Em cada um reside a fonte da partilha, e seja ela um dom ou não, deixa-me semear no teu ser o prazer da Música. Ela tem inspirado o Homem no revelar o seu pensamento, o interpretar e sentir o Universo ao longo de milénios. Bem vindo!
16 de Outubro de 2014

“A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.” Fernando Pessoa

 

Enquanto a semana foi escorregando…

 

A versatilidade da Orquestra Sinfónica da Casa da Música

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música deu um concerto em Madrid que incluiu a primeira audição em Espanha de Ruf de Emmanuel Nunes e a Sinfonia nº 5 de Tchaikovsky.

 

Morreu o saxofonista Jorge Reis

Professor e integrante da Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, colaborou com Sérgio Godinho ou Jorge Palma e deixou um álbum a solo, Pueblos.

 

Arvo Pärt cria música dedicada aos videntes de Fátima

Depois de uma visita ao santuário de Fátima, em 2012, o compositor estónio surpreendeu as autoridades religiosas com o manuscrito de Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima.

 

Bailarino português dança o fado em Londres

O dançarino português Nuno Silva vai "poeticamente cantar e dançar o fado", num concerto em Londres, no qual pretende dar a conhecer, de forma "mais íntima", a canção popular de Lisboa.

 

O riso de Agustina

À conversa com ANABELA MOTA RIBEIRO

“Esta é a minha história que a memória abreviou...”, escreve Agustina Bessa-Luís na sua autobiografia. Uma história em que são protagonistas um pai jogador que vivia entre a presa e o predador, uma mãe que repetia provérbios, uma figura inverosímil de quem herdou o espírito aventureiro, o avô Lourenço.

 

Magna Carta renasce das cinzas 283 anos depois

Há 283 anos que uma das quatro versões da Magna Carta, documento considerado precursor das constituições modernas, estava ilegível devido a um fogo. Agora, com recurso a uma nova tecnologia, voltou a ser lida.

 

A razão da consiência?...

É preciso salvar os dedos

É preocupante a situação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) e mais preocupante será se, apesar dos alertas que vão surgindo, esta apenas conseguir recolher silêncios condoídos mas impotentes, próprios dos velórios, por ser portadora de um nome que, depois de endeusado, passou a ser persona non grata.

 

2,4 milhões de pessoas visitaram museus e monumentos em Portugal no primeiro semestre

Os blockbusters dos museus e palácios estão em Belém.

 

Porto ilumina-se para o Natal a 28 de Novembro

As luzes de Natal no Porto deverão acender-se a 28 de Novembro, iluminando a cidade até 6 de Janeiro de 2015.

 

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A versatilidade da Orquestra Sinfónica da Casa da Música

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-versatilidade-da-orquestra-sinfonica-da-casa-da-musica-1672676

 

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música apresentou-se este sábado na Sala Sinfónica do Auditório Nacional de Música em Madrid com um programa constituído por duas obras contrastantes: Ruf de Emmanuel Nunes (versão revista em 1982) e Sinfonia nº 5 em mi menor Op. 64 de Tchaikovsky. Este programa proporcionou ao público madrileno a primeira audição em Espanha da obra que projectou internacionalmente Emmanuel Nunes. Composta entre 1975 e 1977, Ruf pertence a um conjunto de obras cujo processo criativo assenta na exploração da relação entre o suporte electroacústico e os instrumentos acústicos. Este processo estimulou o desenvolvimento de um discurso musical no qual a estruturação dos parâmetros sonoros (o ritmo, a harmonia, a melodia, o timbre e a intensidade) é profundamente influenciada pela espacialização do som. Apesar de a obra ter sido concebida com suporte electroacústico o compositor indica que ela pode ser executada sem este, tendo sido a opção tomada para o concerto em Madrid.

A partitura apresenta relações estruturais intrínsecas que exigem ao maestro e aos instrumentistas uma boa capacidade de manutenção do equilíbrio sonoro e do fluxo do discurso musical. Os 45 instrumentistas posicionaram-se no palco numa organização simétrica na qual se destaca a colocação dos dois percussionistas e dos instrumentos de registo grave nas zonas laterais. A orquestra executou a obra com segurança tendo respondido de forma eficaz aos desafios por ela colocados. São especialmente dignas de destaque a execução das complexas texturas rítmicas da segunda parte e também a capacidade expressiva demonstrada nas partes que apelam a uma interpretação de natureza expressionista, em particular no final da obra. A boa acústica do Auditório Nacional de Madrid também contribuiu de forma significativa para uma experiência auditiva muito enriquecedora.

