal oitocentista que continua a falar aos nossos dias como raras obras literárias o conseguiram. Dificilmente encontraríamos cineasta menos unânime para adaptar Os Maias ao grande écrã do que João Botelho, 65 anos, autor de um dos universos mais singulares e menos consensuais do cinema português desde a sua estreia em 1981 com Conversa Acabada. Saído do êxito de Filme do Desassossego (2010) – que lançou sem distribuidor em digressão pelo país, somando 30 mil espectadores que dificilmente o teriam ido ver no circuito tradicional –, abalançou-se ao romance de Eça sem medo. Os Maias Realização: João Botelho Actor(es): Graciano Dias, Maria Flor, João Perry, Pedro Inês, Adriano Luz, Rita Blanco, Filipe Vargas, Ana Moreira, Rui Morrison, Catarina Wallenstein “Não quero fazer um filme de época”, diz numa esplanada com vista sobre a Avenida da Liberdade, numa tarde de fim de Verão, referindo-se ao artificialismo assumido de um filme todo ele em interiores sobre uma Lisboa impossível de recriar fisicamente em exteriores. Pelo meio de muitos cigarros e de um discurso entusiasmado, num intervalo entre a finalização de A Arte da Luz Tem 20.000 Anos (média-metragem que estreará este fim de semana em Foz Côa no âmbito do festival Cinecoa) e as exigências do lançamento de Os Maias, que chega esta semana ao circuito de exibição (em duas versões, uma “curta” de 2h20 e outra, “longa”, com três horas), Botelho explica como o seu filme aposta num “distanciamento pelo artifício”: fiel à narrativa e ao espírito, mesmo que não à letra, de um romance sobre o Portugal de ontem que fala muito ao Portugal de hoje. Qual é a verdadeira duração de Os Maias: um filme de duas horas que expande para três, ou um filme de três horas encurtado para duas? Se fôssemos fiéis ao Eça, deveriam ser 20... Mas é um filme de três horas. A Lusomundo mostrou-se interessada em distribuir – nem é por mim, é pelos Maias, pelo Eça... – e pediram-me uma versão mais curta. Que não é muito diferente – é mais concentrada, mais rápida, as cenas são mais curtas, vai mais pela narrativa dos costumes e do incesto. Vou ter a versão longa apenas no Cinema Ideal, em Lisboa, mas depois vou fazer a mesma distribuição do Filme do Desassossego [no circuito das escolas e dos cine-teatros de província], com a curta à tarde, e à noite a versão longa. E ainda há uma versão maior, para televisão, com quatro horas. Como é que se “desbasta” Os Maias para três horas? O grande trabalho foi conseguir concentrar. O [Filme do] Desassossego foi mais fácil porque apesar de [o livro] ser mais abstracto era mais fragmentado, mais disperso. Este não, é uma narrativa entrelaçada. O trabalho de adaptação levou meses. Mas esse é o trabalho do cinema: corta e cola. O que tentei fazer foi encontrar equivalências às descrições maravilhosas do Eça, tentar fazer isso com a luz e não com a voz-off. A chave do filme está no genérico; a partir do momento em que mostro os desenhos, as maquetas, o guarda-roupa e ponho o Jorge Vaz de Carvalho, que é cantor de ópera, a fazer de narrador, instalei o artifício. A partir do momento em que há uma instalação do artifício, os dados estão lançados e o que me interessa é o texto ou os gestos que as personagens fazem a dizer aquele texto. Para mim, o fundamental é o texto do Eça. Que tem invenções prodigiosas; ele tem outros romances maravilhosos, mas este é o livro que posso transpor para hoje. O Portugal dos Maias é igual ao Portugal de hoje, e permite-me falar desta raiva. Das imitações da D. Branca, que, coitadinha, inventou a pirâmide ou copiou de outros sítios e foi presa e aquilo correu-lhe muito mal. Estes Salgados todos do mundo copiaram-lhe o sistema e nem lhe pagaram direitos de autor e andam aí à solta. E esta ronceirice portuguesa é muito engraçada, porque se mantém – a intriga do Silveirinha, o Dâmaso Salcede, o tédio dos ricos que vivem de rendimentos... Mesmo o incesto é um incesto político, é um incesto de classes: como já não tem ninguém com quem dormir, para se manter a raça dorme-se com a irmã! E depois aquela história dos portugueses não correrem nem para o governo nem para a glória, mas para o jantarinho sim... Estão sempre atrasados e só se apressam para a comidinha... Os padres, a demagogia, os políticos, os poetas, a música, a Sonata Patética... O jantar do Central é uma invenção incrível – começam por criticar os fadistas e os faias e as facadas com uma distância de aristocratas, de civilizados, e passado um bocado estão piores do que eles! Portugal é um tema recorrente desde sempre no teu cinema. Filmei o Frei Luís de Sousa do Almeida Garrett numa altura em que a Avenida da Liberdade era toda espanhola – as lojas, os bancos eram todos espanhóis, e os Filipes eram o dinheiro. O Quem És Tu? [2001] era uma ideia de falar disso. Quando fiz Tempos Difíceis [1988], tinha acabado o Adeus Português [1986] e precisava de um texto forte, e o que me levou aos Tempos Difíceis foi o Eisenstein, que disse que quem inventou o cinema foi o Dickens e não o Griffith, que