  

Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música

Direcção musical: Baldur Brönnimann Obras de Emmanuel Nunes e Piotr Ilitch Tchaikovsky Madrid, Auditório Nacional de Música, Sala Sinfónica 11 de Outubro, 19h30

Na segunda parte a orquestra apresentou-se com cerca do dobro dos instrumentistas para a execução da Sinfonia nº 5 de Tchaikovski. Esta obra do final do século XIX, que se enquadra num universo estético completamente distinto, exigiu que a orquestra assumisse o lirismo e o pathos marcadamente romântico que a caracterizam. A sinfonia foi executada com assinalável profundidade expressiva e com um bom sentido dramático. É digno de realce o bom desempenho dos solistas nas exposições temáticas, assim como dos vários naipes, destacando-se em particular a sua capacidade lírica, que se manifesta de forma natural neste repertório. A direcção do maestro Baldur Brönnimann foi assertiva e repleta de intencionalidade dramática, seguindo o percurso narrativo da obra que é definido pelo tema cíclico que percorre os quatros movimentos. O maestro demonstrou justeza nas mudanças de tempo e recorreu a flutuações de andamento nos temas mais líricos de uma forma eficaz e particularmente expressiva.

Algumas das passagens em tutti no primeiro andamento e na coda do quarto andamento apresentaram algum desequilíbrio sonoro, com uma projecção exagerada em alguns instrumentos, demonstrando uma provável falta de adaptação à acústica da sala.

O público presente manifestou um certo conservadorismo relativamente ao repertório mais recente aplaudindo timidamente a execução de Ruf, por outro lado revelou falta de propósito nas suas intervenções aplaudindo inusitadamente entre os andamentos da obra de Tchaikovsky. Foi sem dúvida um concerto onde ficou patente a evolução da orquestra em qualidade e versatilidade revelando mais uma vez a concordância com os seus objectivos originais, nomeadamente, a interpretação ampla de repertório desde o classicismo ao século XXI e a valorização e divulgação da obra de compositores portugueses.

 

 

Morreu o saxofonista Jorge Reis

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-o-saxofonista-jorge-reis-1672420

 

Começou pelo violino mas foi através do saxofone, que começou a tocar aos 23 anos, que o conhecemos. Jorge Reis, nascido em 1959, fazia parte do corpo docente da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas e integrava a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal. Nos anos 1980 integrou o Sexteto de Jazz de Lisboa, ao lado de Mário Laginha, Tomás Pimentel, Edgar Caramelo e Mário e Pedro Barreiros e, ao longo da carreira, para além do percurso no meio do jazz, colaborou com Sérgio Godinho, Brigada Victor Jara, Jorge Palma ou Trovante. Jorge Reis morreu na passada madrugada de quinta-feira, dia 9 de Outubro, no Hospital de São José, em Lisboa, informou o Hot Clube de Portugal. Tinha 55 anos.

A sua formação foi feita na Academia de Música de Santa Cecília. O violino, que tocou profissionalmente na Orquestra Sinfónica de Lisboa, foi o seu primeiro instrumento. O saxofone chegaria mais tarde, em 1983. “O saxofone foi o instrumento que eu escolhi. O violino foi o instrumento que me deram a escolher quando eu era criança”, explicou na sessão a ele dedicada das Histórias do Jazz em Portugal, realizada em Abril deste ano no Hot Clube e moderada pelos críticos Manuel Jorge Veloso e António Curvelo.

Se a adolescência foi marcada pelo rock (os Beatles, os Genesis, os Led Zeppelin) ou pelo jazz-rock de uns Mahavishnu Orchestra, o encontro com a música do mítico saxofonista americano Charlie Parker revelar-se-ia determinante. Com ele, o jazz entrou definitivamente na sua vida, mas nunca em exclusivo. A par do fascínio por Parker, Keith Jarrett ou Wayne Shorter, estava, por exemplo, a influência exercida por Debussy ou Chopin.  

Deixa um único registo a solo, Pueblos, editado em 2003 e onde surge acompanhado por André Fernandes, Nélson Cascais e André Sousa Machado. Na sessão supracitada, confessava que, para si, o mais importante nos instrumentistas é a “subserviência à música”. Citado pelo Diário de Notícias, acrescentava: “É a música que passa através deles, os músicos são o veículo para algo que está no plano da magia, que é a música”.

 

 

Arvo Pärt cria música dedicada aos videntes de Fátima

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/compositor-estonio-arvo-part-cria-musica-dedicada-aos-videntes-1672689

 

Arvo Pärt, um dos maiores compositores da actualidade, criou uma peça musical dedicada aos videntes de Fátima cujo concerto de estreia deverá ocorrer na Sé de Lisboa a 20 de Fevereiro de 2015, dia da festa litúrgica dos beatos.

Segundo o jornal Voz da Fátima, publicado pelo santuário, o compositor, nascido em 1935, esteve no templo em Maio de 2012, a convite da instituição e no âmbito das comemorações do centenário dos acontecimentos de Fátima, tendo sido depois desafiado a apresentar um testemunho sobre a visita, para publicação na revista cultural Fátima XXI, o mais recente projecto editorial do Santuário de Fátima.

"Arvo Pärt surpreendeu e fez chegar ao santuário o manuscrito de uma composição musical, datada de 19 de Maio de 2014, dedicada aos pastorinhos e intitulada Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima", lê-se no jornal Voz da Fátima, referindo que se trata "de uma breve peça para coro misto a cappella" composta sobre um texto bíblico e publicada na edição de Outubro da Fátima XXI.

Citado no jornal do santuário, o produtor executivo da programação musical para o Centenário das Aparições, Manuel Lourenço Silva, realça a importância deste autor no panorama musical mundial, referindo que "integra aquilo a que se chama Holy Minimalism, embora qualquer rótulo que se lhe queira atribuir pareça inexacto ou parcial tendo em conta o seu percurso evolutivo e a abrangência das suas obras".

"Utilizando frequentemente a técnica tintinnabuli [pequenos sinos], formulada e nomeada pelo próprio Pärt, a sua música é marcada por uma profunda espiritualidade", refere Manuel Lourenço Silva. Considerando que "a mensagem de Fátima sai enriquecida com este contributo", o responsável adianta que "o nome de Fátima ficará registado no catálogo de obras de um dos maiores compositores de sempre". Por outro lado, "o título e o texto escolhidos para a composição musical que dedicou aos pastorinhos destacam a importância das vozes das crianças enquanto mensageiras", acrescenta.

Arvo Pärt é um dos mais destacados compositores de música sacra, fortemente alicerçado na tradição gregoriana, depois de a expressão neoclássica ter marcado o início do seu percurso. A viragem deu-se no início da década de 1970, com a exploração da chamada técnica de "tintinnabuli" (pequenos sinos) – pequenas frases musicais ou "módulos" que Pärt sobrepõe ou contrapõe em estruturas complexas que ganham em transparência e hipnotismo.

Tábula rasa, Fratres, Missa Silábica, Kanon Pokajanen e Passio, sobre o Evangelho segundo São João, contam-se entre as obras mais conhecidas deste compositor.

 

 

Bailarino português dança o fado em Londres

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4176618&seccao=Teatro

 

O dançarino português Nuno Silva vai "poeticamente cantar e dançar o fado", num concerto em Londres, no qual pretende dar a conhecer, de forma "mais íntima", a canção popular de Lisboa.

NuFado, disse o bailarino à agência Lusa, é uma "versão mais íntima, num formato de concerto", do espetáculo A Darker Shade of Fado que encenou e levou em digressão durante o verão pelo Reino Unido. Naquele espetáculo, tinha a companhia de mais dois dançarinos em palco, mas desta vez o português será apenas acompanhado pelo músico Sabio Janiak.

Veja um excerto desses espetáculo:

]Além de temas populares de Amália, como Barco negro ou Foi Deus, interpretará outros menos conhecidos, como Calunga e Lua Luar.

O espetáculo terá lugar na quinta-feira, num espaço chamado The Proud Archivist, onde Nuno Silva espera "poeticamente cantar e dançar o fado" à luz de velas, interagindo e explicando as origens e história da canção portuguesa.

 

 

À conversa com…

 

O riso de Agustina

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-riso-de-agustina-1672266

 

ANABELA MOTA RIBEIRO

“Esta é a minha história que a memória abreviou...”, escreve Agustina Bessa-Luís na sua autobiografia. Uma história em que são protagonistas um pai jogador que vivia entre a presa e o predador, uma mãe que repetia provérbios, uma figura inverosímil de quem herdou o espírito aventureiro, o avô Lourenço.

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Os gregos diziam que Eros tinha duas setas diferentes, uma de chumbo e outra de ouro. A pessoa atingida pela primeira sofria a paixão, a pessoa atingida pela segunda era o objecto da paixão. Eram duas formas de a paixão ser vivida. O que há de mais enigmático na natureza humana parte daí.” E qual é a paixão de Agustina? “Começa por ser eu própria. Não posso viver sem essa paixão, que não tem outra significação senão a aliança profunda com a vida humana.” Agustina, a enigmática, diz coisas que iluminam o coração da vida. Isto que acabaram de ler, disse-o perante uma plateia, em Serralves, em 2003. Disse-o como quem escreve páginas de um romance, revelando uma vontade indómita, cosida com a raiz da existência. Escritora amada, Agustina Bessa-Luís pertence à categoria dos que transformam a sua idiossincrasia num elemento reconhecível por todos (mesmo pelos que não a leram ou conhecem de perto). Como é o mundo agustiniano? É sem catalogação possível, pasmoso, livre. Esta semana, Agustina faz 92 anos. Este ano, passam 60 anos sobre a edição d’ A Sibila. Nos dias 14 e 15, discute-se na Gulbenkian a Ética e a Política na sua obra, no primeiro congresso internacional dedicado à autora organizado pelo Círculo Literário Agustina Bessa-Luís (www.clabl.pt). A obra continua a ser reeditada (Os Incuráveis é a peça mais recente). 