aquilo estava cheio de formulações cinematográficas. E estávamos naquela euforia dos novos-ricos em Portugal a seguir ao 25 de Abril. O Jacques, o Fatalista do Diderot [O Fatalista, 2005] também, foi a ideia de falar sobre a libertinagem, sobre o falso destino; quando fiz Tráfico [1998], era para anunciar esta bandalheira que ia acontecer... "O cinema não é o que se passa nem quando se passa: é como se filma. Os Maias com dez realizadores diferentes dá dez filmes diferentes" Há um lado de teatrinho de ridículos, de fogueira das vaidades. Gostei de criar uma espécie de montagem de atracções, quase como quadros numa ópera – porque aquilo é aberto de mais para ser teatro. O espectáculo mais fantástico do ponto de vista das emoções é a ópera. Pode-se ter uma senhora gorda de 60 anos mas que cante bem a fazer uma adolescente de 17, e as pessoas podem chorar, podem ir às lágrimas com isso desde que ela cante bem e represente bem. Falando de ópera, é impossível não pensar em Visconti. Que é muito melhor do que eu. Mas o único filme que mostrei aos actores no início do trabalho foi O Intruso [1976], do Visconti. Não mostrei mais nada. [pausa] Porque não é aquilo, mas é uma ideia muito parecida, sobretudo para a representação. A atitude artística deste filme, que é fazer papelão, não é Visconti. Fiz papelão por duas razões: primeiro porque gosto do artifício, em segundo lugar porque é economicamente justo para Portugal. É impossível filmar o Chiado hoje, ficava ridículo, fazer enquadramentos à volta dos carros e dos sinais de trânsito, dos eléctricos. Não podia ser e não tinha dinheiro para fazer isso. O filme está cheio de anacronismos e de brincadeiras: ponho lá uma senhora a ler A Capital, que só saiu depois de o Eça morrer, tenho uma Brasileira que não existe, só abriu em 1905, não há nenhum exterior, são tudo telões, é tudo falso. O que não é falso é o texto e as situações. Joguei muito com a ideia de levar o artifício ao limite para ficar verdade. Mas o mérito é do Eça. Não inventei nada, está lá tudo – o Beethoven, o Meyerbeer, o fado... Mesmo a Traviata, que me deu um jeito enorme, estava no São Carlos na altura em que ele escreveu Os Maias e quando se passa a acção. As descrições do Ramalhete [no livro] são o Son Nom de Venise dans Calcutta désert da Marguerite Duras: corres as paredes, lês o texto em off e aquilo dá um filme fantástico. Eu respeito os textos, mesmo que os corte. O Pessoa dizia que a luz que ilumina os sapatos tem de ser igual à luz que ilumina as caras dos santos. É um termo que me indica a luz que eu devo fazer! Eu gosto muito da frase do Manoel de Oliveira: “Não há dinheiro para filmar a carruagem? Filma-se a roda, mas tens de filmar bem a roda." O cinema é uma coisa falsa. A verdade é o que as pessoas sentem, porque o que lá está é tudo falso. Para mim, as premissas do cinema são duas. A primeira, a luz e as sombras e seres humanos aflitos lá no meio, a saírem da luz para a sombra quando são pessimistas ou da sombra para a luz quando são optimistas. A segunda é que o cinema não é o que se passa nem quando se passa: é como se filma. Os Maias com dez realizadores diferentes dá dez filmes diferentes. É aquela brincadeira do Flaubert, “a Madame Bovary sou eu” – e depois há quantas Bovary maravilhosas e diferentes? Então quem nos Maias é o João Botelho? Mais o Ega. Mas nós não inventamos nada, roubamos aos outros todos. O cineasta é um vampiro, vai buscar à literatura, ao teatro, à poesia, às artes abstractas, à arquitectura. O cinema é um ponto de vista. Quando vês um filme do Oliveira, do Pedro Costa, do José Álvaro Morais, desses miúdos novos, do Miguel Gomes, do João Salaviza, há um ponto de vista. As pessoas escolhem. Escolhem um modo de filmar. Não temos mercado, não temos indústria... Quando as pessoas falam de indústria, acho que deviam emigrar para os EUA. Porque ali é que é a indústria; aqui é outra coisa, é o artesanato. É uma coisa que não tem mercado, não tem sentido, mas é um luxo. Não há nenhum filme português que se tenha pago no mercado. Nenhum. O que nos dá uma impotência grande em relação à vida, mas dá-nos uma liberdade que não tem preço. Poder filmar assim Os Maias é um luxo, um privilégio. Outra coisa que aprendi com o senhor Oliveira: uma pessoa deve-se prostituir para arranjar dinheiro para filmar, para vender o filme, mas durante o filme nunca, não se pode interferir na obra. A única imposição que tive [aqui] foi em relação à versão mais curta, para poder fazer quatro sessões por dia e não duas. Quando fiz o Desassossego em Lisboa e no Porto perdi muita gente porque fiz poucas exibições. Mas fiz muito bem na província, nos cine-teatros, à tarde fazia duas sessões para os miúdos das escolas e à noite para os pais, e as pessoas vestiam-se a rigor. Já não via disto há muito tempo. Casacos de pele, os senhores de fato e gravata...

E por esta semana... ficamos por aqui. Até breve! :)
publicado por Musikes às 15:28 link do post
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