A conversa com a filha, Mónica Baldaque, permite saber de uma mulher e de uma escritora. Que são uma, como se verá. Agustina está retirada desde 2006. Deixou de escrever. Como olharia para a maneira como olhamos para ela? Rindo-se. Seguramente.

Como é que vamos apresentar Agustina? A genial?, a sem medo?, a perversa?, a barroca (assim lhe chamava Óscar Lopes)? Estes são alguns dos epítetos mais comuns.

Todos lhe servem. O que é para além disso talvez não tenha definição. Verdadeiramente, aquilo que ela é está no riso.

No riso?

É uma das características fundamentais da minha mãe, da vida dela e do estar dela com os outros. O riso não tem que ver com a troça. Tem que ver com um segredo, com o mistério, com o estar numa outra dimensão. Há um provérbio judaico que diz: “O homem pensa, Deus ri.” Acho que aí a minha mãe está perto de Deus. O riso dela é como se fosse o riso de Deus.

O riso de quem tudo vê? E que compreende, engloba a totalidade do que vê.

Sim, sim. E de quem sente uma harmonia em relação a tudo.

Nas coisas triviais, o que é que a fazia rir? 

Num plano mais imediato, fazia-a rir o absurdo. Situações absurdas. A resposta de um taxista, um comentário de uma pessoa na rua. A par do riso, vinha a nota, o explorar a situação na escrita.

Ocorre-lhe uma situação absurda de que tenha tirado prazer e riso?

Era tão constante... A minha mãe tinha uma modista de quem gostava muito e onde ia frequentes vezes. Essa modista, que era uma mulher muito Porto, de classe média, tinha um neto com um atraso ligeiro. Muito mentiroso. Uma vez, a avó estava muito preocupada porque ele nunca mais aparecia. A certa altura aparece com ar tranquilo. A avó, aflita: “Onde é que estiveste?” Ele explica, virado para a minha mãe: “Aconteceu-me uma coisa muito estranha. Vinha para cá e vinha um senhor na minha direcção. De repente, o nó da gravata dele começou a desfazer-se. A gravata escorregou por ele abaixo e enfiou-se num bueiro. Fiquei a olhar para o senhor, o senhor a olhar para mim. Estávamos sozinhos na rua — o que era absurdo, porque era a Rua de Cedofeita — e tentámos tirar a gravata do bueiro. Não conseguíamos, e começou a vir gente que estava às janelas. Perdemos este tempo todo e não conseguimos tirar a gravata, avó.”

Foi um delírio. 

A minha mãe divertiu-se imenso com esta história. Gostava imenso de ir à modista para que esta lhe contasse histórias do neto.

Portanto, o que contradiz a pompa, o que escangalha o composto, a vitalidade das pessoas comuns, a sua imaginação sem rumo — tudo isto a prendia.

Sim. No inconsciente, [o rapaz] achou que a minha mãe seria a interlocutora ideal para uma história absurda como aquela. Acho que chegou a escrevê-la.

Voltemos às definições iniciais: a sem medo. N’O Livro de Agustina, escreve: “Aos três anos, em Espinho, eu saí do hotel, sozinha, com um vestido de voile azul-claro e um ar de grande aventura. Tenho ainda essa aspiração de caminhar sem rumo, dizem que é um fio de epilepsia. Talvez seja. Talvez a liberdade seja um sintoma epiléptico.”

A relação com o medo... A mãe herdou isso, como eu herdei, e os meus filhos herdaram, da família. A sensação de ter medo — dos outros, de alguma coisa, de uma situação — foi coisa que nunca existiu. Estava completamente banida.

É na família que a minha mãe pega. Diria que em quase todos os livros aparece alguém. Utiliza-os como figuras que estão guardadas na caixa e que vai buscar, de vez em quando, para fazer este papel, e aquele e aquele.

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PAULO PIMENTA

Como é isso possível, ainda mais numa sociedade amedrontada como a nossa? Temos medo de pessoas, do futuro, da guerra, do concreto e do inconcreto.

Penso que essa ausência de medo vem de uma segurança que a pessoa tem em relação a si própria. Com a certeza de dominar o que quer que seja. Sentia isso no meu avô, no pai da minha mãe.

O pai é uma figura fundamental na vida de Agustina. Tem a certeza de que pode dominar um cataclismo. De onde lhe vinha essa confiança?

Em primeiro lugar, era um jogador.

Agustina diz que o pai lhe paga a edição d’ Os Super-Homens, “não porque acreditasse muito nela, mas porque não perdia a ocasião de apostar num provável vencedor”.

Era um grande jogador. Depois era um aventureiro. Um homem que saiu de Portugal criança, com 12 anos. Foi para o Brasil, para fazer fortuna. Foi à aventura e aguentou-se. O que contava da experiência no Brasil era muito pouco. Imaginamos o que não terá vivido por lá...

O que é que imaginavam? A sua mãe falava disso? Ela queria saber o que tinha sido essa vida no Brasil?

Pouco. Deve ter passado maus bocados. Foi trabalhar com um tio, muito pouco tempo. Rapidamente se desinteressou. A vocação dele era jogar. Tudo o que pertence a esse mundo, com certeza não é o mais saudável, o mais honesto.

Nunca ouvi da sua mãe um juízo sobre a vida do pai no Brasil ou sobre o seu passado mais dúbio.

Nunca houve em ninguém. O avô da minha mãe acedeu a que a filha casasse com esse homem, sabendo da vida dele, e aceitando com gosto que entrasse para a família. O avô é uma personagem, e de que maneira! A minha mãe pega nele n’Os Incuráveis (que saiu agora, em reedição). A grande figura da família é ele, o avô Lourenço, que era um homem do Douro.

O pai (da minha mãe) era de Amarante. A gente de Amarante era muito valente. Grandes jogadores de pau. O Zé do Telhado foi mestre de pau do avô Lourenço. Tinha um pé, sempre, fora da lei. Um bocadinho. Só o bastante para lhe dar um certo entusiasmo.

Esse pé fora da lei dava-lhes uma graça romanesca. Pai e avô parecem personagens de romances de meninas bem comportadas, que arrebatam e insubordinam a ordem estabelecida quando chegam — na transgressão.

É. [riso]

Do lado da sua avó materna, a família era mais regular. Sobre o encontro da mãe e do pai, lê-se n’O Livro de Agustina: “Há uma cena num filme de Manoel de Oliveira, o Vale Abraão, em que um desconhecido, num restaurante, lhe oferece um prato de figos. Foi assim que meu pai abordou a jovem Laura, que estava vestida de preto, não por luto mas por promessa.”

Fui muito criada com a minha avó. Sobretudo depois de ela morrer, fui refazendo muitas das suas atitudes. Acho que a minha avó fingiu muito, toda a vida. Fingiu! Senão, porque é que casou com um homem daqueles? Alguma coisa a leva a escolher isso. Devia casar com um advogado, um engenheiro, um homem mais certo. De resto, teve essa oportunidade.

O grande gosto da vida dela teria sido ser actriz. Em criança e adolescente, representava, dizia poemas. Claro que foi reprimida pelos pais porque isso tinha uma conotação muito duvidosa.

Agustina fala muito do gosto que tem pelo music hall, por ver as bailarinas enfileiradas. Ela mesma queria ser bailarina. E tinha uma paixão pelo cinema. Mas não sabia do gosto da mãe pela representação.

A mãe e a tia. Essa tia ficou sempre solteira. Era uma mulher excêntrica. A minha mãe retrata-a numa série de livros. Era espanhola, como a minha avó, e tinha atitudes incríveis, que divertiam toda a gente. Por exemplo, ia às mesmas modistas da irmã. Modistas caras. Vestiam muito bem. Quando chegavam a casa, a primeira coisa que essa tia fazia aos vestidos era cortar-lhes as mangas. E andava assim, com aquilo esfarrapado.

Estou a ouvi-la falar dessas pessoas e percebo que Agustina é uma síntese de todas essas criaturas, singulares, não conformes. Por outro lado, faz deles uma matéria-prima privilegiada para os romances. Os personagens dos livros, mais do que tudo, são a família?

Sim, é na família que a minha mãe pega. Diria que em quase todos os livros aparece alguém. Utiliza-os como figuras que estão guardadas na caixa e que vai buscar, de vez em quando, para fazer este papel, e aquele e aquele.

Utiliza-os na escrita com uma sofreguidão de vampiro. Diz na autobiografia: “Escrever, entrar no coração das pessoas, beber-lhes o sangue, avançando sempre, criando enredos e fazendo saltar os personagens das páginas. Há pouca gente que percebe que escrever é uma espécie de danação em que às vezes se têm encontros com Deus.” Quem foram as pessoas a que recorreu mais e que transformou em personagens?

A mãe dela. A tia. O pai. Imensas vezes. O avô Alfredo, inúmeras vezes. O tio, irmão da mãe. Foi uma pessoa que ela adorou e que morreu jovem. Há uma carta que ele escreve à minha mãe (ela tinha 12 ou 13 anos) de Moçambique, onde estava a trabalhar como engenheiro: é assombrosa.

Falava de quê?

Em todas as cartas que escreveu, e escreveu muitas, sobretudo à irmã (minha avó), falava do país, da vida, das pessoas.

O gosto pela escrita na minha mãe vem também do tio e do avô. O avô Lourenço escrevia com pretensões. Vemos isso no diário que deixou. Há nele uma escrita e uma intenção peculiares; e uma vontade de que aquilo venha a ser lido pelos descendentes. Morreu quando a minha mãe tinha três anos.

Como foi tão forte a marca dele se conviveram tão pouco?

Ele morreu, mas dá-me a impressão de que permaneceu. A memória do que foi a vida dele chegou até mim.

Qual é o essencial da história do avô Lourenço, que fascinou tanto a sua mãe?

Ela lembra-se de ter subido para a cama dele, onde estava doente. Mas não pode lembrar-se de mais. Foi um homem que teve uma vida no Douro, numa terra pequenina. Estudou. O pai morreu quando ele tinha 13 anos. Herdou uma fortuna, à época grande, que estourou em muito pouco tempo.

A minha mãe nunca se entendeu a si própria como uma personalidade resolvida. Estou a dizer-lhe isto a partir da leitura de cartas que tenho feito. Cartas à mãe dela. Sempre escreveu à mãe de uma forma que não é muito normal. Era como se escrevesse a si própria.

 

 

Agora virando a página…

 

Magna Carta renasce das cinzas 283 anos depois

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4173804

 

Há 283 anos que uma das quatro versões da Magna Carta, documento considerado precursor das constituições modernas, estava ilegível devido a um fogo. Agora, com recurso a uma nova tecnologia, voltou a ser lida

Mais um milagre da tecnologia: com recurso a uma nova tecnologia, a imagem multiespectral, uma das quatro versões da Magna Carta voltou a ser lida. Em latim, este texto foi parcialmente consumido por um fogo que, em 1731, atingiu o edifício onde estava guardado. Considerada pioneira das leis constitucionais, a Magna Carta foi assinada em 1215 pelos barões de Inglaterra medieval e o Rei João (1166-1216), numa tentativa de impedir o abuso de poderes pela monarquia.

Apesar de várias tentativas de restauro, esta cópia, conhecida como "A Magna Carta Queimada", continuou ilegível nos últimos 283 anos. Mas agora, com o recurso à imagem multiespectral, uma equipa de conservadores e cientistas da British Library conseguiu ler o documento. Esta tecnologia envolve a combinação de luz ultravioleta e infravermelhos para fotografar o documento, permitindo à equipa "limpar" as camadas danificadas pelo fogo.

Porque a composição química dos materiais varia, os diferentes componentes reagem de formas diversas às diferentes luzes. "Se se está interessado na tinta, a luz ultravioleta fornece a melhor informação. Se se estiver interessado propriamente na textura do pergaminho, os infravermelhos são melhores", explicou a instituição britânica.

 

 

A razão da consciência?...

 

É preciso salvar os dedos

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/e-preciso-salvar-os-dedos-1672871

 

É preocupante a situação da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) e mais preocupante será se, apesar dos alertas que vão surgindo, esta apenas conseguir recolher silêncios condoídos mas impotentes, próprios dos velórios, por ser portadora de um nome que, depois de endeusado, passou a ser persona non grata. Digo mais preocupante para a fundação, mas não só. Para o país também, pois isso significaria que perdemos definitivamente a capacidade de nos elevar acima das circunstâncias e defender princípios básicos e essenciais para o nosso ser colectivo, como a defesa de um património comum, independentemente da sua natureza pública ou privada.

Mas vamos ao início. A FRESS foi criada em 1953, por decreto-lei, para o “estudo e defesa das artes decorativas portuguesas”, com bens e valores “oferecidos” por Ricardo Espírito Santo Silva. Esses bens constituem o património inicial do Museu-Escola de Artes Decorativas que ficou instalado no Palácio dos Condes de Azurara, no Largo das Portas do Sol, em Lisboa, ele próprio inserido na doação inicial. Para a realização dos fins a que se propõe, para além do museu e de duas escolas, os estatutos previam a abertura de uma série de oficinas “destinadas a estágios e aperfeiçoamento nas várias artes decorativas em que tradicionalmente se distinguirão os artífices portugueses e se julgue conveniente evitar que degenerem ou acabem.” Como “instituto de utilidade pública”, o seu financiamento seria assegurado pelo Ministério das Finanças, devendo estar inscrita no Orçamento do Estado "a verba necessária à manutenção do museu-escola e à organização das oficinas que hajam de ser criadas.”

Se recordo aqui os termos exactos em que a fundação foi criada e a sua natureza pública, é porque esse facto é importante para se perceber uma das condições para a doação, expressa no artigo 19 dos estatutos, “no caso da fundação se extinguir ou se desviar dos seus fins, por motivos estranhos ao fundador, os bens por ele doados voltarão à sua posse e propriedade e, se tiver falecido, reverterão a favor dos herdeiros.” Esta norma é perfeitamente compreensível na perspectiva da salvaguarda do projecto do fundador: se o Estado falhar no que é o seu compromisso, a doação fica sem efeito. Desde 2013 a fundação deixou de ter a natureza de fundação pública de direito privado e passou a ser totalmente privada e o artigo 19 pode ser o que a condena, na sequência do descalabro BES.

Hoje tudo ameaça a FRESS. Tendo perdido o seu principal patrocinador, a ameaça de asfixia financeira é real e, seja por extinção "simples" da fundação ou na sequência de um processo de insolvência, é evidentemente o património que está em risco. O pior que podia acontecer seria que a reversão para os herdeiros pudesse significar o seu congelamento e posterior dispersão por eventuais credores. Acresce que nenhuma instituição privada aceitará investir na fundação sem uma garantia mínima de que o seu património não virá a ser objecto de penhora ou pior. Neste sentido, por muito pequena que fosse a participação do Estado, ela representava uma rede de segurança que a fundação deixou de ter. Até porque, tanto quanto sei, o seu património não está sequer classificado.

E o que é esse património? O espólio do museu, evidentemente, mas não só. São também as 18 oficinas que representam o que de melhor se fez, e faz, na arte de trabalhar a madeira, os metais, os têxteis, o papel e as peles. Um pólo de excelência das artes decorativas, nacional e internacionalmente reconhecido, um saber tão raro e precioso quanto frágil, se não for devidamente protegido, como sempre que falamos de património imaterial. Não se trata por isso de “apenas” salvar a segunda maior colecção de objectos de arte decorativa do país, embora isso já fosse mais do que suficiente para nos mobilizarmos, mas de preservar uma arte e um saber único, o expoente máximo da manufactura em Portugal, com tudo o que isso representa como potencialidade em termos económicos mas também do ponto de vista cultural e social.

Em alturas como a que vivemos, existe uma tendência para o fatalismo, que justifica a cobardia e tenta desculpar a inação, tão bem retratada na expressão popular "vão-se os anéis, mas ficam os dedos". Só que no caso da FRESS importa salvar os dedos. Os dedos de mestres detentores de um saber único e secular. Numa altura em que tanto se fala da necessidade de reindustrialização e internacionalização, não perceber o potencial da FRESS num mercado cada vez mais sequioso de autenticidade e singularidade é, como diria, mais uma vez, o povo, "um tiro no pé".

Actriz e deputada do Partido Socialista

 

 

2,4 milhões de pessoas visitaram museus e monumentos em Portugal no primeiro semestre

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/24-milhoes-de-pessoas-visitaram-museus-e-monumentos-em-portugal-nos-primeiros-seis-meses-de-2014-1672723

 

Os blockbusters dos museus e palácios estão em Belém

No primeiro semestre deste ano quase 2,4 milhões de pessoas visitaram os museus, palácios e monumentos portugueses, que tiveram mais 177 mil visitantes do que no mesmo período em 2013, anunciou esta segunda-feira o gabinete do secretário de Estado da Cultura. O mais popular continua a ser o Mosteiro dos Jerónimos. O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) foi aquele que atraiu mais novos visitantes.

Em nota enviada às redacções, a tutela contabiliza então um aumento de 8% no número de visitantes em todos os museus, monumentos e palácios – sendo o principal aumento nos equipamentos culturais do Norte do país. A cifra agrupa os equipamentos sob a tutela das diversas direcções-regionais de Cultura (Norte, Centro, Alentejo e Algarve), além daqueles sob alçada da própria Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Em Junho, a DGPC tinha já divulgado os dados relacionados com os organismos sob a sua tutela e assinalado que durante os primeiros seis meses deste ano estes receberam 1,6 milhões de visitantes, aos quais se juntam agora os dados relativos às direcções regionais.

O ranking dos mais procurados no país mantém-se com o mesmo líder: o Mosteiro dos Jerónimos foi visitado por 378 mil pessoas. Depois, segundo o mesmo comunicado, surge a Torre de Belém, com 242 mil visitantes e o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), com 143 mil ingressos. Este último, assinala o gabinete de Jorge Barreto Xavier, teve “a maior variação positiva, tendo registado um aumento de visitantes na ordem dos 123%” em relação ao período homólogo de 2013.

O MNAA recebeu no primeiro semestre deste ano a exposição Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado (de 3 de Dezembro de 2013 a 6 de Abril de 2014), que teve 80.032 visitantes. Seguiu-se-lhe Esplendores do Oriente. Jóias de Ouro da Antiga Goa, que entre 16 de Abril e 28 de Setembro teve 69 mil visitantes e foi prolongada até Novembro, e Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750), que atraiu 22.184 pessoas entre 17 de Maio e 28 de Setembro.

Na região Norte, que também viu crescer em 112 mil pessoas o número de visitantes nos equipamentos culturais sob alçada do Estado, o espaço mais visitado foi o Castelo de Guimarães, com 138 mil visitantes. No centro, o mais concorrido foi o Museu de Aveiro com 21 mil entradas. Mais a sul, no Alentejo, o Museu de Évora foi o mais popular, com cerca de 12 mil visitantes – mas o maior crescimento registou-se nos ingressos na Casa de Burgos, em Évora, com mais 70% visitantes. No Algarve a tendência de aumento concretizou-se com 122 mil visitantes nos equipamentos da região, dos quais o mais visitado foi a Fortaleza de Sagres, vista por mais dez mil pessoas do que no mesmo período de 2013.

 

 

Porto ilumina-se para o Natal a 28 de Novembro

http://www.publico.pt/local/noticia/porto-iluminase-para-o-natal-a-28-de-novembro-1672891

 

As luzes de Natal no Porto deverão acender-se a 28 de Novembro, iluminando a cidade até 6 de Janeiro de 2015. Este ano, as ruas de Ferreira Borges, Sousa Viterbo, Freixo e da Estação juntam-se às que já usufruíram de iluminação em 2013, pelo que a cidade vai contar com 30 artérias iluminadas. A Rua das Flores promete ser uma das “mais brilhantes da cidade”, a Rotunda da Boavista receberá uma pista de gelo e a Praça da Liberdade vai inaugurar um Mercado de Natal. A Câmara do Porto quis também “qualificar” a passagem de ano, que vai animar-se ao som de Clã e Expensive Soul.

A programação de Natal e Passagem de Ano foi apresentada nesta terça-feira, no momento em que se celebrava também um novo protocolo de cooperação com a Unicer, para apoiar “grandes eventos”. O presidente da autarquia, Rui Moreira, não quis revelar o teor deste apoio, preferindo mantê-lo “reservado”, mas sempre foi dizendo que este e outros protocolos permitem que o município não aumente os encargos com a quadra festiva, apesar desta, no total, custar este ano mais 15% do que no ano passado. Os festejos estão orçados em 161 mil euros, cem mil dos quais para as luzes de Natal que, por ocuparem mais ruas e se manterem acesas por mais uma semana (no ano passado, com poucas excepções, as luzes só se ligaram a 6 de Dezembro), custam mais 20 mil euros do que em 2013.

Hugo Neto, da empresa municipal Porto Lazer, defendeu que este ano a cidade terá “um Natal muito animado, com razões de sobra para que muitas pessoas vivenciem experiências e possam ter razões para virem ao centro do Porto, para vir ao comércio de rua”.

Entre as propostas da empresa de animação está a árvore de Natal na Avenida dos Aliados, que receberá também uma nova instalação, com a música como tema, e que já está escolhida. “Texturas Sonoras”, da arquitecta Isabel Barbas vai, por isso, passar o Natal na avenida. A Rua das Flores terá “uma solução de iluminação específica” e o mesmo irá acontecer com a Torre dos Clérigos, a partir do dia 12 de Dezembro – a data apontada para a reinauguração, depois das obras.

A pista de gelo na Praça de D. João I vai ganhar uma companheira, na Rotunda da Boavista, e na Praça da Liberdade, vai nascer, pela primeira vez, um Mercado de Natal. Juntam-se a estas propostas iniciativas de animação de rua e o já habitual acordo com os comerciantes, para que estes possam disponibilizar vouchers aos seus clientes, que permitem acesso a custos reduzidos aos parques de estacionamento municipais.

Rui Moreira garante que a aposta no Natal e na Passagem de Ano (está prometida uma “solução surpresa no fogo-de-artifício que proporcionará uma experiência única ao público”) faz parte da estratégia da autarquia de atrair visitantes todo o ano. “O Porto, que era tradicionalmente um destino de Primavera, também já é de Verão e Outono. Queremos que seja também um destino de Inverno, combatendo a sazonalidade”, defendeu.

 

Aqui fica estas e outras culturas.

O “Gotinhas “ volta para a semana!

 

Até breve!

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